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A Dor Que Se Faz Dentro

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 17:43


«Todos os fins são dolorosos. Todos sem excepção. Não há substitutos para a dor, seja ela qual for. Uns podem lidar melhor com ela, do que outros, e isso não implica que sejam fortes. Os que vão adiante, sem dor e com desprezo total e rindo-se das atrocidades que fazem, ou daqueles que ficam pelo caminho, são meros psicopatas (como é moda ser referido pela psicologia moderna). 

Todos os fins são dolorosos. Desde o fim de um amor, à morte de um ente próximo. Tudo aquilo que é preponderante e vital na vida, carrega sempre um preço: a dor. A dor, não tem contratos, ela é senhora do seu tempo, e é quem decidirá os termos da sua finitude.  Nessa medida, não adianta nossos jogos para tapá-la, porque tem um comportamento de Lobo vestido de Cordeiro. Há sempre uma hora que ela tira a máscara e grita das profundezas.

Um dia, toda a dor, se tornará tristeza. Um dia, muito tempo depois, ela renascerá numa saudade.»


NãoSouEuéaOutra in «Cadernos Escorpiónicos»



PREDADORES

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 21:49

"Predadores"


Género: Análise
Autor: NãoSouEuéaOutra
Ano: 2008
(vasculhando textos escritos, para perceber certas coisas... não se escreve para o escuro!! definitivamente... Deus caminha mais alto que os humanos nos seus ''ditongos'' caminhos e, há quem lhes apanhe o rasto! bendita escrita, que és os olhos da minha Sanidade!! bendito Mestre Urano (planeta transaturnino - astrologia), que atinges o futuro... jamais te enganas, apenas eu me engano humanamente. assim, encontrei este de 2008 no velho blog. minha cabeça era mais centrada... parece que foi esvaziada!! ) 


O que são as palavras?? As palavras deviam ser silenciosas e lidas com o coração. A humanidade não seria, assim, tão desvirtualizada. Mas há muito que se perdeu essa capacidade inata a todos, a telepatia, a empatia para ler nos corações as palavras justas, as palavras da verdade.
Nem todas as palavras são actos, e nem todos os actos são palavras. Com estas palavras, acabo de pensar a palavra Predador. O predador que bate na esposa, e depois pede desculpa e afirma e promete que nunca mais irá beber e nem bater, concorre para a maior das mentiras. A palavra amar que profere, não assenta no acto. Todo e qualquer predador é portador da voraz necessidade de controlo e poder. Há o predador que para obter poder sobre outrem, conduz esse outro ao isolamento de forma dissimulada, e fá-lo por perceber na vítima a fragilidade que a própria não tem consciência. Embora, como é da praxis, o seguro predador reverte a situação, afirmando que é a vitima que se isola. Noutros casos, afirma que a sua conduta é sempre por culpa dela. Ele nunca tem culpa de nada, absolutamente! Obviamente que a construção do poder é praticada de forma tão dissimulada que a vitima não percebe o labirinto alapado do predador.
Importa denunciar que há mecanismos inconscientes que podem ser activados e energizados sobre outra pessoa, através de um certo controlo mental induzido pela força do querer. Algo que o predador consegue fazer, porque sabe da vitima, conhece o estreito caminho da consumação da sua bestialidade. O predador não descansa enquanto não controla a vítima ao máximo na sua acção, e quando o consegue parte para um outro patamar que vai desde toda a bajulação a ofensas psicológicas. Um predador quer o controle da mente e coração do outro, descortinar toda uma vida interior para dessa forma estar no centro da pessoa e desta forma activando todo o poder e com isso a vitima vaza toda a energia que vai alimentando-o. Quando o alimento se torna pouco, ele vai se transformando cada vez mais num animal e persisti em encontrar novos meios de agressão para extorquir a vitima e assim alimentar-se. Forçosamente o predador torna-se mais forte que a vitima, e que por norma se assume como culpada, concorrendo para isso, no vicioso circulo de abusos que aquele sempre anseia exercer.
Um predador é assumidamente perante ele, um predador activo. Ele tem consciência absoluta dos seus actos pela via do coração, embora a sua mente o contradiga, ele assume que não o é. Mas como a mente sem consciência não reconhece a verdade dos seus actos, o círculo vicioso do jogo continuará a dominar todos os pensamentos sem freio. No entanto, há predadores calculistas que exercem a sua natureza complemente cientes daquilo que desejam e como obter.
Todo e qualquer predador é detentor de várias personalidades. Aquela que revela à sociedade fora do seu ambiente, onde a agressão ocorre; aquela que revela perante a vitima; aquela que revela a si mesmo quando a sós. Portanto, a sua natureza intrínseca é dissimulada e a sua capacidade de intricar ainda maior.
De referir que nem todos os predadores são violentos fisicamente, portanto há um grande leque de jogos de poder, cujas violências exercidas são sempre gravosas. Embora, o predador violento físico, englobe regra geral quase todas as outras, e em última instancia o máximo da sua violência, portanto o vértice, é o crime. Daí que não importa qual seja a violência escolhida, ela é sempre uma falta e que coloca o outro numa posição de humilhação.
Geralmente, salvo erro, os predadores se detestam uns aos outros, a não ser quando formam grupos em que a violência é exercida de comum acordo e orientado para uma certa área. Porque o predador silencioso, aquele que age de forma individualista, nunca chama outros. O seu prazer sádico e calculista está em ter ele apenas o controle e escolher a vitima ou vitimas.

