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PREDADORES

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 21:49

"Predadores"


Género: Análise
Autor: NãoSouEuéaOutra
Ano: 2008
(vasculhando textos escritos, para perceber certas coisas... não se escreve para o escuro!! definitivamente... Deus caminha mais alto que os humanos nos seus ''ditongos'' caminhos e, há quem lhes apanhe o rasto! bendita escrita, que és os olhos da minha Sanidade!! bendito Mestre Urano (planeta transaturnino - astrologia), que atinges o futuro... jamais te enganas, apenas eu me engano humanamente. assim, encontrei este de 2008 no velho blog. minha cabeça era mais centrada... parece que foi esvaziada!! ) 


O que são as palavras?? As palavras deviam ser silenciosas e lidas com o coração. A humanidade não seria, assim, tão desvirtualizada. Mas há muito que se perdeu essa capacidade inata a todos, a telepatia, a empatia para ler nos corações as palavras justas, as palavras da verdade.
Nem todas as palavras são actos, e nem todos os actos são palavras. Com estas palavras, acabo de pensar a palavra Predador. O predador que bate na esposa, e depois pede desculpa e afirma e promete que nunca mais irá beber e nem bater, concorre para a maior das mentiras. A palavra amar que profere, não assenta no acto. Todo e qualquer predador é portador da voraz necessidade de controlo e poder. Há o predador que para obter poder sobre outrem, conduz esse outro ao isolamento de forma dissimulada, e fá-lo por perceber na vítima a fragilidade que a própria não tem consciência. Embora, como é da praxis, o seguro predador reverte a situação, afirmando que é a vitima que se isola. Noutros casos, afirma que a sua conduta é sempre por culpa dela. Ele nunca tem culpa de nada, absolutamente! Obviamente que a construção do poder é praticada de forma tão dissimulada que a vitima não percebe o labirinto alapado do predador.
Importa denunciar que há mecanismos inconscientes que podem ser activados e energizados sobre outra pessoa, através de um certo controlo mental induzido pela força do querer. Algo que o predador consegue fazer, porque sabe da vitima, conhece o estreito caminho da consumação da sua bestialidade. O predador não descansa enquanto não controla a vítima ao máximo na sua acção, e quando o consegue parte para um outro patamar que vai desde toda a bajulação a ofensas psicológicas. Um predador quer o controle da mente e coração do outro, descortinar toda uma vida interior para dessa forma estar no centro da pessoa e desta forma activando todo o poder e com isso a vitima vaza toda a energia que vai alimentando-o. Quando o alimento se torna pouco, ele vai se transformando cada vez mais num animal e persisti em encontrar novos meios de agressão para extorquir a vitima e assim alimentar-se. Forçosamente o predador torna-se mais forte que a vitima, e que por norma se assume como culpada, concorrendo para isso, no vicioso circulo de abusos que aquele sempre anseia exercer.
Um predador é assumidamente perante ele, um predador activo. Ele tem consciência absoluta dos seus actos pela via do coração, embora a sua mente o contradiga, ele assume que não o é. Mas como a mente sem consciência não reconhece a verdade dos seus actos, o círculo vicioso do jogo continuará a dominar todos os pensamentos sem freio. No entanto, há predadores calculistas que exercem a sua natureza complemente cientes daquilo que desejam e como obter.
Todo e qualquer predador é detentor de várias personalidades. Aquela que revela à sociedade fora do seu ambiente, onde a agressão ocorre; aquela que revela perante a vitima; aquela que revela a si mesmo quando a sós. Portanto, a sua natureza intrínseca é dissimulada e a sua capacidade de intricar ainda maior.
De referir que nem todos os predadores são violentos fisicamente, portanto há um grande leque de jogos de poder, cujas violências exercidas são sempre gravosas. Embora, o predador violento físico, englobe regra geral quase todas as outras, e em última instancia o máximo da sua violência, portanto o vértice, é o crime. Daí que não importa qual seja a violência escolhida, ela é sempre uma falta e que coloca o outro numa posição de humilhação.
Geralmente, salvo erro, os predadores se detestam uns aos outros, a não ser quando formam grupos em que a violência é exercida de comum acordo e orientado para uma certa área. Porque o predador silencioso, aquele que age de forma individualista, nunca chama outros. O seu prazer sádico e calculista está em ter ele apenas o controle e escolher a vitima ou vitimas.

