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FOGO, FIRE...

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 10:23



 
«Graves são as vozes! Há cães a ladrar nos Montes. Os Sóis desceram dos Céus e a Terra ardeu num Fogo feroz. Foi como um clarão que veio e ninguém viu. Ouviram-se gritos por todos os lados. Eram as Vozes dos Sufocados, dos Mortos da Vida.
O Amor tinha morrido entre os Homens! As Mulheres choravam nos Rios e nas Ribeiras; nas Veredas, nas Estradas de Alcatrão e entre os seus Seios estavam apartadas da sua mais Pura Identidade.  
 
Diabo e Deus
A Cruz
O Céu e o Inferno
O Grito
Nada
 
Veio o Fogo e era Vermelho, Laranja e Amarelo. Não se sabia de onde vinha, se das profundezas da Terra, se dos Abismos do Céu. Era uma Tela nunca vista e sonhada. Era Imaginal e outorgara uma força única que se estendia por todos os planos da Existência. Era o Sétimo Mundo. A Sétima Vida. A Sétima Morte. Era o Sétimo Homem desprovido de Divindade.
 
O Estrondo foi colossal e a energia carregava todas as Pragas que os Homens tinham guardado nas profundezas do Coração. Eles tinham um coração pequeno. Eram como Wotan que vendeu Freya aos Gigantes.
 
Brame o Mar
Brame o Céu
Brame Brame Brame
Brame a Mulher
Brame a Criança
Brame Brame Brame
 
Poderoso o som que desceu e subiu. Chispas voaram por todos os lados. Um Sono profundo e Dantesco levou a Humanidade ao Desespero!! Atlântida, voltara a fundar-se nos corações de todos.»
 
NãoSouEuéaOutra in « Hostes De Fogo»
 
 

As Dores - Tudo é e foi e será pouco!

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 12:09

(...)Não quero mais os espasmos do mundo;
 não quero mais nem antes, nem depois;
não sei bem o que sou ou o que sinto agora.
Tudo é contradição, ora fogo, ora solidão; ora dor, ora emoção.
Coisas que não sei dizer.(...)

exaurida

"E respeito muito o que eu me aconteço.
Minha essência é inconsciente de si própria
e é por isso que cegamente me obedeço".
Clarice Lispector in Água Viva. p. 29


Volto no tempo e nos lugares em que fomos felizes, e nada resta, a não ser os vultos, os espectros daquilo que fomos, e os vãos, os buracos, os espaços vazios de tudo que um dia fomos e sonhamos, só abismo, só silêncio, só silêncio e morte.

Me ultrapassei nesse sentimento, fui além de mim, além de onde eu deveria ir. Mas como saber onde parar, se perdi a noção de medidas? Não tenho mais para onde ir.

Ligo o rádio porque não quero me escutar, prefiro ouvir qualquer outro  barulho, qualquer  coisa me afaste de você, que me leve para bem distante de tudo o que sinto. Que me esvazie que me esprema e que transforme vísceras e sangue, em vento ou nuvem, e carregue para bem distante daqui.

Não quero mais os espasmos do mundo; não quero mais nem antes, nem depois; não sei bem o que sou ou o que sinto agora. Tudo é contradição, ora fogo, ora solidão; ora dor, ora emoção. Coisas que não sei dizer.

Estou exaurida. Estou esgotada. Quero dormir e acordar daqui a dois mil anos.

Olinda, XXXI - I - MMXIV

por, Canto da Boca - Link

Morre-se de Amor, Também.

