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Inverto o Herói e coloco HEROÍNA

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 05:49



Heroí sem face


Eu moro no bocejo do meu quarto.
Onde enterro os sonhos mais impossíveis.

Amanheço a raiva da janela sem cortina.
Porque vivo a escuridão poética dos fracassados.

Aqui já fui até escritor.
Vendi livros e dei autógrafos.
Agora construo coisas
que provavelmente nunca usarei.
Acho que eu sempre quis ser mecânico.

Tenho quatro reais na carteira
e umas poucas moedas no bolso da mochila.
Não tenho amigos
nem inimigos
e só uso pijama escuro.

Meu quarto mora em mim
como um templo perdido da Índia
mora nos ratos.


Ígor Andrade

ALEISTER CROWLEY - Fernando Pessoa

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 22:18


Dá a Surpresa de Ser

Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro.
Faz bem só pensar em ver
Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem
(Se ela tivesse deitada)
Dois montinhos que amanhecem
Sem Ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco
Assenta em palmo espalhado
Sobre a saliência do flanco
Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como ?

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"



ALEISTER CROWLEY FOI ASSASSINADO?

«ALEISTER CROWLEY FOI ASSASSINADO?
Um novo aspecto do caso da "Boca do Inferno".
Deve estar ainda na memória de todos, porque foi largamente tratado no Diário de Notícias , e ainda mais largamente, com ampla reportagem fotográfica, no Notícias Ilustrado , o estranho caso do desaparecimento em Portugal de Aleister Crowley, o poeta, ocultista e "homem de mistério" inglês, que se sumiu por completo, deixando na Boca do Inferno, onde foi achada em 25 de Setembro, uma carta em linguagem misteriosa, de onde parecia depreender se um suicídio.
Mais tarde surgiu, não entre o grande público, mas nos meios restritíssimos dos cafés, a hipótese de uma "blague", cuja base parece ter sido apenas a circunstância insuficiente de o achador da carta ser jornalista e amigo pessoal de Fernando Pessoa, o indivíduo que mais lidara com Crowley aqui em Portugal. Se o suicídio nunca deveras se provou (só o aparecimento do cadáver, como bem pensou a nossa Polícia, o poderia provar), também ninguém pôde provar que houvesse "blague". E o caso, em boa verdade, ficou sempre misterioso.
Começou agora a saber-se, ou a constar, mais coisas, vindas de fora de Portugal, e o caso, que parecia em princípio não ter outra explicação senão um suicídio ou uma "blague", tende a assumir aspectos acentuadamente mais sinistros.
Há já tempo que se sabe, por exemplo, que logo que constou no estrangeiro o desaparecimento de Crowley, um agente da polícia inglesa apareceu na redacção do Détective , de Paris, a comprar um exemplar de um número de Maio de 1929, onde vinha um extenso artigo sobre Crowley e sobre a sua actividade de espionagem (nunca se soube bem a favor de quem), durante a Grande Guerra. E o que é certo é que o Détective , logo que soube que estava em Paris o sr. Ferreira Gomes, achador da carta na Boca do Inferno, se apressou a entrevistá-lo dedicando uma boa parte do seu número de 30 de Outubro a um extenso relato do acontecimento.
Agora constou em Lisboa, sem dúvida por uma daquelas inconfidências que seguem, como sombras, o passo de todos os segredos, que a polícia inglesa tinha chegado à conclusão de que Crowley havia sido assassinado.
Ora nós sabíamos que tinha sido o sr. Fernando Pessoa quem tinha estado em contacto mais constante com Crowley, aquando da estada dele em Portugal, e sabíamos também por lho termos ouvido contar que estava em contacto com entidades estrangeiras, amigos e conhecidos de Crowley, que se lhe dirigiram, pedindo informações logo que o desaparecimento constou nos jornais lá de fora. Concluímos, portanto, que, se alguém soubesse alguma coisa do assunto, seria o antigo director do "Orpheu". E, sem medo de "blagues" a ele nos dirigimos.
— Não — diz-nos Fernando Pessoa — não há o que v. chama "notícias" do Crowley. Quer o secretário dele, que está em Inglaterra, quer um íntimo amigo dele, que está na Alemanha, continuam a revelar-se, quando me escrevem, desorientados com o caso. Parecem, na verdade, não estar absolutamente convencidos do suicídio, mas também parecem não saber de que é que hão-de estar convencidos. Do que não tenho dúvidas, pelo tom das cartas, é que, se Crowley está vivo algures, um e outro (e são os seus mais íntimos), lhe ignoram por completo o paradeiro.
— E você, o que pensa? — Não penso, que é o mais cómodo. A princípio, ao verificar a absoluta autenticidade da carta e a estranheza da sua data e assinatura ("Sol em Balança" e "Tu Li Yu", respectivamente), acreditei em absoluto no suicídio; claramente o disse, porque o acreditava, na Investigação Criminal. Hoje reconheço falhas lógicas no argumento que me serviu para essa conclusão. A data astrológica, provando que a carta foi escrita depois das 6 horas da tarde do dia 23 de Setembro, não prova, na verdade, que Crowley se houvesse suicidado em seguida; e o facto, que me pareceu sinistro, de Crowley assinar com o nome chinês, de que ele uma vez me disse ser "uma das suas incarnações anteriores", não prova nada, pois ele pode bem ter-me mentido, com um propósito antecipado e sabendo as conclusões que eu viria a tirar, ao dar-me, aliás no acaso de uma conversa, essa informação sobre o seu assado longínquo.
— Então?...
— Então, nada. Também me custa, não sei porquê, acreditar numa "blague". De duas coisas é que eu tenho a certeza. A primeira é de que realmente vi o Crowley no dia 24 de Setembro, quando a Polícia Internacional diz que ele já tinha passado a fronteira. A segunda é que Crowley, não sei com que fim, me ocultou o regresso de Miss Jaeger, em 19 de Setembro. Só pela Polícia e por determinadas entidades estrangeiras é que eu depois vim a saber que ele não só não continuava a ignorar o seu paradeiro, mas até tinha ido com ela ao consulado, onde ela foi buscar auxílio para a sua viagem de regresso à Alemanha.
— E ela está na Alemanha?
— Está. Ela, afinal, nunca tinha feito mistério da sua partida. Deixou aqui, na Cook e em outros lugares, o seu endereço na Alemanha, para lhe reexpedirem para lá quaisquer cartas que viessem para ela. E já me escreveu duas vezes de lá. Também não parece saber o que é feito do Crowley, a quem, aliás, chama "bandido" numa das cartas.
— É verdade! O que é isso que consta da polícia inglesa? — E, rapidamente, indicámos os boatos que corriam sobre conclusões trágicas da investigação daquela polícia.
Fernando Pessoa hesita um pouco, mas, depois, diz: — Olhe: isso, assim nitidamente posto, não me tinha constado, mas também não me espanta. Sei com absoluta certeza que estiveram aqui dois agentes investigadores ingleses a tratar do caso Crowley. Logo no dia 29 de Setembro me apareceu aqui, neste escritório, um deles; veio com um disfarce verbal, transparente, tanto que não só eu, mas um amigo meu, inglês, que por acaso aqui estava, imediatamente desconfiámos do "professor de línguas" que nos havia aparecido. Mais tarde soube, de óptima fonte, que este não era um polícia oficial, mas um investigador particular, que aqui estava tratando de outro assunto, e recebeu instruções especiais para tratar deste. Isto explica o seu aparecimento imediato às notícias dos jornais. E também soube depois, por um lapso verbal de um inglês meu amigo, e neste caso informador involuntário, que mais tarde viera aqui um outro indivíduo esse sem dúvida oficial a investigar o mesmo assunto.
— E v. sabe alguma coisa das conclusões a que chegaram esses investigadores?
— De oficial, nada; nem tenho, excepto por dedução, a certeza da existência dele, que aliás relaciono com essa história do outro agente oficial que visitou o Détective em Paris. Do "professor de línguas" não só tenho a certeza visual e lógica, mas consegui saber, por favor especial, três resultados das suas investigações.
Sei que ele conseguiu "levar a sua investigação a bom fim", ou que, pelo menos, supõe que o fez; sei que nem admite a hipótese do suicídio nem a hipótese da "blague"; e sei que, desde o primeiro dia da investigação, me "riscou do caso", com o fundamento, que me deixa perplexo, de que entre Crowley e os jornais havia um elemento de ligação "muito mais íntimo e valioso" do que eu.
— Mas uma coisa que não é suicídio nem "blague", o que é que pode ser senão o assassínio?
— É, com efeito, o que ocorre; e é por isso que eu lhe disse que, embora sejam novos para mim, não me espantam os boatos sinistros que v. me contou. Posso admitir que quisessem assassinar o Crowley, mas admiti-lo-ia com mais facilidade se pudesse compreender que um indivíduo, antes de ser assassinado, se desse ao trabalho de escrever uma carta (incontestavelmente autentica), dizendo que se suicidava. É ser boa vítima demais...
De repente, Fernando Pessoa sorri, leva a mão à carteira, e tira dela um recorte de jornal.
— Olhe, já que fala de assassínio, vou-lhe ler um documento curioso. Isto é um recorte do diário inglês Oxford Mail , de 15 de Outubro; é de notar que Crowley era muito conhecido e admirado em Oxford, embora seja Cambridge a sua universidade. O título do artigo é "Aleister Crowley assassinado", "Revelações Espíritas a um Médium de Londres", "Empurrado dos Rochedos Abaixo". É um telegrama ou telefonema de Londres, do correspondente do jornal. É do próprio dia, e diz assim: "Num quarto pequeno e mal iluminado em Bloomsbury, a noite passada, o sr. A. V. Peters, médium londrino, entrou em transe para se obterem algumas indicações sobre o paradeiro do sr. Aleister Crowley, escritor e mago. Do sr. Crowley, cuja projectada conferência sobre "Um Mago Medieval" fora proibida em Oxford, em Fevereiro, não tem havido notícias desde que uma carta dele se encontrou nos rochedos chamados "Boca do Inferno", a 23 milhas de Lisboa, há quinze dias.
O sr. Peters declarou que, durante o transe, lhe tinha sido indicado que o sr. Crowley estava morto, e que "tinha sido empurrado dos rochedos abaixo por um agente da Igreja Católica Romana". "Os católicos já anteriormente tinham atentado contra a vida do sr. Crowley", disse o sr. Peters, "e ele estava à espera de ser atacado". Descreveu o lugar como sendo "redondo" como "uma cratera de vulcão", e o sr. Peters acrescentou que "era nas montanhas, ao pé de água". Grande parte da sessão foi ocupada em obter detalhes pessoais sobre o aspecto, ocupações e saúde do sr. Crowley, "para fins de verificação".
— E o que se conclui disso? — perguntámos.
— Que eu saiba, nada. Pessoalmente, nada tenho contra nem a favor das visões desta ordem. Mas é curioso, não é, depois dos boatos que me trouxe e das conclusões a que ninguém chegou?»

