EGO ESPIRITUAL

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 18:40

(...) Atrás do ego espiritual, há simplesmente a vontade (inconsciente ou consciente, pouco importa) de manifestar uma ascendência sobre o outro, antes de manifestar uma ascendência sobre si mesmo. (...)


(...) Agora, haverá muitos Chamados e poucos Escolhidos.

E quais Chamados não são Escolhidos?

São aqueles que foram confinados no que eu nomeei a Ilusão Luciferiana, todos aqueles que pararam a Luz (pelo ego espiritual) na cabeça, e que estão persuadidos de terem chegado ao auge da evolução.

São todos os mestres, pseudo ascensionados que abriram o terceiro olho e que creram ter chegado ao Coração, mas que não estavam no Coração.

Eles estavam apenas na cabeça. (...)
O.M. AÏVANHOV – 24 de setembro de 2011

Quer dizer que há muitas pessoas que se nutriram da Luz, mas que nutriram o próprio ego: isso se chama o ego espiritual.

O que vocês vão viver, agora, a partir do mês de junho e durante este verão [inverno no hemisfério sul], vocês serão capazes de ver se estão realmente abandonados à Luz ou não.

É isso o que vocês viverão.

Isso se chama realizar o Abandono à Luz, simplesmente.

Quando é intelectual, isso não vale um amendoim.

Agora, solte os amendoins, tire a mão do frasco e você verá que o que eu digo é verdadeiro.

Mas eu não posso fazê-lo, eu repito, em seu lugar.

O.M. AÏVANHOV – 30 de maio de 2011

Buda dizia: «quando você chegar ao nível dos poderes (ou seja, os Siddhis, os poderes da alma), salve-se rapidamente».

Porque se encontram, naquele nível, os poderes espirituais e, portanto, o ego espiritual, que se apropria da Luz, estando persuadido de ter chegado ao Coração.

É apenas um inchaço do ego.

(...)

Enquanto um ser humano reivindica uma posição precisa sobre esta Terra (e, sobretudo, ao nível espiritual), vocês estejam seguros de enganarem-se grosseiramente e de que é um ego magnífico que se apresenta a vocês.

Então, é claro, os seres humanos têm sempre tendência a serem seduzidos.

Pelos homens políticos, pelas estrelas.

E, para aqueles que estão num caminho dito espiritual, eles serão seduzidos por aqueles que estão no ego espiritual.(...)

O.M. AÏVANHOV – 22 de maio de 2011


O discernimento pertence, de maneira irremediável, ao ego espiritual.

Não há o que discernir, porque o discernimento é mental e intelectual, como sempre.


(...) O orgulho espiritual está também frequentemente presente sob forma de falsa humildade, em que o ser vai afirmar uma espiritualidade para aceder a certo número de privilégios, considerando que estes vão permitir encontrar um sentido para sua vida, na matriz.
Aí se situa a armadilha a mais importante do ego espiritual, que é fazê-los crer que a Luz Vibral será destinada a estabelecê-los na Alegria, nesse mundo. (...)


(...) Atrás do ego espiritual, há simplesmente a vontade (inconsciente ou consciente, pouco importa) de manifestar uma ascendência sobre o outro, antes de manifestar uma ascendência sobre si mesmo.
Há, portanto, uma falta de Coração, mesmo se a máscara do coração possa estar na dianteira da cena, querendo simplesmente tomar o poder sobre o outro por carência de poder sobre Si.
O ego espiritual vai se nutrir de capacidades ditas espirituais, chamadas de poderes da alma.
O Coração é Humilde e Pequeno.
O Ego espiritual não pode compreender e não pode aceitar esta humildade, esta simplicidade e esta noção de pequenez.
Há, portanto, uma inflação do ego, chamada ego espiritual, mas não há nada de espiritual ali, mesmo se os poderes espirituais estejam presentes. (...)


(...) O Ego espiritual se refere a seu ego com os outros egos, daquele que quer criar ou manter uma ascendência ou uma dependência com relação a si mesmo.
A maior parte do que foram chamados Mestres espirituais são, geralmente, seres no ego espiritual, onde a vontade de bem vai fazer de modo a que seus discípulos sejam completamente subjugados a seus Mestres.
Há uma relação de dependência que se instala, que é chamada de ego espiritual, porque, se um verdadeiro Mestre abrisse o Coração de seu discípulo, não haveria mais discípulo porque, naquele momento, este se tornaria um Mestre, por sua vez. (...)



 

Sobre Géneros... INTERESSANTE

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 15:30

A construção histórico-social dos sexos: o gênero


(...) O fim do matriarcado é situado, atualmente, por volta de 2000 a. C., variando nas datas de região para região. É fato histórico que a partir de então, o mundo começou a pertencer aos homens, fundando o patriarcado, base do machismo e da ditadura cultural do masculinismo(15). São obscuras as razões dessa passagem que demorou cerca de 1000 anos para se impor, perdurando ainda até os dias atuais. Provavelmente a vontade de dominar a natureza levou o homem a dominar a mulher, identificada com a natureza pelo fato de estar mais próxima aos processos naturais da gestação e do cuidado com a vida. O grave é que os homens conseguiram “naturalizar” essa dominação histórica, introjetá-la nas mulheres a ponto de muitas delas aceitarem tal situação como normal.(...)


O segundo é o cérebro límbico, surgido há 125 milhões de anos, com os mamíferos. É o cérebro dos sentimentos, da relação afetiva, do cuidado com a prole, da comunicação oral. Esse teve a mais longa duração temporal e estrutura fundamentalmente a profundidade humana, feita de pathos (sentimento) e eros (afeto). É o cérebro da dimensão de anima em todos os seres superiores.

Por fim, há o cérebro neocortical que irrompeu com a consciência reflexa há três milhões de anos. Este é o mais recente e o que menos memória genética possui, quando comparado com seus predecessores. Ele responde pelo pensamento, pela fala e pela capacidade de abstração e de ordenação do ser humano. É fundamentalmente responsável pela dimensão de animus nos seres humanos, homens e mulheres.

A sexualidade e o amor têm suas raízes profundas no cérebro límbico. Ele, de certa forma, é o mais importante no ser humano, pois por detrás de toda produção neocortical se escondem emoções do cérebro límbico. Há uma ressonância límbica em todo o aparato consciente, pois, os conteúdos neocorticais são imbuidos de pathos conferindo-lhes relevância e valor. Só o que passou por uma emoção e uma experiência marca indelevelmente a pessoa e permanece mentalmente como capital significativo e orientativo pelo resto da vida.

Todos esses dados da biogênese influenciam poderosamente a organização da sexualidade humana. Tomemos, a título de exemplo particular, os hormônios e sua importância na diferenciação sexual(6).

Sabe-se que os hormônios, especificamente, andrógenos pré-natais, operam uma diferenciação masculina e feminina de algumas porções do sistema nervoso central. Mulheres que sofreram, por exemplo, uma andogrenização fetal parecem resistir a uma socialização (considerada) feminina e mostram interesses e níveis de atividade tidos como adequados aos homens. Homens que sofrem de insensibilidade congênita aos andrógenos pré-natias, assumem caracerísticas comportamentais tidas nitidamente como femininas e se opõem a uma socialização dita masculina.

É próprio do androgênio potenciar a agressão, enquanto o estrogênio a inibe. Os homens, produtores em maior quantidade de androgênio, são, por isso mesmo, muito mais predispostos à agressão, possuem uma massa muscular maior e um coração e pulmões de proporções mais avantajadas.

A elaboração sócio-cultural desta diferença fez com que, por exemplo, se assinalasse aos homens tarefas mais ligadas ao perigo físico, à conquista territorial, à dominação e ao jogo do poder sobre outros. Estudos transculturais tem-no mostrado com certa generalidade.

Da mesma forma, a estrutura biológico-hormonal da mulher, propendeu-a a tarefas ligadas à produção, conservação e desenvolvimento da vida. Seu investimento parental - isso se revela também nas fêmeas animais - é muito maior do que aquele do homem. Enquanto o homem possui uma sexualidade regionalizada, a mulher, é um corpo integralmente saturado de sexualidade (M. Foucauld). Esta diferença levou, no nível sócio-cultural, a outras formas de diferenciação que caracteriza transculturalmente homens e mulheres.

Assim, por exemplo, as mulheres estão muito mais ligadas a pessoas do que a objetos. Mesmo quando têm a ver com os objetos, facilmente os transformam em símbolos e os atos, em ritos. O homem, por sua vez, está mais ligado a objetos que a pessoas e, no processo de produção, tende a tratar as pessoas como objetos (material humano). Mais ainda: os homens são inclinados a correr riscos, a conquistar status e poder com suas iniciativas e a afirmar-se individualisticamente, se possível, no topo da hierarquia.

As mulheres, por sua vez, são mais centradas na teia de relações pessoais, entregues ao cuidado da vida, sensíveis ao universo simbólico e espiritual, capazes de empatia e comunhão com o diferente(7).

Nas relações sexuais a mulher procura antes a fusão que o prazer, mais o carinho que o intercurso sexual. Precisa amar para fazer sexo pois não dissocia amor e sexo. O homem, por sua vez, dissocia, facilmente, amor do sexo, busca antes o prazer que o encontro profundo. O homem dá, a mulher é dom. A vestimenta na mulher é um comentário de sua própria beleza; o que coloca em seu corpo se transforma em objeto de contemplação para si e para os outros. Para o homem a vestimenta cumpre uma função objetiva de cobrir seu corpo e de qualificar seu status social, nem sempre associado à expressão estética.


O matriarcado e o patriarcado como instituições

Num estágio posterior, já num avançado processo civilizatório, as mulheres comparecem como as principais produtoras principais de cultura. Há pelo menos trinta mil anos, dependendo das regiões, florescia em todos os continentes o matriarcado(12). Segundo a pesquisadora do matriarcado Heide Göttner-Abendroth(13),as grandes culturas das cidades (a partir de 10.000 a.C) eram matriarcais, ligadas à introdução de um novo modo de produção que é a agricultura, o cultivo de plantas e a domesticação de animais. É o tempo das grandes Deusas que inspiraram organizações sociais marcadas pela cooperação, pela reverência face à vida e a seus mistérios. As mulheres detinham a hegemonia política; eram elas que mediavam e solucionavam os conflitos e organizavam as sociedades. Eram responsáveis pelo bem comum do clã na vida e na morte. Por que também na morte? Porque nessa cultura, a morte não é sentida como negação da vida mas como um evento pertencente à vida. A morte não é um fim, mas uma viagem na qual o falecido se transforma e volta ao clã pelo renascimento que acontece através das mulheres. Elas garantem a continuidade da vida e quando esta morre, pelo retorno à vida, concebendo e dando à luz vidas que haviam morrido.

A natureza não é vista como um entorno a ser conquistado mas como uma totalidade da qual cada ser humano é parte e parcela e com a qual deve viver em harmonia, no respeito e na veneração. As instituições do matriarcado, caracterizadas por grande força integradora, foram tão significativas que se transformaram em arquétipos e em valores e como tais deixaram incisões na memória genética até os dias de hoje. Esses arquétipos e valores não pairam num imaginário vazio, mas são calcados sobre fatos históricos e políticos que esclarecem a consistência que guardam até o presente.

A própria linguagem estaria associada ao trabalho civilizador das mulheres: “faz sentido que as mulheres que deram a luz à vida mediante a boca sexual ou vaginal, tenham também dado a luz à linguagem humana através da boca social ou facial”(14).

