Mostrar mensagens com a etiqueta Filosofia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Filosofia. Mostrar todas as mensagens

Pitágoras

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 23:52



Ao ver estas fotografias, de Hossein Zare,  lembrei-me de um livro que tinha na prateleira, de 2005, lançado pela Editora Esquilo, cujo titulo é Pitágoras. Fui então, reaver umas linhas do livro e transcrevê-las aqui.

« Pitágoras respondeu num tom seco:
- A sua fonte é o Absoluto, o Silêncio anterior a todas as formas, a todas as sucessões de factos, ou seja, anterior aos números. Um «nada» que, ao manifestar-se, se transforma no Uno. Falo disso, mas deveria calar-me, porque este conhecimento não só é secreto como não pode ser transmitido senão através do poder da inspiração silente. (...)

- Para se experimentar a si mesmo, o Uno, a mónada (imaginemo-lo como um ponto de luz), deslocou-se deixando um rasto no espaço. O seu movimento formou uma linha luminosa que, num dado momento, se quebrou. Desta quebra surgiu o Dois, a diáda. Estas duas linhas luminosas voltaram a fracturar-se infinitas vezes. Depois, as linhas deslocaram-se, formando planos de luz e, novamente, deslocaram-se os planos criando volumes ou universos configurados por pontos de luz.
«Nós habitamos nointerior de um desses universos, repleto de estrelas. Compreender isso permite-nos deduzir que tudo o que existe faz parte de um mesmo Ser, uma vez que tudo tem como origem um único ponto: O Uno, uma fonte de luz surgida do Silêncio, do Vazio...
«Depois da fractura do Uno, surgiu a diversificação, ou seja, os números, o que equivale a dizer que irrompeu tudo o que deveria existir: mundos e seres em expansão, multiplicando-se entre si e vagueando pelo cosmos, esquecidos da sua natureza original. (...)

(...) Certamente - frisou Pitágoras, - o meu mestre Anaximandro foi o primeiro homem capaz de prever os eclipses.
(...) Nesse momento, Pitágoras recordou Anaximandro, que nunca se conformara com a explicação mítica dos eclipses. Pensou também em Maati que, como sacerdotisa da Bastet, lhe explicara de que modo, durante cada eclipse, a serpente cósmica desejava devorar o Sol, mas era vencida e morta por Bastet, a gata celeste.  Pitágoras quis conhecer a opinião de Surba acerca esses conceitos míticos.
- A maioria das pessoas pensa que os eclipses se produzem por acção de uma serpente celeste. Não seria melhor explicar-lhes claramente a natureza dos ciclos de Saros dos quais me falas? - inquiriu.

Benigno Morilla  in  Pitágoras

Fotografias Hossein Zare

Tapasya

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 09:05

Siva, o rei das tapasyas

Swami Krishnapriyananda Saraswati


Om namo bhagavate narayanaya!
Om namo bhagavete vasudevaya!
 Om Namah Sivaya!



É necessário alguém ficar preso a vida toda em uma pessoa, como um guru ou mestre espiritual, prestando serviço devocional, para poder liberar-se? Bhakta

O serviço devocional é Karma-jñana-bhakti, ou seja, é ação consciente da devoção. Não há nenhuma necessidade de formalizar nada além da sua vontade de servir ao Dharma e ao Supremo. Krsna não nos deu ordens para seguir nenhuma instituição nem mesmo religião; Ele simplesmente nos deu o caminho da liberdade do amor pelo Supremo. É claro que uma ciência tão complexa como a da filosofia do Veda não se aprende de um dia para outro, muito menos se realiza tão em repente. O mestre espiritual é quem esclarece as dúvidas do iniciante, aponta o caminho para seguir adiante, mas jamais escraviza o discípulo. O Mestre Espiritual verdadeiro não é um simples negociante, que em troca de alguns trocados dá algum conhecimento, um mantra fajuto, ou coisas do gênero. Por outro lado, convém salientar, que nem todas as traduções dos textos disponíveis do Brasil ou no mundo são fidedignas, quer pela precariedade das interpretações dadas por seguimentos sectários e religiosos, quer pela má tradução e má formação no Sânscrito daquele que interpretou este ou aquele verso. Então, é aconselhado estudar a escrita original dos textos para saber o que realmente está sendo dito. Aprenda-se o Sânscrito, e fique-se livre das interpretações pessoais de pessoas sem cultura védica, sem formação acadêmica, etc. A edição que temos no Brasil de muitos textos como o Bhagavatam, por exemplo, foi mal traduzida, além de ter sido comentada por um autor sem formação em Sânscrito, sendo uma mera cópia apressada da edição da Gita press, além de ser tendenciosa ou conduzir tudo para visão da seita do autor. Há um exemplo muito hilário num blog brasileiro onde o postador coloca o Kalisantarana Upanisad como aconselhando Narada Muni a cantar o Mantra Hare Rama Hare Krsna, descrevendo-O ao contrário, ou seja, iniciando com Hare Krsna e depois Hare Rama. Mas ele colocou o texto em devanagari, a escrita original do Sânscrito, e o mesmo está na forma correta, Hare Rama Hare Krsna. Sendo um sinal bem evidente e claro que não sabe ler o sânscrito. Isso é muito engraçado, e ele coloca-se como se fosse um erudito. Que hilário!

Outro exemplo, o sloka 6.1.16, do Bhagavatam que é referido pelo Bhakta da pergunta, a qual deu início a esta missiva. É temerário o que diz ali, na escrita daquele autor. Por exemplo, a tradução do Bhagavatam do autor citado, diz:

Meu querido rei, se uma pessoa pecaminosa engaja-se num serviço a um bona fide devoto do Senhor, e assim aprende como dedicar a sua vida aos pés de lótus de Krsna, ele pode purificar-se completamente. Alguém não pode se purificar meramente por submeter-se a austeridade, penitência, brahmacharya e outros métodos de expiação que eu descrevi anteriormente”. Será desnecessário colocar aqui a interpretação de palavra por palavra conforme o autor se refere, porque vemos claramente tratar-se de uma interpretação ou leitura através do viés doutrinário do mesmo, e não é nada fiel ao que está escrito no Sânscrito. Ideologia não nos interessa discutir aqui.

O verso que citado está no Bhagavata-purana, 6.1.16 (texto antigo dos ensinamentos de Bhagavam – ou o mestre ou Senhor) é bem claro e objetivo. Apesar de não ser adequado citar-se versos isolados de um texto, o qual refere-se a uma conversa entre dois personagens, e, portanto, o sentido pode ficar fragmentado ou descontextualizo se não for colocado em totum. Para a sabedoria da verdade, a tradução correta do mesmo é a seguinte, conforme o texto sânscrito (podendo ser conferido por qualquer um que leia Sânscrito corretamente, e que esteja livre de visão ideológica ou sectária):

na tatha hy aghavan rajan puyeta tapa-adibhih
yatha krsnarpita-pranas tat-purusa-nisevaya

na= não; tatha= assim; hy= (no sentido de “no passado”); certamente; aghavat= impuro; rajan= rei; puy= fede; pústula; eta= assim; tapah= austeridade; adhibhih= sendo primeiro; yatha= deste modo como segue; krsna= Krsna; arpita= firme; fixo; pranas= banha-se; tat= assim; purusa= a pessoa; ni= com; sevaya= prestando serviço; nisevaya= prestando seva.


Nem o rei número um das tapasias (austeridades) purifica o purusa como o banho firme de Krsna Seva.

O Brahmacharya é considerado o mais elevado tapasya. No Rig Veda, Tapasya é apontado como filho de Manyu (posteriormente chamado Rudra, e depois Siva), e Tapo-Raja (rei por sobre as austeridades), é um nome da Lua. A Lua, na cultura védica, é masculino e não feminino, sendo o rei da mente, e o Brahmacharya, controle dos sentidos, o mais elevado tapasya. Portanto este verso rememora que grandes seres, capazes de austeridades elevadas, conforme a mitologia indiana, se rendem ao Seva, que é o serviço abnegado ao Supremo. Também, antigamente o Yogi era chamado de “tapaswin”, significando “miserável´´; “mendigo”, “pobre”, no sentido de asceta, ou quem praticava alguma austeridade. A atividade de tapasya tem em vista o foco em algum esforço ou manter-se num empreendimento levando algum tipo de austeridade corporal tendo em vista alcançar algum tipo de iluminação ou benesse do tipo espiritual. No sentido amplo, os Niyamas descritos nos textos védicos, e posteriormente colocados por Patañjali nos Yoga Sutras, são autocontroles, nos quais tapasya implica na autodisciplina que tanto significa um aspecto físico como a busca de um elevado propósito na vida. Os tapaswin defende que através de Tapas se pode “queimar” ou então prevenir acúmulo de karma ou energias negativas acumuladas, limpando o caminho que leva na direção da “evolução” da consciência espiritual.

