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Nós Fomos Domesticados e Domesticamos as Crianças

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 15:48


As crianças são domesticadas

"As crianças são domesticadas da mesma forma que domesticamos um cão, um gato ou qualquer outro animal. Para ensinar um cachorro precisamos punir e dar recompensas a ele. Treinamos nossos filhos, aos quais amamos tanto, da mesma forma que treinamos qualquer animal doméstico: com um sistema de castigos e recompensas. Dizem-nos: "Você é um bom menino" ou "Você é uma boa menina" quando fazemos o que mamãe e papai querem que a gente faça. Quando isso não acontece, somos "meninos maus" ou "meninas más".

Nas oportunidades em que fomos contra as regras, nos puniram; quando agimos de acordo com elas, ganhamos uma recompensa. Fomos castigados muitas vezes por dia e recompensados muitas vezes por dia. Logo ficamos com receio de sofrer o castigo e também com receio de não ganharmos a recompensa. A recompensa é a atenção que conseguimos de nossos pais, ou de outras pessoas como irmãos, professores e amigos. Logo desenvolvemos necessidade de captar a atenção de outras pessoas para conseguir a recompensa.
A recompensa provoca uma sensação boa, e continuamos fazendo o que os outros querem que a gente faça para obter a recompensa. Com medo de ser punidos e medo de não ganhar recompensa, começamos a fingir ser o que não somos apenas para agradar aos outros, só para ser suficientemente bons para outras pessoas. Tentamos agradar a mamãe e papai, tentamos agradar aos professores na escola, tentamos agradar à Igreja, e com isso começamos a representar. Fingimos ser o que não somos porque temos medo de ser rejeitados. O medo de sermos rejeitados torna-se o medo de não sermos suficientemente bons. Mais tarde, acabamos por nos tornar alguém que não somos. Tornamo-nos cópias das crenças de mamãe, das crenças de papai, das crenças da sociedade e das crenças religiosas.
Todas as nossas tendências normais são perdidas no processo da domesticação. E quando somos grandes o suficiente para que nossa mente compreenda, aprendemos a palavra não. Os adultos dizem "Não faça isso, não faça aquilo". Nós nos rebelamos e dizemos "Não!".

Rebelamo-nos porque estamos defendendo nossa liberdade Queremos ser nós mesmos, mas somos pouco, e os adultos são grandes e fortes. Depois de um certo tempo, ficamos com medo porque sabemos que todas as vezes em que fizermos algo errado, seremos castigados.
A domesticação é tão forte que num ponto determinado de nossa vida não precisamos mais que ninguém nos domestique. Não precisamos da mamãe ou do papai, da escola ou da Igreja para nos domesticar. Somos tão bem treinados que passamos a ser nosso próprio treinador. Somos um animal autodomesticado. Agora podemos domesticar a nós mesmos de acordo com a mesma crença no sistema que nos forneceram, usando as mesmas técnicas de punição e recompensa. Punimos a nós mesmos quando não seguimos as regras de acordo com nosso sistema de crenças; recompensamos a nós mesmos quando somos "bonzinhos" ou "boazinhas" o sistema de crenças é como o Livro da Lei que regula nossa mente. Sem questionar, o que estiver escrito no Livro da Lei é nossa verdade. Baseamos todos os nossos julgamentos segundo o Livro da Lei, mesmo que esses julgamentos e opiniões venham contra nossa própria natureza. Mesmo leis morais como os Dez Mandamentos são programadas em nossas mentes no processo de domesticação. Um a um, todos esses compromissos passam a constar no Livro da Lei, e esses compromissos regem nosso sonho.
Existe algo em nossa mente que julga a tudo e a todos, incluindo o tempo, o cão, o gato ... tudo. O Juiz interno usa o que está escrito no Livro da Lei para julgar o que fazemos e o que não fazemos, o que pensamos e o que deixamos de pensar, mais tudo o que sentimos e deixamos de sentir. Tudo vive sob a tirania desse Juiz. Todas as vezes que fazemos alguma coisa que vai contra o Livro da Lei, o Juiz diz que somos culpados, que precisamos ser punidos e que deveríamos nos envergonhar. Isso acontece muitas vezes por dia, dia após dia, ao longo de todos os anos em que vivermos.
Existe outra parte de nós que recebe os julgamentos, e essa parte chama-se: a Vítima. A Vítima carrega a culpa, a responsabilidade e a vergonha. É a parte de nós que diz: "Coitado de mim, não sou bom o suficiente, não sou inteligente o suficiente, não sou atraente, não sou digno de amor, pobre de mim". O grande Juiz concorda e diz: "Sim, você não é bom o suficiente". E tudo isso é baseado num sistema de crenças que não chegamos a escolher. Essas crenças são tão fortes que mesmo anos mais tarde, depois que fomos expostos a novos conceitos e tentamos tomar nossas próprias decisões, descobrimos que essas crenças ainda controlam nossas vidas.
O que quer que vá contra o Livro da Lei irá fazer você experimentar uma sensação estranha no plexo solar, que é chamada medo. Quebrar as regras do Livro da Lei abre seus ferimentos emocionais, e sua reação cria veneno emocional. Porque tudo que está no Livro da lei tem de ser verdade, qualquer coisa que desafie aquilo em que você acredita irá produzir uma sensação de insegurança. Mesmo que o Livro da Lei esteja errado, ele faz com que você se sinta seguro.