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 01:35



"Morre-se de amor. Também se morre dessa doença cruel e implacável, que a sociedade moderna criou e parece não estar muito preocupada em exterminar - o desprezo pelos outros."
Baptista-Bastos
 Jornal de Negócios / 2010 - 01 - 08

Dancing With Me

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 23:36


« Esta boca fechada. Um longo caminho. Este é o meu reino. Nunca esquecido. Não sabia ler e escrever. Sabias tu em mim. Lembro-me criança. Estavas nas entranhas. Boca fechada. Língua para dentro. Dentro. Sempre dentro. Nunca fora. Esta boca fechada. Nunca a abriste. Nunca abrirás. Aqui dentro, vomitas os mundos. Nunca me alcançarás, nem com a tua língua achacada de palavras do dicionário livro. Não estou em livros. Boca fechada, esta... assim ficará, para não mais ser vilipendiada. »

NãoSouEuéaOutra in « Não tenho boca. Serpente. Não me escrevo. »  


original photo from:
(source)

Baseado em fatos reais

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 15:38






O domínio absoluto sobre os meus estados de espírito é a minha maior conquista como ser humano. Há mais de vinte anos que não perco a calma. Há mais de vinte anos que não produzo adrenalina desnecessariamente. Não brigo, não xingo, não bato. Não sinto raiva nem ódio, nem ciúmes, nem rancor. Não me irrito por absolutamente nada. Nunca tive mau humor. Não tenho sequer aqueles nozinhos horrorosos na garganta. Não me descontrolo jamais! Não há motivos racionais que possam me abalar. Não discuto, a não ser filosofia. Sou amorosamente zen...
Como consigo tal façanha?você pode perguntar.
É muito simples: Dou valor secundário às coisas secundárias. E considero secundário tudo aquilo que não é fundamental... Tudo aquilo que não tem poder de causar mudanças significativas no rumo da minha vida. Considero secundário tudo aquilo que não interfere na minha felicidade.

Please Forgive Me PERDOA-ME

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , | Posted on 21:58




Perdão PERDÃO perdão PERDÃO


[ Sentara-se à soleira da porta. Sentira-se tão cansada. O tempo passava como se fosse irreal. Pusera-se a tricotar um pequeno cachecol com cachos de uvas penduradas. Tricotar, permitia-lhe meditar. Entrava em ressonância com qualquer coisa desconhecida, e sempre, tão íntima. Por vezes um medo lhe invadia a mente... era o desconhecido, esse que habita à porta de nós mesmos e que está sempre espreitando os nossos olhos.
 Nesses momentos de profunda ''tricotagem'', há um voo de passagem que  chega e quase sempre  incomoda. É preciso estarmos preparados e, a maioria das vezes, nunca estamos. No reino da mente, há milhares de discursos, de invasões, ou, de vozes. Ela é como um comboio sobre linhas, contínuo é o seu movimento... diria-se que, a mente,  sofre de ''doença crónica do pensar''! Quanto mais a reprimimos, mais ela ladra... a sua natureza, é de criar cada vez mais pensamentos e gerar todas as formas de emoção!

Nesse dia, mal sentara-se e começara a tricotar... um pensamento saíra voando do fundo da Mente e logo, se agregara à emoção, criando uma vibração sentida.  Dissera para si mesma: '' e se alguém, ainda vivo, nesta terra esteja amando-a em silencio? Portanto, sofrendo por isso.''...  Não um amor de família, de amizade... e sim, um amor no sentido de relacionamento afectivo - amoroso. 

Continuara a dizer para si mesma, '' e se alguém, nesta terra à beira-mar plantado, estiver amando-me em segredo, por tantas razões e por isso, manter-se em silencio, por outras tantas razões? Oh que dor mais insuportável!!! Se existes, oh Alma, que me amas assim tanto... quero pedir-te perdão PERDÃO por me amares assim tão silenciosamente!! Só de pensar nisso, dói-me toda a carne do corpo... e um peso toma-me a alma!! Perdoa-me PERDOA-ME a carga desse amor que carregas por mim e que eu não sei.
Amar em silencio, sem ser correspondido, ou poder confessar tal amor, deve ser um sofrimento tremendo, uma solidão sem fundo... como são os sofrimentos de quem ama e deixou de ser amado!!! 


O Amor entre os Humanos, em especial os afectivos-amorosos, são um terreno fértil de desencontros e encontros e, o palco de experiências dolorosas.
 