No mais das vezes, as traduções que temos no Ocidente dos textos védicos estão impregnadas do “ethos” ou forma de pensar Ocidental. Por exemplo, inexiste a noção ou significado de “pecado” no Sanatana dharma, e quando aparece esta palavra nos textos védicos ela é totalmente equivocada. A palavra “papa”, quase sempre é traduzida como “pecado”, mas o sentido correto é “impureza”; “inconsistência”. Uma pessoa é “impura” pelo nascimento; devendo submeter-se aos Samskaras ou rituais purificatórios conforme orientação de Manu. Mas este “impuro” não é de cunho moral, mas objetivo, ou seja, ligado ao corpo e à matéria. Na verdade, quem não se submete aos ritos de Manu nem mesmo é considerado “pessoa” para Manu. Um dos processos de alcançar a liberação ou Moksa é a realização de austeridades, as quais o sr. cita algumas: não fumar, não beber, não comer carnes, etc. Mas isso não é suficiente. Se olharmos bem de perto, os animais não fumam, não bebem, muitos jamais comerão carnes, vivem em condições muito difíceis na natureza, são totalmente castos, e, mesmo assim, não alcançam a liberação e jamais a devoção pelo Supremo. Portanto, nossa condição de meros animais no mundo não nos garante a qualidade de “humanos”. Uma pessoa nasce no mundo como um animal qualquer; ela deverá seguir os passos de purificação indicados pelo Manusmriti. A condição de “devoção ou Bhakti” somente é alcançada na plataforma de “humano”. Esta palavra é interessante, ela quer dizer “seguir os princípios de Manu; hu= sacrifícios como indicado; manu= por Manu= humanu!;. seguidor das purificações do Manu). O primeiro passo é seguir os tais princípios, porém alguém pode ser um grande devoto e não seguir principio algum. A plataforma de consciência do Supremo é a mais elevada das plataformas. Regra e regulações, nascidas da própria experiência particular e idiossincráticas, típicas de seitas e coisas do gênero, são tão danosas quanto regra alguma. É por isso que o candidato a Sadhaka deverá realizar os rituais purificatórios.

O processo de namakarana diksa ou “iniciação” é um processo interno e pessoal. Diksa significa seguir o Dharma, ser respeitoso ao mestre espiritual, e seguir as orientações que Ele lhe dá, sendo a superior das instruções aquele que liberta o discípulo até mesmo do guru. Amar ao mestre espiritual e tê-lO como um amigo é mais importante do que mera formalidade. A cerimônia de fogo, que segue os rituais védicos, é mera formalidade. O conteúdo é mais importante do que a forma. O Sr. Krsna nos instruiu: Sarva Dharma Mam ekam (Gita. 18.66), ou seja, “seja devotado a Mim e tenha a Mim como o Uno”, o resto é mera “perfumaria”. Isso é o mais importante. Abandone as religiões e obrigações mecanicistas para com o Supremo, e atue como um devoto em tudo. Então estará bem. Livre-se de seitas, religiões e dogmas sem sentido.

Procure seguir o canto dos Santos Nomes, iniciando por Hare Rama e depois Hare Krsna, isso irá purificar e servir de abrigo nesta era de trevas, Kali-yuga. Louve Narayana e Vasudeva. Om namo bhagavate narayanaya! Om namo bhagavete vasudevaya! Om Namah Sivaya! Cante o Mantra do Senhor Krishna, “Sri Krsna govinda hey murari| henata narayana vasudeva”; este é o mais poderoso mantra para alcançar amor de Krsna.

Procure ser bom e fazer o bem, sem abrir mãos da Justiça. Ser pacífico é diferente de ser passivo. Então se estará seguindo o Dharma. Leia e releia o canto 12 do gita todos os domingos, então Krsna irá se encarregar de lhe mostrar a Verdade.


om hari hara om tat sat 
(source)

Baseado em fatos reais

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 15:38






O domínio absoluto sobre os meus estados de espírito é a minha maior conquista como ser humano. Há mais de vinte anos que não perco a calma. Há mais de vinte anos que não produzo adrenalina desnecessariamente. Não brigo, não xingo, não bato. Não sinto raiva nem ódio, nem ciúmes, nem rancor. Não me irrito por absolutamente nada. Nunca tive mau humor. Não tenho sequer aqueles nozinhos horrorosos na garganta. Não me descontrolo jamais! Não há motivos racionais que possam me abalar. Não discuto, a não ser filosofia. Sou amorosamente zen...
Como consigo tal façanha?você pode perguntar.
É muito simples: Dou valor secundário às coisas secundárias. E considero secundário tudo aquilo que não é fundamental... Tudo aquilo que não tem poder de causar mudanças significativas no rumo da minha vida. Considero secundário tudo aquilo que não interfere na minha felicidade.

The Wound of Love

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 17:23

Um texto estranho que encontrei na net, há meses e guardei nos rascunhos para possível '' blog post'' e, deixe-me dizer que nem investiguei o senhor que o escreveu...  Como estou estranha, e geralmente estou sempre estranha... aqui está um texto, também estranho... quiçá de outra dimensão, também estranha!!! Está tudo estranho/a... será o caso do planeta estar estranho?!

 
The Wound of Love

    from chapter twenty-one of The Dawn Horse Testament Of The Ruchira Avatar
by Avatar Adi Da Samraj


   
   
     

Love Does Not Fail For You When You Are Rejected or Betrayed or Apparently Not Loved. Love Fails For You When You Reject, Betray, and Do Not Love. . . . Therefore, The Most Direct Way To Know Love In every moment Is To Be Love In every moment. In The Way Of Adidam, My Devotee Is Founded In This Capability By Virtue Of his or her Constant Communion With Me (and, Thus and Thereby, With The Divine Person, Reality, or Truth).
Avatar Adi Da Samraj
   
   
   



Avatar Adi Da Samraj Only A Fool Will Fail To Cultivate The Relationship To The Beloved. Likewise, Only A Fool Will Fail To Cultivate The human Well-being and The Spiritual, Transcendental, and Divine Realization Of his or her any partner in intimate embrace. And This Is Also True: The ego (or the self-Contracted individual) Is Just Such A Fool!

The emotional-sexual ego Constantly Hunts For an other. The ego-"I" (or self-Contraction) Hunts (or Seeks) an other (Even all others and The Total Objective Cosmos) In Order To Be Gratified, Consoled, and Protected. The Compulsive Hunting (or Search) For an other Is Generated By The Feelings Of Un-Happiness, Emptiness, and Separateness That Possess and Characterize the self-Contracted being.

Once an other Is Found, the ego-"I" Clings To the other, At First pleasurably, and Then Aggressively. The ego-"I" Depends On the other For Happiness, and, Over time, the ego-"I" Makes Greater and Greater Demands On the other For Fulfillment Of itself (In all of its desires). Often, In time, the other Becomes Depressed and Exhausted By This Demand (and Thus Leaves, or Dies). Just As Likely, the ego-"I" Discovers, Over time, That the other Cannot or Will Not Satisfy The Absolute Demand For attention and Consolation. In That Case, the ego-"I" Feels Betrayed, and the ego-"I" Begins The Strategy Of Punishing, Rejecting, and Abandoning the other,

Every conditionally Manifested being Has (In time) Often Been The Proposed Victim Of This Strategy Of Separate and Separative selves. Even More, Until The Heart Gives Way To Divine Love-Bliss, every conditionally living being Is The Original Genius and Grand Performer Of This Strategy Of Separate and Separative selves. It Is The Strategy Of Narcissus, and It Is The Dreadful Work Of all conditionally living beings who Are Not Awake To The Truth Beyond the ego-"I".

