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Eu Sou Aquilo

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 08:17

 Do livro "Eu Sou Aquilo"
  – Nisargadatta Maharaj  -

...Pergunta: Uma vez que tenha decidido encontrar a Realidade, o que farei depois?

Mararaj: Depende de seu temperamento. Se você for sério, qualquer caminho que escolher o levará a sua meta. É a seriedade o fator decisivo.

P: E o que me amadurecerá? Necessito de experiência?

M
: Você já teve toda a experiência de que necessita. Você não precisa acumular mais, em vez disto você deverá ir além da experiência. Qualquer esforço que fizer, qualquer método que seguir, meramente gerará mais experiência, mas não o levará além. Nem a leitura de livros o ajudará. Eles enriquecerão sua mente, mas a pessoa que você é permanecerá intacta. Se esperar qualquer benefício de sua busca material, mental ou espiritual, você errará o alvo. A verdade não dá nenhuma vantagem. Não lhe dá um status mais elevado, nenhum poder sobre os outros; tudo o que você obtém é a verdade e a liberdade do falso.

P: Seguramente, a verdade me dará o poder para ajudar outros.

M
: Isto é mera imaginação, de qualquer forma nobre! Na verdade, você não ajuda outros porque não há outros. Você divide as pessoas em nobres e ignóbeis e você pede ao nobre que ajude o ignóbil. Você separa, avalia, julga e condena – em nome da verdade você a destrói. Seu próprio desejo de formular a verdade a nega, porque ela não pode ser contida em palavras. A verdade só pode ser expressa pela negação do falso – em ação. Para isto você deve ver o falso como falso e rejeitá-lo. A renúncia do falso é libertadora e dá energia. Abre o caminho para a perfeição.

P: Quando saberei que descobri a verdade?

M
: Quando a ideia “isto é verdadeiro”, “aquilo é verdadeiro”, não surgir. A verdade não afirma a si mesma, ela está na visão do falso como falso e em rejeitá-lo. É inútil buscar a verdade quando a mente estiver cega ao falso. Deverá ser purificada completamente do falso antes que a verdade possa despontar em você.

P: Mas o que é falso?

M: Certamente, o que não tem nenhum ser é falso.

P: O que você quer dizer por não ter nenhum ser? O falso existe, duro como um prego.
M: O que se contradiz não tem ser. Ou só o tem momentaneamente, o que vêm a ser o mesmo. Pois o que não tem um princípio e um fim não tem nenhum meio. É um oco. Só tem um nome e uma forma dados pela mente, mas não tem nem substância nem essência.

P: Se tudo que passar não tem ser, então o universo não terá nenhum ser tampouco.
M: Quem o negou? Certamente, o universo não tem ser.

P: O que tem?

M
:Aquilo que não depende de nada para sua existência, que não surge quando surge o universo nem se põe quando o universo se põe, que não necessita de qualquer prova, mas dá realidade a tudo que toca. A natureza do falso é parecer real por um momento. Pode-se dizer que a verdade torna-se o pai do falso. Mas o falso está limitado no tempo e no espaço e é produzido pelas circunstâncias.

P: Como me liberto do falso e obtenho o real?

M
: Com que propósito?

P: Para viver uma vida melhor, mais satisfatória, integrada e feliz.

M
: O que quer que seja concebido pela mente deve ser falso, pois é obrigado a ser relativo e limitado. O real é inconcebível e não pode ser aparelhado para um propósito. Deve ser desejado por si mesmo.

P: Como posso querer o inconcebível?

M
: O que mais é digno de desejo? Concordo, o real não pode ser desejado como uma coisa é desejada. Mas você pode ver o irreal como irreal e descartá-lo. É o descarte do falso que abre o caminho para o verdadeiro.

P: Entendo, mas como se parece na vida diária atual?

M: O interesse próprio e o egocentrismo são os pontos focais do falso. Sua vida diária vibra entre o desejo e o medo. Observe-a atentamente e verá como a mente assume inumeráveis nomes e formas, como um rio espumante entre as pedras. Siga o motivo egoísta em cada ação e olhe-o atentamente até que se dissolva.

P: Para viver se deve cuidar de si mesmo, deve-se ganhar dinheiro para si mesmo.

M
: Não necessita ganhá-lo para si mesmo, mas pode ter que ganhá-lo para uma esposa ou um filho. Pode ser que deva seguir trabalhando para os outros. Mesmo só manter-se vivo pode ser um sacrifício. Não há nenhuma necessidade de ser egoísta. Descarte todo motivo egoísta logo que o veja e não necessitará buscar a verdade; a verdade o encontrará.

P: Há um mínimo de necessidades.

M
: Não foram satisfeitas desde que você foi concebido? Abandone a escravidão do egoísmo e seja o que é – inteligência e amor em ação.

P: Mas se deve sobreviver!

M: Você não pode contribuir para a sobrevivência! Seu ser real é eterno e está além do nascimento e da morte. E o corpo sobreviverá enquanto for necessário. Não é importante uma vida longa. Uma vida plena é melhor que uma longa vida.

P: Quem vai dizer que é uma vida plena? Depende de meu fundo cultural.

M: Se você buscar a realidade, deverá se libertar de todos os antecedentes, de todas as culturas, de todos os padrões de pensamento e sentimento. Mesmo a ideia de ser um homem ou uma mulher, ou mesmo humano, deve ser descartada. O oceano da vida contém tudo, não apenas os humanos. Assim, em primeiro lugar abandone a auto-identificação, pare de pensar de si mesmo como assim e assado, esse e aquele, isto ou aquilo.

Abandone todo interesse próprio, não se preocupe com seu bem-estar, material ou espiritual, abandone todo desejo grosseiro ou sutil, deixe de pensar em avanços de qualquer tipo. Você é completo aqui e agora, não necessita absolutamente de nada. Isto não quer dizer que deva ser tolo e imprudente, imprevidente ou indiferente; apenas a ansiedade básica por si mesmo deve cessar. Você necessita algum alimento, roupa e abrigo para você e para os seus, mas este desejo não cria problemas enquanto a ambição não passar por necessidade. Viva em sintonia com as coisas como elas são e não como são imaginadas.

P: O que sou eu se não um ser humano?

M
: Aquilo que o faz pensar que você é humano não é humano. Não é senão um ponto de consciência sem dimensão, um nada consciente; tudo o que pode dizer sobre si mesmo é: “eu sou”. Você é puro ser – Consciência – bem-aventurança. Compreenda que este é o fim de toda busca. Você chega a ele quando vir que tudo o que pensa sobre si mesmo é mera imaginação, é permanecer distante, na pura consciência do transitório como transitório, do imaginário como imaginário, do irreal como irreal. Isto não é de forma alguma difícil, mas o desapego é necessário. É o apego ao falso que faz tão difícil a visão do verdadeiro. Uma vez que entenda que o falso precisa de tempo e que necessitar de tempo é falso, você estará mais próximo da Realidade, a qual é eterna, sempre no agora. A eternidade no tempo é mera repetição, como o movimento de um relógio. Flui do passado para o futuro interminavelmente, uma perpetuidade vazia. A Realidade é que faz o presente tão vivo, tão diferente do passado e do futuro, os quais são meramente mentais. Se você precisar de tempo para alcançar algo, deverá ser falso. O real está sempre com você; não precisa esperar para ser o que você é. Apenas não deve permitir que sua mente saia de você mesmo na busca. Quando quiser algo, pergunte a si mesmo: realmente necessito disto? E, se a resposta for não, então meramente o abandone.

P: Não devo ser feliz? Posso não necessitar de algo, mas se puder me fazer feliz não deverei pegá-lo?

M: Nada pode lhe fazer feliz mais do que é. Toda busca de felicidade é miséria e leva a mais miséria. A única felicidade digna do nome é a felicidade natural de ser consciente.

P: Quer dizer que devo abandonar toda ideia de uma vida ativa?

M
: Não, de forma alguma. Haverá casamento, filhos, ganhar dinheiro para manter a família; tudo isto acontecerá no curso natural dos eventos porque o destino deve cumprir-se; você passará por isto sem resistência, confrontando as tarefas como vierem – interessada e completamente –, nas pequenas e grandes coisas. Mas a atitude geral será de carinhoso desapego, enorme boa vontade, sem esperar retorno, dando constantemente sem nada pedir. No casamento, você não é nem o marido nem a esposa; você é o amor entre os dois. Você é a clareza e a bondade que tornam tudo ordenado e feliz. Pode parecer vago para você, mas, se pensar um pouco, descobrirá que o místico é o mais prático, pois faz com que sua vida seja criativamente feliz. Sua consciência é elevada a uma dimensão superior, da qual se vê tudo muito mais claramente e com maior intensidade. Você compreenderá que a pessoa que você se tornou no nascimento, e que cessará de ser na morte, é temporária e falsa. Você não é a pessoa sensual, emocional e intelectual, oprimida por desejos e temores. Descubra seu ser real. O “que sou eu?” é a questão fundamental de toda filosofia e psicologia. Vá profundamente para dentro dela.

