[ Minha Vida
Nunca busquei viver a minha vida
A minha vida viveu-se sem que eu quisesse ou não quisesse.
Só quis ver como se não tivesse alma
Só quis ver como se fosse eterno. ]
Alberto Caeiro, in "Fragmentos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
nunca tinha percebido como o vazio era tanto. quase vergonhoso. quase assustador. quase filho da puta. quase tudo para dizer a verdade. sempre acordei todas as manhãs. todas as manhãs foram mentirosas. mentirosas umas atrás das outras. como são quase sempre os vazios que tentamos não ver. somos mestres do disfarce. o disfarce apanha-nos. pode acontecer que esse apanhar surja numa manhã e de repente fiquemos sujos. sujos como são esses esgotos. esgotos entupidos, por mais que esses tubos sejam de ouro.
nunca tinha percebido como o vazio era tanto. como se tornara enorme. tão enorme e monstruoso. uma anaconda mastigando as entranhas da alma e dejectando no corpo. o amor. isso foi tudo uma mentira. uma mentira profunda nunca assumida. nunca houve. o que houve foi nada. nenhuma flor nasceu aos pés desta criança. todos os afagos foram roubados.
NãoSouEuéaOutra in « A Orgia Morta »
« só quis ver como se fosse eterno »
Era uma vez uma história. A história da menina com meninas deprimidas. Reza assim a dita malograda história: « um dia a menina fechou os olhos às meninas e colou as suas bocas, tapou os seus ouvidos e, por fim, atou as mãos atrás das costas em cada uma delas e afastou-as de forma a não se tocarem. Muito caladinha e tão caladinha sentou-se algures, bem longe delas e começou a pensar. Pensou pela primeira vez. Depois de muito pensar, e, pensar oferece muito trabalho, buscou uma folha muito preta, tão preta que se caísse uma fagulha branca denunciava-se de imediato, e com um lápis de ponta branca escreveu a palavra ''deprimidas''. Ficou por muito tempo olhando aquelas letras brancas mergulhadas na imensidão do negro. Passaram-se tempos e tempos e, subdividiu as palavras. Resultou algo como: Depri - Midas.
Algo aconteceu! Eurekaaaaa!
Acendeu-se uma luz estranha nos recantos escondidos do seu cérebro e percebeu que tinha comido um certo Rei Midas. Aquelas meninas deprimidas tão barulhentas eram o corpo inteiro e a alma do Rei Midas. »
NãoSouEuéaOutra in « desta vez não me fujo! »
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NãoSouEuéaOutra
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13:28
As Novas Missas Femininas
- Já sabe da última?
- Qual última?
- A do Sr. Prior!!
- Sr. Prior?
- Sim. Sim!! Veja que ontem à tardinha, o Sr. Prior, resolveu dar a Missa nas traseiras da Igreja, da Santa Madre. Exclusiva para Mulheres, todas vestidas de branco. Uma chuva caía que se fartava, e dizia sua Excelência que era para limpar as almas. As mulheres precisavam de limpar a alma. Os pecados sujavam-nas.
- Ai nossa Senhora Aparecida a direito nos céus!!!
- É verdade! As Missas já não são como antigamente. Até o Galo emigrou. Ouvi dizer que foi dedicar-se ao Futebol, limpar estádios e arranjar uma Noiva em condições… e que aquilo de fazer cócóróró não dava dinheiro nenhum, e nem tesão. Saiu tão danado do poleiro habitual, que vociferou, «se o calvário existia, que iria enviar para lá todos os Priores.» Vá-se lá entender a cabeça de um galo.
- Cruzes! Que galo esquisito. O Sr. Prior deixou partir o Galo?
- O Sr. Prior, ao que consta, estava mais interessado nas beatas com a roupa toda coladinha ao corpo!!
- Ai sim?!
- Consta-se que, ele, ficou a pregar debaixo de um guarda-chuva.
- ?????
NãoSouEuéaOutra in '' Dilatadores de Missas ''
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NãoSouEuéaOutra
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10:10
Máximas dele para ela…
- Olha… Quando quiseres um homem ‘’normal’’ e… Como é que é mesmo? ‘’Calmo, ponderado e sensível!’’… Então vai ao cemitério!! Que lá há muitos assim!!
NãoSouEuéoOutro in ''Sarcasmos''