O fim do matriarcado é situado, atualmente, por volta de 2000 a. C., variando nas datas de região para região. É fato histórico que a partir de então, o mundo começou a pertencer aos homens, fundando o patriarcado, base do machismo e da ditadura cultural do masculinismo(15). São obscuras as razões dessa passagem que demorou cerca de 1000 anos para se impor, perdurando ainda até os dias atuais. Provavelmente a vontade de dominar a natureza levou o homem a dominar a mulher, identificada com a natureza pelo fato de estar mais próxima aos processos naturais da gestação e do cuidado com a vida. O grave é que os homens conseguiram “naturalizar” essa dominação histórica, introjetá-la nas mulheres a ponto de muitas delas aceitarem tal situação como normal. Simone de Beauvoir fez de tal acontecimento histórico-cultural a crítica mais radical. A mulher representaria um caso particular da dialética imposta pelos homens, dialética do senhor-escravo, impedindo que ela expressasse sua diferença e elaborasse sua identidade(16). O homem fez dela a encarnação do outro, no qual se permite descobrir, confirmar e projetar o próprio eu. Todas as formas de antifeminismo antigas e modernas se baseiam nesta dominação do homem sobre a mulher. Suas expressões pervadem todos os níveis sociais também no seio das religiões e do cristianismo(17), constituindo o patriarcado como realidade histórioco-social e como categoria analítica.

Como categoria de análise, o patriarcado não pode ser entendido apenas como dominação binária macho-fêmea, mas como uma complexa estrutura política piramidal de dominação e hierarquização, estrutura estratatificada por gênero, raça, classe e religião e outras formas de dominação de uma parte sobre a outra(18). Essa dominação plurifacetada construiu relações de gênero altamente conflitivas e desumanizadoras para o homem e principalmnte para a mulher (19).

As relações de gênero, particularmente no seio da família, vêm marcadas pela guerra surda e, não raro, gritante dos sexos. Ela marcou os dispositivos psicológicos do relacionamento, minando a singeleza das relações e carregando-as de tensão, disputa e vontade de poder. Tais conflitos de gênero são de tal monta que dificilmente podem ser resolvidos por um casal, por exemplo, pois subjacente trabalha uma pre-história de sofrimento, de dominação e de tensões com milhares de anos de persistência. Só é possível uma convivência minimamente harmoniosa do casal mediante uma atitude vigilante de auto-crítica, capacidade de aceitação dos limites de um e de outro, uma ética transparente de benevolência e com-paixão e, não em último lugar, a espiritualidade como uma fonte permanentemente inspiradora de sublimações e de novas motivações. Mediante esta última dimensão, profundamente humana (não é monopólio das religiões) o ser humano reforça seu lado luminoso e melhor, capaz de integrar e curar seu lado sombrio e menor.

A nova consciência instaurada já há mais de um século pelo feminismo carrega dentro de si um potencial crítico e construtivo da maior importância. O feminismo clássico e o pós-feminismo (que incluem na tarefa da libertação os homens e não só as mulheres) criaram o âmbito das utopias mais promissoras para a humanidade, dentro de um novo pacto sócio-cósmico, com uma democracia participativa e aberta, com uma relação mais equilibrada entre os gêneros e com uma integração benfazeja com a Terra.


Ler o texto todo, e a numeração referente aos autores seguir o Link

Yogananda - a litle more

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 13:51


“É melhor viver no inferno na companhia de um homem sábio e de fala áspera do que habitar o paraíso com dez mentirosos de lábios doces! Tolos transformam um paraíso no inferno, ao passo que um homem sábio transforma qualquer inferno num paraíso”.

“O homem que está sempre inquieto e nunca medita acredita que com ele está “tudo bem”, porque ele se acostumou a ser um escravo dos sentidos. Ele só perceberá sua verdadeira condição quando nele despertar um desejo espiritual e ele tentar meditar e se acalmar; então, naturalmente, ele encontrará uma feroz resistência por parte dos maus hábitos de inconstância mental”.
 
 

PARAMAHANSA YOGANANDA

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 09:27



Conserve a energia vital, siga uma dieta equilibrada, sorria e esteja sempre alegre. Quem encontra alegria dentro de si mesmo descobre que seu corpo está carregado de corrente elétrica, de energia vital, não do alimento, mas de Deus. Se acha que não consegue sorrir, fique diante de um espelho e puxe os lábios com os dedos para armar um sorriso. Isso é muito importante!

...tentativa de mudar a dependência dos métodos físicos para os métodos espirituais deve ser gradual. Se uma pessoa, acostumada a comer demais, adoece e, com a intenção de obter uma cura mental, começa repentinamente a jejuar, poderá desanimar-se caso não tenha êxito logo. Leva tempo para se mudar a maneira de pensar e passar da dependência da comida à dependência da mente. 


Uma linguagem desprovida da força do espírito, se assemelha a uma espiga de milho desprovida de seus grãos. 


A atitude mental deveria adptar-se ao tipo de afirmação que se aplique: afirmações relacionadas com a vontade, devem ser acompanhadas de uma enérgica determinação; afirmações relacionadas com o sentimento devem ser acompanhadas de devoção; afirmações relacionadas com a razão, devem ser acompanhadas de um claro entendimento. Quando se deseja curar os outros, devemos selecionar um tipo de afirmação que esteja de acordo com o temperamento do paciente, seja este ativo, imaginativo, emotivo ou reflexivo
YOGANANDA

As Crises Das Lolitas. The Crisis Of Lolitas.

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 11:25



photo katya ford

 
Crónicas
As memórias das Meninas que não se esquecem.
As Crises Das Lolitas.


Margarida era amiga de Helena. Conheceram-se nos corredores do Liceu. Margarida, era uma jovem voluptuosa, curvas generosas,  cuja adoração eram saias até ao joelho com sapato de salto alto de agulha em cor - de - rosa.  Sempre elegante e cheirosa. Os cabelos sempre arranjados. Margarida não perdoava nada, para ela, a elegância era fundamental. Não tinha namorados. Não conseguia ter namorados e queria tê-los. Raramente comentava sobre o alvo das suas paixões.  Nunca se conheceu algum namorado durante bastante tempo.Margarida era a rapariga que sendo vistosa e provocadora não tinha namorados. Margarida era vaidosa e pretensiosa e maldosa. Sempre tudo tinha que girar à volta do seu centro. Pisava o chão, olhando-o bem para ele, naqueles sapatos de salto alto. Como se movesse em bico de pé.
Helena, pequena e magra. Simples no vestir e meia maria - rapaz. Sempre de ténis, calça de ganga e camisa de rapazinho. Usava a camisa fora das calças. Helena, era tímida e não se sentia muito bem na sua pele. Queria esconder o corpo, e portanto, o oposto de Margarida. Pouca conversadora. Gostava apenas de estar, desde que não pudesse falar. Sabia que sempre que falasse, o encanto se perdia. Qualquer coisa deixava de funcionar. Quanto mais recuada e menos o centro de atenção, mais as coisas pareciam despertar o interesse na sua direcção. Desde que nunca se pronunciasse. Tinha imensas paixões. Apaixonava-se e deslumbrava-se. Nunca namorou aqueles por quem nutria paixão. Tinha complexos estranhos. Queria namorar e não sabia como fazê-lo sem represálias, ou a chamassem de puta. Mal tinha um namorico, vinha logo o estigma da puta, da fácil. A rapariga só beijava. Enquanto as outras, essas ninguém lhes dizia nada e até tinham relações sexuais. Era fiel e leal às amigas, talvez por conta de uma ingenuidade muito peculiar, que às vezes caía no ridículo. Muitas vezes era motivo de risadas impróprias, só pela sua própria presença.

Conheceu Margarida e nem se recorda porque se interessou pela sua presença. Desciam juntas a pé, do Liceu, em direcção ao centro da cidade.  Almoçavam, também, juntas num restaurante. Era um ritual diário e quase sempre à mesma hora. Os horários coincidiam. O restaurante era de qualidade e, oferecia um desconto apreciável a jovens estudantes. Mas era raro, encontrar por lá estudantes. Helena, nunca comera na cantina da escola. Margarida, também não. Não era uma questão de serem jovens que pudessem pagar todos os dias um almoço no restaurante. Helena, nunca pensara porque nunca usara o refeitório. Nem se lembrava alguma vez de ter entrado nele. Margarida, gostava de restaurantes, e foi ela que levou Helena a almoçar a primeira vez. Helena, gostou e nunca mais deixou-o. Durante quatro anos comeram diariamente no restaurante e nem sempre juntas. Pagavam entre 250 escudos e 500 escudos por cada refeição. A ementa era variada, mas a eleição de ambas ia para um prato de atum com cebolada, a acompanhar com arroz e salada fresca. Era um delírio. Saiam de lá sem poder respirar de tanto comer. Helena era mais selectiva quando gostava de alguma coisa no cardápio. Margarida, era o diferencial... comia tudo o que lhe surgia. O atum, era uma história à parte de todo o cardápio. O Chefe da Cozinha, tinha de facto uma mestria em saber cozinhar o atum.

Helena e Margarida sempre se faziam acompanhar uma à outra, tanto para o restaurante como no regresso a casa, às suas cidades. Apanhavam o autocarro, viviam a 5 quilómetros uma da outra. Não eram ''amigas'' fora do Liceu. Apenas mantinham uma suposta amizade incompreensível dentro do Liceu e no almoço e, no regresso de autocarro a casa. Nunca se soube porque nunca ambas se relacionaram para lá dos portões da escola. Nunca as férias as juntaram. Nunca elas se perguntaram ou falaram sobre isso. Elas, apenas, estavam juntas e sem muita conversa.  Eram, apenas  as ''amigas'' e colegas de escola. Nunca houve uma ida ao cinema juntas. Nunca houve um encontro para irem a qualquer lugar ou encontrar outras pessoas fora do período escolar. Nunca houve uma ida à praia, à piscina. Elas pareciam não existir na vida fora dos portões da escola. Nunca se soube o motivo! O que as juntava na escola e o que as repelia fora dela, era um mistério.


Não se sabia se Margarida era amiga de Helena, e se esta era amiga dela. Durante um tempo, nunca se soube bem. Margarida tinha comportamento aparentemente de mulher  crescida. Ela tentava ser mulher à força e vestia-se dessa forma. Helena, era menina e bonita, mas estava longe dos padrões de beleza física que a Margarida tinha. Margarida não tinha o corpo propriamente bonito. Ela transformava o corpo com a roupa que usava. Insinuava-se. Saia justa até aos joelhos, sapato de salto alto. Ela tinha 14 anos. Uma Lolita rechonchuda.   Não era um corpo de manequim, e era pequena de estatura e ossos largos. Helena era esguia, mais alta, cintura de vespa, que durante o Inverno vivia escondida e, com o verão, se desnudava e os colegas que a viam na praia ficavam surpreendidos. A Feia virava A Bela. Mas, logo tudo era esquecido e na volta à escola, ninguém se lembrava de nada. Helena se apagava da história.  Margarida, era essa coisa, gorda ou torta, estava sempre lá. 