11-1930
O Mistério da Boca do Inferno - O encontro entre o Poeta Fernando Pessoa e o Mago Aleister Crowley . Victor Belém. Lisboa. Casa Fernando Pessoa, 1995.
 - .
Entrevista in Girasol . Lisboa: Nov. 1930.

Outro Texto sobre o mesmo assunto AQUI

El retorno de Lilith

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 18:15

via google


El retorno de Lilith
Joumana Haddad


Las bestias monteses se encontrarán con los gatos
cervales, y el peludo gritará a su compañero:
Lilith también tendrá allí asiento, y hallará para sí
reposo.
Isaías 34:14


Yo soy Lilith, la diosa de dos noches que vuelve de su exilio.

Yo soy Lilith, la diosa de dos noches que vuelve de su exilio.

Soy Lilith, la mujer destino. Ningún macho escapa a mi suerte y ningún macho quisiera escapar.

Soy las dos lunas Lilith. La negra no está completa sino por la blanca, ya que mi pureza es la chispa del desenfreno y mi abstinencia, el inicio de lo posible. Soy la mujer-paraíso que cayó del paraíso, y soy la caída-paraíso.

Soy la virgen, rostro invisible de la desvergüenza, la madre-amante y la mujer-hombre. La noche, pues soy el día; la costa derecha, pues soy la izquierda; y el Sur, pues soy el Norte.