Criatura, oh criatura, PERDOA-ME esse sofrimento que te causo na solidão de não poderes abrir a tua boca... Não gostaria de amar alguém em silencio como tu, porque não suportaria ter o coração preso sem uma resposta. Não importa quem sejas, onde estejas... PERDOA-ME o que te faço sentir!!! PERDOA-ME se sentes dor. PERDOA-ME!!!????

Uma Alma não amada, que não se sente amada, é uma alma presa... PERDOA-ME!!! POR FAVOR, PERDOA-ME. Ajuda-me a abrir também o meu coração ao perdão de saber  perdoar-te e perdoar-me e perdoar os desígnios indiscretos da vida!!

No entanto, se o Amor que sentes por mim, é INSPIRAÇÃO e VIDA... abençoada é a vida que te ilumina... porque esse Amor liberta-te e liberta-me!! 

Se alguém que também, eu tivesse deixado, e continue a amar-me com o desejo de ainda ter-me, quando já não amo e não consegue desapegar...  também peço PERDÃO... todo o PERDÃO do Universo, e vou mais longe...  PEÇO às FORÇAS  MAIORES DA VIDA, que conduzam ao seu caminho, alguém capaz de neutralizar e transformar todo o amor dessa pessoa por mim, e que a deixe fluir num novo encontro de amor... mais pleno que aquele que viveu comigo. Assim, poderá também libertar a minha própria alma e amar também mais!!!  Porque as almas, precisam de se libertar para serem novamente amadas e amarem... só assim, a Humanidade caminhará para a evolução!!! PERDOEM-ME... por favor?? POR FAVOR, PERDOEM-ME???!!!...''

Quando parara de tricotar, já o sol havia descido no céu. Os pensamentos surreais deixaram-na surpresa... mas a maior surpresa, foi constar que todo o cachecol estava escrito com as palavras PERDÃO... cada uva tinha uma palavra com PERDOA-ME. ]



NãoSouEuéaOutra in « Aquilo que desconhecemos em nós, o PERDÃO. »

Agressão Subtil ao Coração

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 21:06



  via tumblr


 [ ...uma angústia tremenda penetrou-lhe no centro do peito. Chorou de agonia. Olhou para todos os lados. Não havia nada e ninguém. O que lhe estaria a magoar tão repentinamente? Que invasor? Parecia ter garras. Não era felino nem réptil... era humano!! Garras humanas, unhas afiadas. De súbito, sentiu que alguém, estava profundamente maquiavelizando pensamentos sádicos. Leu no céu, que aquele que lhe arrogava pensamentos,  era um fazedor de guerras despropositadas. Inventando histórias para torturar e ferir. Nunca fora baptizado, e por isso o demónio o consumiu!! Jamais sentiria a agonia daquele outro, e assim, destrutivamente calculava palavras como quem calcula números para afiar a faca e desferir-lhe. Subtilmente, parecia ter um certo prazer em torturar a alma dela...
Ela levantou-se e foi à igreja. Fora pedir às freiras que a acolhessem... em especial o coração, esse raro ser interno que parece ser o joguete mais odiado do demónio... há quem nunca se permita a amar um outro ser, apenas pelo medo de perder toda a carga que o ego impõem!! ]

NãoSouEuéaOutra in « entre o ego e o amor, o que é isto? »




Eagle

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 19:05



«após imensos estragos e,  finalmente a minha morte repentina... renasci Águia. Nem reconheci o meu novo Rosto. Nunca pensei que fosse uma Ave Real. Chorei por dias e noites no cimo da falésia. Tinha-me esquecido completamente!! Um esquecimento tão grande, que não me admira que a morte tivesse-me levado e, depois,  trazido novamente.»