Uma amostra de perfis de predadores, não os domésticos:

- aquele que persegue meninas na rua, apenas pela adrenalina que sente ao sentir o pavor da vitima… não vai além disso e apenas goza o prazer do medo do outro.
- aquele que persegue meninas na rua, e se masturba não importando que alguém veja. Regra geral, é raro alguém mover a palha para repreender o predador. Se forem homens, que vejam as acções do dito, perante a vítima, são capazes de mandar umas bocas, como quem vai assistir a uma partida de futebol.
- aquele que escolhe um local previamente estudado e espera determinadas vitimas, para induzi-las à aproximação.
- aquele que escolhe um local mais ou menos isolado, e que por norma passa sempre umas quantas mulheres a determinadas horas e quase nenhum homem, e onde o predador pretende mais que uma simples masturbação a si mesmo.
- aquele que escolhe um local mais ou menos isolado, e que por norma a vitima tenha de caminhar ainda mais para o isolamento espacial, e incita assim a perseguição e que pode inserir em várias categorias, desde agressão, violação; ou apenas a tendência durante a perseguição de exibir os órgãos sexuais num acto continuo masturbatório, cada vez que aquela que é perseguida se apercebe da presença e do jogo do predador.
- aquele que persegue mulheres apenas para entabular conversa de forma sedutora e diplomática, e de seguida surgir uma relação sexual descomprometida em que, segundo o próprio, é do controle da vitima a forma como o quer fazer e o local onde pretende ter a dita relação. Regra geral, quando a vitima cai na cilada, e já no quarto, o jogo vira ao contrário e que pode ter consequências gravosas, não necessariamente assassino, mas abuso psicológico após o acto e ameaça de morte se abrir a boca.

A lista é interminável… mas referindo a esta pequena lista mais suave, na maioria, os predadores são casados e cujos casamentos são estáveis e a capa social que apresentam é de equilíbrio. Portanto, nem todo o predador externo, tem de ser violento no seu lar doméstico ou na sua comunidade de amigos e de trabalho; nem todo o predador que viola meninos ou meninas, tem de violar os seus próprios filhos, como vice-versa.
Mas há uma característica inerente a todos eles, gostam de praticar o sofrimento aos outros; gostam de exercer poder das mais diversas formas. A sua forma de vida em última análise está sob o signo da dominação total sobre um outro Ser. A necessidade deles está acima de tudo, logo torna-se imperioso. Eles têm uma capacidade de interjeição nas suas condutas, que é o de infundir às vítimas um medo que se estende por tempo indefinido, com isso inibindo-as de denunciar os seus crimes.
Muitos predadores são como granadas, cujas cavilhas estão frouxas. Imagine-se a cavilha saltar? Acciona um dispositivo que vai disparar a espoleta e que por sua vez incendeia e com isso detona a carga e por fim rebenta… Buuummmm!!! A violência doméstica está cheia de granadas cujas cavilhas estão bem soltas!!


Comentários:

São cavilhas que doem…nunca mais estanca a pele que era virgem…
Muito triste P.
Triste…
Cintia Thomé

érola, para mim os predadores posso considerá-los todos assassinos…pois o mal que causam à mulheres é mesmo indescritível…
Tratam as mulheres a seu bel prazer, e as exploram como se fossem objetos de brincadeirinha sanguinolenta e perversa….
Quantas jovenzinhas já foram estrupadas por verdadeiros cavalos, e como essas crianças devem ter sofrido à loucura sexual desses doentes mentais….
Analiso um pai, que faça isso com sua própria filha…sem sentir o mínimo de piedade pela sua inocência pelo sangue do seu sangue que lhe corre nas veias…..
Isso me revolta abundantemente….
Todos deveriam ser presos e somente soltos quando sentirem na pele tudo o que fazem nas ruas ou mesmo dentro de seus próprios lares….
Mázinha

gosto de tudo por aqui, porque me arranca do chão da qual penso estar colada, e me atira contra minhas próprias paredes. o importante é pular o muro e enfrentar os cães, e o faz  com audácia intelectual, aqui tudo parece decreto revolucionário.
bjs
e muito prazer. prazer mesmo! Creia. 
Vera

As Crises Das Lolitas. The Crisis Of Lolitas.

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 11:25



photo katya ford

 
Crónicas
As memórias das Meninas que não se esquecem.
As Crises Das Lolitas.