INTELECTO versus INTELIGÊNCIA

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 09:31



 (Credit: stock image)


«El experto, el erudito, el intelectual, no tiene una visión propia. Depende del conocimiento prestado, de la tradición, de la convención. Lleva bibliotecas enteras en la cabeza, un gran peso, pero no tiene visión. Sabe mucho sin saber nada en absoluto. 

Cualquier cosa que estés haciendo a través del intelecto es sólo una inferencia. [...] una inferencia basada en tu lógica; y tu lógica es un invento tuyo. [...]  - OSHO»



Esta tarde, estava a fazer umas sandes, e, dei por mim a pensar na questão do Intelecto versus Inteligência. Como se confundem, e como às vezes andamos ao contrário, pela via do Intelecto em vez da Inteligência. Visto que já conheci pessoas com grande Intelecto, mas que são de uma desarmonia total. Elas usam apenas o Intelecto e rejeitam a emoção toda e compartem a vida por gavetas, e regra geral, os afectos são aqueles que não tem lugar na vida de um Intelectual. Geralmente, eles nem gostam de mexer em coisas, sentem repugnância. Eles vivem agarrados à cabeça, o resto do corpo apenas os acompanha porque, não podem deixá-lo num outro lado, e o coração está no corpo, abaixo do pescoço. Toda a existência, como a pensam, os desejos, as expectativas estão todas encarceradas na mente. O Intelecto por si, não é de cariz afectivo, amoroso, calmo, harmonioso... e sim, de guerra, ambiguidade, luta, avidez... SABER MAIS PARA SABER MAIS, é para mim este o Slogan dos que vivem no INTELECTO.



Sendo assim....


Existem pessoas que vivem voando na conquista de mais intelecto. Elas querem saber e saber, devoram e absorvem tudo o que é-lhes de interesse próprio e mais algumas coisas, porque sentem o apelo de estarem preparados para enfrentar qualquer adversário em qualquer área... e assim,  engordam aquilo que chamamos de Ego Intelectual. A partir daí, todo o Conhecimento Intelectual adquirido serve para ''guerrear'', para se colocar em posição superior aos demais. Este é o lado do intelecto que não é filtrado pelo Conhecimento, ou seja, a Inteligência. Partindo disto, confunde-se quase sempre que o Intelectual é um ser com inteligência, apenas porque, aquilo que absorveu dos livros, agora é exposto, como se fosse um actor. Os actores, são exemplos de mentes que absorvem apenas as palavras e, que,  depois, têm de as enquadrar para se adaptarem ao enredo do qual participam. Tem de saber jogar, de imitar emoções e sempre com essa finalidade de ganhar o Óscar pela melhor interpretação. Tanto representam papéis bonzinhos ou mauzinhos, por habilidade do Intelecto.

Ora, o Intelecto nada tem que ver com Inteligência. Inteligência depende de algo que não está desligado da vida, e que não é filtrado por milhares de livros... hoje em dia, existem por aí muitos cérebros apenas com intelecto, que parecem carregados de Inteligência nos seus discursos.

Por isso, deixo-vos com alguns textos, encontrados aqui na net, depois que escrevi isto...

Intelecto versus Inteligência

    Treinar o intelecto não resulta em inteligência. Mais propriamente, a inteligência surge quando a pessoa age em perfeita harmonia, intelectualmente e emocionalmente. Existe imensa distinção entre intelecto e inteligência. O intelecto é apenas o pensamento funcionando independentemente da emoção. Quando o intelecto, sem considerar a emoção, é treinado em alguma direção particular, a pessoa pode ter grande intelecto, mas não tem inteligência, porque na inteligência há uma capacidade inerente de sentir assim como de raciocinar, na inteligência as duas capacidades estão igualmente presentes, intensamente e harmoniosamente.
    Se você traz suas emoções para os negócios, você diz, os negócios não podem ser bem administrados ou honestos. Assim, você divide sua mente em compartimentos: num compartimento você guarda seu interesse religioso, noutro suas emoções, num terceiro seus negócios que não têm nada a ver com sua vida intelectual e emocional. Sua mente de negócios trata a vida meramente como meio de ganhar dinheiro para viver. Portanto, esta existência caótica, esta divisão em sua vida continua. Se você realmente usasse sua inteligência nos negócios, ou seja, se suas emoções e seu pensamento estivessem atuando harmoniosamente, seus negócios podiam fracassar. Provavelmente fracassariam. E você provavelmente deixaria que fracassassem quando realmente sentisse o absurdo, a crueldade, e a exploração que estão implicadas neste modo de viver.
    Até você realmente abordar toda a vida com sua inteligência, em vez de apenas com seu intelecto, nenhum sistema no mundo salvará o homem do incessante trabalho árduo pelo pão.

The Book of Life


 «El intelecto es algo engañoso, es algo falso. Es un sustituto de la inteligencia. La inteligencia es un fenómeno totalmente diferente; es lo real. [...]

Las universidades crean sólo basura, totalmente inútil. Ésta es la actividad intelectual que se está llevando a cabo en las universidades. [...]


La inteligencia es una dimensión totalmente diferente. No tiene nada que ver con la cabeza, tiene algo que ver con el corazón. El intelecto está en la cabeza; la inteligencia es un estado de despertar del corazón. [...]

No existe la posibilidad de ninguna creatividad intelectual. Puede producir basura —es productiva, puede fabricar—, pero no puede crear. [...]

Fabricar es una actividad mecánica. [...] La inteligencia crea, no fabrica. Fabricar significa un ejercicio repetitivo: lo que ya ha sido hecho, tú lo vuelves a repetir una y otra vez. Creatividad significa traer algo nuevo a la existencia, hacer un lugar para que lo desconocido penetre en lo conocido, hacer un camino para que el Cielo baje a la Tierra. [...]

La actividad intelectual puede haceros expertos en algunas cosas, prácticas, eficientes. [...] El intelecto es prestado, no tiene visión propia. [...]

El experto, el erudito, el intelectual, no tiene una visión propia. Depende del conocimiento prestado, de la tradición, de la convención. Lleva bibliotecas enteras en la cabeza, un gran peso, pero no tiene visión. Sabe mucho sin saber nada en absoluto.

Y como la vida no es la misma, nunca —está constantemente cambiando, es nueva momento a momento— el experto siempre se queda atrás, su respuesta es siempre inadecuada. No puede responder porque no es espontáneo, sólo puede reaccionar. Ya ha sacado sus conclusiones; va cargado de respuestas preparadas y las preguntas que suscita la vida siempre son nuevas.

Además la vida no es un fenómeno lógico y el intelectual vive a través de la lógica. [...]

La vida es más que la lógica: la vida es paradoja, es misterio. [...]

Cualquier cosa que estés haciendo a través del intelecto es sólo una inferencia. [...] una inferencia basada en tu lógica; y tu lógica es un invento tuyo. [...]

Para actuar con inteligencia no necesitas más información, necesitas más meditación. Necesitas volverte más silencioso, necesitas pensar menos. Necesitas ser menos mente y más corazón. Necesitas hacerte consciente de la magia que te rodea; la magia que es la vida [...]. Todo es milagroso, pero debido a tu intelecto te quedas encerrado dentro de ti, aferrado a tus estúpidas conclusiones alcanzadas en la inconsciencia, o dadas a ti por otros tan inconscientes como tú.

Pero la inteligencia es indudablemente creativa, porque la inteligencia pone toda tu totalidad a funcionar; no sólo una parte, una pequeña parte, la cabeza. La inteligencia vibra en todo tu ser [...].

Esto es la creatividad: vibrar en absoluta armonía con la totalidad. Empezarán a pasar cosas espontáneamente. [...] Pero sólo es posible a través de un gran despertar de la inteligencia, un gran despertar del corazón.»

OSHO. Creatividad. Liberando las fuerzas internas. Barcelona: DeBOLS!LLO, 2007. ISBN 978-84-8346-517-2

die and live

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 20:10

  
» Morrer para Viver «

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DA VERDADE E DA MENTIRA… True and Lies

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , | Posted on 18:53




UMA REFLEXÃO SOBRE AS RELAÇÕES "PRÓXIMAS"

Nós não somos seres perfeitos…mas podemos ser verdadeiros…essa é a grande vantagens que temos…em relação a todas as incongruências da vida e a todos os reveses que enfrentamos. Contra uma cultura de medo e alienação. Pela verdade e pela sinceridade, custe o que custar.