NãoSouEuéaOutra in « Do meu esquecimento... »

Concubine Fly

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 17:55



« A Mosca mora ao lado... ela dança semi - nua. Depilou-se como essas concubinas da Rua do Sado, no quarteirão da Vila Sacode o Pó que Cá Eu não Posso. À conta de fazer passeata, nasceu-lhe um calo que virou verruga. Todos os dias, tenta estripá-la com uma fina gilete, encomendada expressamente do Japão, para Moscas como ela, de características inconvenientes. A beleza nela, é agressiva e imponente... dizem que faz os estragos provocando o bem!! As estruturas caem... uma a uma, como os seus pêlos que lhe vestem o corpo e, no fim é a beleza de uma pele lisa e majestosa cuja dança nasce de um fogo de estrelas que se acaba por se revelar, para espanto de quem nunca olhou seriamente. »

NãoSouEuéaOutra in « Na Miragem de uma Alegoria »

Wolve Girl Woman

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 16:54


« neste silêncio das searas,  entre-corto a respiração e salto para o abismo do ser. este grito de coração aberto à procura de mim, corta-me a pele como as espadas dos Samurais; finíssima é a sua lâmina que me decanta nos meus reversos.
nunca senti empatia pelos lobos; as panteras, os leopardos e as serpentes sempre me convidaram ao seu regaço... é neles que conheço a noite e o dia como os andarilhos conhecem os caminhos do nada, e ainda assim vão no descanso de quem sabe que vão a nenhures.
entre o meu instinto e a medida do meu sentimento, há uma tábua rasgada à espera de ser cerzida. há uma voz tenebrosa holocaustiana que dobra os sinos da minha mente, rasga-me as emoções e detona-me o corpo como se fosse um número sem nome. estou à beira de um ataque de nervos; à beira de morrer por nunca ter podido amar de novo... cresceram calos naqueles dedos de menina dançarina que dançava apenas para ti, julgando ser mulher e eterna num amor doce e espirituoso, cuja eternidade brilhava mais do que qualquer coisa.

entendes a  mais profunda tristeza? a ter saboreado...!!! »

NãoSouEuéaOutra in «à procura do guardião do meu coração»




Jogos de Mentiras

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 09:57

Muhammad Mahdi Karim - fotografia original -   aqui

Uma Formiga a fazer um discurso para uma plateia:

« afinal sou eu, quem aparece nas vossas vidas e não o contrário. são vocês que, depois,  mudam e parecem ter (depois) mais umas novidades no vosso dia - a - dia que era tão ocioso antes. depois, vejo-vos tão iguais!  no meio disso... aumentam só a quantidade de poder e continuam ad eternum cegos para comigo...  apenas e tão simples, vocês não me vêem; vêem apenas,  só o corropio e as solicitações que ao vosso redor começaram a surgir e a acontecer!! Tudo é maravilhoso, novo!! Eu.. oh eu, eu eu...  bem,  passei à história e a  ser pó negativo... claro, apenas até outro dia que precisares outra vez, e,  eu surja outra vez do nada!!!
ingratos/as vocês são!!! escravos/as dos vossos anseios, desejos e de algo que pretendem conquistar e não sabem...  e... bem, a nota final:  poderes, poderes e poderes!!! por sois falsos/as e egoístas e não admitem!!  
no final, recuo, pois, são tão iguais a todos e a todas!! egoístas e fixativos/as. 

não, eu não cresci. não, não e porquê? porque  não tinha me apercebido disto... e vocês muito menos cresceram, porque apenas, continuam ávidos de poder!  comeram do prato que vos foi oferecido com alguns ingredientes certíssimos e,   lambuzaram-se e  levantaram-se  com a barriga cheia, altivamente satisfeitos e mais cheios de poder. é isso não é: PODER!!! depois fogem, fogem e fogem!! há dois tipos de pessoas que fogem: o ladrão porque rouba e a pessoa que foge para não ser roubada.
 sei qual é o poder (os tipos de poder) que vocês procuram, à conta de vos observar nos vossos actos, nas vossas palavras e outras formas de ver!!

claro, não sou uma Formiga, sou uma Formigona a quem vocês dão Arsénico.  »

Desonra

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 19:06



Creio que esquecemos o que significa esta Terra à beira mar plantada. Ninguém mais colocou o sal desta Terra na boca!! Triste chora a Virgem que está de luto por estes/as portugueses/as!! Desonra, perdidos/as das suas raízes!! Falsos/as adoradores/as de Bezerros de Ouro!!! Portugal não foi edificado sob esses deuses falsos!