Soy la mujer festín y los convidados al festín. Me llaman la hechicera alada de la noche, la diosa de la tentación y del deseo. Me han nombrado patrona del placer gratuito y de la masturbación y liberada de la condición de madre para que sea el destino inmortal.

Soy Lilith, la de los blancos senos. Irresistible es mi encanto, pues mis cabellos son negros y largos y de miel son mis ojos. La leyenda cuenta que fui creada de la tierra para ser la primera mujer de Adán, pero no me sometí.

Soy Lilith que retorna del calabozo del olvido blanco, leona del señor y diosa de dos noches. Yo reúno aquello que no puede ser reunido en mi copa y lo bebo ya que soy la sacerdotisa y el templo. Agoto toda embriaguez para que no se piense que me puedo saciar. Me hago el amor y me reproduzco para crear un pueblo de mi linaje, ya que mato a mis amantes para dar paso a los que aún no me han conocido.

Soy Lilith, la mujer selva. No supe de espera deseable, pero sí de leones y de especies puras de monstruos. Fecundo todos mis flancos para fabricar el cuento. Reúno las voces en mis entrañas para que se complete el número de esclavos. Devoro mi cuerpo para que no se me diga famélica y bebo mi agua para nunca sufrir de sed. Mis trenzas son largas para el invierno y mis maletas no tienen cubierta. Nada me satisface ni me sacia y aquí estoy de regreso para ser la reina de los extraviados en el mundo.

Soy la guardiana del pozo y el reencuentro de los opuestos. Los besos sobre mi cuerpo son las heridas de aquellos que trataron. Desde la flauta de los muslos asciende mi canto, y desde mi canto la maldición se expande en agua sobre la tierra.

Soy Lilith, la leona seductora. La mano de cada sirviente, la ventana de cada virgen. El ángel de la caída y de la conciencia del sueño ligero. Hija de Dalila, de María Magdalena y de las siete hadas. No hay antídoto contra mi maldición. Por mi lujuria se elevan las montañas y se abren los ríos. Regreso para penetrar con mis flujos el velo del pudor y para limpiar las heridas de la falta con el aroma del desenfreno.

Desde la flauta de los muslos asciende mi canto
y por mi lujuria se abren los ríos.
¿Cómo podría no haber mareas
cada vez que entre mis labios verticales brilla una sonrisa?
Porque soy la primera y la última
La cortesana virgen
El codiciado temor
La adorada repudiada
Y la velada desnuda,
Porque soy la maldición de lo que antecede,
El pecado desapareció de los desiertos cuando abandoné a Adán.
Él se equivocó por completo, hizo añicos su perfección.
Lo hice descender a tierra, y para él alumbré la flor de la higuera.

Soy Lilith, el secreto de los dedos que insisten. Perforo el sendero, divulgo los sueños, destruyo ciudades de hombres con mi diluvio. No reúno dos de cada especie para mi arca. Más bien los transformo a todos para que el sexo se purifique de toda pureza.

Yo, versículo de la manzana, los libros me han escrito aunque ustedes no me hayan leído. El placer desenfrenado, la esposa rebelde, la realización de la lujuria que conduce a la ruina total. En la locura se entreabre mi vestimenta. Los que me escuchan merecen la muerte y los que no me escuchan morirán de despecho.

No soy remisa ni la yegua dócil,
soy el estremecimiento de la primera tentación.

No soy remisa ni la yegua dócil,
Soy el desvanecimiento del último pesar.

Yo, Lilith, el ángel desvergonzado. La primera yegua de Adán y la corruptora de Satán. El imaginario del sexo reprimido y su más alto grito. Tímida, pues soy la ninfa del volcán; celosa, pues la dulce obsesión del vicio. El primer paraíso no me pudo soportar. Y me arrojaron de él para que siembre la discordia sobre la tierra, para que dirija en los lechos los asuntos de los que a mí se someten.

Soy Lilith, el destino de los conocedores y la diosa de dos noches. La unión del sueño y de la vigilia. Yo, la poeta feto, perdiéndome gané mi vida. Regreso de mi exilio para ser la esposa de los siete días y las cenizas de mañana.

Yo la leona seductora regreso para cubrir de vergüenza a las sumisas y reinar sobre la tierra. Regreso para sanar la costilla de Adán y liberar a cada hombre de su Eva.

Yo soy Lilith
Y vuelvo de mi exilio
Para heredar la muerte de la madre que he criado.



* Según muchas leyendas, Lilith es la primera mujer, antes de Eva, formada del polvo de la tierra como Adán. Era independiente, fuerte, libre, y no quiso obedecer ciegamente al hombre. Por fin se rebeló, escapó del paraíso y se negó a volver. Entonces Dios la trasformó en demonio, y después creó la segunda mujer, Eva, de la costilla de Adán para garantizar su obediencia.

Traducción de Alberto Valdivia y Renato Sandoval
(source)

Partimos - ISSA MAKHLOUF

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 17:57

ISSA MAKHLOUF
(1955)
Poeta, ensayista y traductor. 
Obras: Estatuas para la claridad del día (1984),
 La soledad del oro (1992), 
Sueños de Oriente (1997).


Partimos

Partimos para distanciarnos del lugar que nos crió y para ver el otro lado de la aurora.
Viajamos buscando la fuente de nuestro nacimiento. Partimos para completar el alfabeto, para cargar nuestro adiós de promesas, para viajar tan lejos como el horizonte, anulando nuestro destino y esparciendo las páginas al viento, antes de permitir que huya, o tal vez no, nuestra historia en otros libros.

Partimos hacia destinos no escritos para decir a los que hemos conocido que retornaremos para establecer relaciones otra vez. Partimos para aprender el lenguaje de los árboles que no viajan; para escuchar el tintineo de campanas en los sagrados valles en  busca de dioses más piadosos; para arrancarles a los extranjeros la máscara del exilio; para susurrar a los transeúntes que, como ellos, nosotros también pasamos, y que nuestra historia es efímera, tanto en la memoria como en el olvido, lejos de madres que encienden las velas de la ausencia y acortan el lapso del tiempo cada vez que elevan sus manos al cielo.