Uma amostra de perfis de predadores, não os domésticos:

- aquele que persegue meninas na rua, apenas pela adrenalina que sente ao sentir o pavor da vitima… não vai além disso e apenas goza o prazer do medo do outro.
- aquele que persegue meninas na rua, e se masturba não importando que alguém veja. Regra geral, é raro alguém mover a palha para repreender o predador. Se forem homens, que vejam as acções do dito, perante a vítima, são capazes de mandar umas bocas, como quem vai assistir a uma partida de futebol.
- aquele que escolhe um local previamente estudado e espera determinadas vitimas, para induzi-las à aproximação.
- aquele que escolhe um local mais ou menos isolado, e que por norma passa sempre umas quantas mulheres a determinadas horas e quase nenhum homem, e onde o predador pretende mais que uma simples masturbação a si mesmo.
- aquele que escolhe um local mais ou menos isolado, e que por norma a vitima tenha de caminhar ainda mais para o isolamento espacial, e incita assim a perseguição e que pode inserir em várias categorias, desde agressão, violação; ou apenas a tendência durante a perseguição de exibir os órgãos sexuais num acto continuo masturbatório, cada vez que aquela que é perseguida se apercebe da presença e do jogo do predador.
- aquele que persegue mulheres apenas para entabular conversa de forma sedutora e diplomática, e de seguida surgir uma relação sexual descomprometida em que, segundo o próprio, é do controle da vitima a forma como o quer fazer e o local onde pretende ter a dita relação. Regra geral, quando a vitima cai na cilada, e já no quarto, o jogo vira ao contrário e que pode ter consequências gravosas, não necessariamente assassino, mas abuso psicológico após o acto e ameaça de morte se abrir a boca.

A lista é interminável… mas referindo a esta pequena lista mais suave, na maioria, os predadores são casados e cujos casamentos são estáveis e a capa social que apresentam é de equilíbrio. Portanto, nem todo o predador externo, tem de ser violento no seu lar doméstico ou na sua comunidade de amigos e de trabalho; nem todo o predador que viola meninos ou meninas, tem de violar os seus próprios filhos, como vice-versa.
Mas há uma característica inerente a todos eles, gostam de praticar o sofrimento aos outros; gostam de exercer poder das mais diversas formas. A sua forma de vida em última análise está sob o signo da dominação total sobre um outro Ser. A necessidade deles está acima de tudo, logo torna-se imperioso. Eles têm uma capacidade de interjeição nas suas condutas, que é o de infundir às vítimas um medo que se estende por tempo indefinido, com isso inibindo-as de denunciar os seus crimes.
Muitos predadores são como granadas, cujas cavilhas estão frouxas. Imagine-se a cavilha saltar? Acciona um dispositivo que vai disparar a espoleta e que por sua vez incendeia e com isso detona a carga e por fim rebenta… Buuummmm!!! A violência doméstica está cheia de granadas cujas cavilhas estão bem soltas!!


Comentários:

São cavilhas que doem…nunca mais estanca a pele que era virgem…
Muito triste P.
Triste…
Cintia Thomé

érola, para mim os predadores posso considerá-los todos assassinos…pois o mal que causam à mulheres é mesmo indescritível…
Tratam as mulheres a seu bel prazer, e as exploram como se fossem objetos de brincadeirinha sanguinolenta e perversa….
Quantas jovenzinhas já foram estrupadas por verdadeiros cavalos, e como essas crianças devem ter sofrido à loucura sexual desses doentes mentais….
Analiso um pai, que faça isso com sua própria filha…sem sentir o mínimo de piedade pela sua inocência pelo sangue do seu sangue que lhe corre nas veias…..
Isso me revolta abundantemente….
Todos deveriam ser presos e somente soltos quando sentirem na pele tudo o que fazem nas ruas ou mesmo dentro de seus próprios lares….
Mázinha

gosto de tudo por aqui, porque me arranca do chão da qual penso estar colada, e me atira contra minhas próprias paredes. o importante é pular o muro e enfrentar os cães, e o faz  com audácia intelectual, aqui tudo parece decreto revolucionário.
bjs
e muito prazer. prazer mesmo! Creia. 
Vera

Eu tenho duas Vidas

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 14:31

Minha Doce Mediunidade, das-me tréguas?

” O meu nome é Ana e o meu maior desejo é conseguir dormir. E ser normal. “.


Mas em vez disso, alguém ou “Alguém” lá em cima decidiu trocar-me as voltas e fazer de mim um mosaico.

