Fotografias de Tina ModottiPoemas Massivospor NãoSouEuéaOutra
Poetar 1…guarda-me do Terror
do Terror destes aguçados Dentes
que o Horror não faça Dor
e Doente e fique Demente
que seja Crente no fundo da Mente
para que a Alma seja Sol-Mente
e o Coração uma Água-ardente
que no fim o Rio em mim, seja Furor
e me livre de todo o Terror…
Poetar 2há um esforço na garganta do meu juízo,
um esforço para compreender, mas mais para ver
há um apelo, gritante e danado às coisas do mundo
triste fim de galinhas tontas
há um grotesco selvagem, saído da vagina
que corta a última inteligência , é que há dias mortos
funerais destapados e imundos de quem não quer a paz
há um apelo à passagem cega do passado, hortas secas
e couves a voar, e que dizem, ‘’ somos anjos, meu amor, mas sai da frente!’’
Poetar 3às vezes olho a Poesia, e não sinto nada
até fico estranha, tanto desinteresse
e só me enfio com quem me faz sentir
sou uma Amante ingrata, mas grata à Poesia
ninguém duvida, pois ninguém pode duvidar mais do que eu,
é este crivo onde me coloco e me faz penar
que às tantas digo, oh merda de Poesia, porque não acordas?
Poetar 4Quando me debruço sobre as palavras da tua Alma,
Sinto esta Morte adentro, este soluçar que te vergou
Ou será que te vejo em mim, pedaços de remendos e ‘’remedos’’
Eu, tal como Tu, também duvido que algum dia me visite isso
Tal como tu – tu viveste eu não – sinto o amargo de nunca viver
Tomara que tivesse vivido à exaustão e morresse por isso
Assim Deus teria me extravasado naqueles momentos de segundos
Todos trocaríamos o lugar, é certo e tu, talvez trocarias o teu pelo meu
Apenas porque o teu foi doloroso, e talvez curto e o meu é longo e vivo
Embora por opção pudesse terminar e o teu não, porque era obvio
Somos semelhantes, mas tu eras um Poeta e eu apenas sou nada
A poesia amava-te e eu tento que ela me ame.
Vês a diferença dos nossos esforços, o amor também era e é a nossa meta
Como o desvincular do corpo das atrozes ardências e calamidades…
A vida foi-te intensa, e é também para mim
Escolhemos ruelas vertiginosas, estranhas
Amassamos com gritarias em nome do esforço de sermos inteiros
Carne, sangue, ossos, sexo, coração, mente e sabe lá mais…
Não somos fáceis, somos intransigentes; pulamos muros inadvertidamente
Arrulhamos às rolas e dizemos, ‘’tens água no bico ou é só palha!?’’
Mas, o mais que fazemos é ficar paralisados a olhar os tectos da cidade…
Tu no teu tempo e eu no meu…e sempre duvido desta felicidade
Somos mortais à partida e a velhice é-nos pesada e triste;
Cospem-nos na cara… somos peles nojentas e os jovens aferram-se ao medo
O medo que um dia lhes tocará…
Sabemos que um jovem nunca se lembra de ser velho!!!
Sabes, cheguei à conclusão que há uma raça de irmãos… corre-lhes o mesmo sangue!!
Entendes o que digo, é que se entendes, a raça é a mesma!!