Partimos para no ver a nuestros padres envejecer, para no advertir las marcas del tiempo en sus rostros. Partimos para anunciarles a los que amamos que aún los amamos, que la distancia no puede asombrarnos y que el exilio puede ser tan dulce y fresco como la patria. Partimos para que al regresar un día, nos reconozcamos como exilados donde quiera que estemos. Partimos para borrar la diferencia entre aire y aire, agua y agua, cielo e infierno. Nada nos importa el tiempo, contemplamos la inmensidad, vemos olas brincando como niños, mientras el mar refluye entre dos barcos: uno que parte y el otro hecho de papel en manos de un niño.

Partimos como un payaso que viaja de poblado en poblado, guiando a sus animales que enseñan a los niños su primera lección de tedio. Partimos para engañar a la muerte que nos persigue de un sitio a otro. Continuaremos así hasta que estemos perdidos, para que donde quiera que vayamos nunca más nos encontremos a nosotros mismos y para que de esta forma nadie pueda encontrarnos.

(source)

OUNSI EL HAGE - Poesia - Poet

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 17:12



En la escarcha el abrigo es una palabra
por,  OUNSI  EL  HAGE
Traducción del árabe de Joumana Haddad

Escribe tu visita en las estaciones. Escribe tu beso en el pan y el vino. Escribe en la sorpresa.
Escribe.
Escribe en el fuego y el laurel: tu deseo, tu espectro, tus sueños.
Mañana volverás a tu señor.
¿A la alegría de tu señor?
A tu señor.
¿A la ira de tu señor?
¡A tu señor!
¿A la merced de tu señor?
¡A tu señor!
Escribe.

Escribe tu ilusión, tu paso, en las referencias y las ventanas.
No eres la primavera que viene cada primavera. Entra y escribe.
Escribe las palabras del mar y de la tierra. Escribe el entusiasmo y el cansancio, la perdiz y la piedra. La dulzura y la fuerza. Escribe el actor y el mártir. La cama y la conciencia. Entrégate a tu mano, deja que tu mano se derrame sobre las fuentes.

Mueres, hombre. ¡Escribe! ¡Escribe! ¡Escribe! Tu disgusto en la nieve, tu ira en el cobre, tu afecto en el sol. Escribe tu amor en todos los ojos.
Que la cerilla sea una palabra en la sombra, el abrigo una palabra en la escarcha, la brisa una palabra en el calor, y una palabra sean la distancia y el encuentro, la boca y el río.
Que los hombres después de ti duerman con la palabra.
Que las mujeres después de ti duerman con la palabra.
Y que la palabra sea tú después de ti.


OUNSI  EL  HAGE
Nació en LÍBANO en 1937
Poeta, filósofo, traductor y ensayista. Cofundador de Shiir
(source)

LAND OF THE "FREE" - "HOME OF THE BLiNd"

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 07:39

TERRA DOS "LIVRES" (LAND OF THE "FREE") / CASA DOS CegoS ("HOME OF THE BLiNd")

Enterrai os vossos próprios mortos
Graças a Deus que existe alternativa para a vida
O sem alternativa destino dita vivê-la sofrida
Se quiserdes comer tendes de pagar
Quanto mais podeis aguentar?
Se eu possuísse visão já jazíeis morta
Quanto mais podeis aguentar?
Terra dos "livres" (LAND OF THE "FREE")
Casa dos cEGOs (HOME OF THE BLiNd)
Aglomerem os vossos valores
Ouro, prata, bronze ou cobre
Entreguei-vos o meu corpo por piedade
Corpo gótico tecido dessa saudade
Com que pescastes o único peixe que houvera já sido pescado
Com que secastes a única ribeira que padecia já sem peixes
E quando a maré para o mar recolhe?
Será a vida do peixe ou do mar que o acolhe
Dos caranguejos, das algas, dos tubarões que lá nadem
Será o mar do mar quando lhe caem
Os esquálidos dentes,
Os gangrenados olhos,
E as leprosas orelhas,
Só Neptuno pelo seu conclave detém o poder de eleger a regência do mar pelo mar
E só quando o mar recuperar soberania sobre seu próprio território
Será realmente livre a terra dos "livres"

Luís Alves Carpinteiro
IXX / III / MMXIII

Se não for agora, quando?

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 15:30

Edson Marques, do blog Mude:


 Se não for agora, quando?
Tem hora de parar — e tem hora de partir,
tem hora de permanecer quieto e calado num canto,
e tem hora de cantar e de voar.
Agora,
agora não é hora de dobrar as asas,
nem de calar a voz,
nem de catar gravetos para fazer o ninho.
Agora não é hora de sentir remorsos,
nem de buscar consolo, nem de caiar o túmulo.

Agora que estou na beirada,
bêbado de alegria — pronto para o salto,
não me segure em nome de nada.
Não queira impedir-me dizendo que é muito cedo,
ou que é muito tarde,
ou que está escuro, é perigoso, muito alto,
muito fundo, muito longe...


Não!

Se você não puder incentivar-me para o salto,
ou até mesmo empurrar-me com amor em direção à Vida,
não me prenda, não me amarre.
Não envenene com teu medo a minha dança.

Seja só uma testemunha silenciosa desta vertigem.
Porque agora,
agora é hora de voar.
Agora é hora de abrir-me a todas as possibilidades.

E voar um voo livre e sem destino para dentro de mim mesmo!




photo oleg dou






So  Corro

estou nua  nada possuo possuo nada nua 
saco vazio pé descalço sem sítio vazio este pé descalço
alço braços em vão
so corro
 

Truth... it´s true

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 14:19



Verdade
é
uma espada afiada
Mas às vezes
é preciso retirá-la
... e poli-la.
Não existe meditação
sem devastação.
Deixa a vida entrar,
para lá de todo o espanto.

Aisha Wolfe 



(...) Às vezes você precisa pôr uma pedra enorme no próprio sapato para sentir-se vivo. Quem só pisa em espumas não cria coragens. Quem só vê o macio não sabe a dor.
por, Edson Marques - Mude

ORANGE - Word

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , | Posted on 12:25


  Abre-se a Boca na Laranja e vai ao Botão  
 
Género: Escrita Criativa
Autora: NãoSouEuéaOutra
2008


"Se faz favor, dê-me um Gomo dessa laranja. Adocicada, se faz favor!!."