As pessoas vêem-me como alguém hiperactivo ( que sou, mas não nesse sentido, porque no meu mundo que poucas pessoas conhecem, nada é “nesse” sentido o que me magoa imenso), dispersa - o que não poderia ser de mais errado, pois eu sou mesmo alguém que só sou feliz a fazer 1000 coisas ao mesmo tempo ,que nada têm que ver umas com as outras, e, mesmo assim fazem sentido some how e como hei-de explicar…. o esforço para parecer ser uma ovelha entre ovelhas quando se é um leão ( não no sentido negativo, estão a ver como é ser eu? que cansativo!) no sentido de se ser diferente, com uma capacidade de observação fora do comum ( porque somos “peixes fora de água”) porque quando se é assim , nós sempre nos sentimos assim ( ora bem isto tudo tem um nexo lá no fundo) - a minha Mãe dizia que eu era “Original” sem perceber lá muito bem o que se passava - e claro, os outros sentem, porque os seres humanos são como rádios: estamos em frequências diferentes, que nos repelem, que nos atraem e por aí diante.

Tenho ouvido com tristeza neste últimos anos em que estou mais exposta publicamente, várias teorias sobre mim: de que sou bipolar, já ouvi dizer que sou viciada em cocaína - oh meus amigos agora até me rio - e muitas, muitas outras coisas.

Tomara eu. Porque as trips que eu tenho, não precisam de nada disso.

Desde há muitos anos. São de  ''combustão espontânea”. E o ” pior”, é que eu olho para cada pessoa que me aponta o dedo com essas acusações e sei o que comeu, consumiu nos últimos dois meses e como vai acabar o seu casamento.

Se é violenta, quais são os seus fetiches, os seus pontos fortes, fracos, os seus maneirismos, se está depressiva, o que pensa - sim. sim.- o que se sente e o pior é que eu sinto isso também, gostando dela ou não o que não me agrada, pois é um terrível pau de dois bicos, pois ainda não sou dotada de um vigoroso estado de santidade perante pessoas que me fizeram mal…

Já me ocorreu, várias vezes, passar na rua por alguém e saber que é X pessoa da conversa do jantar do outro dia.

Depois a parte da morte. O 6º sentido ao qual já não há mais que fugir. O cheiro.

Uns pressentem a Morte de muitas formas, eu, já , creio que da mais rara: o olfacto.

E nisto, tenho (alguma das poucas coisas) que agradecer ao meu Pai, JManes, que assistiu desde os meus 20 e poucos anos desde que a 1a pessoa a , quem infelizmente, isso aconteceu, foi à minha avó Rosa.

Grande ajuda me deu o meu sempre presente querido Manuel Domingos, a entender o que se passava comigo.

Porque depois vinha a pergunta das pessoas a quem confidenciava: como é cheirar a morte? e pior: as doenças, os cancros.

Cheirar a morte, a doença, não tem nada de encantador. E não é preciso estar perto de alguém. Podemos ver alguém na tv e saber simplesmente. “este está a morrer”. diz-se. ou penso. ou sei.

Mas presencialmente, é como cair num poço cheio de àgua parada pesada como chumbo. Tão simples como isso. Por mais que queira, é só isto.

Depois , as doenças. O padrão morte.

Não é nada agradável, estarmos perto de alguém que não sabemos estar doente, mas tem, lembro-me , por ex, uma doença tropical, e só de estar perto dele, passar a vida a correr em direcção à casa de banho com vontade de vomitar ,tal é o cheiro de carne putrefacta.

Depois, Eu não vejo pessoas mortas.

Mas sinto-as.

Sinto , sobretudo, as vivas, os estados de alma.

Sinto, os acidentes plasmados e desato a ficar nauseada, e digo vai morrer alguém aqui, mas afinal já morreu ou vice versa, mas o Tempo - que é tão indefinido lá em cima , tem vindo a afinar-se, nos ” insights”… como queiram, porque nunca quis ser especialista de expressões do que sou, nem porque sou.

E depois, a parte lovely.

A parte que nunca pára de trabalhar. Das pessoas que constantemente me dizem ” nunca ninguém me compreendeu assim”.

Obrigada, que eu sei.

Não é compreensão, é como ter duas almas na minha só, dois corações na minha cabeça , ver uma pessoa à distância , saber e sentir e antever o que ela diz- bem podem culpar o Mercúrio na I em Peixes pela so called ” mediunidade”- mas o que se passa é que eu não paro de trabalhar ( verdadeiramente ), enquanto os outros se vão embora, porreiros da vida, aliviados e eu, fico energeticamente exausta.

*Um episódio giro, foi que em 2011- estava tão cansada da minha cabeça- achava eu que era a parte mental, pq isto é tudo um processo diário de conhecimento e ao mesmo tempo de negação de um dom, porque toda a gente quer ser normal, acreditem, Mesmo!…. – Porque, verdadeiramente quem o tem, não o acha agradável nem lírico, nem bom de dizer ao mundo, nem fácil de gerir.