If There Is To Be Real Happiness, This Cycle Of egoic "self-Possession" and other-Dependency (or object-Dependency Generally) Must Be Transcended. In The Way Of Adidam, It Is Transcended Through Most Fundamental self-Understanding, and Through self-Transcending Love, Service, self-Discipline, and Meditation (In Responsive Devotional Relationship To Me, and, Thus and Thereby, In Responsive Devotional Relationship To The Divine Person), and (Eventually, By Grace) Through Direct Realization Of The Self-Radiant (or Inherently Spiritual), Self-Existing (or Transcendental), and (Ultimately) Divine Self-Condition Of Being (Itself). In This Manner, The Inherent Happiness Of The Spiritual, Transcendental, and Divine Self Replaces The Fruitless Search (or Hunt) For Happiness By the self-Contracted and Dependent conditional self. . . .

The egoic (or self-Contracted) individual Is (By Virtue Of his or her History, self-Idea, and Lack Of Spiritual, Transcendental, and Divine Realization) Chronically Bound To The Ritual Of Rejection. The emotional (or emotional-sexual) Career Of egoity Tends To Manifest As A Chronic Complaint That Always Says, By Countless Means, "You Do Not Love me." This Abusive Complaint Is Itself The Means Whereby the egoic individual Constantly Enforces his or her Chronic Wanting Need To Reject, Avoid, or Fail To Love others. Indeed, This Complaint Is More Than A Complaint. It Is A self-image (The Heart-Sick or self-Pitying and Precious Idea That "I" Is Rejected) and An Angry Act Of Retaliation (Whereby others Are Punished For Not Sufficiently Adoring, pleasurizing, and Immortalizing the Precious ego-"I").

The egoic (or self-Contracted) individual Is Chronically and Reactively Contracted From all of its relations. Fear Is The Root Of this self-Contraction, and The Conceived Purpose Of this self-Contraction Is self-Preservation, Even self-Glorification. Indeed, Fear Is the self-Contraction. The self-Contraction, or the ego-"I", Is The Root-Action or Primal Mood That Is Fear. Therefore, All Of The self-Preserving, self-Glorifying, and other-Punishing Efforts Of the ego-"I" (or the self-Contracted body-mind) Only Preserve, Glorify, and Intensify Fear Itself.

Fear, the ego-"I", Un-Love, or The Total Ritual Of self-Contraction Must Be Understood and Transcended. All Of Fear, egoity, self-Contraction, or Un-Love Is Only Suffering. It Is Only Destructive. And It Is Entirely Un-Necessary.

Fear, egoity, self-Contraction, or Un-Love Is Chronically Expressed Through The Complex Ritual Of Rejection, or The Communication Of The Dominant Idea "You Do Not Love me". Once This Is (In The Way Of Adidam) Truly, and Completely, and Most Fundamentally Understood, The Ritual Of Rejection, Fear, egoity, self-Contraction, or Un-Love Can Be Directly Transcended, If Only It Is Summarily Replaced By The Ordeal (or Discipline and Practice) Of self-Transcending Love, and (Then, By Grace) Heart-Communion With and (Ultimately) Heart-Communication Of The Divine Self-Condition, In The Form "I Love You".

Therefore, In The Way and Manner Of Adidam, Understand Your Separate and Separative self (As Un-Love) and Transcend Your Separate and Separative self (By Love). And This Is Perfected (Progressively, In The Way and Manner Of Adidam) By Devotional (or self-Transcending and self-Forgetting) Heart-Surrender Of the conditional body-mind To My Bodily (Human) Form, and My Spiritual (and Always Blessing) Presence, and My Very (and Inherently Perfect) State, and, Thus and Thereby, To The Person and The Forms or Characteristics Of The Spiritual, and Transcendental, and Divine, Self.

If You Will Thus Be Love (By This Devotion), You Must Also Constantly Encounter, Understand, and Transcend The Rejection Rituals Of others who Are, Even If Temporarily or Only Apparently, Bereft Of Divine Wisdom, Therefore, If You Will Be Love (As My Devotee, and, Thus and Thereby, As A Devotee Of The Divine Person), You Must (In The Way and Manner Of The Heart) Always Skillfully Transcend The Tendency To Become Un-Love (and Thus To Become self-Bound, Apparently Divorced From Grace-Given Divine Communion) In Reaction To The Apparent Lovelessness Of others. And You Must Not Withdraw From Grace-Given Divine Communion (or Become Degraded By Un-Love) Even When Circumstances Within Your Intimate Sphere, or Within The Sphere Of Your Appropriate social Responsibility, Require You To Make Difficult Gestures To Counter and Control The Effects or Undermine and Discipline The Negative and Destructive Effectiveness Of The Rituals Of Un-Love That Are Performed By others.

For those who Are Committed To Love (and who Always Commune With The One Who Is Love), Even Rejection By others Is Received and Accepted As A Wound, Not An Insult. Even The Heart-Necessity To Love and To Be Loved Is A Wound. Even The Fullest Realization Of Love Is A Wound That Never Heals.

The egoic Ritual Calls every individual To Defend himself or herself Against The Wounds Of Love and The Wounding Signs Of Un-Love (or egoic self-Contraction) In the daily world. Therefore, Even In The Context Of True Intimacy, The Tendency (Apart From Spiritual Responsibility) Is To Act As If Every Wound (Which Is Simply A Hurt) Is An Insult (or A Reason To Punish).

The Reactive Rituals Of egoity Must Be Released By The self-Transcending (and Then Spiritual) Practice Of Love. This Requires Each and Every Practitioner Of The Way Of Adidam To Observe, Understand, and Relinquish The emotionally Reactive Cycle Of Rejection and Punishment. And The Necessary Prerequisites For Such Relinquishment Are Vulnerability (or The Ability To Feel The Wounds Of Love Without Retaliation), Sensitivity To the other In Love (or The Ability To Sympathetically Observe, Understand, Forgive, Love, and Not Punish or Dissociate From the other In Love), and Love Itself (or The Ability To Love, To Know You Are Loved, To Receive Love, and To Know That Both You and the other, Regardless Of Any Appearance To The Contrary, Are Vulnerable To Love and Heart-Requiring Of Love).

It Is Not Necessary (or Even Possible) To Become Immune To The Feeling Of Being Rejected. To Become Thus Immune, You Would Have To Become Immune To Love Itself. What Is Necessary (and Also Possible) Is To Enter Fully Into The Spiritual Life-Sphere Of Love. In The Way Of Adidam, This Is Done By First Entering (By Heart) Into My Company (and, Thus and Thereby, Into The Company Of The Divine Person), and (Therein) To Submit To The Divine Embrace Of Love, Wherein Not Only Are You Loved, but You Are Love Itself. Then You Must Magnify That Love-Radiance In the world of human relationships.

If You Will Do This, Then You Must Do The Sadhana (or Concentrated Practice) Of True Active Love and Real (True and Steady) Trust. As A Practical Matter, You Must Stop Dramatizing The egoic Ritual Of Betrayal In Reaction To The Feeling Of Being Rejected. You Must Understand, Transcend, and Release The Tendency To Respond (or React) To Signs Of Rejection (or Signs That You Are Not Loved) As If You Are Insulted, Rather Than Wounded. That Is To Say, You Must Stop Punishing and Rejecting others When You Feel Rejected. If You Punish another When You Feel This, You Will Act As If You Are Immune To Love's Wound. Thus, You Will Pretend To Be Angrily Insulted, Rather Than Suffer To Be Wounded. In The Process, You Will Withdraw and Withhold Love. You Will Stand Off, Independent and Dissociated. You Will Only Reinforce The Feeling Of Being Rejected, and You Will Compound It By Actually Rejecting the other. In This Manner, You Will Become Un-Love. You Will Fail To Love. You Will Fail To Live In The Sphere Of Love. Your Own Acts Of Un-Love Will Degrade You, Delude You, and Separate You From Your Love-partner (or Your partners In Love) and From Love Itself. Therefore, those who Fail To Practice The Sadhana Of Love In their intimate emotional-sexual relationships, and In human relationships Generally, Will, By That Failure, Turn Away (or Contract) From God (or The Great Condition That Is Reality Itself).