Margarida era amiga de Helena. Conheceram-se nos corredores do Liceu. Margarida, era uma jovem voluptuosa, curvas generosas,  cuja adoração eram saias até ao joelho com sapato de salto alto de agulha em cor - de - rosa.  Sempre elegante e cheirosa. Os cabelos sempre arranjados. Margarida não perdoava nada, para ela, a elegância era fundamental. Não tinha namorados. Não conseguia ter namorados e queria tê-los. Raramente comentava sobre o alvo das suas paixões.  Nunca se conheceu algum namorado durante bastante tempo.Margarida era a rapariga que sendo vistosa e provocadora não tinha namorados. Margarida era vaidosa e pretensiosa e maldosa. Sempre tudo tinha que girar à volta do seu centro. Pisava o chão, olhando-o bem para ele, naqueles sapatos de salto alto. Como se movesse em bico de pé.
Helena, pequena e magra. Simples no vestir e meia maria - rapaz. Sempre de ténis, calça de ganga e camisa de rapazinho. Usava a camisa fora das calças. Helena, era tímida e não se sentia muito bem na sua pele. Queria esconder o corpo, e portanto, o oposto de Margarida. Pouca conversadora. Gostava apenas de estar, desde que não pudesse falar. Sabia que sempre que falasse, o encanto se perdia. Qualquer coisa deixava de funcionar. Quanto mais recuada e menos o centro de atenção, mais as coisas pareciam despertar o interesse na sua direcção. Desde que nunca se pronunciasse. Tinha imensas paixões. Apaixonava-se e deslumbrava-se. Nunca namorou aqueles por quem nutria paixão. Tinha complexos estranhos. Queria namorar e não sabia como fazê-lo sem represálias, ou a chamassem de puta. Mal tinha um namorico, vinha logo o estigma da puta, da fácil. A rapariga só beijava. Enquanto as outras, essas ninguém lhes dizia nada e até tinham relações sexuais. Era fiel e leal às amigas, talvez por conta de uma ingenuidade muito peculiar, que às vezes caía no ridículo. Muitas vezes era motivo de risadas impróprias, só pela sua própria presença.

Conheceu Margarida e nem se recorda porque se interessou pela sua presença. Desciam juntas a pé, do Liceu, em direcção ao centro da cidade.  Almoçavam, também, juntas num restaurante. Era um ritual diário e quase sempre à mesma hora. Os horários coincidiam. O restaurante era de qualidade e, oferecia um desconto apreciável a jovens estudantes. Mas era raro, encontrar por lá estudantes. Helena, nunca comera na cantina da escola. Margarida, também não. Não era uma questão de serem jovens que pudessem pagar todos os dias um almoço no restaurante. Helena, nunca pensara porque nunca usara o refeitório. Nem se lembrava alguma vez de ter entrado nele. Margarida, gostava de restaurantes, e foi ela que levou Helena a almoçar a primeira vez. Helena, gostou e nunca mais deixou-o. Durante quatro anos comeram diariamente no restaurante e nem sempre juntas. Pagavam entre 250 escudos e 500 escudos por cada refeição. A ementa era variada, mas a eleição de ambas ia para um prato de atum com cebolada, a acompanhar com arroz e salada fresca. Era um delírio. Saiam de lá sem poder respirar de tanto comer. Helena era mais selectiva quando gostava de alguma coisa no cardápio. Margarida, era o diferencial... comia tudo o que lhe surgia. O atum, era uma história à parte de todo o cardápio. O Chefe da Cozinha, tinha de facto uma mestria em saber cozinhar o atum.

Helena e Margarida sempre se faziam acompanhar uma à outra, tanto para o restaurante como no regresso a casa, às suas cidades. Apanhavam o autocarro, viviam a 5 quilómetros uma da outra. Não eram ''amigas'' fora do Liceu. Apenas mantinham uma suposta amizade incompreensível dentro do Liceu e no almoço e, no regresso de autocarro a casa. Nunca se soube porque nunca ambas se relacionaram para lá dos portões da escola. Nunca as férias as juntaram. Nunca elas se perguntaram ou falaram sobre isso. Elas, apenas, estavam juntas e sem muita conversa.  Eram, apenas  as ''amigas'' e colegas de escola. Nunca houve uma ida ao cinema juntas. Nunca houve um encontro para irem a qualquer lugar ou encontrar outras pessoas fora do período escolar. Nunca houve uma ida à praia, à piscina. Elas pareciam não existir na vida fora dos portões da escola. Nunca se soube o motivo! O que as juntava na escola e o que as repelia fora dela, era um mistério.


Não se sabia se Margarida era amiga de Helena, e se esta era amiga dela. Durante um tempo, nunca se soube bem. Margarida tinha comportamento aparentemente de mulher  crescida. Ela tentava ser mulher à força e vestia-se dessa forma. Helena, era menina e bonita, mas estava longe dos padrões de beleza física que a Margarida tinha. Margarida não tinha o corpo propriamente bonito. Ela transformava o corpo com a roupa que usava. Insinuava-se. Saia justa até aos joelhos, sapato de salto alto. Ela tinha 14 anos. Uma Lolita rechonchuda.   Não era um corpo de manequim, e era pequena de estatura e ossos largos. Helena era esguia, mais alta, cintura de vespa, que durante o Inverno vivia escondida e, com o verão, se desnudava e os colegas que a viam na praia ficavam surpreendidos. A Feia virava A Bela. Mas, logo tudo era esquecido e na volta à escola, ninguém se lembrava de nada. Helena se apagava da história.  Margarida, era essa coisa, gorda ou torta, estava sempre lá. 