Os namorados fogem em sprint e as mais próximas pessoas assustam-se , confundem inteligência ou espionagem com um dom tão natural como ter olhos verdes. - adiante, estava tão exausta, porque de noite não há sonhos comuns, nada é comum e já vamos ao resto - que decidi agendar uma lipoaspiração para dormir.

O resultado? - Por isso e por outros motivos é que me interesso tanto pelo estudo de estados de consciência: durante as 4h que estive sob anestesia geral, a única coisa que vi, foram os meus próprios textos, com letras diante da minha cabeça. typing durante quatro horas. Acordei, exausta.

Que depois, como sempre, como em toda boa escrita mediúnica, não pude descansar enquanto não escrevi. Ou como digo, quando fiz o download.

Next: Relatos de OBE’s. OUT of Body Experience. – Tive a minha 1a aos 28 anos.

Sempre gozei com os relatos da Shirley Maclaine muito antes de isto me acontecer. Os cordões dourados, as visões, os xiripitis e bláblá. http://shirleymaclaine.com/

Eu, não tive nada disso. Acordei um dia, voltei a adormecer, comecei a sentir a pulsação e a respiração pesadas , tão pesados, e o corpo tão morto, que senti que já não estava “lá”.

Não vi luzes, cordões, nada. Preferia ter visto. Porque ,andei a passear no escuro, algures num estado profundo não sei por onde- se isso é a Morte, é um relaxamento bestial mas consciente, e dei por mim a tentar entrar no meu corpo.

Só que não conseguia.

Se alguém acha isto fascinante, eu troco de lugar. É terrivelmente assustador.

Cada vez que houve um episódio destes, o Manuel Domingos, desde os meus 20 e tal acompanhou-me.

As OBE’s continuam com mais frequência. Se são mesmo OBE’s, não sei. Porque não vejo cordões como a Shirley e gostava de ver, já agora.

Porque sinto as emoções e os pensamentos de uma pessoa à distância.

Porque está na altura de assumir esta coisa, porque talvez haja outros como eu.

Porque não é agradável.

Porque já conheci um ou dois como eu que também não começaram por se sentir muito abençoados com estes “artefactos” divinos.

E porque vejo tanta, mas tanta gente a fazer cursos de iniciação ao Reiki, viagens astrais, a mexer com coisas que não devem, ou são tão desnecessárias, a pedir dons que se, calhar, era tão melhor estarem inscritos num Banco do Tempo a ajudarem realmente alguém com os dons que já têm - que serão fabulosos e não se dão conta! - como fazerem muffins - estão a ver o drama?

Eu,não sei fazer muffins e era um dom que adorava ter e que alguém, lá fora terá… e estou inscrita!… e não tenho novidades!:(((

Por isso, se eu hoje, ao fim de 20 anos decidi dizer ao mundo que gostava que me ensinassem a fazer muffins e que esse sim, é um dom glorioso em vez do meu, que faz correr supostos namorados em sprints e tenho trips monumentais sem precisar de fármacos, mas tenho essa fama que me deixa tristíssima. Porque não é a vossa vez?

Porque não, avançarem cada um de vós, com o dom que têm?

Se eu deixei de ter vergonha e passei mesmo a ser quem sou?

De qualquer forma, senão souberem fazer muffins, eu saberei logo…;)

Ana

Retirado do Blog EUTENHODUASVIDAS

O Alambique Gigante

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 09:15


Cadernos Avulsos
» histórias anónimas de pessoas anónimas «

Uma memória incrível, da minha primeira infância, convidou-me a viajar até ao passado. Na casa dos meus desencarnados avós, existia uma adega, um lagar, uma destilaria. Uma das especialidades, era a aguardente de medronho. Gostava de comer os medronhos já amadurecidos, vermelhos vermelhíssimos. Eles se desfaziam na boca, e podia sentir aquela pele verrugosa. Semelhantes às cerejas na sua forma, mas em essência e textura, diametralmente opostas.

Tudo era produzido de forma artesanal. O que mais me fascinava eram os alambiques de cobre, a sua forma. Eram enormes. O fogo contínuo, que às vezes, quando penetrava inadvertidamente naquele espaço, sentia-me dentro de um forno. Acho que é daí que provem a minha paixão, quase emocional com o metal. Questionava-me como se concebera aquela forma do alambique. Tudo aquilo era misterioso, e mais misterioso era a alquimia que se processava...  ver a aguardente a sair do alambique para um barril, era-me surpreendente. 
Como era uma menina criança, e aquela tradição estava destinada aos homens, pouco conversavam comigo. O comportamento natural e generalizado, portanto contínuo era, o de afastarem-me do lagar, da destilaria, da adega. Uma vez, ouvi um grito por parte de uma tia, que não queria a criança, eu, naquele lugar.  Já que alguma coisa podia ocorrer mal. Também, os vapores durante a cozedura, que se espalhavam pela atomosfera tão íntima e secreta, eram essencialmente alcoólicos ou nocivos às vias respiratórias..  Só que eu, sempre, conseguia penetrar nos domínios onde acontecia a tal alquimia. Observava intensamente, absorvia, fotografava o mais que podia do que via, pela não compreensão lógica do que ocorria e pela negação de me explicarem coisas que diziam não pertencer ao mundo das crianças. Eu não podia mesmo lá entrar. Sei que eles passavam às vezes as noites em claro no processo de destilação, depois do processo de fermentação concluído.