Esta crónica, leva-nos a uma crucial viravolta na ligação destas duas raparigas. Não seria suposto tal ocorrer.  Margarida revela-se uma perfeita maldosa. Helena e Margarida em conjunto com mais colegas se dirigem para o centro da cidade, ficando o Liceu para trás naquele meio-dia, por conta de uma aula perdida. Em grupo conversam, Helena caminha ao lado de Margarida. Sem que ninguém esperasse, Margarida humilha Helena.  Margarida de um só golpe, desfere sobre Helena uma sentença cruel, que ela se afastasse da sua presença. Helena, não tinha feito nada. Nunca fora mal educada, nunca agredira e alguma vez falara mal de Margarida.  Continuara agredindo Helena sem motivo aparente. Helena, se encolhe ferida. Não reage. Fica muda. Não percebe. Os colegas que as acompanhavam, entrevem e dirigem a palavra para Margarida e pedem que, parasse de desferir sobre Helena, golpes tão baixos. ''A miúda, não fizera nada! Porque estás a dizer tais coisas. A miúda gosta de ti. O que te mordeu, Margarida?! Nem pareces tu!!!'' - diz uma das colegas que tinha se juntado a elas. Margarida furiosa, responde que está farta de ver a Helena sempre atrás dela. Chateava-a. Não tinha paciência para a aturar. Os colegas tentaram acalmar os uivos da Margarida. Helena, estava assustada com tal agressão. Não fizera nada. Não entendia o comportamento de Margarida, que até ali parecera ser sempre simpática e exemplar.  Helena,  uma jovem que nunca pronunciava mal algum sobre alguém. Foi um golpe repentino, para Helena. Margarida não tinha qualquer sentimento pela sua actuação. Quando sozinhas, nunca tinha tratado Helena daquela forma. Em grupo, já existia subtilmente essa atitude de humilhação, mas Helena nunca percebera o grave que isso representava. Em que Helena, poderia representar uma ameaça à Margarida!?

Vieram as férias, e não mais se viram. No regresso à escola, Margarida, afastou-se sem que Helena alguma coisa tivesse feito. Helena não comentara o infeliz episódio para ninguém. Tinha sido ferida na sua lealdade para com a Margarida. Não existia motivo algum naquela reviravolta no comportamento da Margarida. Helena era ingénua, Margarida, o que ela não tinha era ingenuidade. Inicia então, sempre que a oportunidade surgia,  espalhar maldizeres sobre Helena de grosso modo. As coisas ditas, não chegavam aos ouvidos de Helena. Ela, não fazia ideia. Margarida sentia prazer em dizer coisas para que a reputação de Helena, fosse por água abaixo. Queria envenenar tudo. Helena não sabia porque aquilo ocorria, e, Margarida nunca contou o motivo real do seu sentimento que a levou a actuar dessa forma rude sem justificação.

Elas se afastaram. Poucos anos, passaram-se, e Helena ainda ouvira coisas ruins, pela boca de colegas,  que Margarida haveria dito sobre ela. Margarida fora cruel. Tivera a intenção de humilhar. Helena tinha presença. Helena tinha imensas capacidades, e que não eram claras. Margarida, que se julgava uma rapariga bem comportada, revela-se invejosa, maldosa e destruidora. Helena não soubera se proteger e responder às ofensas. Engolira os sapos e se fechara numa dor surda, sem ter podido feito a sua sentença.
Outros anos se passaram e, a tão vaidosa Margarida formou-se em psicologia clinica. A coisa não resulta, e ela vira enfermeira de pessoas idosas... oferecendo apoio!! Margarida, nunca mais se lembrou de Helena e da sua desconsideração perante uma amiga que gostava dela e era leal, e de certa forma indefesa. Margarida era maldosa e ferrada, não se lembra dos males que fez. Helena, lembrou-se umas quantas vezes. Riu-se imenso do castigo que a vida lhe deu, à pretensiosa e maldosa, que agora, cuida de idosos. Concerteza, que a vocação de maldosa deve ter sido transformada...
Helena, perdeu-se. Encontrou-se, anos depois,  através de um relacionamento amoroso-afectivo com um homem, cuja estrutura psicológica e inteligência emocional  lhe fez despertar os talentos adormecidos. Deixou de ser a mulher tímida para passar a ser alguém com força. Helena, renasceu das próprias cinzas atoalhadas no tempo. Renasceu das maldades.

Porque todo o mal, tem um término!! 

Les Miserables - I Dreamed A Dream

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 20:46

I Dreamed A Dream

There was a time when men were kind
When their voices were soft
And their words inviting.
There was a time when love was blind
And the world was a song
And the song was exciting.
There was a time ... then it all went wrong

I dreamed a dream in time gone by
When hopes were high and life worth living,
I dreamed that love would never die
I dreamed that God would be forgiving.

Then I was young and unafraid,
When dreams were made and used and wasted.
There was no ransom to be payed,
No song unsung, no wine untasted.

But the tigers come at night,
With their voices soft as thunder,
As they tear your hope apart
As they turn your dreams to shame

He slept a summer by my side.
He filled my days with endless wonder,
He took my childhood in his stride,
But he was gone when autumn came.

And still I dreamed he'd come to me
And we would live the years together,
But there are dreams that cannot be
And there are storms we cannot weather.

I had a dream my life would be
So different from this hell I'm living
So different now from what it seemed
Now life has killed the dream
I dreamed

Eu Sonhei um Sonho

Houve um tempo em que os homens eram gentis
Quando suas vozes eram suaves
E suas palavras convidativas
Houve um tempo em que o amor era cego
E o mundo era uma música
E a música era excitante
Houve um tempo... e de repente tudo ficou errado

Eu sonhei um sonho em um tempo passado
Quando as esperanças eram grandes e a vida valia ser vivida
Eu sonhei que o amor nunca acabaria
Eu sonhei que Deus seria misericordioso.

Eu era jovem e não tinha medo
Quando os sonhos eram realizados e usados e jogados fora
Não havia resgate a ser pago
Nenhuma música sem ser cantada, nem vinho não degustado.

Mas os tigres vêm a noite,
Com suas vozes suaves como trovão,
Enquanto eles despedaçam sua esperança
Enquanto eles tornam seus sonhos em vergonha

Ele dormiu um verão ao meu lado.
Ele preencheu meus dias com maravilhas sem fim,
Ele levou minha infância em seu passo
Mas ele se foi quando o outono veio.

E ainda assim eu sonhei que ele voltaria para mim
E que viveríamos os anos juntos,
Mas existem sonhos que não podem ser sonhados
E existem tempestades que não podem passar.

Eu tive um sonho que minha vida seria
Tão diferente deste inferno que eu vivo
Tão diferente agora do que parecia ser
Agora a vida matou o sonho
Que eu sonhei.
 

Life VIDA Love AMOR Meditação MEDITATION

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 13:05



A Plenitude da Vida e da Luz tem sido desperdiçada dia após dia nas actividades perversas do mito egoísta e divisório chamado mente, que é constantemente capturado pela obscuridade dos opostos, como "bom ou mau", "certo ou errado ", "honestidade ou hipocrisia", "consistência ou conflito", "moral ou imoral", "prazer ou dor", "lucro ou perda", "vencer ou derrotar ", "cooperação ou competição" e assim por diante; sendo uma parte dos falsos sistemas de valores social, cultural e convencional , como é também o sistema de crenças estúpido de uma sociedade monstruosa em que matanças cruéis e explorações maciças de homens feita por outros homens continua inabalável há milénios!

 Esse abominável pequeno “eu”, apesar de obter prazer constante na glorificação e engrandecimento, de repente abandonou as suas buscas de poder e de posse de riquezas e encontrou - se no estado de felicidade de uma consciência - sem - necessidade - de - escolhas! E então, a Divindade sem - divisão começou imediatamente dentro de nós mesmos a fazer o trabalho mais profundo que, naturalmente, é considerado como "não - trabalho" ou "trabalho inútil" do ponto de vista do ego - eu!

E neste estado maravilhoso, todos os ruídos do notório “Eu” chegaram a um impasse e uma conversa melodiosa começou no ser - interior sem a limitação do sistema linguístico ! Algumas reflexões nessa dimensão do “não - eu”:

1) Todas as experiências “Espirituais” quer sejam “ esclarecedoras” ou “ extraordinárias” são mera sensualidade e produtos dos passado condicionado.

2) Poluição religiosa e espiritual é muito mais prejudicial, em comparação com a poluição atmosférica.

3) Humanidade gira em torno da venda e da compra , o que inclui “idéias espirituais” !

4) Ver sem ser espectador destrói a continuidade e a corrupção do pensamento.

 5) O autor da pergunta é, infelizmente, uma rede de respostas que foi buscar a outros . Será possível perguntar e ficar com esta pergunta: “ É possível estar num estado de “não - saber” , apesar de usarmos todo o nosso conhecimento técnico para executar as tarefas diárias?

 6) O verdadeiro silêncio é explosivo. Talvez seja vulcânico . É a vida. Não é a mente que artificialmente colocamos em silêncio!

7) Desejar não querer é também um querer .

8) Qualquer conhecimento que vamos buscar a outro , quer a escrituras antigas ou a filosofias modernas, não vale nada a menos que se dissolva no corpo - vivo como uma percepção directa.

9) O estado natural do "nada" explode nos nossos nervos, células e medula - óssea .

10) Qualquer movimento da mente, em qualquer direcção, em qualquer dimensão, em qualquer nível afasta - nos do nosso verdadeiro Self existencial.

Quando isso é entendido directamente por uma pessoa , então acontece uma entrega completa e uma total renúncia !

Texto retirado do site kriyayoga -  Shibendu Lahiri

Conhecimento

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , , | Posted on 09:41

"Pure Lotus" by Chen Zhengping
Falun Dafa Art Center

Os que procuram manter seus seguidores, infundindo-lhes medo, não são verdadeiros mestres. Devemos ser sempre movidos pelo conhecimento, nunca pelo medo.

«Tornamos o mundo belo, e temos o poder de destruí-lo. Quando profanamos o mundo, o meio ambiente sofre uma mudança violenta, que é chamada dissolução parcial. Tais cataclismos ocorreram muitas vezes - um exemplo é o dilúvio de Noé. Estas dissoluções  parciais são conseqüências de ações erradas e erros ignorantes da humanidade. Não pensem que os acontecimentos deste mundo estão ocorrendo automaticamente, sem o conhecimento de Deus. E não pensem que as ações humanas não têm efeito na execução de Suas leis cósmicas. Tudo o que aconteceu através das eras está gravado no éter. As vibrações do mal que a humanidade deixa no éter perturbam o equilíbrio harmonioso normal da terra. Quando a terra fica muito pesada com a doença e o mal, estas perturbações etéricas fazem com que o mundo abra caminho para os terremotos, as inundações e outros desastres naturais. »

Por Yogananda, Guru Indiano  do início do século passado

Em tempos de Trevas

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 09:30

Quando tudo está um caos...

É nestas alturas, que grandes homens e também grandes mulheres deviam estar vivos, porque deles e delas vêm aquilo que se poderia chamar de «respostas», e que não são forjadas nos almanaques, mas desenterradas do pântano fundo onde as coisas realmente estão encarceradas e dos céus mais profundos.
«Está calado, oh, bico», diriam alguns. Também, seria dito  em especial àqueles,   com profundidade de esclarecimento,  ainda vivos, e que não lhes é permitido terem a força... ninguém lhes liga...  somente após a morte, quando o morto e mais o seu esqueleto  e que já não se podem defender e acima de tudo, dar mais Conhecimento, portanto consciência, à Humanidade. Assim, continuamos mergulhados em Trevas e a caminho de um colapso Humanitário.