É por isso que precisamos de um bocado de coragem para desafiar nossas próprias crenças. Ainda que saibamos não haver escolhido nenhuma dessas crenças, também é verdade que terminamos por concordar com todas elas. A concordância é tão forte que mesmo que a gente entenda o conceito de que não são nossas verdades, sentimos a culpa e a vergonha que ocorrem se formos contra essas regras.
Assim como o governo possui o Livro de leis que regula o sonho da sociedade, o nosso sistema de crenças possui o Livro da lei. que regulamenta nosso sonho pessoal. Todas essas leis existem em nossa mente, acreditamos nelas, e o Juiz dentro de nós baseia tudo nessas regras. O Juiz decreta e a Vítima sofre a culpa e o castigo. Mas quem disse que existe justiça nesse sonho? A verdadeira justiça é pagar uma vez apenas por cada erro. A injustiça verdadeira é pagar mais de uma vez por cada erro.
Quantas vezes pagamos por um erro?

A resposta é: milhares de vezes. O ser humano é o único animal na Terra que paga milhares de vezes pelo mesmo erro. O resto dos animais paga apenas uma vez pelo erro cometido.
(...)
Don Miguel Ruiz - Os 4 Compromissos

(informação do livro colhida no Pistas do Caminho)

Harold Bloom e O Vírus Influência

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 22:55

O vírus influência

Aos 80 anos, Harold Bloom, o maior teórico da ansiedade como definidora da história da literatura, lança obra em que repassa sua trajetória intelectual

Marcos Flamínio Peres

Um dos mais importantes críticos norte-americanos desde o pós-guerra, o americano Harold Bloom, 80 anos, acaba de lançar um balanço de sua formação intelectual. Em Anatomy of influence: Literature as a Way of Life (Anatomia da Influência: Literatura como Modo de Vida, Yale University Press), ele relembra a infância pobre vivida durante a Grande Depressão, o ingresso na Universidade Cornell – onde já se destacava como garoto prodígio e grande conhecedor da poesia romântica inglesa –, a transferência para Yale e o desenvolvimento da ideia de influência como definidora da história da literatura.

O ápice de sua trajetória intelectual e também midiática viria, em 1973, com a publicação de A angústia da influência – expressão que o próprio autor chamaria posteriormente, em novo “Prefácio” à obra (1997), de “a ansiedade da influência”, substituindo “anxiety” por “anguish”. Nele, Bloom reescreve a história da literatura baseado no confronto entre obras e autores – um já canônico e influência perene, outro que busca escapar de sua esfera e encontrar um espaço de criação próprio – isto é, originalidade – dentro do cânon da literatura.