Love Does Not Fail For You When You Are Rejected or Betrayed or Apparently Not Loved. Love Fails For You When You Reject, Betray, and Do Not Love. Therefore, If You Listen To Me, and Also If You Hear Me, and Also If You See Me, Do Not Stand Off From Relationship. Be Vulnerable. Be Wounded When Necessary, and Endure That Wound or Hurt. Do Not Punish the other In Love. Communicate To one another, Even Discipline one another, but Do Not Dissociate From one another or Fail To Grant one another The Knowledge Of Love. Realize That each one Wants To Love and To Be Loved By the other In Love. Therefore, Love. Do This Rather Than Make Any Effort To Get Rid Of The Feeling Of Being Rejected. To Feel Rejected Is To Feel The Hurt Of Not Being Loved. Allow That Hurt, but Do Not Let It Become The Feeling Of Lovelessness. Be Vulnerable and Thus Not Insulted. If You Are Merely Hurt, You Will Still Know The Necessity (or The Heart's Requirement) Of Love, and You Will Still Know The Necessity (or The Heart's Requirement) To Love.

The Habit Of Reacting To Apparent Rejection (By others) As If It Were An Insult Always Coincides With (and Only Reveals) The Habit Of Rejecting (or Not Loving) others. Any one whose Habitual Tendency Is To Reject and Not Love others In The Face Of their Apparent Acts Of Rejection and Un-Love Will Tend To Reject and Not Love others Even When they Are Only Loving. Narcissus, The Personification Of the ego, the self-Contraction, or The Complex Avoidance Of Relationship, Is Famous For his Rejection Of The Lady, Echo, who Only Loved him. Therefore, If You Listen To Me, and Also If You Hear Me, and Also If You See Me, Be Vulnerable In Love. If You Remain Vulnerable In Love, You Will Still Feel Love's Wound, but You Will Remain In Love. In This Manner, You Will Always Remain In The human (and Then Divine) Sphere Of Love.

Therefore, The Most Direct Way To Know Love In every moment Is To Be Love In every moment.

In The Way Of Adidam, My Devotee Is Founded In This Capability By Virtue Of his or her Constant Communion With Me (and, Thus and Thereby, With The Divine Person, Reality, or Truth). Therefore, If any such a one Fails To Be Steady In This Communion With Divine Love-Bliss, Then he or she Will Become Weak In Love. And To Be Weak In Love (At Any Stage Of Life) Is To Be Always Already Independent, Insulted, Empty With Craving, In Search Of Love, Manipulative, Un-Happy, and Moved To Punish, Betray, and Destroy all relationships. Such a Weak one Always Already Feels Rejected and Is Never Satisfied. Indeed, such a one Is Not Even Found To Be Truly Lovable By others.

Those who Love Are Love, and others Inevitably Love them. Those who Only Seek For Love Are Not themselves Love, and So they Do Not Find It. (Even If they Are Loved, they Do Not Get The Knowledge Of It.) Only The Lover Is Lovable. Therefore, Every Heart Should Become As True Love Is. And My Every Listening Devotee, My Every Hearing Devotee, and My Every Seeing Devotee Should Realize (and Demonstrate) This Principle In True Active Love With Me (and Real, True Trust In Me), The One Who Is Love.

História da Mulher. Who´s a Women?

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 15:42

A História da Mulher na Filosofia
  
Por Miriam Ilza Santana


A importância social das mulheres enquanto seres que pensam foi e permanece sendo um desafio para que haja um equilíbrio no relacionamento homem/mulher.

Na grade curricular escolar ou universitária pouco se nota a participação de mulheres que tenham se notabilizado como filósofas.

Na maioria das pesquisas realizadas falta uma alusão a respeito de dados sobre a vida e obras de pensadoras, o que nos leva a concluir que há uma certa depreciação em relação ao trabalho científico das mulheres na vida acadêmica e sua atuação na história da constituição da sabedoria.

Com base em tal afirmação pode-se afirmar que a mulher sempre foi bastante discriminada no meio pensante.

A mitologia grega destaca as mulheres representando-as na figura de suas deusas: Ártemis, Atena, Afrodite, Deméter, Hera, Perséfone, Pandora e Gaia, ainda que a inteligência e o pensamento sejam simbolizados pela deusa Minerva (variante latina da deusa Atena), é importante realçar que esta veio ao mundo não através do corpo de sua mãe e sim da cabeça de seu pai, Zeus, o que evidencia desde o início que a mulher já não tinha nenhum valor.

Para a história combinar idéias, formar pensamentos, sempre foi julgado um direito pertinente aos homens, mas mesmo com tanta discriminação as mulheres conseguiram garantir uma pequena participação das mulheres na vida acadêmica.

Um dos poucos apontamentos históricos sobre o assunto foi a criação de um núcleo de formação intelectual somente para mulheres, educandário fundado por Safo, poetisa de Lesbos que nasceu em 625 a.C.

O pensamento que vigorava é o de que as mulheres somente tinham direito a um corpo e uma mente, porém não os dois ao mesmo tempo, pois desta forma a mulher nunca poderia gerar a razão.

- Na visão de Pitágoras a mulher era vista como um ser que se originou das trevas;

- Platão já detinha um pensamento diverso, as mulheres eram tão capazes de administrar quanto o homem, pois para ele quem governa tinha a obrigação de gerir a cidade-Estado se utilizando da razão e para Platão as mulheres detinham a mesma razão que os homens;

- Aristóteles via a mulher como um homem não completo, para ele todas as características herdadas pela criança já estavam presentes no sêmen do pai, cabendo a mulher somente a função de abrigar e fazer brotar o fruto que vinha do homem, idéia esta aceita e propagada na Idade Média;

- Para São Tomás de Aquino uma vez a mulher tendo sido moldada a partir das costelas de um homem sua alma tinha a mesma importância que a do homem, para ele no céu predomina igualdade de direitos entre os sexos, pois assim que se abandona o corpo desaparecem as diferenças de sexo passando a ser tudo uma coisa só.

- Para Hegel a altercação existente entre um homem e uma mulher é igual a que há entre um animal e uma planta, sendo que o animal se identifica mais com o jeito do homem e a planta se molda mais conforme o aspecto da mulher, pois seu progresso é mais pacato, deixando-se levar mais pelo sentimentalismo, se estiverem no comando o Estado corre perigo pois, segundo ele, elas não atuam de acordo com as exigências do agrupamento de pessoas que estão governando e sim conforme seu estado de espírito.

Todavia, embora a discriminação sofrida pelas mulheres no caminho da filosofia é notável que, ao longo da história da filosofia, certas mulheres se enfatizaram como criaturas humanas que procuraram pela sabedoria e trilharam os passos da ciência. No século XX há uma evidência especial a algumas filósofas importantes. Dentre elas, podemos citar Hannah Arendt, Simone Weil, Edith Stein, Mari Zambrano e Rosa Luxemburgo. Estas mulheres, contestando a ordem patriarcal de sua época, tornaram-se filósofas admiráveisl e, sem dúvida, colaboraram terminantemente para a constituição do conhecimento.

Diante deste quadro apresentado, pode-se afiançar que a inferioridade da mulher é tida como um tanto natural e invariável. Este espectro do “feminino” esteve presente na história da filosofia e permanece como um combate singular para as mulheres filósofas. Enquanto ser humano, a mulher é dotada de razão, mas o uso íntegro e apropriado ainda é privativo do ser masculino.

Fontes
http://hysterocracya.blogspot.com/ 2007/01/mulher-e-filosofia.html
http://www.espacoacademico.com.br/058/58andrioli_liria.htm

(source)

Ser Humano - Human Be

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 13:51


[TEXTO MUITO BREVE SOBRE A DEFINIÇÃO DE "HUMANO"]

Esboço filosófico - o que é ser humano? 