Os grandes Ídolos de facto, são Pessoas Mortas, porque elas já não podem argumentar, opinar, discursar e analisar; fazerem revoluções que mudam o mundo... estão lá no fundo da terra, e no fundo do universo - não se sabe bem onde, mas estão em contínua respiração -. 
Lamento que as coisas do espírito tenham-se afundado no rescaldo desta desorganização global, e que ainda nem um Cristo tenha ressuscitado... pois dizem que, agora, o Deus está dentro de ti e que deves descobri-lo... é verdade (!) mas, a Humanidade que se vive projectando, precisa de uma Entidade que a faça mudar, que a guie e oriente, porque por ela, e devido à tal diversidade, acaba por se esmagar e andar sempre em contra mão! Indivíduos entregue  a si mesmos e em grupos, não  acabam bem. Para quando um Emissário Nestes tempos, é preciso mais do que um EMISSÁRIO!!! Um Ghandi, um Cristo...  verdadeiros libertadores de consciências!!!''

Coisas de Portugal

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 14:35


Hoje, ouvi um nome: Erkut Akbay. Fui investigar. Acabei encontrando o que teria de facto acontecido ao senhor, e no texto, acabei por encontrar outras coisas, como o que era a Cova da Onça. Nunca tinha ouvido tal. Poderão aceder às respectivas páginas no Link  abaixo de cada texto.


Erkut Akbay


Ano 1982

 Na segunda-feira 7 de junho, o adido comercial da embaixada da Turquia, Erkut Akbay, 39 anos, é morto pelas 13:00 horas em Linda-a-Velha, com cinco tiros 9 mm na cabeça e pescoço, no interior do Peugeot 504, azul metálico, matrícula CD-15-55. A sua esposa Nadide ferida com quatro balas ficou em coma no hospital S. José. “Na operação, reivindicada telefonicamente para as agências da France Press em Paris e em Lisboa, pelo Comando dos Justiceiros do Genocídio Arménio, teriam participado dois homens, sendo um o autor dos disparos (ainda jovem, trajando calça e casaco de modelo safari, de cor azul e com um panamá branco na cabeça) e outro, colocado à distância, igualmente jovem, moreno, de bigode e de fato de treino castanho. (…). O agressor, que com as mãos envolvidas num saco de plástico, empunhava duas pistolas Browning, uma das quais deixou abandonada no local, foi visto a fugir ‘em jeito de maratonista’ na direção de Linda-a-Velha”. Ângelo Correia, o duro ministro da Administração Interna: “lamenta profundamente o ocorrido” e serenou a pátria: “isto não significa que o terrorismo internacional tenha chegado a Portugal, pois foi o trabalho de um grupo particular contra um alvo específico”. Este atentado justificava os seus planos para a criação de uma polícia antiterrorista.


Domingo 15 de agosto, pelas 21:30 na avenida da Liberdade explodem duas bombas. Uma, no n.º 192-A, nos escritórios da Lufthansa, a outra no n.º 244, nos da Air France. “O engenho que rebentou na Air France afetou ainda o segundo andar do edifício onde funciona a secção de Emigração da Embaixada da Austrália e a entrada da boîte Cova da Onça. (…). De acordo com a brigada de Minas e Armadilhas, as cargas utilizadas, constituídas, cada uma delas, por 1,5 kg de TNT ou explosivo plástico, foram colocadas nas plataformas entre os pilares e as montras dos escritórios”. Tomou conta da ocorrência uma das pupilas dos duros olhos do ministro Ângelo, a Direção Central Contra o Banditismo.


No ano de 82, entre patuscadas, guardas da PSP e guardas prisionais organizam-se em sindicatos. “Tendo em vista a criação de uma organização sindical-profissional que englobe os 18 000 efetivos da PSP, criou-se no passado sábado [26 de junho] uma comissão de 12 elementos, no decorrer de um almoço que reuniu mais de 200 agentes da PSP, que iniciará uma ação de esclarecimento junto da população, através de panfletos, e a nível interno dos próprios agentes. Entretanto, foi ontem [27 de junho] formado o Sindicato Nacional dos Guardas Prisionais numa assembleia, em Coimbra, que reuniu mais de trezentos participantes”.


Sexta-feira 7 de maio a “indústria de santinhos entrou no sprint papal. Artesãos e pequenos industriais da arte sacra de características mais populares estão a dar tudo por tudo para não perderem o comboio da vinda de João Paulo II a Portugal”. “A diferença entre as criações portuguesas e o que de similar se faz no estrangeiro é flagrante. Entre nós, a fabricação de toda a gama de produtos é deixada maioritariamente à iniciativa dos comerciantes, considerados individualmente. Com a agravante de tudo ou quase tudo ser feito em cima da hora e muito em cima do joelho. O aparecimento tardio dos pratos com decalcomanias, dos bustos em cimento ou plástico, das t-shirts ou dos galhardetes não se deve exclusivamente a esse facto. Cada comerciante ou industrial tratou de si e tenta chegar ao mercado na melhor altura: tempo para vender mas sem dar tempo a que a concorrência lhe copie as ideias. (…).

Ler Blog Post na íntegra sobre esse ano de 1982, (link)

 Cova da Onça

 Esta estória foi vivida por um meu amigo e conterrâneo, que, durante uma fase da sua vida, esteve migrado em Lisboa. Nesse período que, remonta à década de setenta, não havia em Lisboa muitos lugares de diversão nocturna para casais convencionais. A maioria deles ou iam ao cinema, ou iam comer um frango ao Bonjardim e depois à revista no Parque Mayer.

Havia contudo algumas casas de diversão como; o Máxime, o Comodoro, a Tamila, o Hipopótamo e a Cova da Onça, o Elefante Branco só abriu mais tarde. Só que essas casas, tinham uma especificidade.  Algumas delas também funcionavam durante o dia como restaurantes normais, sendo até frequentados por clientes de um extracto social alto, como era o caso do Comodoro. A maioria delas só abriam ao final da tarde para servir os  jantares, mas com o crescer da noite, viravam casas de alterne, sendo frequentadas por jovens mulheres que, faziam da noite o seu modo de vida, e  por homens na sua maioria ligados a negócios do ramo imobiliário, os chamados patos bravos.

A Cova da Onça situava-se na avenida da Liberdade, bem próximo do Marquês de Pombal, e era um desses restaurantes nocturnos, frequentada sobretudo pela classe militar. O meu amigo que também era militar, cumpria em Lisboa uma comissão de serviço, razão pela qual não trouxera consigo a família, para não alterar a rotina escolar dos filhos, porque as comissões de serviço, não duravam mais que dois anos. Deste modo tinha por sua conta, a noite lisboeta.

Um dia a esposa veio visitá-lo, e pediu-lhe que a levasse a um restaurante, onde se pudesse jantar, mas também dançar. Com essa especificidade o nosso amigo lembrou-se da Cova da Onça, na época explorado por três irmãos transmontanos, naturais das Pedras Salgadas, curiosamente também o Hipopótamo, tinha como gerente um transmontano, natural de Mirandela.

Quando apareceu na Cova da Onça e apresentou a esposa ao gerente, este aproveitando um momento em que estava a sós, recomendou-lhe.

- O senhor conhece bem o funcionamento da casa, portanto têm de sair antes das dez da noite.

Claro que a essa hora, o meu amigo pensava estar já fora do restaurante, e por isso se aprestara a jantar cedo. Só que a esposa agradada com todo aquele ambiente dançante, não tinha nenhuma vontade em sair. O meu amigo estava aflito, ainda por cima, o gerente do restaurante, não cessava de lhe fazer sinais, indicando-lhe o relógio.

Por fim, dizendo à mulher que estava indisposto, lá conseguiu arrastá-la para fora do restaurante. Uns tempos mais tarde o casal recebeu em casa uns amigos e a esposa toda vaidosa disse-lhes.

- Gostei imenso da minha visita a Lisboa, o meu marido levou-me a jantar a um restaurante agradabilíssimo, onde se podia jantar e dançar, pena foi ter ele ficado indisposto, e não pudemos estar lá muito tempo.

Entretanto deu as coordenadas do restaurante aos amigos, que ficaram com curiosidade de conhecerem esse restaurante. Passado algum tempo, num outro encontro entre os dois casais, o amigo saiu-se com esta.

Ah é verdade! Fomos a Lisboa aquele restaurante que nos informastes, mas aquilo é uma casa de putas!


Nuno Santos
(link)

Mais outras histórias da Cova da Onça
Link

About Women, Child - Sobre mulheres e crianças

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 15:01


Esta tarde, enquanto comprava pão na padaria, encontrei uns jornais sobre a mesa, o assunto era acerca de violações. Militares, engenheiros, empresários de imobiliárias, gestores e etc...!!! Lembre-se disto, são tudo homens.  Quanto aoss violados, ou seja, as vítimas, tanto eram meninas como meninos. De uma coisa, é certa, a vítima NÃO É CULPADA.  Essa ideia generalizada de culpar as vitimas, porque tinham uma sensualidade à flor da pele; porque eram bonitas demais e por isso apelativas; porque vestiam provocante demais para a idade; porque pareciam querer ser beijadas;  porque eram engraçadinhas e fofinhas;  porque eram tão inocentes e alegres e cheias de vida; porque eram bonecas e sorridentes (o que quer que seja, não lhes dá autorização para mexer e macular e transferir uma culpa horrorosa para um ser que mal soprou à vida)....  tem sido um comportamento errado e crasso e, indómito por parte desta sociedade compactuar como se nada fosse.

Se escrevo sobre estes assuntos, é porque tenho uma certa autoridade para fazê-lo. Cada vez mais, me interessa observar o aspecto da vitima. Quanto ao predador, ao violador, ao abusador, ao manipulador sabe-se de uma forma geral porque actua assim, e que mecanismos são activados. Da vítima, esse é que é o mistério e que ninguém estuda!! Desde sempre, as preferências do estudo, de uma forma geral,  foram o Vilão, o Mal. 
Sobre isso, tenho uma opinião que quase sempre, acredito que é para ganhar poder, capacidade para o mal e alimentar-se dos fracos, dos incapacitados, dos que não têm. Isto nada tem que ver com idades. Portanto, muitos dos que são inteligentes e com cultura acima da média, e que poderiam fazer alguma coisa, pouco fazem. Para quê, saber o segredo da vitima? Iria deixar de existir vitimas... não é mesmo? Aí começa o sermão à vítima...
Vejamos que sempre que crianças denunciam violadores, abusadores... estas são sempre duvidadas e, na maioria dos casos, senão na totalidade, o vilão tem sempre a oportunidade de ganhar a inocência sobre os seus actos. É sempre preciso testes rigorosos, ainda que a vitima esteja toda ferida e cheia de sémen à frente dos que observam e constatam isso... parece que ainda é irreal... ou seja, a vítima parece não existir. Não é o violador que não existe, é a vitima e a sua condição. Disto, ninguém quer falar. Para um violador, ninguém lhe diz para esquecer o mal que fez... mas para uma vitima, sempre dizem que tem de enterrar as experiências que viveu e seguir como se nada tivesse ocorrido.. ou seja, libertar o violador do peso anímico da sua maldade, para continuar a exercer cada vez mais até ser apanhado definitivamente e posto num cárcere!! O violador tem uma característica, sabe instintivamente provocar o medo... é tão demente isso. É hora de a  vitima saber onde isso é despertado. É essa a chave que tem de se descobrir. Chega de estudar predadores e violadores... e sim, ir no seu enlace e prendê-los e à sua mania... e estudarem a raiz da vitima!!! Não, ninguém estudou ainda, por isso, as vítimas continuam a existir! Que tal ligar eléctrodos e ver que partes do cérebro são despertados na vitima... e começar esse estudo a sério?!! Colocar violadores reais, condenados e que as vitimas não saibam, para ver a reacção inconsciente nos corpos, nas enzimas, nas redes neuronais....!!!