Nas serras pertencentes da minha avó, existia muito medronho. Ele era apanhado em grandes quantidades e depois era trazido para ser fermentado e por fim destilado e transformado nos alambiques em aguardente de medronho. O pior de tudo, era o que ficava depois daquele processo. Um fedor impossível. Era atirado para uma espécie de eira em campo aberto. O meu nariz não suportava aquilo, mas gostava do aromatizado da aguardente de medronho.

O aroma, quando cheirava os copos bem pequeninos, despertavam as papilas gustativas. Queria sempre beber e também porque queria ser grande!!! Como os velhotes eram safados, e não havia mulher por perto,  lá me davam e, tinha que me calar. Nunca peguei uma garrafa, sabe lá deus porquê... e nunca tive tendência ao álcool e muito menos beber e apanhar ''uma''. Mas, naquele tempo, de criancinha gostava de beber no copinho pequenino um pedacinho... acho que estava seduzida pelo tamanho do copo... e depois, bebia, e depois abria a boca o mais que podia, arregalava os olhos e colocava todo o ar para fora fazendo barulho como se fosse um dragão a deitar fogo. Aquilo queimava, e sentia o estômago a arder. Gostava de sentir a ardência...

NãoSouEuéaOutra, in '' Memórias, As Nossas, Tão Humanas''

Da Conduta do Homem e da Mulher

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 13:33


(...) Em todas as esferas de vida os homens limitaram substancialmente os direitos das mulheres, ou diminuíram a capacidade das mulheres de exercer os seus direitos excepto no que está relacionado aos caprichos dos homens. Tal atitude nunca existiu entre os seres humanos primitivos que viveram na aurora da história humana. Nem tinham os homens primitivos concebido um plano para estabelecer a sua supremacia para manter as mulheres em cativeiro, em nome da pureza social. Mesmo hoje em dia entre as raças primitivas não encontramos significativa falta de magnanimidade sobre a liberdade das mulheres.(...)

 Sri Prabhat Ranjan Sarkar, Anandamurti


Creio que neste século, está a nascer uma guerra de sexos... a Mulher terá de recuperar a sua dignidade e força. Se não for a bem, irá ser a mal, porque a Natureza irá tratar disso na sua Hora!!  Os Homens estão cegos para a sua posse e ganancia; a Mulher cega para si mesma.
 
Apenas no Amor e no Respeito e na sua Originalidade se fazem os Seres Humanos!!

As Crises Das Lolitas. The Crisis Of Lolitas.

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 11:25



photo katya ford

 
Crónicas
As memórias das Meninas que não se esquecem.
As Crises Das Lolitas.


Margarida era amiga de Helena. Conheceram-se nos corredores do Liceu. Margarida, era uma jovem voluptuosa, curvas generosas,  cuja adoração eram saias até ao joelho com sapato de salto alto de agulha em cor - de - rosa.  Sempre elegante e cheirosa. Os cabelos sempre arranjados. Margarida não perdoava nada, para ela, a elegância era fundamental. Não tinha namorados. Não conseguia ter namorados e queria tê-los. Raramente comentava sobre o alvo das suas paixões.  Nunca se conheceu algum namorado durante bastante tempo.Margarida era a rapariga que sendo vistosa e provocadora não tinha namorados. Margarida era vaidosa e pretensiosa e maldosa. Sempre tudo tinha que girar à volta do seu centro. Pisava o chão, olhando-o bem para ele, naqueles sapatos de salto alto. Como se movesse em bico de pé.
Helena, pequena e magra. Simples no vestir e meia maria - rapaz. Sempre de ténis, calça de ganga e camisa de rapazinho. Usava a camisa fora das calças. Helena, era tímida e não se sentia muito bem na sua pele. Queria esconder o corpo, e portanto, o oposto de Margarida. Pouca conversadora. Gostava apenas de estar, desde que não pudesse falar. Sabia que sempre que falasse, o encanto se perdia. Qualquer coisa deixava de funcionar. Quanto mais recuada e menos o centro de atenção, mais as coisas pareciam despertar o interesse na sua direcção. Desde que nunca se pronunciasse. Tinha imensas paixões. Apaixonava-se e deslumbrava-se. Nunca namorou aqueles por quem nutria paixão. Tinha complexos estranhos. Queria namorar e não sabia como fazê-lo sem represálias, ou a chamassem de puta. Mal tinha um namorico, vinha logo o estigma da puta, da fácil. A rapariga só beijava. Enquanto as outras, essas ninguém lhes dizia nada e até tinham relações sexuais. Era fiel e leal às amigas, talvez por conta de uma ingenuidade muito peculiar, que às vezes caía no ridículo. Muitas vezes era motivo de risadas impróprias, só pela sua própria presença.