 


O que é o ser humano?
A pergunta sobre o que seja isto de "humano" é muito antiga. Já os clássicos a colocavam e procuraram encontrar-lhe respostas.
Todos nós supomos ter uma ideia mais ou menos clara sobre aquilo que é o humano. E podemos facilmente fornecer pistas ou mesmo uma ou outra definição mais ou menos complexa.
Contudo, se começamos a pensar no assunto ele enrola-se, torce-se e retorce-se, redobra-se, embrulha-se e vão-se-nos as certezas por terra.
Mas a questão é difícil não só pelo aspecto mais evidente, o de que é difícil e complexo definir o humano, mas também porque nos é difícil perceber o que significa "definir", sobretudo quando aplicado ao ser "humano".
Porque à medida que fazemos caminho na indagação, percebemos que, para definir o "humano", nos exigimos escavações anormalmente árduas, que não seriam necessárias para definir uma galinha.
Normalmente, uma definição faz-se pela indicação do género e a junção da diferença específica. Dizendo de uma forma fácil, uma definição faz-se indicando a diferença que distingue um tipo específico (uma espécie) dos demais tipos do mesmo género. Esta forma de definição é conhecida pelo seu criador, Aristóteles, e chamada aristotélica. Mas há uma exigência nela que é muito importante: ela deve indicar a característica limitadora, essencial, fundamental, daquilo que é o ente que pretendemos definir.
Ora, há muitos tipos de definição e não cabe neste pequeno esboço considerá-las todas. Mas devemos ter em mente que uma definição deve convir ao definido e mais nada que ao definido. Ou seja, quando definimos um determinado segmento da realidade devemos fornecer uma definição tal que esta envolva todos os entes desse segmento, mas não represente nenhum ente que não pertença a esse mesmo segmento. Se eu defino o que é "mamífero", então a definição apresentada deve contemplar todos os mamíferos (não deve existir nenhum mamífero que não seja compreendido por ela), sem contemplar algum ente que não seja mamífero.
Se eu disser que "os mamíferos são animais com cabeça", então estou a dar uma definição demasiado abrangente, pois há animais que têm cabeça mas não são mamíferos. Isto significa também que o "ter cabeça" não é uma característica específica dos mamíferos. Notar que a definição, propriamente dita, é "animal sem cabeça", pois a asserção "um mamífero é um animal com cabeça" já é uma proposição e enuncia um juízo, a saber, a de que os mamíferos têm cabeça.
Se eu disser que "os mamíferos são animais vivíparos", estou a dar uma definição que não é suficiente, pois o ornitorrinco é um mamífero, mas não é vivíparo.
Não interessa que aquilo que escapa à definição seja raro - se a definição deixa escapar algo, ou se, pelo contrário, envolve algo que não deveria, seja muito ou pouco, então não é uma boa definição.
Uma definição comentada desde os tempos antigos é de que "o homem é um animal bípede sem penas". É fácil mostrar que esta definição não é própria, pois há animais bípedes implumes e que não são humanos. Diógenes, de forma bem cínica, terá mesmo depenado uma galinha exibindo-a dizendo: "eis o humano".
Mas, apesar de tudo, o que é fundamentalmente insuficiente é a capacidade de tal definição para limitar, para dar os limites daquilo que faz de um ente ser humano. De facto, mesmo que não existissem cangurus, nem galinhas depenadas, a verdade é que não se poderia dizer ainda assim que o humano é "um animal bípede sem penas". É que podemos imaginar muito facilmente que um animal fosse bípede, não tivesse penas, e não fosse humano. Ser humano não tem nada que ver com ter ou não penas.
Na verdade, quando procuramos a definição de humano, pelo menos de um ponto de vista filosóffico, não procuramos apenas uma característica entre outras que, pela força do acaso ou da necessidade, tenha calhado apenas ao humano. Não. Para definirmos o ornitorrinco indicaríamos apenas uma característica física específica dessa espécie, distintiva face a todos os restantes animais. Mas sobre o humano queremos saber o que é isso que significa ser-se humano. Não queremos apenas saber a diferença entre o corpo humano e o corpo do ornitorrinco, e é fundamentalmente isto que nos força a escavar mais quando se trata de definirmos o ser humano.
Todos nós concordamos que o humano é um animal. Mas o que faz do humano um animal diferente dos outros? Sabendo o que difere entre o humano e os restantes animais, resta ainda saber o que é que, sendo característica específica do humano, faz dele ser o que ele é enquanto humano. Não imaginamos que um ente fisicamente igual aos homens seja humano apenas pela igualdade física - pois não? Podemos muito bem imaginar um mundo onde os entes fisicamente idênticos aos homens que conhecemos não fossem humanos. Ou basta-nos que seja fisicamente homem para o considerarmos humano? Com um cão podemos dizer que sim. Mas a "humanidade", ou seja, essa característica que faz de um ente um humano, não é algo de físico, nem de biológico (a respeito disto recomenda-se a leitura de fábulas, bem como das Viagens de Gulliver, particularmente o país dos Houyhnhnms).
Então é disto que andamos à procura, ou é sobretudo disto: "o que faz de um ente ser humano?"
A definição mais conhecida é, suponho, a de "animal racional". Ora, esta definição tem muitas limitações, muitas falhas, mas isso não significa que seja tão má como também muitas vezes se supõe. Contudo, levanta muitos problemas, não só porque parece simplesmente adiar o problema para a definição de "racional" - pois o que é isso de ser racional? - mas ainda porque não é óbvio que a racionalidade seja essa tal característica essencial que faz de um ser um humano, ou que ela seja apenas uma consequência, ou ainda, que ela seja apenas uma coincidência. Não vamos abordar as questões mais importantes em torno desta definição, notamos apenas algumas das suas dificuldades mais fáceis: não seria possível ser-se humano sem racionalidade?; e, não sendo, não poderá acontecer que a racionalidade seja apenas uma consequência do ser-se humano, sem ser ela mesma a essência daquilo que é ser humano?; ou não poderá ser o caso de que ser racional seja uma condição sine qua non (sem a qual) não se pode ser humano, mas não uma condição suficiente para se ser humano?
O facto de todos os humanos serem isto ou aquilo, e mais nenhum ente ser isso, não significa que se encontrou a essência do ser humano (ou como quer que lhe chamemos).
Se encontrássemos outros seres racionais no Universo eles seriam necessariamente humanos?
Afinal, o que é que faz do macaco sem pêlo um ser humano?

via aqui 




O SER HUMANO ENQUANTO HOMEM E MULHER

"Ser homem e ser mulher não são acidentes do ser humano, senão que pertence inseparavelmente a sua essência". 
(E. Metzke)

UMA PEQUENA INTRODUÇÃO

O presente trabalho em que vou apresentar pretende discutir antropologicamente o ser humano enquanto homem e mulher. Minha intenção foi elaborar um texto eficiente ao ensino e ao meu aprendizado e, portanto, bastante claro e simples. O ser humano enquanto homem e mulher são bastante discutidos na sociedade, principalmente no campo dos direitos, da discriminação e nas leis trabalhistas. Contudo, homem e mulher necessitam um do outro, pois ambos se completam. Haja vista que, um foi criado para o outro.

RASCUNHO DO SER HOMEM E MULHER

  Estamos vivendo uma época na qual está questão do ser humano enquanto homem e mulher são bastante discutidos principalmente no campo dos direitos e deveres. "O fato da natureza que determina a existência da mulher era interpretado, na antiguidade e na idade média, como inferioridade da mulher no campo cultural". Em algumas culturas os homens são verdadeiros agentes, ao contrário da mulher que não são mais que uns sacos em que se criam as crianças. "O homem projeta e transforma o mundo; a mulher guarda a vida".  Simone de Beauvoir "reivindica para as mulheres as mesmas profissões e funções que exercem os homens na sociedade, sem nenhuma forma de discriminação entre os sexos". Por sua vez, a filósofa alemã Edith Stein dizia que não há profissão ou função que a mulher não possa exercer.  A mulher pode exercer qualquer atividade com toda sua capacidade e de igual valor e direito ao homem. "Antes de ser sexo diverso, a mulher é pessoa livre que se projeta a si mesma no mundo. E nisto é radicalmente igual ao homem". (R. Simom. Citado do livro "El problema del hombre". Gevaert. p.110).

  Nos paises islâmicos, de orientação xiita as mulheres mal podem mostrar o rosto em público. Nesses paises islâmicos "o adultério é uma contravenção grave que pode ser punida com morte ou longos anos de prisão". O amor sem dúvida deve ser o eixo central na relação dos cônjuges, tornando assim uma relação mais sólida e madura. "O encontro dos sexos em um nível de igualdade plena será unicamente o encontro dos libertados".  Homem e mulher são intrinsecamente iguais em direitos e deveres, portanto deve existir o respeito e a consideração mútua entre si. "O fato é que só as pessoas que, alguma vez, foram livres, dão valor à liberdade. Também só as pessoas livres respeitam a liberdade dos outros: quando e onde a mulher soube o que é ser livre? Terá havido mesmo uma antropologia matriarcal?" (Mulher: Objeto de cama e mesa. Heloneida Studuart, p.20) ou a complementação do homem e da mulher fica restringida somente a procriação?