  

Tanto faz, oh Poeta, que sejam de cor Laranja os ventos e, os trapos que à janela penduras em tempos de sol arrasador. Sabes que o poema é todo Laranja, aparentemente, que às tantas já nem sabes se é o poema que é ou se és tu, a Laranja. Assim, Laranja Laranja Laranja Laranja Laranja… redonda redondinha redondíssima!!! Do Céu – azul azulinho azulão e por fim azuladíssimo ignoras tudo, somente o centro da Laranja é que não escorrega dessa fuga de não saber…

Cantam as Velhas Bruxas de além-mar partido quebrado ferido, que o coração é uma imensa Tarte de Laranja. Nem sempre adocicada!! Mas que ainda assim, gritam elas, vale apena aproveitar, porque o açúcar sempre é possível de ser fabricado!! Uma laranja, declamam Elas em soneto, é que não se pode fabricar!! Poeta da Laranja, observa e ouve bem o que estas Bruxas, mais Velhas que velhas e ousadas, da experiência dizem. Concerteza que – pois não há a duvidar – elas sabem quantas Laranjas em seu tempo ousaram levar à boca. Se dizem que a laranja não pode ser fabricada, mas o açúcar se pode, então, oh Poeta mais que Alto e Laranja, faz do poema a cozinha do açúcar e ensina a fabricá-lo, que aqui a mais terrena mortal que eu sou, predisponho-me a seguir-te.

Concerteza, oh Poeta, que há Botões e botões. Mas como os Gomos da Laranja não há nenhum. A diferença entre um Botão e uma Laranja, é que uma oferece sumo. É isso!!! Quanto àquele, o Botão… é um Botão que ali está, e às vezes não é só um… estão cheios de pólos negativos e positivos. Mas sabes, oh Poeta, sobre esses queria dizer-te algo importante, pertencem à tua máquina mental… Tens um cérebro cheio de Botões. Uns avariados e outros funcionando como autómatos, e, outros completamente controlados pela tua razão e na pior das hipóteses controlados pelo que te disseram e que tomaste como verdade.
Muitas vezes, vêem a Laranja, alguns… mas pouco reconhecem a Laranja, a Laranja Laranja Laranja. Embora, adorem dissertar sobre a mesma como autênticos vigários a vender a fé sem a ter, tem a certeza que jamais algum te ensinará a fazer o tal açúcar. Corrói-lhes a Inveja e o vicio do Poder. Contudo, acredita que, serão hábeis em venderem-te Botões cheios de pólos assados e cozidos em diversos fogões, e,  nas mais variadas cores, feitios, estruturas… Por isso, oh Poeta, atêm-te ao que te digo, esquece a fábrica de Botões e mergulha na Laranja. A Criatividade nunca esteve nos Botões, apenas na Laranja e no centro da Laranja

Alone ALONEEEEE

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 14:39

Tilda Swinton

" – solidões imperfeitas – "


Género: Poesia/escrita criativa

Autora:  NãoSouEuéaOutra

escrito a, 6 de outubro de 2008
  
 
«As estradas são estreitas,
Os caminhos são longos
E o tempo será sempre curto.»


… Os dedos são surdos à essência da água
O concavo da mão, também…
As linhas que a atravessam
São como regatos, despejam-na.

Não há homem que sobreviva
Se não vencer a si mesmo,
Como não há mulher que sobreviva
Se não amar a si mesma.

A existência tem estes dois pólos,
Interpenetram-se, mas estão sempre sozinhos
E a viagem, termina-se lá onde a morte acolhe
Para a vida que não se sabe, uni-los …


 ……


Neste mundo andamos como loucos, embora garantimos a quem nos ouça, que não é verdade. Somos os seres mais solitários à superfície da terra. Dizem que nascemos sozinhos, e que daqui partiremos sozinhos. Mas nesta existência, fazemos daqueles que nos rodeiam a nossa âncora para nos salvarmos dessa solidão lenta que cresce na nervura das nossas profundezas, para que sejamos compensados naquele momento crucial onde não nos valerá qualquer companhia. Porventura, a velha Senhora sentada na soleira da sua porta diria: «Quanta solidão está adormecida nos nossos corações e que não ousamos ouvir.» Concordo com ela! Há um lugar dentro de nós que nunca pode ser saciado por nenhuma alma humana, e entre nós, há quem veja esse lugar e sabe que aí ninguém pode chegar e muito menos nada de concreto, realizável materialmente pode acalentar. Não é um lugar com estofos de veludo ou com plumas; antes é um lugar árido, frio que precisa de ser alimentado por algo que não tem nome.

Preferimos quase todos nós, viver à superfície. Contemplar somente o botão da rosa. É muito mais fácil, do que darmos ao trabalho de conhecer a raiz que é o lugar de onde parte a rosa. O segredo da rosa está na raiz, diz a velha Senhora. Para conhecer a raiz é preciso chafurdar no húmus da terra, é preciso descer ao subterrâneo e estudar a estrutura que lhe dá origem. Um fotógrafo, por exemplo, interessa-lhe a obra já feita, o esplendor da rosa, mas nunca questiona a raiz e nem a fotografa. É feia, é nojenta. Ninguém quer ver o sujo, que afinal é a quinta-essência onde a obra acontece. A rosa é só a parca ilusão da maravilha que antecedeu e que ninguém percebeu. Grande é o sábio que antes de apreciar a rosa, aprecia a sua raiz. A verdadeira beleza está contida nos bastidores, e é lá que deve permanecer e somente se deve oferecer ao mundo um pequeno espirro de perfume. Porque tudo o que é belo, fere os olhos e por norma os homens ambicionam possui-la ao primeiro vislumbre e por isso matam. Porque todos cortam a mais bela rosa de um manto de jardins? Porque ninguém se atreve arrancar a raiz e, semeá-la no seu próprio jardim e ignorar a rosa? Uma rosa arrancada, tem a duração de um segundo e a felicidade é tão imperfeita que se desfaz. O homem para sentir a felicidade, rouba-a à rosa e porque não consegue contemplar e nem perceber o verdadeiro segredo da rosa, morre com ela. Ele não entende que de uma rosa, não nasce outra rosa, mas alimenta-se da ilusão que sim. A riqueza do ouro, não está no ouro, mas sim na terra que o gera; mais uma vez o homem fica seduzido e possuído pelo brilho e tenta destruir, neste caso a terra… maltratando-a com a sua avidez que geralmente é sempre avara. Nunca produz nada!!! Pepita de ouro, rosa de aroma… duas metáforas, dois níveis e o homem sempre se desviando da sua grandeza pela avareza. Daí, a estrada é estreita e o caminho é longo.