Ora, isto é Dantesco, meus senhores e minhas senhoras. Essa compostura de ''compaixão''  com mistura de repugnância que se sente pelas vitimas é algo que as pessoas não assumem. Contudo, pode-se dizer que, de alguma forma, o abuso com a vitima continua. Porque, de uma coisa é certa, os abusos tem dimensões que não são apenas os sexuais propriamente ditos. Há todo um armário de gavetas.... se é que me entendem!?

Então, o motivo porque ninguém estuda o mecanismo da vítima, é porque ninguém quer curar a raiz... há uma negação ao bem, à cura e descoberta do que pode fazer avançar esta Humanidade no caminho da Luz e de um novo mundo. Enquanto as vitimas poderem existir sem saberem porque são vitimas, o mundo poderá ser governado por uma série de «maldosos» por assim dizer e que tem o prazer de exercer comportamentos de manipulação, para absorver a essência.
Isto não é um jogo de xadrez muito à vista, às claras... isto tem dimensões um pouco fora do controle dos cinco sentidos.

Pergunto-vos, como é que a vitima encontra o Predador, o Violador, o Vilão, o Mau? Não me venham dizer que ela estava à hora errada, no lugar errado. Nem me digam que o Predador, estava à hora certa, no lugar certo... vejam aqui na expressão,  Predador = hora certa; vitima = hora errada. O que se passa aqui (?), e nem me digam que são os opostos  que se atraem... porque isso é cantiga de vigário mal parido!!!

 *
Não se pode voar, sem se perceber as origens das coisas!!!
O sol por existir durante o dia, não quer dizer que assassina a Lua à noite;
o dia por existir, não quer dizer que impede a noite de acontecer;
o oceano por existir, não quer dizer que domine a terra toda...
mas o homem, acha que tem de desrespeitar tudo, e dominar tudo!!!

Texto em bruto, sem correcção ortográfica...

Blimunda era especial - o meu dom não é heresia

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 18:49



Blimunda
O Papel da Mulher em Memorial do Convento
Elizabete Costa Malheiros

Através da personagem chamada Blimunda e por meio da sua capacidade extraordinária de ver o que realmente há no mundo, o narrador pode olhar por dentro da história do século XVIII e enxergar verdadeiramente os deslizes religiosos e morais mostrando a corrupção da Igreja, os excessos da nobreza, bem como o investimento caríssimo de D. João V na construção do Convento de Mafra, a acção da Inquisição, instalada em Portugal para atender os interesses da Coroa, visando o seu enriquecimento através dos bens tomados aos judeus e a imagem verdadeira de uma sociedade que escondia suas fragilidades: a sujeira, as doenças e, sobretudo as grandes diferenças sociais.

Blimunda: a simplicidade e o amor verdadeiro 

Mas à personagem feminina Blimunda, José Saramago dá características fortes de sensualidade e de inteligência. Através de Blimunda, o autor trata as grandes dúvidas e as grandes inquietações do ser humano em relação à morte, ao amor, ao pecado e à existência de Deus. Ela representa a vida do povo. Blimunda é verdadeira, sem subterfúgios, mulher de poderes sobrenaturais, cuja mãe, Sebastiana Maria de Jesus, por ter poderes semelhantes, é vista como feiticeira e por isso é banida para Angola depois de ser salva do fogo da Inquisição. Blimunda vive de forma livre num mundo onde não há
regras nem formalidades que a escravizem. Ela é o oposto da rainha que vive num mundo diferente. Um mundo em que recebe do padre seu confessor ensinamentos para resignar-se com as traições do marido, inclusive aquelas cometidas com as freiras nos mosteiros, a quem ele “emprenha” uma após outra.

 Blimunda é o que é. Apesar da vida simples e muito pobre é-lhe dado o direito ao amor, à liberdade e à felicidade.

“Apesar de sentir-se encantado por ela, Baltasar na sua simplicidade não consegue entendê-la. A magia que envolve Blimunda deixa-o curioso. Uma mulher que come pão ao acordar, antes de abrir os olhos, porquê? Ele procura respostas em alguém inteligente e estudioso, como o Padre Bartolomeu de Gusmão, conhecido como " o Voador ". Mas este apenas declara: Só te direi que se trata de um grande mistério, Voar é uma coisa simples comparado com Blimunda.''

Ver por dentro

A cumplicidade e a fidelidade entre Blimunda e Baltasar faz com que ela o confesse: " Eu posso olhar por dentro das pessoas ". Ela que só tem tais poderes se estiver em jejum, por isso come antes de abrir os olhos. Daí Blimunda, numa atitude amorosa e protectora poupar Baltasar e a ela mesma quando promete que nunca o verá por dentro. Blimunda é inteligente e conhece as diferenças entre ela e a mãe no tocante às visões que ambas possuem.

O meu dom não é heresia, nem é feitiçaria, os meus olhos são naturais.
Diferentemente de Sebastiana, que tem poderes sobre naturais, Blimunda não vê o futuro, ela só vê o que está no mundo. Vê tudo aquilo que está dentro dos corpos, no interior da terra, por debaixo da pele. Na sua singular sabedoria, Blimunda reconhece que não vê a alma, talvez porque esta não esteja dentro do corpo. Diante da incredulidade de Baltasar, os poderes de Blimunda fazem-na ver:
um filho na barriga de uma mulher, cujo cordão umbilical está enrolado no pescoço;
uma pessoa com o estômago vazio;
um frade que leva nas tripas uma bicha solitária;
uma moeda de prata que é reconhecida por Baltasar como moeda de ouro, ao fazer umburaco no lugar indicado por ela


Blimunda era especial. Ela podia ver o que as pessoas comuns não podem ver: a essência, a verdade das coisas. E isso consiste em ver também o que é desagradável, o que é sujo e triste, o que todos nós preferimos não ver.

A metáfora da ”nuvem fechada”.
A ela não importavam os conceitos pré-estabelecidos, os dogmas, os ensinamentos recebidos. Ela questiona os santos, não consegue conceber santidade em pessoas comuns. Fica surpreendida quando, em jejum, não consegue ver Deus na hóstia. O que vê é uma
nuvem fechada, ou seja, o mesmo  que vê dentro dos seres humanos.

Não entende essa religião cristã que prega a divindade e a glória de Deus através de símbolos como a hóstia e as estátuas dos santos. Blimunda tem convicções sobre o pecado, a vida e a morte, que são diferentes do pensamento da maioria das pessoas comuns. Ela vê além, muito além das pobres crenças restritas que são praticadas pelos outros.


Ler o texto todo, LINK

Love Amor - O Amor e a Idade

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 17:49



O Amor não Tem nada que Ver com a Idade 

 Penso saber que o amor não tem nada que ver com a idade, como acontece com qualquer outro sentimento. Quando se fala de uma época a que se chamaria de descoberta do amor, eu penso que essa é uma maneira redutora de ver as relações entre as pessoas vivas. O que acontece é que há toda uma história nem sempre feliz do amor que faz que seja entendido que o amor numa certa idade seja natural, e que noutra idade extrema poderia ser ridículo. Isso é uma ideia que ofende a disponibilidade de entrega de uma pessoa a outra, que é em que consiste o amor.

Eu não digo isto por ter a minha idade e a relação de amor que vivo. Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e se acontece, há que recebê-lo. Normalmente, quem tem ideias que não vão neste sentido, e que tendem a menosprezar o amor como factor de realização total e pessoal, são aqueles que não tiveram o privilégio de vivê-lo, aqueles a quem não aconteceu esse mistério.

José Saramago, in "Revista Máxima, Outubro 1990"

José Saramago - Textos Vários

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 17:43

O Mercado Pode Tornar-se uma Ditadura 

A diferença (entre a ditadura e o capitalismo) é que não é a ditadura como nós conhecemos. É o que eu chamo de «capitalismo autoritário». A ditadura tinha cara, e nós dizíamos é aquela, ou aqueles militares, o Hitler, o Franco, o Pinochet, mas agora não tem cara. E como não tem cara não sabemos contra quem lutar. Não há contra quem lutar. O mercado não tem cara, só tem nome. Está em toda a parte e não podemos identificá-lo, dizer «és tu». Mesmo as pessoas que lutaram contra a ditadura, entrando na democracia acham que não têm mais que lutar. E os problemas estão todos aí. O mercado pode tornar-se uma ditadura.

José Saramago, in 'O Globo (1999)'



A Globalização é uma Nova Forma de Totalistarismo 

A globalização económica é compatível com os direitos humanos? Temos de fazer esta pergunta a nós próprios e ver que a resposta é que ou há globalização ou há direitos, por mais que os poderes tenham a hipocrisia de dizer que a globalização favorece os direitos humanos, quando o que faz é fabricar excluídos. A globalização é simplesmente uma nova forma de totalitarismo que não tem de chegar sempre com uma camisa azul, castanha ou negra e com o braço erguido; tem muitas caras e a globalização é uma delas. 

José Saramago, in 'Turia (2001)'


 Estamos a construir uma sociedade de egoístas. 

Se a ti te dizem que o que importa é o que compras, e segundo o que compras têm mais ou menos consideração por ti, então convertes-te num ser que não pensa senão em satisfazer os seus gostos, os seus desejos e nada mais. Não existe em nenhuma faculdade uma disciplina do egoísmo, mas não é preciso, é a própria experiência social que nos vai fazendo assim. Ao longo da História as igrejas e as catedrais eram os lugares onde se procurava um valor espiritual determinado. Agora os valores adquirem-se nos centros comerciais. São as catedrais do nosso tempo.

José Saramago, in 'El Mundo (2000)'


A Europa é um Comboio Disparado e sem Freios 

Foi a falta de solidariedade que fez na Europa 18 milhões de desempregados, ou são eles tão-somente o efeito mais visível da crise de um sistema para o qual as pessoas não passam de produtores a todo o momento dispensáveis e de consumidores obrigados a consumir mais do que necessitam? A Europa, estimulada a viver na irresponsabilidade, é um comboio disparado, sem freios, onde uns passageiros se divertem e os restantes sonham com isso. Ao longo da linha vão-se sucedendo os sinais de alarme, mas nenhum dos condutores pergunta aos outros e a si mesmo: «Aonde vamos?»

José Saramago, in 'Cadernos de Lanzarote (1993)'


 O desbarato mais absurdo não é o dos bens de consumo, mas o da humanidade: milhões e milhões de seres humanos nasceram para ser trucidados pela História, milhões e milhões de pessoas que não possuíam mais do que as suas simples vidas. De pouco ela lhes iria servir, mas nunca faltou quem de tais miuçalhas tivesse sabido aproveitar-se. A fraqueza alimenta a força para que a força esmague a fraqueza.