As relações humanas tem muitas variantes e níveis...Não podemos equiparar uma relação de amizade com uma relação amorosa, nem uma amizade com uma relação formal de alguém que conhecemos mal...Nem podemos confundir as relações de trabalho com relações pessoais ou mesmo as relações entre um grupo de terapias, com o médico ou com o merceeiro. Pois há em todas essas relações circunstâncias que pedem, digamos, normas de relacionamento adequado e uma descrição ou reserva do indivíduo a nível pessoal de acordo com o que lhe é pedido ou exigido na circunstância. Com um psicanalista é totalmente ao contrário…se não dissermos tudo como os malucos…não há análise possível…Mas como em tudo e no geral é sempre uma questão de bom senso. Não podemos é meter tudo no mesmo saco e dizer que eu sou verdadeira com toda a gente porque isso é impossível e contraproducente. Não podemos dizer que pelo facto de não dizermos ao merceeiro que temos um amante estamos a mentir. E claro há aquela situação caricata ou anedótica de a mulher (a esposa) não poder dizer ou o homem claro que tem uma amante ao fim de uma vida matrimonial longa e…acabada…porque considero o casamento uma quase hipocrisia…e não estou a falar de instituições, mas relações de verdade! Portanto é sempre relativo e aí temos não a mentira mas a omissão da nossa intimidade ou da nossa vida privada – no caso da pessoa estranha - o que é perfeitamente normal e aceite. Portanto não podemos exigir uma transparência, nem uma verdade absoluta de cada pessoa em todas as situações da vida, e esta noção é elementar…depende do nosso discernimento e da nossa consciência.

 Assim, nas situações comuns da vivência em grupo e da vida em sociedade eu não sou obrigada a expor-me de forma alguma e é de bom-tom ser-se reservado e discreto…Portanto a mentira ai não conta nem entra. A não ser, claro, quando o indivíduo faz de conta que é rico ou nobre ou tem uma profissão que não tem etc. Mas não é isso que nos interessa aqui. O que nos interessa aqui é a verdade entre amigos/as e entre amantes…Aí é que a verdade a transparência, a honestidade, a confiança contam porque a relação de VERDADE depende inteiramente desses factores…e é ai que a mentira e a omissão estão e entram para minar a relação porque em qualquer uma dessas relações, embora com diferentes intensidades, depende da verdade de cada um na sua troca e evolução, para ser uma relação saudável e profunda.

É verdade que nas relações, em que os afectos são privilegiados, mais no amor do que na amizade, existe o risco da posse e do ciúme…e aí vem o controlo do outro e a obsessão por vezes na busca de saber tudo da vida do outro e se existe alguém ou alguma sombra de traição etc. Claro que todas nós sofremos em um grau maior ou menor de posse e ciúme…e para mim não depende da auto-estima da pessoa sentir ou não ciúmes, mas da confiança que o outro inspira…das bases de verdade e confiança que se geraram, porque os ciúmes e a posse (dentro dos seus limites) são até poderia dizer, saudável e naturais e diria mesmo até legítimos…numa relação a dois… senão passa a suposta aceitação da liberdade do outro o admitir de outros parceiros que para mim simplesmente passa a promiscuidade…

Não sou dada a relações abertas nem a aceitar 3ªs pessoas numa vida íntima…e nas amizades, embora não haja esse sentido de exclusividade,  nem sempre é fácil ser preterida ou trocada e mesmo traída, porque não sendo tanto como na paixão, em que há partilhas do mais intimo do ser, na amizade , sendo ainda uma  relação de duas pessoas, existe, embora em  muito menor grau, os mesmos ingredientes que no amor…porque afinal é afecto…e os afectos afectam-nos sempre…
É verdade que há pessoas que podem ser mais independentes que outras e não se importarem aparentemente com o que o outro faz ou se anda com outra pessoa etc., mas todas as relações intimas e próximas trazem estes sintomas e nem todos são patológicos a não ser se forem despropositados ou em excesso. Mas considero que é normal haver toda essa mescla de emoções um pouco conturbadas nas relações e não é a mentira nem é a omissão caridosa que ajuda o ciumento e o possessivo a libertar-se, mas sim a transparência e a verdade por mais dura que seja…

Numa relação íntima, se um dos dois se apaixonar por outra pessoa e omita esse facto ao parceiro e queira manter as duas relações isso não é só uma mentira fatal como uma traição enorme e geradora de patologias, porque o outro sente e de algum modo sabe que está a ser traído e se essa verdade lhe é negada em nome da privacidade ou da soberania do indivíduo, entre o intuir e o ter a percepção da mentira isso é uma coisa dolorosa e grave que confunde enormemente o ser quer a nível emocional quer a psicologicamente; o que “trai” mesmo que já não ame a pessoa e tenha pena dela e por isso não a quer enfrentar ou fazê-la sofrer, a meu ver, deve sempre dizer a verdade e deixar o outro fazer o luto e também, caso necessário afastar-se. Tantas vezes queremos fazer do ex-amante um amigo sem deixar fazer a transição, sem dar tempo ao luto! Não se pode transitar de uma relação íntima e profunda para uma simples amizade só porque uma das partes deixou de amar a outra ou encontrou outra paixão… e quer ser só “amigo”… Não. Tem que haver um luto ou um afastamento. Porque justamente a amizade vai depender dessa transparência e por mais dolorosa que seja a verdade, tarde ou cedo haverá entendimento e aceitação…dos factos.
Na amizade já é um bocadinho diferente, mas parecido…menos intenso menos conflituoso mas é parecido às vezes…Há grandes amizades que são amorosas quase…
Mas na amizade não havendo nem a posse nem o ciúme no mesmo grau não só não se justifica a mentira ou a omissão, como é absolutamente essencial a transparência e a verdade e qualquer mentira por mais insignificante que seja mina a relação…porque precisamente não se justifica que exista e não tem razão de ser pois já bastam por vezes as incompreensões provenientes das diferenças entre os seres e os equívocos, que se manifestam mesmo sem mentiras para toldar uma amizade se esta não for verdadeira. Essas amizades só singram por um enorme esforço de verdade e confiança mútua sem a qual não se pode consolidar esses laços de amizades duráveis entre as pessoas. As vezes e por esse esforço mesmo duram a vida toda.

Portanto Verdades e Mentiras…são fáceis de destrinçar…saber onde são necessárias e onde e como as apanhar…digo eu…porque só no campo muito íntimo das amizades profundas e das relações amorosas elas por vezes são paradoxalmente necessárias quando não se tem a honestidade nem a coragem de enfrentar as situações e as suas alterações que os afectos sofrem. E nada é fácil na verdade…nem na mentira…tanto uma como outra podem trazer sofrimento, mas a verdade cura e mentira mata… a verdade constrói sempre e a mentira destrói mais tarde ou mais cedo…



por, rleonorpedro
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As Mulheres e a Espiritualidade

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 15:20

Didi Sudesh descreve o papel único que as mulheres desempenham dentro da Brahma Kumaris



Num mundo onde as mulheres têm sido vistas tradicionalmente como a esposa, a mãe, a filha ou a irmã de alguém, porque é que uma mulher escolheria seguir um caminho espiritual?



Talvez porque, lá no fundo, cada mulher tenha o desejo de “ser” alguém por si mesma – totalmente consciente de si, segura e no comando. Quando falamos de poder espiritual, estamos na realidade a referir-nos ao poder original do ser, para ser completo e independente – livre da teia do domínio e da repressão, livre da necessidade de existir por causa de mais alguém.



Nos últimos dois mil anos ou mais, as mulheres não têm utilizado o seu poder espiritual por completo. Em vez disso, os aspectos do “feminino” tomaram essencialmente formas simbólicas, desde a Virgem Maria às virgens vestais, desde as Deusas da Terra às Devis Shakti. Por um lado, as mulheres foram colocadas num pedestal e foram adoradas devido à sua pureza ou feminilidade. E ao mesmo tempo, foram excluídas das práticas religiosas e impedidas, mesmo até agora, de entrar nalguns locais de adoração.



Elevadas ou castigadas, exoneradas ou condenadas, o problema principal com o qual as mulheres se deparam é que elas nunca foram tratadas da mesma forma que os homens – nem como líderes espirituais nem como devotas. Essa falta de igualdade tem as suas raízes não apenas nos sistemas sociológico e cultural, mas mais particularmente dentro dos níveis de consciência sobre os quais a espiritualidade e as atitudes estão baseadas.