/ – / Não me confundam como uma louca ao escrever isto. E, desculpem-me, mas não sei escrever como esses eruditos que tudo sabem e tudo entendem. Eu, apenas sei o que ouço nos embrulhaditos do meu cérebro e raras vezes questiono o que por ali ouço. Costumo dizer que sou apenas instrumento imperfeito de uma trovada de hemisféricos.  / – /


Alguns comentários à época do texto:

Não é louca não Ninha… você é realista demais…já estamos ficando mesmo cansados de ver as coisas feitas, somos acomodados, não escarafunchamos o fundo do poço para pesquisar de onde chegam-nos as bactérias…temos na mente somente a corrida do tempo, estamos nos esquecendo da beleza interior, das realidades internas….
Infelizmente…
É realmente dolorosa essa realidade….
Vc vê onde não alcançamos…sua mente se abre ao léu e capta fatos dentro da sua nata inteligência…
Belo..ninha;……mas doloroso…..
Ma


A beleza está nos líquidos, finos, densos, entranhas…
O Amor brota vigoroso, esplendor
Mas vem a mão do homem
Trincam-se finais belos
A púrpura Rosa apenas deixa a luz
no coração de quem ama e vai…destruída, despetalada, morta…
em carne e ossos…mas Luz….Luz Diamante…Amor…
Cintia



Poetry

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 14:21



"Do Poema Perdido" 


Género: Poesia

Autor: NãoSouEuéaOutra


O Poema nasce nas artérias do coração
E adormece na palma da mão
Assim escrevia o Poeta louco
Na demanda do seu próprio ouro
Sempre que comia carne
O corpo vomitava o verme
E o chumbo contido na carne
Condenava o Poeta no seu germe
Nas escadas da sua casa, adormecia
Num sonho constrangido que nunca amanhecia
O copo de vinho era como uma viagem
Que o conduzia à louca miragem
De um regresso dormente
À sua única casa, a mente
Oh!! Poeta, não esqueças que a nobreza
É ser singelo, ainda que vivas na pobreza
 E que ser da realeza
Nem sempre tem a sua beleza
Limita-te, por isso, a versar o Poema
Porque quem o escreve, a Poesia ama

escrito a, 25 de oOutubro de 2008

Entremeadas – Intercaladas na Perdição Salteada

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 09:38




republicando texto escrito em 2010

se tem estômago e capacidade de ficar isento, leia, caso contrário afugente-se daqui!!!
é hora das Malditas, Eu Sou a Maldita, e é um Deus qualquer que me escreve



Canto l
buraco negro
sobe à vista
arrulha e não é rola
é caverna de água
funda e escura
arrulha aos ouvidos
enfurece o sentir de medo

medo medo medo
é a criança a sentir…
que o adulto,
só medo sente de perder
o Poder,
o Dinheiro,
a Casa,
a Posição,
a Honra
e,
e,
e,
e,
o maior de todos, os medos,
a Morte…

buraco negro
está ali,
chama-se olhos de criança a espreitar
arrulha-se aos ouvidos
correntes velozes de água
o desconhecido puro aos olhos, criança
onde irá? quem é?
sinto medo Mãe, destes olhos negros barulhentos!?
quero ir embora, cratera não tem luz
e, é prisão de mil demónios.
estou SUFOCADA Sufocada sufocada

sou criança dentro e diante dos olhos
do buraco à vista…

Canto ll

ruínas no alto da casa,
dores em cada parede
passado obscuro a gritar à boca fechada
palavras à espera da onda do mar

aborto à dependência
aborto à mentira

ruínas na cave da casa
mau cheiro de águas
passado violento a praguejar à boca cerrada
palavras à espera de nascerem

intolerância ao predador
intolerância ao oportunismo

que quero mais é que se fodam,
apartir de agora…
tenho vergonha da vossa amizade
do vosso beijo de Judas

já não sou Jesus Cristo a fazer de surdo!!!

NãoSouEuéaOutra in '' garfos colados à garganta ''



Canto lll

Acredito na Verdade,
Não acredito na verdade de Nós.
Acredito no Amor,
Não acredito no Nosso amor.
Acredito no Complemento,
Não acredito no complemento de Nós.
Apenas porque és uma Mentira!!!

Acredito no Respeito,
Não acredito no nosso respeito,
Em especial o Teu Respeito que é defeituoso.
Acredito no Abraço,
Não acredito no abraço com que enrolas o ombro.
Acredito na Maldade,
Sim na tua maldade, acredito muito!

Do teu Amor, nada percebo!!


Canto lV


Vou desmineralizar-te da mente,
Reduzir-te a cinzas ao que não és de mim…
Não és Senhor do meu sangue, força
Não és Senhor da direcção, vontade.
Retirar-te-ei, grão a grão do meu ventre mente
E conduzir-me-ei à própria Unidade que me habita.
Desalojo tudo o que me foi ofertado sem consentimento,
Para encontrar-me com o meu rosto, mesmo que seja apenas espinhos ou amor.
Fecho as portas aos Senhores e Senhoras Vampiras,
Não preciso mais de Vós para sugarem a Vitalidade Criativa
A Força, o Sagrado que anima todas as coisas.
Julguei-vos Deuses e Deusas… Seres puro em evolução,
Mas sois apenas Vampiros à espera de morder o vil metal deste mundo
Acolher Poderes e Saberes duvidosos.
Quando um dia fores Rosto de Verdade, ajoelharei-me e beijarei a Terra,
E terdes a certeza que vos seguirei ao vosso lado!!


NãoSouEuéaOutra in '' garfos colados à garganta ''



poemas avulsos... e As Malditas serão sempre Malditas pelas palavras que escrevem, sejam elas bem escritas ou não!!