José Saramago, in 'Cadernos de Lanzarote (1994)'


A Estupidez e a Maldade Humana 

Vista à distância, a humanidade é uma coisa muito bonita, com uma larga e suculenta história, muita literatura, muita arte, filosofias e religiões em barda, para todos os apetites, ciência que é um regalo, desenvolvimento que não se sabe aonde vai parar, enfim, o Criador tem todas as razões para estar satisfeito e orgulhoso da imaginação de que a si mesmo se dotou. Qualquer observador imparcial reconheceria que nenhum deus de outra galáxia teria feito melhor. Porém, se a olharmos de perto, a humanidade (tu, ele, nós, vós, eles, eu) é, com perdão da grosseira palavra, uma merda. Sim, estou a pensar nos mortos do Ruanda, de Angola, da Bósnia, do Curdistão, do Sudão, do Brasil, de toda a parte, montanhas de mortos, mortos de fome, mortos de miséria, mortos fuzilados, degolados, queimados, estraçalhados, mortos, mortos, mortos. Quantos milhões de pessoas terão acabado assim neste maldito século que está prestes a acabar? (Digo maldito, e foi nele que nasci e vivo...) Por favor, alguém que me faça estas contas, dêem-me um número que sirva para medir, só aproximadamente, bem o sei, a estupidez e a maldade humana. E, já que estão com a mão na calculadora, não se esqueçam de incluir na contagem um homem de 27 anos, de profissão jogador de futebol, chamado Andrés Escobar, colombiano, assassinado a tiro e a sangue-frio, na célebre cidade de Medellín, por ter metido um golo na sua própria baliza durante um jogo do campeonato do mundo... Sem dúvida, tinha razão o Álvaro de Campos: «Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer». Sem dúvida, mas não desta maneira.

José Saramago, in 'Cadernos de Lanzarote (1994)'

Writing - José Saramago

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 09:02

Eu, NãoSouEuéaOutra, penso, '' O que diria, José Saramago, hoje, sobre estes tempos e estas mudanças abruptas e estes engajamentos, engaiolamentos que estamos todos a viver?? Foi um homem com um talento extraordinário para a escrita... afinal, ganhou o prémio Nobel da Literatura e concerteza não foi pelo saber escrever apenas... é um homem sem tempo e as palavras escritas estão aí para as ditar!!  A Língua Portuguesa é difícil. Eu que nunca tive talento ou aptidão para a disciplina de português... e por isso, reconheço na sua escrita esta particularidade muito bem expressa. A linguagem escrita, de Saramago, está mergulhada em pérolas, e daí a extrema dificuldade em ler as frases, um livro. É preciso concentração e gostar de palavras, e também gostar do que ele escreve... de uma outra forma, estamos condenados a deixar o livro sobre a cabeceira e os beiços pendidos. 

Confesso, que poderia-se  aprender e apreender a escrever o português, lendo-o. Mas, lamentavelmente, estamos quase todos, dotados para a facilidade e uma preguiça e por isso, não há educação!! À excepção de certos indivíduos que nasceram já com o talento para a Linguagem escrita e verbalizada, que não precisam muito de leituras e de Saramagos... 

Eu tenho pena, de não saber escrever nos dois dominios da condição humana, da mente e do coração. Porque para se escrever, é preciso escrever bem, dominar a linguagem, e depois, é preciso dar/preencher/emanar, a essa mesma escrita,  a voz do coração, diria que, de uma certa emanação espirituosa. Porque só assim, se Humaniza as palavras numa dimensão que atinge a consciência.

É nestas alturas, que estes homens e também mulheres deviam estar vivos, porque deles e delas vêm aquilo que se poderia chamar de «respostas», e que não são forjadas nos almanaques, mas desenterradas do pântano fundo onde as coisas realmente estão encarceradas. 
«Está calado, oh, bico», diriam alguns, em especial àqueles,  também  com profundidade de esclarecimento,  ainda vivos, e que não lhes é permitido terem a força... ninguém lhes liga...  somente após a morte, quando o morto e mais o esqueleto já não podem se defender e acima de tudo, dar mais Conhecimento, portanto consciência, à Humanidade. Assim, continuamos mergulhados em Trevas e a caminho de um colapso Humanitário.

Os grandes Ídolos de facto, são Pessoas Mortas, porque elas já não podem argumentar, opinar, discursar e analisar; fazerem revoluções que mudam o mundo... estão lá no fundo da terra, e no fundo do universo - não se sabe bem onde, mas estão em contínua respiração, porque isso é coisa do Universo e emprestada à Vida na Terra -. 
Lamento que as coisas do espírito tenham-se afundado no rescaldo desta desorganização global, e que ainda nem um Cristo tenha ressuscitado... pois dizem que, agora, o Deus está dentro de ti e que deves descobri-lo... é verdade (!) mas, a Humanidade que se vive projectando, precisa de uma Entidade que a faça mudar, que a guie e oriente, porque por ela, e devido à tal diversidade, acaba por se esmagar e andar sempre em contra mão! Individuos entregue  a si mesmos e em grupos, não  acabam bem. Para quando um Emissário?  ''

Agora, deixo-vos com José Saramago... porque já estou a empestar a página com as minhas «elucubrações» dispersas, ou melhor, do tipo ''mixed media''!!...



"Estamos afundados na merda do mundo e não se pode ser otimista. O otimista, ou é estúpido, ou insensível ou milionário", disse em dezembro de 2008, durante apresentação em Madri de "As pequenas memórias"...


As Mulheres São Mais Fortes. Para Começar, gosto das mulheres. Acho que elas são mais fortes, mais sensíveis e que têm mais bom senso que os homens. Nem todas as mulheres do mundo são assim, mas digamos que é mais fácil encontrar qualidades humanas nelas do que no género masculino. Todos os poderes políticos, económicos, militares são assunto de homens. Durante séculos, a mulher teve de pedir autorização ao seu marido ou ao seu pai para fazer fosse o que fosse. Como é que pudemos viver assim tanto tempo condenando metade da humanidade à subordinação e à humilhação?

José Saramago, in 'L'Orient le Jour (2007)'

"A violência desde sempre exercida sobre a mulher encontrou no cárcere em que se transformou o lugar de coabitação (neguemo-nos a chamar-lhe lar) o espaço por excelência para a humilhação diária, para o espancamento habitual, para a crueldade psicológica como instrumento de domínio. É o problema das mulheres, diz-se, e isso não é verdade. O problema é dos homens, do egoísmo dos homens, do doentio sentimento possessivo dos homens, da poltronaria dos homens, essa miserável cobardia que os autoriza a usar a força contra um ser fisicamente mais débil e a quem foi reduzida sistematicamente a capacidade de resistência psíquica.''

in DN - 2009 - JOSÉ SARAMAGO 


“O personagem central da história [Ensaio sobre a Cegueira] é outra vez uma mulher. Suponho que às minhas leitoras lhes agradará que isto seja uma constante, porque verdadeiramente, como personagens, quem sempre salva os meus livros são as mulheres. Não é que os homens não sejam pessoas boas, que o são e podem sê-lo, mas ao lado delas aparecem sempre como pequenos aprendizes. Quero clarificar algo que já assinalei antes, a propósito do facto de não se encontrarem heróis nos meus romances, apenas gente normal, que vive vidas normais, embora no caso de Baltasar e Blimunda eles assistam com naturalidade a certos prodígios. Reflito e escrevo sobre pessoas comuns porque essa é a gente que conheço. É provável que as mulheres que invento não existam, talvez não sejam mais do que projetos, talvez me seja mais fácil imaginar um projeto de mulher que um projeto de homem. Em qualquer caso, e para não fugir à questão, acrescentarei que o facto de ter sido criado por mulheres, de viver e crescer sempre entre mulheres, pressupôs, em definitivo, ter aprendido com elas o que efetivamente é benéfico, não no sentido utilitário, mas em profundidade e humanismo. Devo isto às mulheres e, por isso, assim fica refletido nos meus livros.” 

Ensaio sobre a Cegueira - (pp. 34-35)


Acabo de ver nos noticiários da televisão manifestações de mulheres em todo o mundo e pergunto-me uma vez mais que desgraçado planeta é este em que ainda metade da população tem que sair à rua para reivindicar o que para todos já deveria ser óbvio…

Chegam-me informações oficiais de solenes instituições que dizem que pelo mesmo trabalho a mulher cobra dezasseis por cento menos, e seguramente esta cifra está falseada para evitar a vergonha de uma diferença ainda maior. Dizem que os conselhos de administração funcionam melhor quando são compostos por mulheres, mas os governos não se atrevem a recomendar que quarenta por cento, já não digamos cinquenta, sejam compostos por mulheres, ainda que, quando chega o colapso, como na Islândia, chamem mulheres para dirigir a vida pública e a banca. Dizem que para evitar a corrupção na organização do trânsito em Lima vão colocar guardas mulheres, porque se comprovou que nem se deixam subornar nem pedem coimas. Sabemos que a sociedade não funcionaria sem o trabalho das mulheres, e que sem a conversação das mulheres, como escrevi há algum tempo, o planeta sairia da sua órbita, nem a casa nem quem nelas habita teriam a qualidade humana que as mulheres colocam, enquanto os homens passam sem ver, ou, vendo, não se dão conta de que isto é coisa de dois e que o modelo masculino já não serve. Continuo vendo manifestações de mulheres na rua. Elas sabem o que querem, isto é, não ser humilhadas, coisificadas, desprezadas, assassinadas. Querem ser avaliadas pelo seu trabalho e não pelo acidental de cada dia.

Dizem que as minhas melhores personagens são mulheres e creio que têm razão. Às vezes penso que as mulheres que descrevi são propostas que eu mesmo quereria seguir. Talvez sejam só exemplos, talvez não existam, mas de uma coisa estou seguro: com elas o caos não se teria instalado neste mundo porque sempre conheceram a dimensão do humano”.

José Saramago, O Caderno I, 8 de março de 2009.

 Há uma regra fundamental quando se vive como nós estamos a viver – em sociedade, porque somos uns animais gregários – que é simplesmente não calar. Não calar! Que isso possa custar em comunidades várias a perda de emprego ou más interpretações já o sabemos, mas também não estamos aqui para agradar a toda a gente. Primeiro, porque é impossível, e segundo, porque se a consciência nos diz que o caminho é este então sigamo-lo e quanto às consequências logo veremos.

José Saramago, in 'Uma Longa Viagem com José Saramago'

THE POWER

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 12:52


Sobre o Poder Aniquilador 

«O Ego é a grande destruição dos últimos milénios da civilização.»

[ Os homens que vivem entre homens, não são filhos da terra, do ventre... são filhos da guerra, do poder, da morte, da ganância, da avidez, da gula... são os verdadeiros desalmados que semeiam a destruição, e tudo o que tocam, vira anti-criação em pouco tempo. Eles são as trincheiras da vida. Eles são os Cavaleiros do Falsário, do Anti-Graal e, eles servem as trevas secretamente... embora, dominem as palavras, o seu canto é impregnado de veneno. As suas almas não contêm sementes de amor, e tudo o que dão, enquanto podem, serve o poder de dominar... sim, disfarçado de amor, de generosidade. E se o outro brilhar, eles competem para destrui-lo!! Não destroem para a luz, e sim para as trevas. Abrem rachas fundas e depois torturam. É a estrutura do Monopólio.

Nem tudo o que reluz é ouro, nem mesmo pela palavra... mas tem o poder do convencimento e, quem o experimentou às mãos de sádicos embelezados de falsos diamantes, sabe como a prisão, ainda que inicialmente doce, é a mais amarga de todos os cárceres. É o fel de toda a expressão do aniquilamento. Eles são as bestas cegas da ganância... e correm entre gente da mesma categoria. São os novos prostitutos que vendem a alma a troco sabe lá do quê!!! São almas depenadas, que se mostram muito importantes, mas são o absoluto vazio delas mesmas e originam graves problemas para a Humanidade!!! ]

NãoSouEueaOutra in « O Poder da desconstrução na via do Aniquilamento»

Clarice Lispector

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , | Posted on 12:31

 Clarice Lispector


ISTO NÃO É UM LAMENTO, é um grito de ave de rapina. Irisada e intranqüila.

Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto — e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. 

Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. 

Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras — quais? talvez as diga. 

Escrever é uma pedra lançada no poço fundo.

Escrevo muito simples e muito nu. Por isso fere.