As Mulheres como Líderes Espirituais

As mulheres tornam-se líderes espirituais quando elas mesmas reconhecem que possuem a capacidade e os atributos necessários para desempenhar tal papel. A mudança de consciência que é necessária consiste em afastar-se dos sentimentos e das atitudes indignas e ver a grandeza existente dentro do eu. As qualidades femininas como o amor, a tolerância, a compaixão, o entendimento e a humildade são qualidades de liderança. Elas também são necessárias para o progresso espiritual, pois sem elas seria impossível aproximar-se de Deus e alcançar a auto-realização. Todos os seres humanos têm estas qualidades, mas as mulheres são mais fácil e naturalmente capazes de as alcançar, já que normalmente os sentimentos de amor e devoção são mais naturais para as mulheres, combinados com um profundo sentido de disciplina e ordem. Um verdadeiro líder lidera através do exemplo.



As mulheres sabem como servir e como doar. A noção de serviço ou de colocar os outros “na frente” tem frequentemente sido vista como um sinal de fraqueza ou de falta de poder. Na verdade é o contrário. A capacidade de se curvar diante dos outros, com verdadeira humildade, é o sinal da grandeza de uma alma que conquistou o ego.



No entanto, essa qualidade de doar aos outros também deve ser balanceada com as qualidades da coragem, da determinação, do pensamento claro e do auto-respeito. Muito frequentemente, as mulheres têm uma tendência de doar aos outros e de negligenciar as suas próprias necessidades espirituais. Esta é uma das principais razões pelas quais as mulheres se sentem esgotadas e com falta de poder espiritual. Assim, a base para assumir a liderança espiritual é a mudança de consciência. Ultrapassar as grandes barreiras físicas, religiosas e sociológicas que privaram as mulheres de se tornarem líderes espirituais, pode ser apenas conseguido através do desenvolvimento do auto-respeito. A qualidade do auto-respeito vem do conhecimento e da experiência do ser eterno, que está além das identidades social, cultural ou física. O ser eterno, ou a alma, é puro, pacífico e é preenchido com qualidades espirituais e divinas. Quando as mulheres tocam esta essência interna e eterna, elas ganham coragem para desempenhar o papel para o qual possuem essa capacidade.



O poder espiritual é uma expressão das qualidades inatas do espírito e não tem nada a ver com o género ou com as limitações físicas. Os sentimentos de domínio e de repressão surgem quando existe a consciência de superioridade ou de inferioridade. No entanto, os sentimentos de igualdade manifestam-se quando há a consciência do espírito ou da alma. Estes sentimentos e atitudes podem expressar-se nas ações, com resultados positivos.



As mulheres ainda estão longe de desfrutar das posições de liderança espiritual e a sociedade ainda não concorda com a ideia de que elas possam ser boas líderes espirituais. Contudo, a sociedade não vai necessariamente mudar, até que alguém, seja um indivíduo ou um grupo de indivíduos, quebre a tradição e estabeleça um novo modelo de regras. Esse, em parte, foi o pensamento por detrás do trabalho de Brahma Baba, o fundador da Universidade Espiritual Mundial Brahma Kumaris.



Contexto histórico da Brahma Kumaris

Em 1936, com 60 anos de idade, Dada Lekhraj, um rico mercador de diamantes da província de Sind (actualmente o Paquistão), experimentou uma série de visões poderosas. Ele sempre teve uma inclinação religiosa e também tinha uma posição muito respeitável na comunidade. Contudo, as visões mudaram completamente a sua vida, revelando imagens surpreendentes do mundo passando por um período de muita inquietação, assim como as imagens da mudança que seriam necessárias para prenunciar um novo mundo para o futuro. Dentro de mais ou menos um ano, Dada Lekhraj, mais tarde conhecido como Brahma Baba, vendia o seu negócio e fundava uma universidade espiritual. Ele nomeou então um grupo de 12 jovens mulheres para assumirem todas as responsabilidades administrativas por um grupo de quase 400 pessoas, que se encontravam regularmente para estudarem o conhecimento espiritual e para meditar.



Naquela época, na Índia, as mulheres eram tratadas como cidadãs de segunda classe, consideradas apenas como propriedade para os seus maridos. Tais atitudes têm as suas raízes nas escrituras tradicionais Hindus. Por exemplo, no Ramayana existe uma referência para quatro coisas como sendo iguais: um tambor (que vocês batem), um animal (que vocês empurram), um louco sem juízo e uma mulher.



Devido a Brahma Baba ter colocado as mulheres na direção de uma universidade espiritual, numa época em que elas estavam ainda escondidas pelo véu – literal e figurativamente – isso causou um alvoroço muito grande. Mas ele estava determinado a conduzir esta “revolução” social e espiritual, acreditando que o equilíbrio entre o poder espiritual e social não mudaria, a menos que a desigualdade fosse corrigida e que fosse dado às mulheres, tanto jovens adolescentes quanto mães, o direito de servir a comunidade como professoras espirituais.



Na época em que Brahma Baba faleceu, em 1969, o conhecimento que ele tinha dado e as mudanças que ele havia liderado encontraram solo fértil e receptivo. Num período de 54 anos, a Universidade cresceu consideravelmente e agora tem mais de 8.500 centros a funcionar em mais de 100 países.



Estudante e não Discípulo

Hoje, numa perspectiva organizacional, tanto os homens como as mulheres assumem a responsabilidade de ensinar e de gerir os centros. De certa forma, os homens seguem o exemplo do fundador e, prontamente, colocam as mulheres “na frente”.


Para a Brahma Kumaris, o conceito de discípulo não existe. Brahma Baba nunca se considerou como um guru. Ele ensinava através do exemplo, ao colocar na prática o conhecimento espiritual e os princípios que recebeu na sua comunhão (yoga) com a Alma Suprema. Também encorajou os outros a fazer o mesmo, ao criarem a sua própria comunicação diretamente com a Fonte.


Brahma Baba encorajou as mulheres a entenderem e a explorarem o seu potencial e inspirou-as com uma visão, da valiosa contribuição que as mulheres podem fazer como líderes espirituais. Ele percebeu que as mulheres têm serenidade e gentileza para entender e aceitar as ideias espirituais facilmente, sem a barreira da arrogância que é tão frequente nos homens. Então, ao colocar as mulheres na frente, ele procurou criar uma situação de igualdade, de respeito mútuo e de estima entre homens e mulheres, e, de facto, em todos os relacionamentos independentemente do género.



Didi Sudesh é Coordenadora da Brahma Kumaris para a Europa. Tem sido estudante e professora na Brahma Kumaris há mais de 47 anos.

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Vagina - Va - Gina

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 13:30



Vagina, uma nova biografia

NAOMI WOLF
tradução CLARA ALLAIN

As palavras, quando usadas em referência à vagina, sempre são mais do que "só palavras". Graças à sutileza da relação mente-corpo, as palavras que aludem à vagina são também o que o filósofo John Austin (1911-60), no livro "Quando Dizer é Fazer", classifica como "enunciados performativos", frequentemente empregados como meio de controle social. Um "enunciado performativo" é uma palavra ou frase que realiza algo de fato no mundo real. Quando um juiz diz "culpado!" ao réu ou um noivo diz "aceito", as palavras modificam a realidade material.

Estudos indicam que ameaças ou admiração verbais ou palavras de conforto podem afetar sexualmente a vagina. Um estudo sugere que um ambiente estressante pode afetar negativamente o tecido vaginal. Esse "estresse negativo" pode também, na medida em que promove ou inibe o orgasmo, elevar ou abaixar os níveis de confiança, criatividade e esperança das mulheres. Por isso, as mulheres reagem a alusões injuriosas a suas vaginas feitas por homens ou a ameaças implícitas de estupro, mesmo quando são "só piada" embora a maioria de nós não saiba as explicações científicas de reações viscerais que nos mostram que o abuso verbal faz mal.

A humorista Roseanne Barr descreveu o comportamento de roteiristas de TV homens quando mulheres ingressavam na categoria profissional: observou que odiava ir à sala dos roteiristas porque em três minutos alguém faria uma piada sobre "perereca fedida".

Quando uma mulher está num local de trabalho onde seus pares homens querem lhe mostrar que não é bem-vinda, não é raro surgirem palavras ou imagens de insulto à vagina: por exemplo, aparecem em lugares públicos páginas centrais de revistas masculinas, com modelos nuas de pernas abertas e o rosto da mulher em questão sobreposto ao corpo nu.

É claro que motivações culturais e psicológicas exercem um papel nesse tipo de assédio. Mas não se deve ignorar o papel da manipulação do estresse feminino por meio dos ataques à vagina.

Esses atos com frequência são impessoais e táticos --estratégias para atingir mulheres com um tipo de pressão que não é compreendido conscientemente, mas que pode ser intuído e até sobreviver na memória popular como algo que suscita um "estresse negativo" neuropsicológico mais amplo que debilita as mulheres.

Em 2010, alunos homens da Universidade Yale se reuniram no evento "Tomar a Noite de Volta", em que suas colegas protestavam contra agressões sexuais. Os rapazes gritaram: "'Não' quer dizer 'sim', e 'sim' quer dizer 'anal'". Algumas delas processaram a universidade, argumentando que a tolerância a tal comportamento criava um ambiente educacional desigual. Eticamente, elas tinham razão; neurobiologicamente, também.