It Hurts

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 15:23

from thumblr


« quando se conhece a crueldade, em especial de onde menos se esperava, o golpe é uma mesa farta de carne a escorrer de sangue. cada promessa se torna um jogo nas mãos de quem o joga. torna-se um vício mental. porque a ordem é para matar tudo, jogando com todas as peças do xadrez! ao contrário da Verdade, que liberta, a crueldade Mata! »

MySelf

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 14:55

from thumblr

« voltar a casa. -  diz Ela. Tem o coração esmigalhado, que até os pássaros poderiam comer. Precisa de ir, porque tem de se curar. Embateu de forma agreste, contra um muro. Por dias ficou deitada. Caíra um mundo inteiro. Naquela Torre que além vêem, vocês não me podem ver, mas é a minha masmorra! Como se foge de uma Masmorra? »

WORST

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 12:57



« O Ser Humano não passou da Idade da Caverna. O desenvolvimento do cérebro não lhe deu humanidade alguma, apenas aprofundou-lhe a ganância à Terra - Mãe e à aspiração de ser um Deus que pode, dispor e indispor;  usar e abusar como lhe bem entender do que está ao seu redor. »


Mais uma que me surgiu nos neurónios naufragados...


« No Ser Humano, a animalidade é uma espécie de animosidade. »

Object Man - Man as Object

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , | Posted on 21:16


Homem – Objecto
[ Filho da Solidão que não sabe ]
Autor: NãoSouEuéaOutra 
      

Não se ouve o grito do “homem-objecto”. Coração de ''ventre'' vermelho calado. Arranca com força a palidez do tempo que o consome. Cruza a fachada do olhar e sabe-a frágil; por sabê-la, deposita os demónios da solidão em vasos de barro. Devora-se a si mesmo nas noites e nos dias, quando à parede deita a sua cabeça aos sonhos que nunca o castigarão. Rosários pendurados na parede são a moda que escolheu seguir e por detrás deles o dogma tenta fazer rendas para o tornar mais surdo. Filho do pai e para o pai. Sem costela de mãe.


Acolhe o ser objecto que morre na lentidão do sofrimento e na velocidade do corpo que decai. Máquina da tribo, joga as emoções no vale da conquista e sabe-lhe bem o jogo com que engendra a sedução aos beijos de quem sabe que a solidão não partirá. Brinca e desgasta-se e ainda assim insiste e diz: «Tu que me fitas, não o sabes !!! – digo-te. A noite corre-me nas veias. Bebo os luares gastos e ilusórios. Teço fragrâncias subalternas – alternas. Sou fétiche do olhar, da carne... dos sentidos… Beijo bocas tão vazias quanto a minha, e faço-o pelo prazer de me esquecer na solidão que não sei !!!»…

Escrito a, 29 de junho de 2007



There´s a Place III

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 09:44



«existem estas contradições. alguns dizem que são obsoletas. outros há que não acreditam na reencarnação, mas mergulham na história velha do mundo famintos de renascerem. o velho ditado, diz que as casas velhas são retratos da memória que nunca haverá de torcer nos tempos. que os seus olhos são como labaredas a ensinar que do tempo a memória nem sempre é carrasco, e que a beleza perdura até numa brecha... e esse lugar até pode ter sido o ninho do mais belo encontro de amor que duas pessoas podem parir. mas é preciso saber ler na velhice dos tempos, o que estas casas e estas portas e janelas têm escrito nos seus livros. »

There´s a Place II

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 09:34




« como me chamarão à boca de todas as casas, todas as portas, todas as janelas? estou cansada de espreitar as ruas. passear como uma puta sem destino. aquela, ao menos, sabe onde irá passarinhar. eu, apenas, engulo betão de obras a cair, surrealismos gastos pelo descontentamento. começo a entender estas fachadas! Caeiro tem razão, a cidade está morta e vazia de Alma. »