Eu escrevo para nada e para ninguém. Se alguém me ler será por conta própria e auto-risco. 

Existem leis que regem a comunicação.  A impessoalidade é uma condição.

Tudo o que aqui escrevo é forjado no meu silêncio e na penumbra. Vejo pouco, ouço quase nada.(...) Minha nascente é obscura.

Vagina, Vulva, Yoni

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , | Posted on 08:49


Eu só me pergunto, até que ponto os consumidores ávidos de informação, os sádicos por domínio, que adoram torturar e espalhar cinzas... acabam por usar estas revelações, ao ter acesso a este tipo de textos sobre as mulheres. Fica-me a sensação, de que abusarão mais. Porque o conhecimento gera abuso de poder!!! Creio que a sua capacidade, por ser programada, consegue criar estruturas manipulativas cada vez mais evasivas e destrutivas!! Os textos esclarecem, abrem portas a novos níveis, mas a questão que fica, é que sendo o homem um predador por natureza, irá usar esta informação para gerar mais raiva em si, e mais manipulações e mais atitudes destrutivas, tudo atrás de um baile de cantigas e justificações que nada revelam a verdade interior do seu desejo de possuir e impedir...
 
A Yoni a falar…

Estou zangada. Fui ofendida. Não foi ele quem me profanou. Foste tu. Tu deixaste-o ir demasiado longe - outra vez!
Eu sei mulheres. Nós ansiamos por ser tocadas no Centro, ser contactadas no mais fundo de nós. Nós desejamos ser consideradas como as radiantes portadoras da Deusa que somos, na nossa plenitude, no nosso poder. E ansiamos que alguém, disposto a contemplar o rosto terrivelmente belo desta Deusa, nos encontre para ficar.
Mas aquele não era o homem.... Tu sabias isso. E mesmo assim, seduziste-o no Santuário dos Santuários, convidando-o a servir-se do que quisesse no teu lugar sagrado. E o teu anseio levou o melhor de ti.
Como podes censurá-lo? Comunicaste-lhe a verdade do teu imaginário acordo? Esclareceste a sua ideia de posse? Como pudeste esquecer-te de te proteger?
Tu sabes que o homem está programado. Ele fica ofuscado pela luz no Templo. Ele é impulsionado pelo desejo e pelo instinto e é o teu Templo e o teu convite que o atrai ou que o mantém à distância.
Eu sei. Já passaram eternidades desde o tempo em que guardavas as portas do templo para ti mesma. Tiraram-te essa protecção há muito tempo. Arrastaram-te pelos cabelos, aos gritos, pelos degraus do Templo até à rua. Cortaram-te, estupraram-te, abriram-te e sangraram-te. Muitas vezes.
Ainda lembras o castigo em cada célula do teu corpo. Não te censuro Irmã /Mãe/ Amante/ Amiga. Mas chamo-te de novo a Casa, à tua sabedoria, com o poder da minha fúria.
E tu perguntas: “Como é que eu vou saber até onde lhe dou permissão?”
Eu respondo-te.
Se ele vier para deixar uma oferenda, deixa-o chegar aos degraus para depositar a sua primeira dádiva aos portões. Se ele for merecedor e digno de receber algo do Templo, então deixa-o entrar, mas apenas até à porta de entrada, a partir da qual ele pode ter um vislumbre da glória, mas sem que possa desfrutá-la por muito tempo ou retirá-la.
Se achares que ele é confiável no Amor, então deixa-o aproximar-se do teu altar e provar a sua devoção. Vai lá ter com ele e consagra-te com ele. Esse é um lugar de profunda entrega, mas mesmo aí, pode haver lugar a desgosto no caso de convidares alguém que não esteja preparado.
No entanto, só no caso de pretenderes que ele te queira para si, deves convidá-lo a entrar no Santuário dos Santuários. Tu conheces dentro de ti o lugar onde ele toca e tu te abres completamente. Esse é o lugar do teu Sacerdote e Companheiro. Esse é o lugar sagrado de Confiança reservado ao Sacerdote do Templo.
Tu saberás quem é esse Sacerdote porque ele vai de bom grado abdicar das necessidades do seu ego, e devotar-se à Vitalidade e Mistério que jorram a partir de ti, honrando-te como guardiã e receptáculo e prometendo devotar-se a cuidar desse receptáculo numa entrega cada vez maior.
O teu sacerdote não virá só por um dia ou uma semana. Ele vai empenhar-se em servir o teu Templo no seu futuro previsível, porque ele reconhecerá que Tudo o que ele procura reside nos teus olhos, no teu ventre, na tua alma de mulher.
Ele vai achar que tu és o seu Portal para o feminino divino e, sabiamente, escolherá honrar-te como tal, apesar do desejo do seu ego primordial de coleccionar vulvas, num hábito infrutífero de experimentar portões em vez de caminhar através eles e morar lá dentro.
Estás a escutar a tua Yoni? Sentes-te curada, sensual, poderosa? Yoni é uma palavra sagrada em Sânscrito para vagina. Ela representa o secreto poder e voz das mulheres. Ela foi silenciada pelas modernas culturas patriarcais que a consideraram perigosa e suja.
Mas a voz do feminino está a acordar no mundo um processo de co-criação que reconecta todas as pessoas com a sua alegria criativa, a sua integridade, a sua beleza feminina e o seu esplendor.
Os homens também estão a encontrar o seu Poder Feminino, uma vez que o feminino está presente nos homens e nas mulheres. Homens dispostos a ancorarem a sua energia feminina receberam enorme cura ao reconectarem-se com a sua sabedoria profunda e instintiva e com a energia da mãe.
Mulheres, por todo lado, estão a escutar o chamamento da sua Yoni para se tornarem plenamente femininas, vivas, radiantes e poderosas.
Ela tem, de novo, voz. Agora é a sua vez de falar. Convida-a e ela falará através de ti e para ti também…

Melissa Seaman

FERIDAS SEXUAIS - Sexual Wounds

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , , | Posted on 08:32




Muitas mulheres têm feridas sexuais e isso torna difícil que se sintam seguras e íntimas numa relação.

Muitas sofreram algum tipo de abuso quer tenha sido incesto, violência ou violação. Antes de poderem entrar inteiras num relacionamento, precisam de fazer algum trabalho de limpeza de energia na zona pélvica. Muitas vezes isso requer tratamento e terapia. É muito difícil conectarem-se profundamente e terem um relacionamento positivo em curso quando têm feridas não cicatrizadas dentro do seu corpo.

Se te aconteceu algum tipo de abuso e pensas “ Isso aconteceu há muito tempo, já não me afecta” gostaria de te dizer que todos os tipos de feridas na zona pélvica e na vulva deixam resíduos energéticos e que de facto te afectam quer estejas disso consciente ou não. Para te relacionares a um nível profundo, precisas de saber relaxar e, se não curaste as tuas feridas, isso ser-te-á muito difícil. Vocês não poderão fazer amor de maneira a estarem totalmente abertas e vulneráveis.

O crescer de uma relação depende de quão profundamente ambos se conseguem abrir. É muito fácil ter sexo inconsciente. Todos nós podemos ter sexo rápido, orgasmos apressados. Mas há uma experiência mais intensa que só pode acontecer se te abrires a receber a profundidade do amor que queres ter.

É importante que te libertes do que quer que esteja a impedir-te de te abrires de forma profunda e confiante.

Quando as mulheres, que experimentaram alguma forma de abuso, se encontram numa relação segura e se sentem amadas, as questões do passado tendem a vir à superfície.
Eu encorajo essas mulheres a procurarem ajuda para curarem essas velhas feridas. Ao fazerem isso estarão no caminho de fazer florescer o actual relacionamento.

Kerry Ryan, uma sacerdotisa da Deusa

O medo sempre estará te espreitando, até você criar coragem para enfrentá-lo.
Magamagaly
 

Baseado em fatos reais

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 15:38






O domínio absoluto sobre os meus estados de espírito é a minha maior conquista como ser humano. Há mais de vinte anos que não perco a calma. Há mais de vinte anos que não produzo adrenalina desnecessariamente. Não brigo, não xingo, não bato. Não sinto raiva nem ódio, nem ciúmes, nem rancor. Não me irrito por absolutamente nada. Nunca tive mau humor. Não tenho sequer aqueles nozinhos horrorosos na garganta. Não me descontrolo jamais! Não há motivos racionais que possam me abalar. Não discuto, a não ser filosofia. Sou amorosamente zen...
Como consigo tal façanha?você pode perguntar.
É muito simples: Dou valor secundário às coisas secundárias. E considero secundário tudo aquilo que não é fundamental... Tudo aquilo que não tem poder de causar mudanças significativas no rumo da minha vida. Considero secundário tudo aquilo que não interfere na minha felicidade.




photo oleg dou






So  Corro

estou nua  nada possuo possuo nada nua 
saco vazio pé descalço sem sítio vazio este pé descalço
alço braços em vão
so corro
 

The Wound of Love

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 17:23

Um texto estranho que encontrei na net, há meses e guardei nos rascunhos para possível '' blog post'' e, deixe-me dizer que nem investiguei o senhor que o escreveu...  Como estou estranha, e geralmente estou sempre estranha... aqui está um texto, também estranho... quiçá de outra dimensão, também estranha!!! Está tudo estranho/a... será o caso do planeta estar estranho?!

 
The Wound of Love

    from chapter twenty-one of The Dawn Horse Testament Of The Ruchira Avatar
by Avatar Adi Da Samraj


   
   
     

Love Does Not Fail For You When You Are Rejected or Betrayed or Apparently Not Loved. Love Fails For You When You Reject, Betray, and Do Not Love. . . . Therefore, The Most Direct Way To Know Love In every moment Is To Be Love In every moment. In The Way Of Adidam, My Devotee Is Founded In This Capability By Virtue Of his or her Constant Communion With Me (and, Thus and Thereby, With The Divine Person, Reality, or Truth).
Avatar Adi Da Samraj
   
   
   



Avatar Adi Da Samraj Only A Fool Will Fail To Cultivate The Relationship To The Beloved. Likewise, Only A Fool Will Fail To Cultivate The human Well-being and The Spiritual, Transcendental, and Divine Realization Of his or her any partner in intimate embrace. And This Is Also True: The ego (or the self-Contracted individual) Is Just Such A Fool!

The emotional-sexual ego Constantly Hunts For an other. The ego-"I" (or self-Contraction) Hunts (or Seeks) an other (Even all others and The Total Objective Cosmos) In Order To Be Gratified, Consoled, and Protected. The Compulsive Hunting (or Search) For an other Is Generated By The Feelings Of Un-Happiness, Emptiness, and Separateness That Possess and Characterize the self-Contracted being.

Once an other Is Found, the ego-"I" Clings To the other, At First pleasurably, and Then Aggressively. The ego-"I" Depends On the other For Happiness, and, Over time, the ego-"I" Makes Greater and Greater Demands On the other For Fulfillment Of itself (In all of its desires). Often, In time, the other Becomes Depressed and Exhausted By This Demand (and Thus Leaves, or Dies). Just As Likely, the ego-"I" Discovers, Over time, That the other Cannot or Will Not Satisfy The Absolute Demand For attention and Consolation. In That Case, the ego-"I" Feels Betrayed, and the ego-"I" Begins The Strategy Of Punishing, Rejecting, and Abandoning the other,

Every conditionally Manifested being Has (In time) Often Been The Proposed Victim Of This Strategy Of Separate and Separative selves. Even More, Until The Heart Gives Way To Divine Love-Bliss, every conditionally living being Is The Original Genius and Grand Performer Of This Strategy Of Separate and Separative selves. It Is The Strategy Of Narcissus, and It Is The Dreadful Work Of all conditionally living beings who Are Not Awake To The Truth Beyond the ego-"I".