Quase todas as mulheres jovens confrontadas com homens gritando slogans do gênero provavelmente sentirão leve pânico instintivo. Em algum nível, estão recebendo a mensagem de que podem estar na presença de candidatos a estupradores. Com isso, torna-se impossível para elas ignorarem comentários imaturos, algo que se costuma pedir às mulheres.

O estresse de uma ameaça sexual libera cortisol no fluxo sanguíneo. O cortisol já foi vinculado à presença de gordura abdominal em mulheres --que é acompanhada dos riscos de diabetes e problemas cardíacos-- e também eleva a chance de doenças cardiovasculares e AVCs. Se você impuser estresse sexual suficiente a uma mulher, com o tempo é provável que ela tenha problemas em outros aspectos da vida; ela terá dificuldade em relaxar na cama, na sala de aula e no escritório.

Isso inibirá a injeção de dopamina que ela receberia de outro modo, o que, por sua vez, impedirá a liberação em seu cérebro de substâncias químicas que, não fosse isso, a deixariam confiante, criativa, focada e eficiente, algo especialmente relevante se ela está competindo acadêmica ou profissionalmente com você. Com essa dinâmica, a frase "foder com ela" ganha todo um outro sentido.

Senti em primeira mão o impacto poderoso que podem ter sobre o cérebro feminino palavras de alusão à vagina. Eu acabava de assinar contrato com a editora para publicar este livro e estava eufórica em relação às pesquisas e ao trabalho de escrita pela frente.

Ao mesmo tempo, estava ansiosa por lidar com um tabu tão forte. Então, um amigo de um amigo um empresário teatral a quem chamarei Alan, dotado de um senso de humor complicado e que tem prazer em criar espetáculos sociais que elevam a tensão disse que queria promover uma festa para comemorar meu contrato. A festa virou assunto entre seus amigos, muitas vezes com um tom de leve ironia, com algo oblíquo no meio.

Alan falou que faria um jantar à base de massas, no qual os convidados poderiam fazer macarrão em formato de vagina. Achei a ideia divertida e charmosa, de certa forma, possivelmente uma homenagem ao livro, ou, pelo menos, não terrível, embora não fosse um viés que eu teria escolhido.

Quando cheguei à festa, porém, um zum-zum-zum travesso e ligeiramente ameaçador vinha da outra extremidade do loft, onde ficava a cozinha. Alan estava na cozinha, cercado de convidados. Fui para lá, com certo receio. Passei pela mesa onde estava a máquina de macarrão caseiro. Um grupo de pessoas ao redor, moldando pequenas vulvas feitas à mão.

Os objetos pareciam bonitinhos: como a coisa real, as pequenas esculturas de massa variavam, talvez porque a experiência de cada pessoa (ou seu corpo) influísse sobra sua interpretação. Havia uma energia de respeito e até celebração vinda dessa mesa, tanto dos homens quanto das mulheres.

A travessa de massas sobre a mesa me pareceu ter sido montada com uma espécie de amor: lembrando uma flor ou uma pena, uma flauta ou um leque, cada pequena escultura era detalhada e singular lindos objetinhos brancos sobre uma bandeja de cerâmica italiana azul pintada à mão.

"BOCETINI"

Alan apareceu do meu lado. "Chamo esses macarrões de 'bocetini'", ele falou, rindo, e meu coração se contraiu. Um lampejo de tensão atravessou os rostos de mulheres presentes. As expressões dos homens, até então tão abertas, e, no caso de alguns, tão ternas, ficaram impassíveis. Algo doce e novo que mal tinha começado estava sendo cortado.

Ouvi um chiado, como de fritura. Olhei a cozinha: o som vinha de linguiças enormes dispostas em frigideiras de ferro sobre o fogão industrial. Entendi: hahaha, linguiças para acompanhar os "bocetini". Notei que a energia do grupo, que incluía homens e mulheres, já não era tão simples.

O ambiente tinha ficado mais tenso --uma tensão com a qual eu estava familiarizada, a dos momentos em que mulheres se sentem amesquinhadas, mas espera-se delas que "levem numa boa" e "tenham senso de humor". Meu coração ficou ainda mais apertado.

Finalmente alguém chamou minha atenção para o prato final do cardápio. Vários imensos filés de salmão estavam dispostos sobre outra travessa nas bocas de trás do fogão. Entendi a brincadeira. As mulheres são fedidas. Fedem a peixe. Corei, com um tipo de desespero psicológico deprimida porque um amigo acharia isso engraçado, mas que também me provocava uma sensação física.

Mas não foi isso o que realmente me chamou a atenção naquela noite. Consigo tolerar uma brincadeira de mau gosto, se isso foi tudo o que o evento envolveu. O que achei interessante foi que, depois da festa dos "bocetini", não consegui digitar uma palavra do livro nem mesmo anotações de pesquisa por seis meses, e eu nunca antes tinha sofrido "bloqueio de escritor". Senti, criativa e fisicamente, que tinha sido castigada por "me aventurar em algum lugar" supostamente proibido para as mulheres.

NAOMI WOLF, 49, americana, é autora de "O Mito da Beleza" (Rocco) e de "Vagina: A New Biography''

Texto publicado originalmente pelo jornal britânico "The Guardian".

O CLITÓRIS E A NEGAÇÃO DO DESEJO FEMININO

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 13:06

Retirado do Blog, de Lola Aronovich, Escreva Lola Escreva, apenas para informação, e para ler na íntegra acesse à sua página, no link azul.