Conheceu Margarida e nem se recorda porque se interessou pela sua presença. Desciam juntas a pé, do Liceu, em direcção ao centro da cidade.  Almoçavam, também, juntas num restaurante. Era um ritual diário e quase sempre à mesma hora. Os horários coincidiam. O restaurante era de qualidade e, oferecia um desconto apreciável a jovens estudantes. Mas era raro, encontrar por lá estudantes. Helena, nunca comera na cantina da escola. Margarida, também não. Não era uma questão de serem jovens que pudessem pagar todos os dias um almoço no restaurante. Helena, nunca pensara porque nunca usara o refeitório. Nem se lembrava alguma vez de ter entrado nele. Margarida, gostava de restaurantes, e foi ela que levou Helena a almoçar a primeira vez. Helena, gostou e nunca mais deixou-o. Durante quatro anos comeram diariamente no restaurante e nem sempre juntas. Pagavam entre 250 escudos e 500 escudos por cada refeição. A ementa era variada, mas a eleição de ambas ia para um prato de atum com cebolada, a acompanhar com arroz e salada fresca. Era um delírio. Saiam de lá sem poder respirar de tanto comer. Helena era mais selectiva quando gostava de alguma coisa no cardápio. Margarida, era o diferencial... comia tudo o que lhe surgia. O atum, era uma história à parte de todo o cardápio. O Chefe da Cozinha, tinha de facto uma mestria em saber cozinhar o atum.

Helena e Margarida sempre se faziam acompanhar uma à outra, tanto para o restaurante como no regresso a casa, às suas cidades. Apanhavam o autocarro, viviam a 5 quilómetros uma da outra. Não eram ''amigas'' fora do Liceu. Apenas mantinham uma suposta amizade incompreensível dentro do Liceu e no almoço e, no regresso de autocarro a casa. Nunca se soube porque nunca ambas se relacionaram para lá dos portões da escola. Nunca as férias as juntaram. Nunca elas se perguntaram ou falaram sobre isso. Elas, apenas, estavam juntas e sem muita conversa.  Eram, apenas  as ''amigas'' e colegas de escola. Nunca houve uma ida ao cinema juntas. Nunca houve um encontro para irem a qualquer lugar ou encontrar outras pessoas fora do período escolar. Nunca houve uma ida à praia, à piscina. Elas pareciam não existir na vida fora dos portões da escola. Nunca se soube o motivo! O que as juntava na escola e o que as repelia fora dela, era um mistério.


Não se sabia se Margarida era amiga de Helena, e se esta era amiga dela. Durante um tempo, nunca se soube bem. Margarida tinha comportamento aparentemente de mulher  crescida. Ela tentava ser mulher à força e vestia-se dessa forma. Helena, era menina e bonita, mas estava longe dos padrões de beleza física que a Margarida tinha. Margarida não tinha o corpo propriamente bonito. Ela transformava o corpo com a roupa que usava. Insinuava-se. Saia justa até aos joelhos, sapato de salto alto. Ela tinha 14 anos. Uma Lolita rechonchuda.   Não era um corpo de manequim, e era pequena de estatura e ossos largos. Helena era esguia, mais alta, cintura de vespa, que durante o Inverno vivia escondida e, com o verão, se desnudava e os colegas que a viam na praia ficavam surpreendidos. A Feia virava A Bela. Mas, logo tudo era esquecido e na volta à escola, ninguém se lembrava de nada. Helena se apagava da história.  Margarida, era essa coisa, gorda ou torta, estava sempre lá. 

Esta crónica, leva-nos a uma crucial viravolta na ligação destas duas raparigas. Não seria suposto tal ocorrer.  Margarida revela-se uma perfeita maldosa. Helena e Margarida em conjunto com mais colegas se dirigem para o centro da cidade, ficando o Liceu para trás naquele meio-dia, por conta de uma aula perdida. Em grupo conversam, Helena caminha ao lado de Margarida. Sem que ninguém esperasse, Margarida humilha Helena.  Margarida de um só golpe, desfere sobre Helena uma sentença cruel, que ela se afastasse da sua presença. Helena, não tinha feito nada. Nunca fora mal educada, nunca agredira e alguma vez falara mal de Margarida.  Continuara agredindo Helena sem motivo aparente. Helena, se encolhe ferida. Não reage. Fica muda. Não percebe. Os colegas que as acompanhavam, entrevem e dirigem a palavra para Margarida e pedem que, parasse de desferir sobre Helena, golpes tão baixos. ''A miúda, não fizera nada! Porque estás a dizer tais coisas. A miúda gosta de ti. O que te mordeu, Margarida?! Nem pareces tu!!!'' - diz uma das colegas que tinha se juntado a elas. Margarida furiosa, responde que está farta de ver a Helena sempre atrás dela. Chateava-a. Não tinha paciência para a aturar. Os colegas tentaram acalmar os uivos da Margarida. Helena, estava assustada com tal agressão. Não fizera nada. Não entendia o comportamento de Margarida, que até ali parecera ser sempre simpática e exemplar.  Helena,  uma jovem que nunca pronunciava mal algum sobre alguém. Foi um golpe repentino, para Helena. Margarida não tinha qualquer sentimento pela sua actuação. Quando sozinhas, nunca tinha tratado Helena daquela forma. Em grupo, já existia subtilmente essa atitude de humilhação, mas Helena nunca percebera o grave que isso representava. Em que Helena, poderia representar uma ameaça à Margarida!?