If There Is To Be Real Happiness, This Cycle Of egoic "self-Possession" and other-Dependency (or object-Dependency Generally) Must Be Transcended. In The Way Of Adidam, It Is Transcended Through Most Fundamental self-Understanding, and Through self-Transcending Love, Service, self-Discipline, and Meditation (In Responsive Devotional Relationship To Me, and, Thus and Thereby, In Responsive Devotional Relationship To The Divine Person), and (Eventually, By Grace) Through Direct Realization Of The Self-Radiant (or Inherently Spiritual), Self-Existing (or Transcendental), and (Ultimately) Divine Self-Condition Of Being (Itself). In This Manner, The Inherent Happiness Of The Spiritual, Transcendental, and Divine Self Replaces The Fruitless Search (or Hunt) For Happiness By the self-Contracted and Dependent conditional self. . . .

The egoic (or self-Contracted) individual Is (By Virtue Of his or her History, self-Idea, and Lack Of Spiritual, Transcendental, and Divine Realization) Chronically Bound To The Ritual Of Rejection. The emotional (or emotional-sexual) Career Of egoity Tends To Manifest As A Chronic Complaint That Always Says, By Countless Means, "You Do Not Love me." This Abusive Complaint Is Itself The Means Whereby the egoic individual Constantly Enforces his or her Chronic Wanting Need To Reject, Avoid, or Fail To Love others. Indeed, This Complaint Is More Than A Complaint. It Is A self-image (The Heart-Sick or self-Pitying and Precious Idea That "I" Is Rejected) and An Angry Act Of Retaliation (Whereby others Are Punished For Not Sufficiently Adoring, pleasurizing, and Immortalizing the Precious ego-"I").

The egoic (or self-Contracted) individual Is Chronically and Reactively Contracted From all of its relations. Fear Is The Root Of this self-Contraction, and The Conceived Purpose Of this self-Contraction Is self-Preservation, Even self-Glorification. Indeed, Fear Is the self-Contraction. The self-Contraction, or the ego-"I", Is The Root-Action or Primal Mood That Is Fear. Therefore, All Of The self-Preserving, self-Glorifying, and other-Punishing Efforts Of the ego-"I" (or the self-Contracted body-mind) Only Preserve, Glorify, and Intensify Fear Itself.

Fear, the ego-"I", Un-Love, or The Total Ritual Of self-Contraction Must Be Understood and Transcended. All Of Fear, egoity, self-Contraction, or Un-Love Is Only Suffering. It Is Only Destructive. And It Is Entirely Un-Necessary.

Fear, egoity, self-Contraction, or Un-Love Is Chronically Expressed Through The Complex Ritual Of Rejection, or The Communication Of The Dominant Idea "You Do Not Love me". Once This Is (In The Way Of Adidam) Truly, and Completely, and Most Fundamentally Understood, The Ritual Of Rejection, Fear, egoity, self-Contraction, or Un-Love Can Be Directly Transcended, If Only It Is Summarily Replaced By The Ordeal (or Discipline and Practice) Of self-Transcending Love, and (Then, By Grace) Heart-Communion With and (Ultimately) Heart-Communication Of The Divine Self-Condition, In The Form "I Love You".

Therefore, In The Way and Manner Of Adidam, Understand Your Separate and Separative self (As Un-Love) and Transcend Your Separate and Separative self (By Love). And This Is Perfected (Progressively, In The Way and Manner Of Adidam) By Devotional (or self-Transcending and self-Forgetting) Heart-Surrender Of the conditional body-mind To My Bodily (Human) Form, and My Spiritual (and Always Blessing) Presence, and My Very (and Inherently Perfect) State, and, Thus and Thereby, To The Person and The Forms or Characteristics Of The Spiritual, and Transcendental, and Divine, Self.

If You Will Thus Be Love (By This Devotion), You Must Also Constantly Encounter, Understand, and Transcend The Rejection Rituals Of others who Are, Even If Temporarily or Only Apparently, Bereft Of Divine Wisdom, Therefore, If You Will Be Love (As My Devotee, and, Thus and Thereby, As A Devotee Of The Divine Person), You Must (In The Way and Manner Of The Heart) Always Skillfully Transcend The Tendency To Become Un-Love (and Thus To Become self-Bound, Apparently Divorced From Grace-Given Divine Communion) In Reaction To The Apparent Lovelessness Of others. And You Must Not Withdraw From Grace-Given Divine Communion (or Become Degraded By Un-Love) Even When Circumstances Within Your Intimate Sphere, or Within The Sphere Of Your Appropriate social Responsibility, Require You To Make Difficult Gestures To Counter and Control The Effects or Undermine and Discipline The Negative and Destructive Effectiveness Of The Rituals Of Un-Love That Are Performed By others.

For those who Are Committed To Love (and who Always Commune With The One Who Is Love), Even Rejection By others Is Received and Accepted As A Wound, Not An Insult. Even The Heart-Necessity To Love and To Be Loved Is A Wound. Even The Fullest Realization Of Love Is A Wound That Never Heals.

The egoic Ritual Calls every individual To Defend himself or herself Against The Wounds Of Love and The Wounding Signs Of Un-Love (or egoic self-Contraction) In the daily world. Therefore, Even In The Context Of True Intimacy, The Tendency (Apart From Spiritual Responsibility) Is To Act As If Every Wound (Which Is Simply A Hurt) Is An Insult (or A Reason To Punish).

The Reactive Rituals Of egoity Must Be Released By The self-Transcending (and Then Spiritual) Practice Of Love. This Requires Each and Every Practitioner Of The Way Of Adidam To Observe, Understand, and Relinquish The emotionally Reactive Cycle Of Rejection and Punishment. And The Necessary Prerequisites For Such Relinquishment Are Vulnerability (or The Ability To Feel The Wounds Of Love Without Retaliation), Sensitivity To the other In Love (or The Ability To Sympathetically Observe, Understand, Forgive, Love, and Not Punish or Dissociate From the other In Love), and Love Itself (or The Ability To Love, To Know You Are Loved, To Receive Love, and To Know That Both You and the other, Regardless Of Any Appearance To The Contrary, Are Vulnerable To Love and Heart-Requiring Of Love).

It Is Not Necessary (or Even Possible) To Become Immune To The Feeling Of Being Rejected. To Become Thus Immune, You Would Have To Become Immune To Love Itself. What Is Necessary (and Also Possible) Is To Enter Fully Into The Spiritual Life-Sphere Of Love. In The Way Of Adidam, This Is Done By First Entering (By Heart) Into My Company (and, Thus and Thereby, Into The Company Of The Divine Person), and (Therein) To Submit To The Divine Embrace Of Love, Wherein Not Only Are You Loved, but You Are Love Itself. Then You Must Magnify That Love-Radiance In the world of human relationships.

If You Will Do This, Then You Must Do The Sadhana (or Concentrated Practice) Of True Active Love and Real (True and Steady) Trust. As A Practical Matter, You Must Stop Dramatizing The egoic Ritual Of Betrayal In Reaction To The Feeling Of Being Rejected. You Must Understand, Transcend, and Release The Tendency To Respond (or React) To Signs Of Rejection (or Signs That You Are Not Loved) As If You Are Insulted, Rather Than Wounded. That Is To Say, You Must Stop Punishing and Rejecting others When You Feel Rejected. If You Punish another When You Feel This, You Will Act As If You Are Immune To Love's Wound. Thus, You Will Pretend To Be Angrily Insulted, Rather Than Suffer To Be Wounded. In The Process, You Will Withdraw and Withhold Love. You Will Stand Off, Independent and Dissociated. You Will Only Reinforce The Feeling Of Being Rejected, and You Will Compound It By Actually Rejecting the other. In This Manner, You Will Become Un-Love. You Will Fail To Love. You Will Fail To Live In The Sphere Of Love. Your Own Acts Of Un-Love Will Degrade You, Delude You, and Separate You From Your Love-partner (or Your partners In Love) and From Love Itself. Therefore, those who Fail To Practice The Sadhana Of Love In their intimate emotional-sexual relationships, and In human relationships Generally, Will, By That Failure, Turn Away (or Contract) From God (or The Great Condition That Is Reality Itself).

Love Does Not Fail For You When You Are Rejected or Betrayed or Apparently Not Loved. Love Fails For You When You Reject, Betray, and Do Not Love. Therefore, If You Listen To Me, and Also If You Hear Me, and Also If You See Me, Do Not Stand Off From Relationship. Be Vulnerable. Be Wounded When Necessary, and Endure That Wound or Hurt. Do Not Punish the other In Love. Communicate To one another, Even Discipline one another, but Do Not Dissociate From one another or Fail To Grant one another The Knowledge Of Love. Realize That each one Wants To Love and To Be Loved By the other In Love. Therefore, Love. Do This Rather Than Make Any Effort To Get Rid Of The Feeling Of Being Rejected. To Feel Rejected Is To Feel The Hurt Of Not Being Loved. Allow That Hurt, but Do Not Let It Become The Feeling Of Lovelessness. Be Vulnerable and Thus Not Insulted. If You Are Merely Hurt, You Will Still Know The Necessity (or The Heart's Requirement) Of Love, and You Will Still Know The Necessity (or The Heart's Requirement) To Love.

The Habit Of Reacting To Apparent Rejection (By others) As If It Were An Insult Always Coincides With (and Only Reveals) The Habit Of Rejecting (or Not Loving) others. Any one whose Habitual Tendency Is To Reject and Not Love others In The Face Of their Apparent Acts Of Rejection and Un-Love Will Tend To Reject and Not Love others Even When they Are Only Loving. Narcissus, The Personification Of the ego, the self-Contraction, or The Complex Avoidance Of Relationship, Is Famous For his Rejection Of The Lady, Echo, who Only Loved him. Therefore, If You Listen To Me, and Also If You Hear Me, and Also If You See Me, Be Vulnerable In Love. If You Remain Vulnerable In Love, You Will Still Feel Love's Wound, but You Will Remain In Love. In This Manner, You Will Always Remain In The human (and Then Divine) Sphere Of Love.

Therefore, The Most Direct Way To Know Love In every moment Is To Be Love In every moment.

In The Way Of Adidam, My Devotee Is Founded In This Capability By Virtue Of his or her Constant Communion With Me (and, Thus and Thereby, With The Divine Person, Reality, or Truth). Therefore, If any such a one Fails To Be Steady In This Communion With Divine Love-Bliss, Then he or she Will Become Weak In Love. And To Be Weak In Love (At Any Stage Of Life) Is To Be Always Already Independent, Insulted, Empty With Craving, In Search Of Love, Manipulative, Un-Happy, and Moved To Punish, Betray, and Destroy all relationships. Such a Weak one Always Already Feels Rejected and Is Never Satisfied. Indeed, such a one Is Not Even Found To Be Truly Lovable By others.

Those who Love Are Love, and others Inevitably Love them. Those who Only Seek For Love Are Not themselves Love, and So they Do Not Find It. (Even If they Are Loved, they Do Not Get The Knowledge Of It.) Only The Lover Is Lovable. Therefore, Every Heart Should Become As True Love Is. And My Every Listening Devotee, My Every Hearing Devotee, and My Every Seeing Devotee Should Realize (and Demonstrate) This Principle In True Active Love With Me (and Real, True Trust In Me), The One Who Is Love.

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