Canto V

Chorar, uma e outra vez!!! Para quê? Se a ferida há muito foi exposta!! A Humanidade está ferida, eu estou ferida, tu estás ferido/a… não inventes que não estás!! Estás apenas adormecido/a!!! Deixa a tua casa cair e depois conta a verdade!! Chorar, uma e outra vez!! Talvez sim, as mentiras que contamos a nós… Chorar os filhos da puta e as filhas da puta. Não, não estamos a falar das mulheres da vida, não… não é isso!! Nem da Mãe deles ou delas. A frase não se aplica por aí, aplica-se na capacidade da maldade!! Afinal, nem toda a Puta é má, mas o homem que vai a ela, pode ser mesmo mau!!! Enraba-a, come a vagina e cospe!!! Mastiga-lhe as entranhas, não sente vergonha ou nojo ao saber que nesse dia, uns quinze homens a comeram e ela nem se lavou!!! Imagine, quinze espermas diferentes, todos a enrolar um pénis. E ele ali a cavalgar que nem uma besta, para vomitar o prazer animalesco, a nojice da própria alma e do corpo... a nojice dos pensamentos!! Descarga a ira, o stress de uma, da sua empresa na vagina da Puta. Por isso, façam o favor de estender o sentido da frase para lá do que associaram a ela. Sem aforismos, sem nada.… apenas no sentido grotesco do que de pior existe na alma de cada humano. As pessoas tem de deixar de pintar a maldade com flores, estilizar com beleza!!! - ora não estaria o actual governo do mundo numa queda vertiginosa!! -

Para quê?? Chorar para quê??? Chorar quem nos faz mal, para quê?? Será que estamos divididos em ‘’Maso e Sado ‘’?? A verdade é que o sádico nunca chora, o choro que chora é lágrima de prazer!! Ele odeia a dor e ama provocá-la. Ele nunca chora a dor, ele desconhece a dor real em si. Ele precisa que um outro sofra por ele, porque ele é incapaz de fazer mal a si mesmo!!! Ele delira com a fraqueza do outro, ele conhece seu deus interno desse modo. Um deus que é só dele, porque o sádico é um egoísta e um individualista.

Choramos as suas, as nossas mentiras, ou choramos a nossa fraqueza; a nossa fraqueza à Verdade? Dizer basta e acabou-se, será assim tão difícil?? Que prazer há em atraiçoar, despojar a dignidade? Que prazer há em semear a maldade, a mentira? Que fraquezas habitam o Corpo? Que desonra habita no Coração? Que condicionalismos açoitaram-te na Mente? Quem és tu? Que arrogância habita as tuas nervuras? Que interesses te percorrem para cuspir no rosto do outro? Julgas-te maior que todos? Julgas-te invencível numa terra de vencidos? Já pensaste que és uma Verdadeira Ovelha, e que o Lobo é apenas um, A Vida? Sim… as Ovelhas podem ser brancas ou negras, mas o Lobo, apenas chama-se Vida!! Ele come qualquer Ovelha. Já as Ovelhas, não se sentem muito bem a olharem as cores que as diferenciam!! Não, aqui não há Capuchinho Vermelho, há mesmo um Lobo que decidi qual a ovelha vai ao caixão!! Como tal, o problema não é o Lobo, são as Ovelhas entre si!!! Depois, sim depois, temos outro problema entre as Ovelhas Brancas e as Negras, e que são os Carneiros. Os CARNEIROS! Ccofff ccoofff, desculpem, os Carniceiros. Quanto ao Pastor, ele é só uma consciência. A consciência que falta às ovelhas e aos carneiros.
Pensa, pensa no Paradoxo deste escrito, já que és a esperteza e com ela sabes fabricar a mentira, então aqui também encontrarás a verdade! A verdade da mentira!!

Sim, sim, sim... a Terra está toda ferida!!! E o Homem, sentado completamente bêbado e a rir como um louco!!! E só diz, '' mais vinho, mais vinho!?!?''

NãoSouEuéaOutra in '' garfos colados à garganta ''

Da Dor da Perda

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 12:27



Chegou-me este cheiro a Mar
Nas Crateras da Terra vou Mergulhar
Dizem-me os ancestrais que deixaram de Amar...
Fui ficando como um fio de cabelo
Enrolando ao entardecer por entre os dedos o pêlo
Onde o coração já nada mais  é senão gelo...



INFORMAÇÃO:

Não há endereço de e.mail algum da minha parte com o titulo deste blog. Repito: Não escrevo para ninguém com um e.mail cujo endereço seja nãosoueuéaoutra, ou tenha esse nome ou outras palavras ligadas. Não existe. Se existe, não sou eu.  Não estou em mais nenhum site, nem com outros nomes e, apenas o que está no perfil conectado a este.
Se alguém recebe alguma coisa, aviso que nada tem a ver comigo!!!

Walk on...

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 04:00



« caminhou por estradas, por ruas, por veredas... onde melhor se sentiu, foi no palco de todas as orgias da vida! caminhou como uma senhora, adversa a todas as incongruências e à mesquinhez. caminhou altiva e soberana, mesmo não tendo essa glória de coroa de rainha na sua cabeça, tão cobiçada pelos senhores e senhoras deste mundo. seu reino não é deste mundo, é uma viajante de uma outra rua e outro lugar. é a caminhante da noite, se fez Lilith na tela, no céu, no deserto... é quem nós não sabemos suportar!! é maior que ela mesma!! »

Fernando Pessoa e Allan Poe - Corvo

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 20:35




O Corvo 
- Edgar Allan Poe traduzido por Fernando Pessoa -


7
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
     Foi, pousou, e nada mais.



8
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
     Disse o corvo, "Nunca mais".

What´s about Life and Live

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 18:47

Ao Norte da Morte

«Demanda na vida… Vence quem esquece»
 NãoSouEuéaOutro
      

«Fora do sítio, fora do Tempo, fora do espaço, fora da Morte
Além dum Norte
Ao qual lhe deixei o seu forte magnetismo
Que melhor dá a outras agulhas
Que melhor fazem melhor em guiar marinheiros trafulhas
Marinheiros ainda mais gitanos
Que os próprios Ciganos
Daqueles Ciganos das estórias
Que os coloca ao Norte do Mar da Roma
E ainda mais adiante que o poente do Poente
Num Ocidente lavrado
Por um Sol decadente
Cadente, que se soma dias e dias
Ciganos sem bússula ou agulhas
Sem Norte mas com faro
Um faro apurado que me empresta o
Levante Sonhado, desejado, e negado, odiado
Reflexo duma vida à espera da Morte
Onde minha bússula nunca aponta p’ra Norte