Vieram as férias, e não mais se viram. No regresso à escola, Margarida, afastou-se sem que Helena alguma coisa tivesse feito. Helena não comentara o infeliz episódio para ninguém. Tinha sido ferida na sua lealdade para com a Margarida. Não existia motivo algum naquela reviravolta no comportamento da Margarida. Helena era ingénua, Margarida, o que ela não tinha era ingenuidade. Inicia então, sempre que a oportunidade surgia,  espalhar maldizeres sobre Helena de grosso modo. As coisas ditas, não chegavam aos ouvidos de Helena. Ela, não fazia ideia. Margarida sentia prazer em dizer coisas para que a reputação de Helena, fosse por água abaixo. Queria envenenar tudo. Helena não sabia porque aquilo ocorria, e, Margarida nunca contou o motivo real do seu sentimento que a levou a actuar dessa forma rude sem justificação.

Elas se afastaram. Poucos anos, passaram-se, e Helena ainda ouvira coisas ruins, pela boca de colegas,  que Margarida haveria dito sobre ela. Margarida fora cruel. Tivera a intenção de humilhar. Helena tinha presença. Helena tinha imensas capacidades, e que não eram claras. Margarida, que se julgava uma rapariga bem comportada, revela-se invejosa, maldosa e destruidora. Helena não soubera se proteger e responder às ofensas. Engolira os sapos e se fechara numa dor surda, sem ter podido feito a sua sentença.
Outros anos se passaram e, a tão vaidosa Margarida formou-se em psicologia clinica. A coisa não resulta, e ela vira enfermeira de pessoas idosas... oferecendo apoio!! Margarida, nunca mais se lembrou de Helena e da sua desconsideração perante uma amiga que gostava dela e era leal, e de certa forma indefesa. Margarida era maldosa e ferrada, não se lembra dos males que fez. Helena, lembrou-se umas quantas vezes. Riu-se imenso do castigo que a vida lhe deu, à pretensiosa e maldosa, que agora, cuida de idosos. Concerteza, que a vocação de maldosa deve ter sido transformada...
Helena, perdeu-se. Encontrou-se, anos depois,  através de um relacionamento amoroso-afectivo com um homem, cuja estrutura psicológica e inteligência emocional  lhe fez despertar os talentos adormecidos. Deixou de ser a mulher tímida para passar a ser alguém com força. Helena, renasceu das próprias cinzas atoalhadas no tempo. Renasceu das maldades.

Porque todo o mal, tem um término!! 

É PRECISO RE-ESCREVER A HISTÓRIA

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 16:55



Venda da Alma e Venda do Corpo

"Não só as mulheres que casam sem amor, mas apenas por conveniência; não só as esposas que continuam a comer o pão daquele que já não amam e enganam; não só as mulheres se prostituem. É prostituto o escritor que coloca a pena ao serviço das ideias em que não crê; o advogado que defende causas que reconhece injustas; quem finge a adesão aos mitos e interesses dos poderosos para obter recompensas materiais e morais; o actor e o bobo que se expõem diante dos idiotas pagantes para arrecadar aplausos e dinheiro; o poeta que abre aos estranhos os segredos da sua alma, amores e melancolias, para obter em compensação um pouco de fama, de dinheiro ou de compaixão; e, acima de tudo, é prostituto o político, o demagogo, o tribuno que todos devem acariciar, seduzir, a todos promete favores e felicidade e a todos se entrega por amor à popularidade - justamente chamado homem público, quase irmão de toda a mulher pública."
(...)
in "Relatório Sobre os Homens" Giovanni Papini

Jogos de Mentiras

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 09:57

Muhammad Mahdi Karim - fotografia original -   aqui

Uma Formiga a fazer um discurso para uma plateia:

« afinal sou eu, quem aparece nas vossas vidas e não o contrário. são vocês que, depois,  mudam e parecem ter (depois) mais umas novidades no vosso dia - a - dia que era tão ocioso antes. depois, vejo-vos tão iguais!  no meio disso... aumentam só a quantidade de poder e continuam ad eternum cegos para comigo...  apenas e tão simples, vocês não me vêem; vêem apenas,  só o corropio e as solicitações que ao vosso redor começaram a surgir e a acontecer!! Tudo é maravilhoso, novo!! Eu.. oh eu, eu eu...  bem,  passei à história e a  ser pó negativo... claro, apenas até outro dia que precisares outra vez, e,  eu surja outra vez do nada!!!
ingratos/as vocês são!!! escravos/as dos vossos anseios, desejos e de algo que pretendem conquistar e não sabem...  e... bem, a nota final:  poderes, poderes e poderes!!! por sois falsos/as e egoístas e não admitem!!  
no final, recuo, pois, são tão iguais a todos e a todas!! egoístas e fixativos/as. 

não, eu não cresci. não, não e porquê? porque  não tinha me apercebido disto... e vocês muito menos cresceram, porque apenas, continuam ávidos de poder!  comeram do prato que vos foi oferecido com alguns ingredientes certíssimos e,   lambuzaram-se e  levantaram-se  com a barriga cheia, altivamente satisfeitos e mais cheios de poder. é isso não é: PODER!!! depois fogem, fogem e fogem!! há dois tipos de pessoas que fogem: o ladrão porque rouba e a pessoa que foge para não ser roubada.
 sei qual é o poder (os tipos de poder) que vocês procuram, à conta de vos observar nos vossos actos, nas vossas palavras e outras formas de ver!!

claro, não sou uma Formiga, sou uma Formigona a quem vocês dão Arsénico.  »

Série Mulheres - Maria de Lurdes de Sá Teixeira

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 16:27





« Foi na linda manhã de 1 de Junho do ano corrente, prestes a sumir-se nos umbrais do  século XX, que eu fui largada na pista da Escola Militar de Aviação. Semelhante à avezita que subitamente se vê liberta de um cativeiro de longos meses, entre as grades da sua prisão, e que voa, voa, em pleno ar, respirando sofregamente a sua pureza na imensidade do espaço infinito, análoga sensação senti, ao ver abrirem-se para mim, de par em  par, as portas do AR, e, sozinha, num à vontade, alegre e confiante, a mão firme na “manche”, numa ânsia louca de subir, voei, voei enfim…»

(...) Em entrevista ao grande jornal de domingo, o Actualidades, Maria de Lourdes regista que foi hercúlea a batalha travada para ir ao encontro da sua vocação. Assim, obstáculos de natureza vária que teve de ultrapassar. Desde logo, a preocupação dos familiares mais próximos, tentando dissuadi-la de seguir um caminho que não se coadunava com as expectativas sociais em relação a uma adolescente oriunda da média-alta burguesia. 

Na verdade, seu pai, dotado de formação académica superior, opor-se-ia a tais “voos”, vindo a ceder pouco mais tarde, já que os seus conhecimentos científicos, enquanto médico, o coagiam a dar primazia à saúde de Maria de Lourdes, a qual ao ser impedida de ingressar no treino, somatizou a sua frustração entrando num processo de debilidade física. 

A experiência do Dr. Afonso Henrique Botelho de Sá Teixeira falou mais alto do que as convenções sociais. É sua filha quem o reconhece: – Entristecia-me muito tanta oposição. Porquê? Que mal havia em querer voar? Parece que emagreci demais. Os meus chegaram a recear pela minha saúde. O médico surgiu na pessoa do pai, que me prometeu, que se eu me alimentasse e não me entristecesse, - o que era inconveniente para a minha saúde – procuraria obter a minha admissão na Escola. – 

Cumpriu 4 . Col Estúdio Mário Novais/Biblioteca de Arte/FCG Da atitude de seu pai pode ser dito: de opositor a cooperante foi um passo. À época, a escola de aviação era militar e o ingresso feminino vedado, pelo que as diligências do médico militar foram decisivas. A aspiração de Maria de Lourdes não deve ser vista como um capricho, mas como uma vocação. Só esta leva alguém a empenhar-se em aprender, canalizando todo o seu tempo e energia para o treino físico e mental, viabilizar o exercício da vontade para enfrentar obstáculos e aceitar os inevitáveis sacrifícios.

 Apelidando-a de “verdadeiramente desportiva” o jornal O Globo dirá a seu respeito: Apenas por espírito desportivo, por amor à aviação – porque sim – fez o seu curso de aviadora, a despeito da doença que a afligiu durante ele, das naturais contrariedades que sofreu das oposições e possivelmente da maledicência. 

Admirável rapariga essa, que resgatou com a sua galhardia séculos de mazombice freirática A determinação e o entusiasmo da instruenda contagiaram o seu mestre, que a ela dedicou todo o seu tempo e saber. Só a convergência destes elementos possibilita a eficaz aliança, da qual a nossa aviadora tem consciência ao afirmar: Devido ao esforço, solicitude e muita proficiência do meu instrutor, capitão Craveiro Lopes, e à extrema gentileza de todos os oficiais da Escola, aliados à minha grande força de vontade e à minha ambição de todos os dias, consegui finalmente ultimar o curso no dia 6 deste mês.



No link que se segue, poderá ler na integra o texto - formato PDF 

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