O SER HOMEM E MULHER

  Para estabelecer a polaridade primária como atividade da base fisiológica do sexo considere o homem como: Abstrato, Projeta e transforma o mundo, racional, razão e a mulher como: Passiva, concreta, conserva a vida, sentimental. Todavia, "O homem está orientado para as coisas a mulher para as pessoas". O autor Roque de B. Laraia descreve que "a espécie humana se diferencia anatômica e fisiologicamente através do dimorfismo sexual, mas é falso que as diferenças de comportamento existentes entre pessoas de sexos diferentes sejam determinadas biologicamente. A antropologia tem demonstrado que muitas das atividades atribuídas às mulheres em uma cultura podem ser atribuídas aos homens em outra" (Cultura: um conceito antropológico, p.19.)
  Um foi feito para o outro, o homem completa a mulher e vice-versa. "De todas as formas o homem e a mulher se encontram em um projeto existencial diverso, isto é, em um diverso modo de estar no mundo". O comunismo prega a igualdade social e econômica entre homem e mulher. "Os direitos e as prestações dos homens e das mulheres têm que ser iguais". Contudo, o homem é vítima da violência na esfera pública, e a violência contra a mulher é perpetuada no campo doméstico, onde o agressor é mais freqüentemente, o próprio parceiro. A referência fundamental da construção social do gênero masculino é sua atividade na esfera pública. Enquanto nestas mesmas sociedades, atualmente, as mulheres estão maciçamente presentes na força de trabalho e no mundo público, a distribuição social da violência reflete a tradicional divisão do espaço; homens e mulheres como seres radicalmente diferentes.

O ser homem ou mulher caracteriza também necessariamente o aspecto do corpo. R. Simom, o.c., 396 observa: "O ser da mulher, condicionado por seu corpo como o do homem, não é jamais um ser semelhante feito, senão um ser que se faz continuamente a maneira de assumir a mulher às condições de sua existência e de contribuir para evolução das condições inumanas que são impostas quanto muito mais que a fisiologia e a psicologia". Em um nível psicológico há indiscutivelmente ressonâncias e caracterizações diversas entre o homem e a mulher. "Também as características psicológicas são consideradas amplamente como um dado de natureza". O homem se forma como homem frente à mulher e a mulher se forma como mulher frente ao homem; há aqui uma dupla relação. Portanto, "ser homem e ser mulher não são acidentes do ser humano, senão que pertence inseparavelmente a sua essência". (E. Metzke, a.c, 38-39). O ser humano é sexuado por inteiro e não somente por órgãos genitais.

O ENCONTRO ENTRE HOMEM E MULHER

  Entende-se que esse encontro entre homem e mulher se dá no relacionamento de ambos; um é necessário para a complementação do outro. "Não é a sexualidade que nos faz inventar o amor, senão o amor que nos revela a natureza da sexualidade" (A. Jeannière. Citado do livro: "El problema del hombre". Gevaert. p.114). É importante e necessário procurar as possíveis qualidades humanas continuadas na organização homem-mulher. "Quando o homem, pasmado e admirado nos confrontos da realidade que vive e que é, a assumir com profundidade, exercitando ali uma reflexão sistemática, então nos encontramos diante da antropologia filosófica" (Dizer homem hoje: novos caminhos da antropologia filosófica. p. 36).
  As diferenças entre os seres humanos são igualmente importantes. Um exemplo é que o homem em geral é mais abstrato e por outro lado à mulher já é mais concreta. O homem é mais racional e a mulher é mais sentimental. Porém, a mesma característica que se atribui ao homem pode atribuir-se à mulher. Mas isso pode sofrer uma mudança de acordo com a carga cultural de cada povo. Pois como diz o autor Roque de B. Laraia: "o homem e a mulher é o resultado do meio cultural em que foi socializado", pois, "cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra". Portanto, o homem e a mulher são formados pela cultura e pela sociedade em que vivem, ou seja, "homem e mulher são produtos do meio em que vivem".
  Vivemos em uma sociedade pós-moderna em que o marido muitas das vezes não quer viver 'o tempo todo' ao lado de sua mulher. "Freqüentemente, os dois nada têm em comum, salvo a sua rotinizada vida sexual". Portanto, Mais uma vez sem dúvida o amor deve ser o eixo central na relação dos cônjuges. Mesmo com todos esses maus tratamentos da mulher por parte de seu parceiro Heloneida Studuart descreve: "Hitler teve total e unânime apoio das mulheres, na edificação do III Reich. E ele achava que a mulher não devia passar de procriadora, de mães de soldados. Esse ainda é o ideal secreto de muitas sociedades reacionárias. E a cumplicidade que muitas mulheres revelam diante desse programa demonstra o medo que elas têm da liberdade. Pois toda liberdade traz o risco da responsabilidade e da atuação" (Mulher: objeto de cama e mesa. p. 20).  No relacionamento a mulher não espera só existência vegetativa, procriadora, e ainda muitas vezes de mera empregada de seu parceiro, mas deseja integrar-se a vida do homem, "ser com ele uma única pessoa". No casamento não é cada um ter sua vida, mas ambos devem está essencialmente unidos, como diz a bíblia "um só corpo e uma só carne".
  O significado entre homem e mulher está essencialmente na relação entre pessoas. Ou seja, no encontro pessoal entre seres encarnados. "Um homem é verdadeiramente homem (no sentido humano) quando está frente a uma mulher, e a mulher é verdadeiramente mulher (no sentido humano) quando está frente ao homem" (A. Jeannière. Citado do livro: "El problema del hombre". Gevaert, p. 113). Na reciprocidade, ou seja, cara a cara corporalmente e psicologicamente. Entende-se que esse encontro entre homem e mulher se dá no relacionamento recíproco de ambos, um é necessário na complementação do outro. Nesta forma de ser para o outro o homem e a mulher criam uma relação interpessoal. O homem frente à mulher cara a cara ou vice-versa; um se reconhece no outro como pessoa, sendo que, ambos é reconhecido como tal pelo outro.    

SEXUALIDADE E RELAÇÃO INTERPESSOAL

  "A sexualidade pertence de modo específico à fecundidade". A fecundidade reveste a nível humano uma dimensão interpessoal entre o homem e a mulher. Estabelece uma vivência de diálogo com um novo ser, um relacionamento recíproco como homem e mulher. Neste encontro interpessoal é onde se manifesta a possibilidade humana. A estrutura homem e mulher são a que mais "expressa e manifesta o ser humano em sua natureza interpessoal". Homem e mulher: um não é mais que o outro. "Isso é o que traduz fundamentalmente a sexualidade". Na relação de fazer-se para o outro, a pessoa revela-se a si "mesma como homem ou mulher". Pois a sexualidade em sua particularidade humana se da unicamente nas relações entre pessoas que se reconhecem uns aos outros como tal, como seres humanos formados para o diálogo e para os contatos sociais.
  A mulher é mais preocupada com os valores do mundo e sua conservação, é mais gratuita e é mais ética e amorosa em suas relações. Por outro lado, o homem vive preocupado com seus projetos e suas metas a alcançar, com suas relações públicas; sua ética é o dever. Entretanto, o homem transforma o mundo e domina-o, a mulher por sua vez tem seu "projeto existencial". A sexualidade não deve ser somente de uma dimensão corporal, mas deve ser também social. "A mulher não é em primeiro lugar uma pessoa humana, senão seu sexo". O amor na relação conjugal ajuda e contribui para uma relação mais segura e duradoura, não tornando a mulher num objeto de cama e mesa. "O amor é a norma suprema que determina a duração do matrimônio e das relações sociais" (J. Gevaert, El probrema del hombre, pp. 108-109). A educação dos filhos está relacionada diretamente em boa parte com a sociedade, com os meio onde estes indivíduos habitam. "Não se nasce mulher; faz-se". É a sociedade que define a pessoa h
 umana, o homem torna-se produto da sociedade em que vive. Somente através dos outros indivíduos o homem pode reconhecer-se como tal. Como fala o princípio sartriano: "Cada homem é tal como vê o outro" (citado por: J. Gevaert, El probrema del hombre, p. 113).
  Com a dimensão interpessoal e corpórea e a expressão de afeto e amor; o homem e a mulher podem descobrir a própria sexualidade. Está descoberta se dá através da história, das diversas formas de cultura, de forma inerente à mesma sexualidade e com o compromisso humano. "... é preciso buscar as possibilidades humanas contidas na estrutura homem-mulher". Para haver uma relação recíproca e duradoura no matrimônio, acredito que, é necessário uma autêntica convivência de amor, respeito, carinho e doação. Haja vista que, o amor é essencial para viver bem. Quero concluir este parágrafo da sexualidade fazendo uma referência de Juvenal Anduini em que ele descreve: "Ao defender-se da acusação de "pansexualismo", Freud explica que o amor não é apenas sexual, porque Eros se espalha pela personalidade toda. O amor entranha-se na existência humana. Arrancá-lo, seria arrancar a vida das pessoas". E como diz Saint-Exupéri o amor é essencial para a vida.