Li Promiscuities: The Secret Struggle for Womanhood (Promiscuidades: A Luta Secreta pela Femininidade, 1997), de Naomi Wolf, livro que não é tão influente quanto sua maior contribuição, o indispensável O Mito da Beleza. Mas é bom também. Há uma parte fascinante em que Naomi fala sobre a mudança de padrão na sexualidade, tanto feminina quanto masculina. Esses clichês que ainda ouvimos de que o homem tem uma sexualidade irrefreável, incontrolável, e sente muito mais desejo que a mulher, que é sempre passiva, são uma invenção bastante recente. E também é mentira que foi a revolução sexual no final dos anos 1960 que revelou a existência do clitóris. O pessoal já sabia desse órgãozinho que serve apenas para o prazer (homens não têm um instrumento só para o seu prazer) já em 1559. Foi Colombo que descobriu o clitóris, só que não o mesmo Colombo que fez aquela outra descoberta importante. Esse do clit era um cientista italiano chamado Renaldus Colombo. Ele comparou o clitóris ao pênis, percebendo que o órgão feminino também se levantava, ficava duro, e proporcionava prazer. Essas comparações continuaram no século 17, e em 1697 um livro de anatomia já incluía o clitóris como um órgão distinto. No século 18, tanto se falava em prazer feminino que havia a lenda que orgasmos femininos ajudavam as mulheres a engravidar. A mulher era vista como um animal tão ou mais sexual que o homem.
Porém, no final do século 18, uma nova ideologia foi imposta, consequência, talvez, da Revolução Industrial. As mulheres passaram a ser vistas como seres angelicais, “seus desejos mais focados não no carnal mas na afeição e na domesticidade; cada vez mais, elas foram consideradas tão sexualmente diferentes dos homens que passaram a ser definidas como seu oposto” (minha tradução).
Por que isso aconteceu? Não há respostas concretas, só hipóteses. Alguns acham que, com a chegada de uma era mais democrática e secular, e do Darwinismo, deus e tradições religiosas não eram mais suficientes para explicar a hierarquia masculina. Coube à ciência, portanto, explicar (e manter) o domínio do patriarcado, criando mais e mais diferenças entre os sexos (já Linda Gordon acha que a sexualidade tornou-se ameaçadora para o capitalismo, que exigia que as pessoas olhassem para o futuro, e não esperassem gratificações imediatas).
Naomi crê numa interseção dessas hipóteses. Em 1789, com a Revolução Francesa, e em 1848, no resto da Europa, havia uma atmosfera de igualdade social. Mas as mulheres não podiam estar inclusas nessa igualdade. Um meio de mantê-las no seu lugar era controlá-las sexualmente. Pipocaram teorias “científicas” que desejo sexual era coisa de homem, e que inexistia, até biologicamente, nas mulheres. “Como resultado, as mulheres de classe média adotaram a 'pureza' sexual como sua principal virtude, apesar da explosão da prostituição”. A sexualidade feminina passou a ser patologizada. Aquele negócio da normalidade, sabe? Que “normal” era a mulher só querer transar pra engravidar, ou pra agradar seu marido, sem querer prazer algum pra ela. O padrão passou a ditar que o instinto maternal era o oposto do desejo sexual masculino. Qualquer resquício de desejo feminino era perigoso pra mulher ― podia até afetar seus órgãos reprodutivos, juravam os cientistas. Uma relação sexual “normal” era aquela que culminava no orgasmo masculino (e que fosse rápido, pra não comprometer a honra feminina).
Naomi lembra que houve outras contribuições para acabar com o desejo feminino. Mulheres de classe média usavam corsetes, que apertavam suas costelas, prendiam sua respiração, ocasionalmente danificavam seus órgãos internos, e as faziam desmaiar com frequência. Exigia-se que elas ficassem em casa, sem fazer qualquer tipo de exercício físico, o que, inclusive, pode ter tornado a experiência do parto ainda mais dolorosa. Assim como é difícil sentir desejo sexual no meio de uma dieta alimentar que nos priva de combustível para sobreviver, devia ser meio impossível sentir tesão usando um corsete. Não é irônico que a marca de lingerie Victoria's Secret (nome em homenagem à Era Vitoriana) seja quase sinônimo da nossa sexualidade atual? (irônico nada: Susan Faludi, no fabuloso Backlash, explica o sucesso da marca. Algum dia falo disso).
Em 1851 já se dizia que qualquer mulher que se deixava levar pelo desejo e perdia sua virtude era uma prostituta. As mulheres “decentes” apenas se submetiam à vontade de seus esposos. Como disse um jornal inglês: “Nos homens em geral o desejo sexual é inerente e espontâneo e pertence à condição da puberdade. No outro sexo, o desejo é dormente, se não inexistente”. Com o clitóris esquecido, ninfomania passou a ser tida como doença mental.
Apenas em 1899 um médico inglês, Henry Havelock Ellis, lembrou-se do clitóris. Ellis se encarregou de desmentir a suposta falta de desejo feminino, a ideologia vigente da Era Vitoriana. E ainda afirmou que mulheres podiam ter orgasmos múltiplos!
Daí veio Freud, em 1905, dizer que sim, mulheres tinham clitóris, e até meninas sentiam prazer. Mas que só o orgasmo vaginal era sinal de maturidade. O clitorial levava à frigidez. Em 1918 uma promotora pelos contraceptivos, Dra. Marie Carmichael Stopes, definiu a ideia de que mulheres com desejo sexual sejam depravadas como “absurdos ridículos que passam pelo nome de ciência”.
Já em 1926 um ginecologista holandês publicou um bestseller que seria o primeiro manual escrito por um homem “respeitável” para dar prazer às mulheres ― na realidade, esposas. Van de Velde acreditava que a melhor forma de se manter a fidelidade conjugal seria que os homens aprendessem as técnicas eróticas que satisfariam suas mulheres. Ele divulgou para o mundo anglo-saxão a noção do “beijo genital”, e chamou de egoísta um homem que tentasse transar com sua mulher sem que ela estivesse excitada.
Várias outras obras no século 20 (como o Relatório Hite, por exemplo) vieram se unir à mensagem que o desejo feminino existe e é importante. Mas ainda seguimos firmes na mentira que homens gostam de sexo, porque “é assim que os homens são”, e mulheres simplesmente o toleram. E que uma mulher de respeito não deve fazer sexo com quem (e quantos) bem entender, porque “homens e mulheres são diferentes”. Infelizmente, gente demais ainda crê nessas baboseiras.





Nota: 
Para acessar aos links ocultos neste texto, visite a página da autora e continue a ler. Lola Aronovich

Introjeção

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 13:40

Hoje, dei por mim a pronunciar esta palavra diversas vezes. Confesso que não estava a perceber. Resolvi investigar. Heis!!


Segundo o dicionário

Introjeção

 (in.tro.je.ção)
sf.

1. Psic. Processo inconsciente de identificação pelo qual uma pessoa incorpora ao próprio ego objetos e qualidades a eles inerentes; INTERIORIZAÇÃO

2. Soc. Processo pelo qual um indivíduo adota e se deixa influenciar por crenças, valores etc. de outros indivíduos ou grupos.


Não satisfeita, procurei mais informação.


O que é Introjeção

« Quando somos crianças, até uma certa idade, dependemos dos adultos para nos alimentar. Quando o alimento nos é empurrado "goela abaixo", sem que tenhamos tempo e oportunidade para mastigar, sentir o gosto e só então engolir, estamos introjetando o alimento. Ao contrário, quando o ambiente é sentido como confiável e podemos mastigar, sentir o gosto, desde esse momento começa o processo de digestão daquele conteúdo e portanto, ao invés de introjetar, estamos assimilando. A assimilação é o aspecto saudável da introjeção (lembrem que sempre há um aspecto saudável nas interrupções).

Perls diz que "não há nada em nossas mentes que não venha do meio, e não há nada no meio para o qual não haja uma necessidade orgânica, física ou psicológica. Estas devem ser digeridas e dominadas, se quiserem se tornar nossas de verdade, realmente uma parte da personalidade. Mas se simplesmente as aceitamos completamente e sem crítica, baseados na palavra de outra pessoa, ou porque estão na moda, ou são de confiança, ou tradicionais ou antiquadas ou revolucionárias – tornam-se um peso para nós. São realmente indigeríveis. Ainda são corpos estranhos, embora tenham se instalado em nossas mentes. " (A abordagem gestáltica, Fritz Perls, pg. 46 e 47).

Utilizamos a introjeção saudável para nos adequarmos socialmente, por exemplo. Introjetamos que não se anda nu pelas ruas, introjetamos nosso idioma e uma série de outras normas sociais. O conteúdo do que introjetamos é chamado introjeto.
Quando esse processo ocorre fora de qualquer contexto coercitivo, é saúdavel; se, em contrapartida, existe uma coerção por qualquer parte do ambiente, que é incompatível com a necessidade genuína do indivíduo, há uma imobilização. É como se entregássemos nossa identidade nas mãos de outra pessoa. Com o tempo, o que foi introjetado cai na confluência, vira hábito, torna-se não-consciente e passamos a reproduzir comportamentos e atitudes que não condizem com nossas reais necessidades e anseios, mas que parecem ser tão nossas...
Introjetos são todos os conteúdos que sustentam os "deveria" que carregamos vida afora. »

 Aline Marques da Silva - PSICÓLOGA

Sobre o Poder e a Opressão

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 11:31



Nuno Michaels(link) numa entrevista concedida à Revista Activa sobre os tempos que decorrem e aí vem.


“Estes anos vão ser a história de uma humanidade explorada e oprimida a insurgir-se contra as figuras de poder que querem manter benefícios. A velha ordem vai explorar até onde puder e a revolta irá surgir. A forma mais negativa de viver isto é com violência. Há pontos críticos: a partir do final de Maio irá haver uma aceleração da crise e ao redor da terceira semana de junho, meio de setembro, quando Úrano fizer quadratura a Plutão vamos ver os direitos individuais em colisão com a estratégia definida pelas figuras de poder de controlo. Cabe a cada um de nós trilhar um caminho de individualização porque as massas são sempre apanhadas com as calças na mão, mas os seres conscientes podem pôr os seus recursos ao serviço do coletivo. Acredito que em 2023 teremos uma sociedade mais bonita.”


“Neptuno dilui fronteiras e permite o propagar da compaixão mas também de coisas menos boas. Em termos físicos pode haver contaminações coletivas, epidemias como a histeria da gripe A. Em termos emocionais será mais fácil propagar o medo, o que interessa a quem está no poder já que manter o instinto de sobrevivência ativado nas pessoas as torna mais manipuláveis. Em termos mentais, pode haver ideias sedutoras a propagarem-se muito rapidamente. Em momentos de crise há sempre os que promovem o apocalipse e os que prometem a salvação. Vão aparecer muitos falsos profetas, charters de gurus no meio do nevoeiro a propor grupos para nos salvar. Muitos infelizmente à volta de princípios da ordem antiga, a prometer uma salvação vinda do exterior. Não vai ser fácil para os portugueses que vivem o mito do salvador, quer seja o D. Sebastião, a Troika ou o Ronaldo temos sempre alguém mitificado no exterior, o paraíso projetado para fora, para longe e para o futuro.”

Enver Hoxha e as Mulheres

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 14:13

Uma conquista importante durante a liderança de Hoxha foi o avanço dos direitos das mulheres. A Albânia foi um dos países mais, se não o mais patriarcal da Europa. O Código de Lekë, que regulava o status das mulheres, dizia: “Uma mulher é conhecida como uma saca, feita para durar apenas enquanto viver na casa de seu marido.” Mulheres eram proibidas de herdarem qualquer coisa de seus pais e eram discriminadas até mesmo em caso de morte.