Assim, num primeiro momento a obra literária constrói-se com base em um ponto de vista interno, à revelia de fatores fora dela. Um texto não deve explicar o momento histórico em que foi produzido, ou a relação entre as classes socais, ou a situação da mulher, ou de qualquer minoria. Bloom estava claramente alvejando os estudos culturais – mas também sendo alvejado por eles.

No “Prefácio” à segunda edição, 24 anos após a primeira e em plena efervescência dos estudos culturais nas universidades norte-americanas, ele bate pesado: “Estamos hoje numa era da chamada ‘crítica cultural’, que desvaloriza toda literatura de imaginação, que degrada e rebaixa particularmente Shakespeare. A politização do estudo literário destruiu o estudo literário e ainda pode destruir a própria cultura erudita. Shakespeare influenciou o mundo muito mais do que o mundo o influenciou” (A Angústia da influência, 2ª. ed., trad. Marcos Santarrita, Imago, 2002).

Ironicamente, Bloom parece compartilhar a opinião de seus adversários teóricos de início de carreira, os “new critics”. Gente como Robert Penn Warren e Cleanth Brooks, que defendiam a tese de que um texto é uma entidade autônoma, desvinculada de qualquer realidade que não sua própria construção linguística.

Claro que isso não combina com o princípio da influência, que dá sustentação à teoria poética de Bloom e segundo o qual um texto transcende a si próprio para se impor, ao longo do tempo, como angústia/ansiedade a seus leitores/criadores. Contudo, Bloom admite ainda menos que um texto literário seja a explicação de qualquer coisa que não a si próprio: “Historicistas ressentidos de vários credos – derivados de Marx, Foucault e do feminismo político – hoje estudam a literatura essencialmente como história social periférica. O que se jogou fora foi a solidão do leitor, uma subjetividade rejeitada porque, supõe-se, não possui ‘existência social’.”

A ideia de que uma obra possa assombrar o presente com sua originalidade esmagadora, em relação à qual – e contra a qual – as gerações posteriores têm de se afirmar, soa mal aos estudos culturais, pois desparticulariza a especificidade do tempo presente. Aceitar a hipótese da influência como angústia/ansiedade é admitir que o ponto de vista do crítico cultural, firmemente ancorado no presente e com base no qual rearticula toda a tradição literária, não é tão onipotente e, logo, confiável.

E será justamente Shakespeare que Bloom vai apresentar, de modo provocador, como prova irrefutável de sua teoria poética – e também quem ele terá de proteger dos ataques culturalistas: “A verdade maior da influência literária é que é uma ansiedade irresistível: Shakespeare não nos deixa enterrá-lo, nem escapar dele, nem substituí-lo”, diz no “Prefácio”.

Freud, claro, é um dos esteios conceituais de que Bloom assumidamente lança mão, em particular o conflito geracional entre pais e filhos presente no “romance familiar”. Essa imagem, na base da psicanálise, está subjacente à leitura que Bloom faz da literatura, particularmente a de língua inglesa, como luta contínua pela invenção a partir – e contra – dos cânones.

Assim, Wallace Stevens é assombrado por Walt Whitman, assim como  Tennyson tem de se ver com a obra de John Keats, e mesmo O Paraíso Perdido de John Milton, tem sobre seus ombros o Hamlet de Shakespeare, como Bloom aponta em seu novo livro.

O sublime

Mas Bloom também era um grande teórico do sublime, entendido como elevação da alma acima das contingências. Primeiramente abordado por Longino na Antiguidade, no pequeno tratado Do Sublime, o tema seria retomado por Kant, na Crítica da Faculdade de Julgar e, em chave política, pelo inglês Edmund Burke – a quem Kant critica.

O sentimento do sublime implica necessariamente o apequenamento do indivíduo diante do inapreensível – seja diante da grandiosidade de uma paisagem natural, como em Kant, seja por meio da retórica, como em Longino.