Nilton Gonçalves Menezes
Graduado em Filosofia pelo IFAMA - Paraná e Locutor


REFERÊNCIAS:
JOSEPH, Gevaert. El problema del hombre. Introdución a la Antropología filosófica. Ediciones Sígueme, Salamanca, 1997. Undecima edicion.
BARROS, Laraia de. Roque. Cultura: um conceito antropológico. Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1988, 3ª edição.
HELONEIDA, Studuart. Mulher: objeto de cama e mesa. Editora Vozes, 1993, 23ª edição.
 NUNZIO, Galantino. Dizer homem hoje: novos caminhos da antropologia filosófica. Paulus, São Paulo, 2003. Tradução: Roque Frangiotti.                                                                                     
ANDRUINI, Juvenal. Antropologia: ousar para reinventar a humanidade. São Paulo, Paulus: 2002, 2ª edição, p.115.

Por, Nilton Gonçalves Menezes.
Via Aqui

Aristóteles - Filosófo

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 07:21

«Alguns pensam que para se ser amigo basta querê-lo, como se para se estar são bastasse desejar a saúde...»

«Ter muitos amigos é não ter nenhum.»

«O homem solitário é uma besta ou um deus.»

«Nada do que está em potência passa ao ato senão por outra coisa que está já em ato.»

«O tempo consome as coisas, e tudo envelhece com o tempo.»

«É possível fracassar de diversas maneiras, enquanto triunfar só é possível de uma maneira.»

Aristóteles



Giovanni Papini

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 07:31



Imitadores


Os homens não descendem dos macacos, mas desenvolvem todos os esforços para o fazer crer. O pecado original aproximou-nos dos animais e toda a alma é, de uma maneira ou de outra, uma crestomia zoológica. O que Dante diz das ovelhas - «e o que uma faz primeiro as outras imitam» - poder-se-ia aplicar a quase todos nós.
Desde que Adão resolveu imitar Eva e mordeu o fruto, somos, a despeito da nossa ilusão em contrário, uma sucessão infinita de cópias. Um único cunho - em regra, chamado génio - basta para imprimir milhares e milhares daquelas moedas vulgares que circulam pela Terra. E o génio nem sempre se liberta da servidão universal da imitação. Toda a vida é um mosaico de plágios.

A maioria imita por preguiça, para se poupar o trabalho de procurar e inventar, ou por prudência, que aconselha os caminhos percorridos e as experiências coroadas de êxito. Compreende-se que a humildade, embora rara, leve naturalmente quem a possui a imitar aqueles que reconhece superiores, mas a própria soberba, que deveria afastar da repetição, torna-nos macacos. Se viver é distinguir-se, o orgulhoso deveria providenciar para não se parecer com ninguém. Mas a inveja, sob a sonante designação da emulação, trai-os: os soberbos vêem antes os modelos honrados e celebrados e querem ser celebrados e honrados a par deles, ou mesmo superá-los e desalojá-los, e não se dão conta de que são obrigados, para começar, a colocar os pés nas suas pisadas e no seu caminho.
E como é mais fácil imitar as facetas infelizes, abertas a todos, dos grandes do que as outras, terminam por se tornar adesão do coração: toda a celebração dos mistérios são cópias inferiores e desagradáveis daqueles que pretendiam suplantar.

Giovanni Papini, in 'Relatório Sobre os Homens'


*


A Castração da Personalidade

O homem é um animal gregário. Político, dizia Aristóteles, ou seja, membro da cidade. Mas não só da cidade - de todas as greis espontâneas ou artificiais, estáveis ou precárias, onde quer que se encontre. Não pode suportar a ideia de estar só, consigo - quer ser unidade e não individualidade. Tem necessidade de se sentir cotovelo com cotovelo, pele com pele, no calor de uma multidão, ligado, seguro, uniforme, conforme. Se o leão anda só, em nós predomina o instinto ovino, do rebanho - os próprios individualistas, para afirmar o seu individualismo, congregam-se: sempre segundo a prática ovina.

O homem, quando só, sente-se incompleto - tem medo. Opor-se à grei significa separar-se, permanecer só, morrer. Os conceitos do bem e do mal nascem da necessidade de convivência. É bem o que aproveita ao grupo, mal o que o prejudica ou não beneficia. O rebanho não quer que cada ovelha pense demasiado em si, e como a privilegiada é a que obtém a boa opinião das outras, vê-se forçada, ainda que contra os seus gostos e interesses, a agir no sentido do bem supremo do rebanho. Há que pagar, com a castração da personalidade, a segurança contra o medo.

Outros rebanhos formam-se em oposição aos rebanhos rivais - e estão unidos, mais do que pelo amor dos componentes entre si, pelo ódio contra o grupo antagonista. Há outros que constituem agrupamentos de fracos que pretendem defender os seus interesses, a sua liberdade e a vida contra os bandos dos fortes; muitíssimos mantêm-se juntos por motivos utilitários e económicos, enquanto alguns proclamam ser constituídos para fins puramente espirituais, para o «triunfo da Ideia», o qual, na maioria das vezes, consiste na repartição dos despojos não ideais dos vencidos.

Este gregarismo tenaz e cada vez mais florescente é uma das grandes provas de que os homens medíocres, embora de raças civilizadas, não ultrapassam o estado selvagem. Para os primitivos, pode-se dizer que o indivíduo não existe - a família e, sobretudo, a tribo, têm toda a responsabilidade e todos os poderes. O selvagem, em relação ao seu clã, é como um membro - cabeça ou braço, em relação a um ser vivo.
Os componentes de uma tribo são simples células de um corpo - vivem nela, para ela e graças a ela. Se um homem tem de escolher uma mulher ou ser iniciado nos mistérios ou ainda partir para a caça, é o grupo que decide e não ele. A vingança e o resgate competem à tribo, à qual pertence, solidariamente, a propriedade da terra. Os primitivos são democráticos e comunistas simultaneamente e vivem em regime de identidade.

Nos civilizados, ainda existem restos dessa existência madrepórica - todos estamos ligados, nas sociedades de tipo antigo, à nossa parentela, tal como cada patrício está intimamente vinculado à oligarquia, todo o nobre à sua casta e todo o soldado ao seu exército. Se os indivíduos são aparentemente livres na realidade, todo o inconformismo de costumes, de pensamentos e de actos é seguido de sanções severas, por vezes explícitas e escritas, ou tácitas, mas não menos graves e temíveis.