    ...a mulher morta [deve] ser aberta, para que se possa ver se o feto é um menino ou uma menina. Se for um garoto, o assassino deve pagar três carteiras [uma quantidade da moeda local] pelo sangue da mulher e seis carteiras pelo sangue do menino; se for uma menina, além das três carteiras pelo sangue da mulher, três carteiras devem ser pagas também pelo sangue da garota
    —O Código de Lekë Dukagjini

Mulheres eram absolutamente proibidas de obterem divórcio e os pais da esposa eram obrigados a devolver uma filha fugida, ou sofrer a desonra, que poderia até mesmo resultar em uma rixa de sangue que duraria gerações. Durante a Segunda Guerra Mundial, os comunistas albaneses encorajaram mulheres a se alistarem junto aos partisans e após a guerra, as mulheres foram encorajadas a assumirem postos de trabalho servil, uma vez que a educação necessária para trabalhos de alto nível estava fora do alcance da maioria das mulheres. Em 1938, 4% da mulheres trabalhavam em vários setores da economia. Em 1970, este número subiu para 38% e em 1982 foi para 46%.37 Durante a Revolução Cultural e Ideológica (discutida abaixo), as mulheres foram encorajadas a aceitarem “todos” os tipos de trabalho, incluindo postos no governo, o que resultou em 40,7% das vagas do Conselho do Povo e 30,4% da Assembleia Popular sendo ocupadas por mulheres, incluindo duas mulheres no Comitê Central em 1985.38 Em 1978, o número de mulheres que frequentavam escolas primárias era 15.1 vezes maior do que em 1938 e o número de mulheres que frequentavam escolas secundárias era 175.7 vezes maior do que em 1938.

O Partido e o país inteiro deveria arremessar ao fogo e quebrar o pescoço de qualquer pessoa que ousasse violar o sagrado decreto do Partido em defesa dos direitos das mulheres.
Enver Hoxha, 1967

(source)

Da Conduta do Homem e da Mulher

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 13:33


(...) Em todas as esferas de vida os homens limitaram substancialmente os direitos das mulheres, ou diminuíram a capacidade das mulheres de exercer os seus direitos excepto no que está relacionado aos caprichos dos homens. Tal atitude nunca existiu entre os seres humanos primitivos que viveram na aurora da história humana. Nem tinham os homens primitivos concebido um plano para estabelecer a sua supremacia para manter as mulheres em cativeiro, em nome da pureza social. Mesmo hoje em dia entre as raças primitivas não encontramos significativa falta de magnanimidade sobre a liberdade das mulheres.(...)

 Sri Prabhat Ranjan Sarkar, Anandamurti


Creio que neste século, está a nascer uma guerra de sexos... a Mulher terá de recuperar a sua dignidade e força. Se não for a bem, irá ser a mal, porque a Natureza irá tratar disso na sua Hora!!  Os Homens estão cegos para a sua posse e ganancia; a Mulher cega para si mesma.
 
Apenas no Amor e no Respeito e na sua Originalidade se fazem os Seres Humanos!!

EGO ESPIRITUAL

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 18:40

(...) Atrás do ego espiritual, há simplesmente a vontade (inconsciente ou consciente, pouco importa) de manifestar uma ascendência sobre o outro, antes de manifestar uma ascendência sobre si mesmo. (...)


(...) Agora, haverá muitos Chamados e poucos Escolhidos.

E quais Chamados não são Escolhidos?

São aqueles que foram confinados no que eu nomeei a Ilusão Luciferiana, todos aqueles que pararam a Luz (pelo ego espiritual) na cabeça, e que estão persuadidos de terem chegado ao auge da evolução.

São todos os mestres, pseudo ascensionados que abriram o terceiro olho e que creram ter chegado ao Coração, mas que não estavam no Coração.

Eles estavam apenas na cabeça. (...)
O.M. AÏVANHOV – 24 de setembro de 2011

Quer dizer que há muitas pessoas que se nutriram da Luz, mas que nutriram o próprio ego: isso se chama o ego espiritual.

O que vocês vão viver, agora, a partir do mês de junho e durante este verão [inverno no hemisfério sul], vocês serão capazes de ver se estão realmente abandonados à Luz ou não.

É isso o que vocês viverão.

Isso se chama realizar o Abandono à Luz, simplesmente.

Quando é intelectual, isso não vale um amendoim.

Agora, solte os amendoins, tire a mão do frasco e você verá que o que eu digo é verdadeiro.

Mas eu não posso fazê-lo, eu repito, em seu lugar.

O.M. AÏVANHOV – 30 de maio de 2011

Buda dizia: «quando você chegar ao nível dos poderes (ou seja, os Siddhis, os poderes da alma), salve-se rapidamente».

Porque se encontram, naquele nível, os poderes espirituais e, portanto, o ego espiritual, que se apropria da Luz, estando persuadido de ter chegado ao Coração.

É apenas um inchaço do ego.

(...)

Enquanto um ser humano reivindica uma posição precisa sobre esta Terra (e, sobretudo, ao nível espiritual), vocês estejam seguros de enganarem-se grosseiramente e de que é um ego magnífico que se apresenta a vocês.

Então, é claro, os seres humanos têm sempre tendência a serem seduzidos.

Pelos homens políticos, pelas estrelas.

E, para aqueles que estão num caminho dito espiritual, eles serão seduzidos por aqueles que estão no ego espiritual.(...)

O.M. AÏVANHOV – 22 de maio de 2011


O discernimento pertence, de maneira irremediável, ao ego espiritual.

Não há o que discernir, porque o discernimento é mental e intelectual, como sempre.


(...) O orgulho espiritual está também frequentemente presente sob forma de falsa humildade, em que o ser vai afirmar uma espiritualidade para aceder a certo número de privilégios, considerando que estes vão permitir encontrar um sentido para sua vida, na matriz.
Aí se situa a armadilha a mais importante do ego espiritual, que é fazê-los crer que a Luz Vibral será destinada a estabelecê-los na Alegria, nesse mundo. (...)


(...) Atrás do ego espiritual, há simplesmente a vontade (inconsciente ou consciente, pouco importa) de manifestar uma ascendência sobre o outro, antes de manifestar uma ascendência sobre si mesmo.
Há, portanto, uma falta de Coração, mesmo se a máscara do coração possa estar na dianteira da cena, querendo simplesmente tomar o poder sobre o outro por carência de poder sobre Si.
O ego espiritual vai se nutrir de capacidades ditas espirituais, chamadas de poderes da alma.
O Coração é Humilde e Pequeno.
O Ego espiritual não pode compreender e não pode aceitar esta humildade, esta simplicidade e esta noção de pequenez.
Há, portanto, uma inflação do ego, chamada ego espiritual, mas não há nada de espiritual ali, mesmo se os poderes espirituais estejam presentes. (...)


(...) O Ego espiritual se refere a seu ego com os outros egos, daquele que quer criar ou manter uma ascendência ou uma dependência com relação a si mesmo.
A maior parte do que foram chamados Mestres espirituais são, geralmente, seres no ego espiritual, onde a vontade de bem vai fazer de modo a que seus discípulos sejam completamente subjugados a seus Mestres.
Há uma relação de dependência que se instala, que é chamada de ego espiritual, porque, se um verdadeiro Mestre abrisse o Coração de seu discípulo, não haveria mais discípulo porque, naquele momento, este se tornaria um Mestre, por sua vez. (...)



 

Yogananda - a litle more

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 13:51


“É melhor viver no inferno na companhia de um homem sábio e de fala áspera do que habitar o paraíso com dez mentirosos de lábios doces! Tolos transformam um paraíso no inferno, ao passo que um homem sábio transforma qualquer inferno num paraíso”.

“O homem que está sempre inquieto e nunca medita acredita que com ele está “tudo bem”, porque ele se acostumou a ser um escravo dos sentidos. Ele só perceberá sua verdadeira condição quando nele despertar um desejo espiritual e ele tentar meditar e se acalmar; então, naturalmente, ele encontrará uma feroz resistência por parte dos maus hábitos de inconstância mental”.
 
 

Life VIDA Love AMOR Meditação MEDITATION

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 13:05



A Plenitude da Vida e da Luz tem sido desperdiçada dia após dia nas actividades perversas do mito egoísta e divisório chamado mente, que é constantemente capturado pela obscuridade dos opostos, como "bom ou mau", "certo ou errado ", "honestidade ou hipocrisia", "consistência ou conflito", "moral ou imoral", "prazer ou dor", "lucro ou perda", "vencer ou derrotar ", "cooperação ou competição" e assim por diante; sendo uma parte dos falsos sistemas de valores social, cultural e convencional , como é também o sistema de crenças estúpido de uma sociedade monstruosa em que matanças cruéis e explorações maciças de homens feita por outros homens continua inabalável há milénios!