Esta crónica, leva-nos a uma crucial viravolta na ligação destas duas raparigas. Não seria suposto tal ocorrer.  Margarida revela-se uma perfeita maldosa. Helena e Margarida em conjunto com mais colegas se dirigem para o centro da cidade, ficando o Liceu para trás naquele meio-dia, por conta de uma aula perdida. Em grupo conversam, Helena caminha ao lado de Margarida. Sem que ninguém esperasse, Margarida humilha Helena.  Margarida de um só golpe, desfere sobre Helena uma sentença cruel, que ela se afastasse da sua presença. Helena, não tinha feito nada. Nunca fora mal educada, nunca agredira e alguma vez falara mal de Margarida.  Continuara agredindo Helena sem motivo aparente. Helena, se encolhe ferida. Não reage. Fica muda. Não percebe. Os colegas que as acompanhavam, entrevem e dirigem a palavra para Margarida e pedem que, parasse de desferir sobre Helena, golpes tão baixos. ''A miúda, não fizera nada! Porque estás a dizer tais coisas. A miúda gosta de ti. O que te mordeu, Margarida?! Nem pareces tu!!!'' - diz uma das colegas que tinha se juntado a elas. Margarida furiosa, responde que está farta de ver a Helena sempre atrás dela. Chateava-a. Não tinha paciência para a aturar. Os colegas tentaram acalmar os uivos da Margarida. Helena, estava assustada com tal agressão. Não fizera nada. Não entendia o comportamento de Margarida, que até ali parecera ser sempre simpática e exemplar.  Helena,  uma jovem que nunca pronunciava mal algum sobre alguém. Foi um golpe repentino, para Helena. Margarida não tinha qualquer sentimento pela sua actuação. Quando sozinhas, nunca tinha tratado Helena daquela forma. Em grupo, já existia subtilmente essa atitude de humilhação, mas Helena nunca percebera o grave que isso representava. Em que Helena, poderia representar uma ameaça à Margarida!?

Vieram as férias, e não mais se viram. No regresso à escola, Margarida, afastou-se sem que Helena alguma coisa tivesse feito. Helena não comentara o infeliz episódio para ninguém. Tinha sido ferida na sua lealdade para com a Margarida. Não existia motivo algum naquela reviravolta no comportamento da Margarida. Helena era ingénua, Margarida, o que ela não tinha era ingenuidade. Inicia então, sempre que a oportunidade surgia,  espalhar maldizeres sobre Helena de grosso modo. As coisas ditas, não chegavam aos ouvidos de Helena. Ela, não fazia ideia. Margarida sentia prazer em dizer coisas para que a reputação de Helena, fosse por água abaixo. Queria envenenar tudo. Helena não sabia porque aquilo ocorria, e, Margarida nunca contou o motivo real do seu sentimento que a levou a actuar dessa forma rude sem justificação.

Elas se afastaram. Poucos anos, passaram-se, e Helena ainda ouvira coisas ruins, pela boca de colegas,  que Margarida haveria dito sobre ela. Margarida fora cruel. Tivera a intenção de humilhar. Helena tinha presença. Helena tinha imensas capacidades, e que não eram claras. Margarida, que se julgava uma rapariga bem comportada, revela-se invejosa, maldosa e destruidora. Helena não soubera se proteger e responder às ofensas. Engolira os sapos e se fechara numa dor surda, sem ter podido feito a sua sentença.
Outros anos se passaram e, a tão vaidosa Margarida formou-se em psicologia clinica. A coisa não resulta, e ela vira enfermeira de pessoas idosas... oferecendo apoio!! Margarida, nunca mais se lembrou de Helena e da sua desconsideração perante uma amiga que gostava dela e era leal, e de certa forma indefesa. Margarida era maldosa e ferrada, não se lembra dos males que fez. Helena, lembrou-se umas quantas vezes. Riu-se imenso do castigo que a vida lhe deu, à pretensiosa e maldosa, que agora, cuida de idosos. Concerteza, que a vocação de maldosa deve ter sido transformada...
Helena, perdeu-se. Encontrou-se, anos depois,  através de um relacionamento amoroso-afectivo com um homem, cuja estrutura psicológica e inteligência emocional  lhe fez despertar os talentos adormecidos. Deixou de ser a mulher tímida para passar a ser alguém com força. Helena, renasceu das próprias cinzas atoalhadas no tempo. Renasceu das maldades.

Porque todo o mal, tem um término!! 

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