Lola, a Escorpiónica

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , , | Posted on 20:26



  © NãoSouEuéaoutra 
18 de Julho  2006
(reeditado - antigo blog)


Lola, era o seu nome. Nascida de um caso furtivo e oculto entre uma dona de casa e um caixeiro-viajante. Segundo a sua mãe, o seu pai era um homem de personalidade ambígua. Vendia escorpiões de terra em terra a curandeiros. Amava mais os escorpiões do que a sua própria vida e a eles se devotava. Deste romance breve e intenso nascera Lola e cujo pai nunca soubera da sua existência, porque tal como inusitadamente chegou àquela terra, assim desapareceu sem deixar rasto. Não houve, como se diz, tempo, posto que, todos os viajantes são rápidos na chegada, na conquista e na partida.

Lola nascera diferente. Porquê? Uma das suas mãos era dupla. Do seu pulso desprendia-se uma cauda. Uma cauda de escorpião. Por muitos anos sua mãe a escondeu dos olhares de terceiros. Julgou-se suja por ter dado à luz um ser tão estranho. Acreditou que cometera um crime ao envolver-se de alma e corpo com um homem de índole duvidosa e ter vivido os mais escaldosos, escandalosos e ardentes desejos libidinosos, e por consequência do seu pecado gerara uma filha fruto dessa ligação, como marca da sua aventura tão proibida e censurada à alma humana. 

Lola e a sua mão com cauda de escorpião cresceram fechadas numa redoma, longe de todos e até da própria mãe. Conservou a pureza e a inocência de coração. O único alimento que a sua mãe lhe dava, eram livros. Os livros deixados pelo seu pai outrora. Apesar de ser um homem muito estranho e vender escorpiões, tinha uma faceta de livreiro. Livros estes que eram a titulo enigmáticos e cuja Lola apreendeu e deles absorveu todo o ensinamento oculto da cauda de escorpião. Já adolescente, depois de muitas lutas com a sua cauda, aprendeu a domá-la. Foi neste momento que Lola também se abriu para o mundo e sua mãe devolveu-lhe o olhar de Mãe e com ele a liberdade.

 Nunca ninguém descobriu que Lola tinha uma cauda de escorpião quando se adentrou pelo mundo, tal a sua rigorosa aprendizagem e disciplina para domar a matéria escorpiónica contida no seu punho e extrair dela o exilir da libertação. Da sua mão, invisivelmente brotavam pétalas de rosas de cor branca envolvidas em gotas que lembram o orvalho da manhã.  O preço da sua alquimia encontrou-a na pesada prisão dos que não a souberam amar!!






Depri midas

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , , , | Posted on 18:44


 (source)

Era uma vez uma história. A história da menina com meninas deprimidas. Reza assim a dita malograda história: « um dia a menina fechou os olhos às meninas e colou as suas bocas, tapou os seus ouvidos e, por fim, atou as mãos atrás das costas em cada uma delas e afastou-as de forma a não se tocarem. Muito caladinha e tão caladinha sentou-se algures, bem longe delas e começou a pensar. Pensou pela primeira vez. Depois de muito pensar, e, pensar oferece muito trabalho, buscou uma folha muito preta, tão preta que se caísse uma fagulha branca denunciava-se de imediato, e com um lápis de ponta branca escreveu a palavra ''deprimidas''. Ficou por muito tempo olhando aquelas letras brancas mergulhadas na imensidão do negro. Passaram-se tempos e tempos e, subdividiu as palavras. Resultou algo como: Depri - Midas. 

Algo aconteceu! Eurekaaaaa!

Acendeu-se uma luz estranha nos recantos escondidos do seu cérebro e percebeu que tinha comido um certo Rei Midas. Aquelas meninas deprimidas tão barulhentas eram o corpo inteiro e a alma do Rei Midas. »

NãoSouEuéaOutra in « desta vez não me fujo! »

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