Giovanni Papini, in 'Relatório Sobre os Homens'



A Perseverança

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 07:26

A Perseverança

Se há pessoas que não estudam ou que, se estudam, não aproveitam, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não interrogam os homens instruídos para esclarecer as suas dúvidas ou o que ignoram, ou que, mesmo interrogando-os, não conseguem ficar mais instruídas, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não meditam ou que, mesmo que meditem, não conseguem adquirir um conhecimento claro do princípio do bem, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não distinguem o bem do mal ou que, mesmo que distingam, não têm uma percepção clara e nítida, elas que não se desencorajem e não desistam; se há pessoas que não praticam o bem ou que, mesmo que o pratiquem, não podem aplicar nisso todas as suas forças, elas que não se desencorajem e não desistam; o que outros fariam numa só vez, elas o farão em dez, o que outros fariam em cem vezes, elas o farão em mil, porque aquele que seguir verdadeiramente esta regra da perseverança, por mais ignorante que seja, tornar-se-á uma pessoa esclarecida, por mais fraco que seja, tornar-se-á necessariamente forte.
Confúcio, in 'A Sabedoria de Confúcio'



Papini l

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 17:18



O Triunfo dos Imbecis


Não nos deve surpreender que, a maior parte das vezes, os imbecis triunfem mais no mundo do que os grandes talentos. Enquanto estes têm por vezes de lutar contra si próprios e, como se isso não bastasse, contra todos os medíocres que detestam toda e qualquer forma de superioridade, o imbecil, onde quer que vá, encontra-se entre os seus pares, entre companheiros e irmãos e é, por espírito de corpo instintivo, ajudado e protegido. O estúpido só profere pensamentos vulgares de forma comum, pelo que é imediatamente entendido e aprovado por todos, ao passo que o génio tem o vício terrível de se contrapor às opiniões dominantes e querer subverter, juntamente com o pensamento, a vida da maioria dos outros.
Isto explica por que as obras escritas e realizadas pelos imbecis são tão abundante e solicitamente louvadas - os juízes são, quase na totalidade, do mesmo nível e dos mesmos gostos, pelo que aprovam com entusiasmo as ideias e paixões medíocres, expressas por alguém um pouco menos medíocre do que eles.

Este favor quase universal que acolhe os frutos da imbecilidade instruída e temerária aumenta a sua já copiosa felicidade. A obra do grande, ao invés, só pode ser entendida e admirada pelos seus pares, que são, em todas as gerações, muito poucos, e apenas com o tempo esses poucos conseguem impô-la à apreciação idiota e ovina da maioria. A maior vitória dos néscios consiste em obrigar, com certa frequência, os sábios a actuar e falar deles, quer para levar uma vida mais calma, quer para a salvar nos dias da epidemia aguda da loucura universal.

Giovanni Papini, in 'Relatório Sobre os Homens'


Papini

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 17:06

Mariah - olhares fotografia



Todos os Homens São Proprietários

Todos os homens são proprietários, mas na realidade nenhum possui. Não são proprietários apenas porque até o último dos pedintes tem sempre alguma coisa além do que traz em cima, mas porque cada um de nós é, a seu modo, um capitalista.
Além dos proprietários de terras, de mercadorias, de máquinas e de dinheiro, existem, ainda mais numerosos, os proprietários de capitais pessoais, que se podem alugar, vender ou fazer frutificar como os outros. São os proprietários e locadores de força física - camponeses, operários, soldados - e proprietários e prestadores de forças intelectuais - médicos, engenheiros, professores, escritores, burocratas, artistas, cientistas. Quem aluga os seus músculos, o seu saber ou o seu engenho obtém um rendimento, que pressupõe um património.

Um demagogo ou um dirigente de partido pode viver pobremente, mas se milhões de homens estão dispostos a obedecer a uma palavra sua, é, na realidade, um capitalista, que, em vez de possuir milhões de liras, possui milhões de vontades. O talento visual de um pintor, a eloquência de um advogado, o espírito inventivo de um mecânico são verdadeiros capitais e medem-se pelo preço que deve pagar, para obter os seus produtos, quem não os possui e carece deles. E não existe ninguém, a menos que seja paralítico ou néscio, que não possua uma porção de capitais da segunda espécie, ainda que seja a sua capacidade de trabalho físico, vendível, como qualquer outro bem, com um contrato verdadeiro e apropriado.

Dir-se-á que os possuidores dos capitais pessoais são forçados, para viver, a cedê-los, dia a dia, aos capitalistas que dispõem dos bens visíveis e estão, por isso, ao seu serviço. Mas essa dependência, para quem vê claro, é recíproca: um proprietário de terras, mesmo que possua meio país, é como se não tivesse nada, se não encontra camponeses que façam frutificar os seus latifúndios; o grande fabricante tem de vender como sucata as suas excelentes máquinas, se não conta com operários que as façam funcionar e produzir lucros; o político está às ordens do especulador, mas este não poderá efectuar os seus negócios, se não dominar, por meio daquele, a opinião pública e o Estado; e se médicos, advogados e professores não poderiam viver sem doentes, culpados e ignorantes, é igualmente verdade que os segundos, em determinados momentos, não podem prescindir dos primeiros. Até o aleijado, o cego e o leproso obtêm um certo rendimento das suas muletas, da sua escuridão e das suas chagas.
Por conseguinte, aqueles a que os instigadores da plebe chamam «possuidores de nada», «destituídos» ou «deserdados» não existem.




A Multidão Embrutece

Assim que muitos homens se encontram juntos, perdem-se. A multidão transporta as suas unidades do presente para o passado e precipita-as de cima para baixo: trata-se de um recuo e uma decadência.
Todo o homem, lá dentro, converte-se noutro - mas pior. Nas multidões, a união é constituída pelos inferiores e fundada nas partes inferiores de todas as almas. São florestas em que os ramos altos não se entrelaçam, mas apenas, em baixo na escuridão, as raízes terrosas. Todos perdem o que os torna diferentes e melhores, enquanto o antigo rústico - que, entre obstáculos, mordaças e açaimos, parecia aniquilado - acorda e muge. Em todas as multidões, como em toda a Humanidade, os medíocres são infinitamente mais que os grandes, os calmos que os violentos, os simples que os profundos, os primitivos que os civilizados, e é a maioria que cria a alma comum que imbrica e nivela todo o agrupamento de homens.

Aquele que em cada um forma o seu superior não pode conformar-se e fundir-se - é a pessoa única e, portanto, incomunicável. Toda a pessoa se opõe às outras, existe enquanto é diferente, não se pode liquefazer num todo. Mas há em cada um de nós, mesmo no maior, um eu inferior, antiquíssimo, bestial, infantil, esquecido, renegado, oculto, refreado - amortecido, mas não morto. Quando os homens se reúnem, o eu superior anula-se e os inferiores, despertados, reconhecem-se e assumem a supremacia. A multidão é niveladora e gosta de decapitar, ainda que metaforicamente. Já não são intelectos ou sentimentos que contrastam, mas instintos elementares que combatem. Quanto mais o homem se eleva, mais a turba se divide. Quando volta a emergir na turba, tem forçosamente de regressar à homogeneidade originária. Nenhum génio se assemelha a outro, mas todos os medíocres são cópias. A altura separa, a baixeza reúne.

Giovanni Papini, in 'Relatório Sobre os Homens'


Leonardo Coimbra l

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , | Posted on 17:48

Os Nervos da Criação constroem Universos


Leonardo Coimbra

''Quando, colegial, numa verde cidade provinciana, saia aos domingos a passeio e acontecia atravessar as ruas da cidade, era um rumor de asas, que, dentro em mim, se abriam ao olhar os afastados vultos femininos, recortando a luz das janelas. Eram primaveras de ignorados mundos a lançarem sobre mim misteriosos perfumes, tépidos segredos, orgias inocentes, bacanais castíssimas; e o corpo, em jeitos de alma, evocava castelos à beira-rio, jardins sobre terraços ao crepúsculo, ânforas de água carregando pajens, brancos jasmins esparsos, todo um mundo de brandura, enlevo, afago, devoções, renovados encantos de novas harmonias. A Mulher era o Mistério.''

In A Alegria, a dor e a graça



''A tragédia do homem está na ignorância de si e do Universo em que vive, ou antes convive. A sua vida é uma relação, ou melhor, um sistema de relações com esse Universo. ''

''A vida é como é, e, por mais que se queira fazer do homem um teorema, ele será sempre uma alma, tendo, a vibrar, no fundo do seu ser e em natureza primeira, um clamoroso e invencível apelo de Infinito.''

''Para a frente! A vida só existe crescendo - sem isso é inércia a fingir de vida. ...''

AMOR - '' O Amor Leal amou, falando, a natureza inteira: precisa do afastamento para, no Silêncio, chegar até Deus. ...O homem deu a volta a um hemisfério da existência e a mulher ao outro: traz cada um consigo, para o Milagre do Encontro, a metade directamente luminosa dum mesmo mistério.''

''Na mulher que amamos, amamos o Universo inteiro. E para que os lábios da mulher amada nos digam todo o sonho disperso, toda a humildade, toda a dor e ansiedade do Universo, é preciso que o nosso coração tenha inundado todas as cousas e delas tenha recebido toda a beleza interior, toda a bondade latente.''

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...