Fora do sítio, fora do Tempo, fora do espaço, mas dentro da Morte
Por uma vida de sorte…
"Mereço isso ?" pergunto me eu
"Mereço viver morto à nascença ?"
Mas a cada vista e parecença
Sei que mereço talvez
Uma morte indigna
Talvez por uma vida indigna
Onde cacei D. Mercúrio
Sem saber saber o Saber
E morrer em vez de viver…
Talvez, talvez, talvez sejamos apenas Guarda-Livros do Rei
Envoltos em sonhos mas agarrados à Lei
Presos à questão "Será que eu sei ?"
E talvez, talvez, talvez seja a Vida
Quem fez a Morte sem Norte
Para libertar os Livros dos Guardas
Mumificados em fardas Faraós da Mentira…
No final, todos nos salvaremos
Por intuir que morreremos…»

31 de julho de 2007

Inferno

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 18:21




''Dantina''* no Inferno

meu ventre grávido abortou,
ruindade daquela boca asquerosa
se lançou sobre mim como hiena,
gananciosa e arrependida da doação.

era um clic, um clic apenas,
e apenas ficou como nó na garganta
e imagem de arrependimento.
maldito sejas,
porque os teus genes são capacitados
para matar, abortar.

não foi o amor.
foi o teu medo.
foi o bicho que te devora.
não vês, pequeno homem inteligente cego.

filho dos poderes,filho do PAI, dos homens, Do diabo
renegas as mulheres no fundo da tua alma,
apenas a tua lógica tão lapidada, cega-te...
posto que discursa envaidecida e com o hino dos belos argumentos
e parece tão fácil ficar seduzido e até crer da tão boa retórica;
mas se a vontade abre a boca, o acto te trai,
trai mortalmente e perdes o lugar do divino.

matar ventres, condena-te ao estatuto de verme.
pobre da tua origem, e nem sabes. como a lógica come-te.
mais vale morrer como um Georg Cantor, um Kurt Gödel...
esses homens provaram, o que tu não verás,
sim, pela tua voraz lógica.
que tragédia!!!


vives do lodaçal dos homens,
pareces mais parido de um homem,
do que de uma mãe.
miras as mulheres, rasgas em trapos;
miras os homens, neles teces intrigas
e tudo o que mais desejas é ser como eles.
senhor de poderes nojentos, rei cínico e sádico.

precisas de berrar com a mulher,  para te sentires superior.
mas negas-te a berrar diante do teu superior.
tens medo.
precisas agradar.
precisas estudar o sadismo,
e imitá-lo numa curva próxima.
porquanto, fazes de cobaia as  mulheres.
treinas a tua falsa autoridade,
a tua doente mente gananciosa
USAS
do indefeso que te assemelha.
como és diminuto aos olhos da vida.
Não Vês?
Não Tens Olhos?

o teu coração, é como as pedras;
matas, depois fazes festas no cadáver
como se a matança nunca haveria acontecido.

lastimávelmente, és o último dos homens...
aquele a que damos o nome de DESILUSÃO ÚLTIMA.
fecho o caixão, preciso enterrar-te e fugir desta torre.
Da Tua TORRE de MORTE.

Não é poema e nada  de poema é de, NãoSouEuéaOutra
- às tantas é  primavera (ou será Inverno) de 2012 -

||  corre-me nas veias, o sangue dos Malditos, dos Aprisionados, dos Devorados, dos Visionários acorrentados, dos que São... nunca mais é, isso que é!!! Procurei uma idolatria, algo a que idolatrar; descobri que não sei como se idolatra o que não se aprendeu. O Caos, não quer escrever, quer se perder. Voo(ltar) e não mais, esse mais e já está, não há idolatria. Prego os braços, já pregados e as mãos tentam despregar. Dizem as unhas dos pés, que preciso tirar os dedos. E com os dedos, retirar as unhas, e com as unhas, achegar a um dissolvente, ou um reagente que idolatradamente retire o verniz delas com as Senhoras Donas Unhas. SEGUE NESTE LINK


*inventei o feminino de Dante.  a propósito do Inferno  de Dante.

Sou

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 06:49




Sou

sou a bigorna onde se bate o ferro
sou o modelo, o molde e a tenaz
sou o que almeja, pensa e realiza
sou quem imagina, sonha e faz

sou a aventura e o pungente salmo
sou a tormenta e a quieta planície
sou a medida, o metro e o palmo
águas mexidas, calma à superfície

sou o cadinho onde caldeio a vida
sou a água, o ar, o ferro e a terra
sou a montanha, o mar, a ermida
sou a declaração de paz e a guerra

sou de contradições e sonhos feito
sou o destino longe e o perto fim
sou dono do mundo no meu peito
faço por merecer a vida em mim

José Júlio Fernandez

Resinas de Abulia

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 13:00





Se, ao leitor, lhe não agrada o registo
Disfórico da minha poesia, liberte-me das
Grades da cela; dê-me a beber o Sol de cada
Dia; pendure-me nos tectos bolorentos cachos
Azuis e sensuais de astros; traga-me pombos
Bravos para cima da minha cama, com plumagens
Esmeralda e bicos de ametista; plante-me, na
Terra estéril, tílias e álamos e abetos e cedros e
Faias e árvores-outras de que goste; semeie-me,
Entre pedras belíssimas, todas as espécies de flores;
Povoe-me, esvoaçantes, pássaros exóticos, com
Cantos multicolores; ponha-me um mar bravo a
Musicar contra os rochedos, dentro dos meus olhos
Secos; faça-me navegar nas veias veleiros e gaivotas;
Espalhe-me sobre o ventre areias fulvas e macias,
Seixos negros, com arestas auríferas e lamas de argila
Brancas e verdes; chova-me vermelhos cálidos na
Alma, que nunca me foi dada, nem, aliás, a aceitaria;
Arrombe-me, depois, todas as portas do corpo, sempre
Abertas, em secreto silêncio, e faça-me amor, com poesia,
A mais eufórica que souber, no acender de cada madrugada.

Se não for capaz, leitor descontente, de tão irrisório feito,
Envie-me, na boca de uma raposa vermelha alada,
A tábua dos mandamentos da poesia, com registo eufórico,
Ou a cartografia exaustiva do labirinto da alegria.


Violeta Teixeira, in RESINAS DE ABULIA, Magno Edições, 2003


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