 Esse abominável pequeno “eu”, apesar de obter prazer constante na glorificação e engrandecimento, de repente abandonou as suas buscas de poder e de posse de riquezas e encontrou - se no estado de felicidade de uma consciência - sem - necessidade - de - escolhas! E então, a Divindade sem - divisão começou imediatamente dentro de nós mesmos a fazer o trabalho mais profundo que, naturalmente, é considerado como "não - trabalho" ou "trabalho inútil" do ponto de vista do ego - eu!

E neste estado maravilhoso, todos os ruídos do notório “Eu” chegaram a um impasse e uma conversa melodiosa começou no ser - interior sem a limitação do sistema linguístico ! Algumas reflexões nessa dimensão do “não - eu”:

1) Todas as experiências “Espirituais” quer sejam “ esclarecedoras” ou “ extraordinárias” são mera sensualidade e produtos dos passado condicionado.

2) Poluição religiosa e espiritual é muito mais prejudicial, em comparação com a poluição atmosférica.

3) Humanidade gira em torno da venda e da compra , o que inclui “idéias espirituais” !

4) Ver sem ser espectador destrói a continuidade e a corrupção do pensamento.

 5) O autor da pergunta é, infelizmente, uma rede de respostas que foi buscar a outros . Será possível perguntar e ficar com esta pergunta: “ É possível estar num estado de “não - saber” , apesar de usarmos todo o nosso conhecimento técnico para executar as tarefas diárias?

 6) O verdadeiro silêncio é explosivo. Talvez seja vulcânico . É a vida. Não é a mente que artificialmente colocamos em silêncio!

7) Desejar não querer é também um querer .

8) Qualquer conhecimento que vamos buscar a outro , quer a escrituras antigas ou a filosofias modernas, não vale nada a menos que se dissolva no corpo - vivo como uma percepção directa.

9) O estado natural do "nada" explode nos nossos nervos, células e medula - óssea .

10) Qualquer movimento da mente, em qualquer direcção, em qualquer dimensão, em qualquer nível afasta - nos do nosso verdadeiro Self existencial.

Quando isso é entendido directamente por uma pessoa , então acontece uma entrega completa e uma total renúncia !

Texto retirado do site kriyayoga -  Shibendu Lahiri

Conhecimento

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , , | Posted on 09:41

"Pure Lotus" by Chen Zhengping
Falun Dafa Art Center

Os que procuram manter seus seguidores, infundindo-lhes medo, não são verdadeiros mestres. Devemos ser sempre movidos pelo conhecimento, nunca pelo medo.

«Tornamos o mundo belo, e temos o poder de destruí-lo. Quando profanamos o mundo, o meio ambiente sofre uma mudança violenta, que é chamada dissolução parcial. Tais cataclismos ocorreram muitas vezes - um exemplo é o dilúvio de Noé. Estas dissoluções  parciais são conseqüências de ações erradas e erros ignorantes da humanidade. Não pensem que os acontecimentos deste mundo estão ocorrendo automaticamente, sem o conhecimento de Deus. E não pensem que as ações humanas não têm efeito na execução de Suas leis cósmicas. Tudo o que aconteceu através das eras está gravado no éter. As vibrações do mal que a humanidade deixa no éter perturbam o equilíbrio harmonioso normal da terra. Quando a terra fica muito pesada com a doença e o mal, estas perturbações etéricas fazem com que o mundo abra caminho para os terremotos, as inundações e outros desastres naturais. »

Por Yogananda, Guru Indiano  do início do século passado

About Women, Child - Sobre mulheres e crianças

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 15:01


Esta tarde, enquanto comprava pão na padaria, encontrei uns jornais sobre a mesa, o assunto era acerca de violações. Militares, engenheiros, empresários de imobiliárias, gestores e etc...!!! Lembre-se disto, são tudo homens.  Quanto aoss violados, ou seja, as vítimas, tanto eram meninas como meninos. De uma coisa, é certa, a vítima NÃO É CULPADA.  Essa ideia generalizada de culpar as vitimas, porque tinham uma sensualidade à flor da pele; porque eram bonitas demais e por isso apelativas; porque vestiam provocante demais para a idade; porque pareciam querer ser beijadas;  porque eram engraçadinhas e fofinhas;  porque eram tão inocentes e alegres e cheias de vida; porque eram bonecas e sorridentes (o que quer que seja, não lhes dá autorização para mexer e macular e transferir uma culpa horrorosa para um ser que mal soprou à vida)....  tem sido um comportamento errado e crasso e, indómito por parte desta sociedade compactuar como se nada fosse.

Se escrevo sobre estes assuntos, é porque tenho uma certa autoridade para fazê-lo. Cada vez mais, me interessa observar o aspecto da vitima. Quanto ao predador, ao violador, ao abusador, ao manipulador sabe-se de uma forma geral porque actua assim, e que mecanismos são activados. Da vítima, esse é que é o mistério e que ninguém estuda!! Desde sempre, as preferências do estudo, de uma forma geral,  foram o Vilão, o Mal. 
Sobre isso, tenho uma opinião que quase sempre, acredito que é para ganhar poder, capacidade para o mal e alimentar-se dos fracos, dos incapacitados, dos que não têm. Isto nada tem que ver com idades. Portanto, muitos dos que são inteligentes e com cultura acima da média, e que poderiam fazer alguma coisa, pouco fazem. Para quê, saber o segredo da vitima? Iria deixar de existir vitimas... não é mesmo? Aí começa o sermão à vítima...
Vejamos que sempre que crianças denunciam violadores, abusadores... estas são sempre duvidadas e, na maioria dos casos, senão na totalidade, o vilão tem sempre a oportunidade de ganhar a inocência sobre os seus actos. É sempre preciso testes rigorosos, ainda que a vitima esteja toda ferida e cheia de sémen à frente dos que observam e constatam isso... parece que ainda é irreal... ou seja, a vítima parece não existir. Não é o violador que não existe, é a vitima e a sua condição. Disto, ninguém quer falar. Para um violador, ninguém lhe diz para esquecer o mal que fez... mas para uma vitima, sempre dizem que tem de enterrar as experiências que viveu e seguir como se nada tivesse ocorrido.. ou seja, libertar o violador do peso anímico da sua maldade, para continuar a exercer cada vez mais até ser apanhado definitivamente e posto num cárcere!! O violador tem uma característica, sabe instintivamente provocar o medo... é tão demente isso. É hora de a  vitima saber onde isso é despertado. É essa a chave que tem de se descobrir. Chega de estudar predadores e violadores... e sim, ir no seu enlace e prendê-los e à sua mania... e estudarem a raiz da vitima!!! Não, ninguém estudou ainda, por isso, as vítimas continuam a existir! Que tal ligar eléctrodos e ver que partes do cérebro são despertados na vitima... e começar esse estudo a sério?!! Colocar violadores reais, condenados e que as vitimas não saibam, para ver a reacção inconsciente nos corpos, nas enzimas, nas redes neuronais....!!!

Ora, isto é Dantesco, meus senhores e minhas senhoras. Essa compostura de ''compaixão''  com mistura de repugnância que se sente pelas vitimas é algo que as pessoas não assumem. Contudo, pode-se dizer que, de alguma forma, o abuso com a vitima continua. Porque, de uma coisa é certa, os abusos tem dimensões que não são apenas os sexuais propriamente ditos. Há todo um armário de gavetas.... se é que me entendem!?

Então, o motivo porque ninguém estuda o mecanismo da vítima, é porque ninguém quer curar a raiz... há uma negação ao bem, à cura e descoberta do que pode fazer avançar esta Humanidade no caminho da Luz e de um novo mundo. Enquanto as vitimas poderem existir sem saberem porque são vitimas, o mundo poderá ser governado por uma série de «maldosos» por assim dizer e que tem o prazer de exercer comportamentos de manipulação, para absorver a essência.
Isto não é um jogo de xadrez muito à vista, às claras... isto tem dimensões um pouco fora do controle dos cinco sentidos.

Pergunto-vos, como é que a vitima encontra o Predador, o Violador, o Vilão, o Mau? Não me venham dizer que ela estava à hora errada, no lugar errado. Nem me digam que o Predador, estava à hora certa, no lugar certo... vejam aqui na expressão,  Predador = hora certa; vitima = hora errada. O que se passa aqui (?), e nem me digam que são os opostos  que se atraem... porque isso é cantiga de vigário mal parido!!!

 *
Não se pode voar, sem se perceber as origens das coisas!!!
O sol por existir durante o dia, não quer dizer que assassina a Lua à noite;
o dia por existir, não quer dizer que impede a noite de acontecer;
o oceano por existir, não quer dizer que domine a terra toda...
mas o homem, acha que tem de desrespeitar tudo, e dominar tudo!!!

Texto em bruto, sem correcção ortográfica...

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