Em ambos os planos – na natureza ou na linguagem –, o sublime está sempre associado ao “fracasso do pensamento lúcido” e, por consequência, sempre supre uma ausência. Assim, na impossibilidade de o desejo realizar-se diante de algo que transcende a compreensão do indivíduo, só resta a este render-se à ansiedade como princípio criador, pois ela “substitui o desejo como princípio da individuação”, aponta Thomas Weiskel em O Sublime Romântico (ed. Imago, trad. Patrícia Flores da Cunha, 1994). Weiskel, não por acaso, estudou e lecionou com Bloom em Yale.

Inquisição

Ora, para Bloom a psicanálise torna-se então um limitador para a criação artística, à medida que abre mão de “modos de prazer mais primordiais por modos mais refinados”, em sua intenção de proporcionar “maturidade emocional” ao indivíduo. Para Bloom, “não é essa a sabedoria dos poetas fortes, [porque] o sonho de que se abre mão não é apenas uma fantasmagoria de interminável satisfação, mas a maior de todas as ilusões humanas: a visão da imortalidade”.

Bloom está aqui na mesma linha dos críticos que associam Freud à burguesia ascendente do início do século 20.

Já tardiamente, o cineasta alemão Werner Herzog, durante palestra no 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural, foi mais longe e comparou a psicanálise à Inquisição porque, afirmou, ela tenta eliminar do homem seu lado “escuro” – e, logo, criativo.

No fundo, ao teorizar sobre a ansiedade na poesia inglesa, Bloom reflete sobre a questão inerente a toda arte: a capacidade da representação – ou, então, seu colapso.

Fonte - Revistacult

Angels and Demons

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , | Posted on 17:52



Estando sentada, com um caderno simples na mão, e nem sei a que propósito, surgiram-me estas palavras e que logo me apressei a escrever:

«Todos se defendem como Anjos e todos acusam os Outros como Diabos

 Uns minutos depois, repensei a tirada que '' fiz '' para o ar e que agarrei e colei nas linhas do caderno.  Porventura, estas palavras, foram de alguém mais sábio que resolveu habitar por estes dias dentro de mim.

Assim, deste repensar, nasceu uma critica de alerta a mim mesma:

«Eu digo, de Anjos todos aguentam, e pior que os Diabos dos Outros, são os meus próprios Demónios que me comem à boca cheia. Não importa que os envie para o Tártaro pela negação, posto que cedo ou tarde, eles encontrarão uma brecha e virão comer à dentada como animais ferozes! Aí, nem Anjos ou Diabos poderão nos salvar. Já estaremos Mortos, ainda que respiremos.»





Quando me ler, repare se sou um Anjo ou um Diabo... depois, olhe para si e veja quem é o diabo que em si, está criticando-me e porquê? O que teme em mim? Não terá, a sua pessoa humana,  essa mesma faceta em algum gavetão da sua personalidade e numa outra área e que não assume e por isso entra em choque comigo? Lamento ser um espelho tão próximo do real. 
Dizem que nem todos são espelhos límpidos e nem todos podem fazer esse papel, já que ele é por vezes ingrato. Eu, por exemplo, não o escolhi em consciência e por conta de tal, estou sempre partindo a cabeça e o coração, a mim mesma!
imagens do filme ''Anjos e Demónios''

Retratos Duplos

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 18:41



 Pintura de Oleg Shuplyak


Tento escutar! Escutar não aquilo que dizes, mas aquilo que não dizes. É aí que reside o choque e a diferença. Há quem não ouça as coisas deste mundo tão tangível, e sim essas nuances ocultas que são amordaçadas, mas que tanto barulho fazem, e incomodam as almas dos que sabem ouvi-las.

Por fora dizes, «és tão bonita.» Por dentro gritas, «desprezo-te, estúpida!»


Rápidas e Frescas

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , | Posted on 05:29



- Não sei porque pensas assim? Cruzes!! - digo-o para os meus singelos botões. -
- Sim, amei-te mal e por isso nem sabes quantos calos nasceram na base do pé. Minha espinha dorsal dobra-se tanto, que... bem!! sim, consigo roer os calos. Infelizmente com esta total acrobacia não consigo roer a falta de jeito para te amar.


NãoSouEuéaOutra in « Feitas de Cabeça Branca »

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