Fotograma «Shanghai Express»
Soube, como sempre soube todas as outras. Soube que iria mudar como a Serpente. Soube que subiria ao cume do mais alto rochedo, da mais alta árvore do mundo, e de lá, tal como a Águia, me transmutaria e ergueria para uma nova vida. Iria experienciar o verdadeiro nascimento da voz. A verdadeira voz. A verdadeira!!
Sei-lo. Vocalizo estranhamente! Esta diferença é o meu demónio, porque deus em mim é simples.
Um dia, alguém, disse-me que «Num passado, cuja memória não sei, roubaram-te a voz e violaram-na. Encharcaram-te com o pior da emoção. No fundo do fundo, o teu magma terra numa ebulição gigantesca se trancou. Infeliz e sombrio. Mas, ouvi mais, que por existir a Eternidade, nunca a prisão durará! Não o suficiente para o teu inimigo rir de ti. Só se rouba a voz uma vez e, uma vez roubada, volta-se a encontrá-la. Há destinos que não têm número na porta! O teu verdadeiro destino não pertence ao homem, mas sim à inexorável vida. Ao verdadeiro Ópio da Vida, o AMOR!!!»
NãoSouEuéaOutra in «As Divas»
Zach Dischner
Sou uma Beduína Nómada. Sou antiquíssima. Continuo a percorrer os desertos. Sou uma Filha do Deserto e já vos disse centenas de vezes e vocês teimam em não me ouvir. Fui criada por entre ventanias de areias; clarões de luzes; sol a queimar a pele. Comi pasto não sendo vaca e nem boi, muito menos cabra. A vida sedentária não me fascina. Sou um espírito livre que navega pelos desertos, cuja alma se prende à intemporalidade dos dias e das noites. Tenho o privilégio de ser visitada pelas estrelas, de ser chamada à realidade adormecida. Doloroso é o despertar das trevas, e esperto, tem sido o (D)iabo que vive nas unhas dos meus pés, e há dias descobri que até faz cama nas minhas pestanas!! Ele precisa de controlar o que os meus olhos, tão cheios de deserto, andam a ver.
Não vos pertenço, oh (i)indivíduos medíocres! – digo-o muitas vezes num assombro de descontentamento.
Fiz-me sozinha, nas longas e árduas caminhadas pelas areias do deserto. O Oriente Médio pertence-me ao coração, dele me fiz e nele morri. Não me faço na religião, porque a minha religião é e pertence ao deserto. Sou uma solitária do caminho que não apela à vulgaridade e ao parecer. Fiz-me com o sangue das Serpentes; arranquei-me a mim mesma com as mandíbulas de Pantera; esperei como a Hiena pelos meus demónios e tive a coragem de ser Águia, apenas, para poder ver-me como um Deus de mim mesma (ainda que me tenham cortado meia asa).
Eu sou a Beduína. Nómada, sim. Se preferirem, podem chamar-me de Flor do Deserto, apenas para vos temperar o amargo da boca.
NãoSouEuéaOutra in '' A Beduína ''
« Ele disse-me que gostava dela. Eu disse-lhe que a amava! Desde sempre a Amei. Amei a Greta Garbo.
O que nunca lhe disse, é que precisei de amá-la. Muito. Tanto e demais para sobreviver na própria tela da vida! »
NãoSouEuéaOutra in «As Divas»