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O CLITÓRIS E A NEGAÇÃO DO DESEJO FEMININO

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , | Posted on 13:06

Retirado do Blog, de Lola Aronovich, Escreva Lola Escreva, apenas para informação, e para ler na íntegra acesse à sua página, no link azul.


Li Promiscuities: The Secret Struggle for Womanhood (Promiscuidades: A Luta Secreta pela Femininidade, 1997), de Naomi Wolf, livro que não é tão influente quanto sua maior contribuição, o indispensável O Mito da Beleza. Mas é bom também. Há uma parte fascinante em que Naomi fala sobre a mudança de padrão na sexualidade, tanto feminina quanto masculina. Esses clichês que ainda ouvimos de que o homem tem uma sexualidade irrefreável, incontrolável, e sente muito mais desejo que a mulher, que é sempre passiva, são uma invenção bastante recente. E também é mentira que foi a revolução sexual no final dos anos 1960 que revelou a existência do clitóris. O pessoal já sabia desse órgãozinho que serve apenas para o prazer (homens não têm um instrumento só para o seu prazer) já em 1559. Foi Colombo que descobriu o clitóris, só que não o mesmo Colombo que fez aquela outra descoberta importante. Esse do clit era um cientista italiano chamado Renaldus Colombo. Ele comparou o clitóris ao pênis, percebendo que o órgão feminino também se levantava, ficava duro, e proporcionava prazer. Essas comparações continuaram no século 17, e em 1697 um livro de anatomia já incluía o clitóris como um órgão distinto. No século 18, tanto se falava em prazer feminino que havia a lenda que orgasmos femininos ajudavam as mulheres a engravidar. A mulher era vista como um animal tão ou mais sexual que o homem.
Porém, no final do século 18, uma nova ideologia foi imposta, consequência, talvez, da Revolução Industrial. As mulheres passaram a ser vistas como seres angelicais, “seus desejos mais focados não no carnal mas na afeição e na domesticidade; cada vez mais, elas foram consideradas tão sexualmente diferentes dos homens que passaram a ser definidas como seu oposto” (minha tradução).
Por que isso aconteceu? Não há respostas concretas, só hipóteses. Alguns acham que, com a chegada de uma era mais democrática e secular, e do Darwinismo, deus e tradições religiosas não eram mais suficientes para explicar a hierarquia masculina. Coube à ciência, portanto, explicar (e manter) o domínio do patriarcado, criando mais e mais diferenças entre os sexos (já Linda Gordon acha que a sexualidade tornou-se ameaçadora para o capitalismo, que exigia que as pessoas olhassem para o futuro, e não esperassem gratificações imediatas).
Naomi crê numa interseção dessas hipóteses. Em 1789, com a Revolução Francesa, e em 1848, no resto da Europa, havia uma atmosfera de igualdade social. Mas as mulheres não podiam estar inclusas nessa igualdade. Um meio de mantê-las no seu lugar era controlá-las sexualmente. Pipocaram teorias “científicas” que desejo sexual era coisa de homem, e que inexistia, até biologicamente, nas mulheres. “Como resultado, as mulheres de classe média adotaram a 'pureza' sexual como sua principal virtude, apesar da explosão da prostituição”. A sexualidade feminina passou a ser patologizada. Aquele negócio da normalidade, sabe? Que “normal” era a mulher só querer transar pra engravidar, ou pra agradar seu marido, sem querer prazer algum pra ela. O padrão passou a ditar que o instinto maternal era o oposto do desejo sexual masculino. Qualquer resquício de desejo feminino era perigoso pra mulher ― podia até afetar seus órgãos reprodutivos, juravam os cientistas. Uma relação sexual “normal” era aquela que culminava no orgasmo masculino (e que fosse rápido, pra não comprometer a honra feminina).
Naomi lembra que houve outras contribuições para acabar com o desejo feminino. Mulheres de classe média usavam corsetes, que apertavam suas costelas, prendiam sua respiração, ocasionalmente danificavam seus órgãos internos, e as faziam desmaiar com frequência. Exigia-se que elas ficassem em casa, sem fazer qualquer tipo de exercício físico, o que, inclusive, pode ter tornado a experiência do parto ainda mais dolorosa. Assim como é difícil sentir desejo sexual no meio de uma dieta alimentar que nos priva de combustível para sobreviver, devia ser meio impossível sentir tesão usando um corsete. Não é irônico que a marca de lingerie Victoria's Secret (nome em homenagem à Era Vitoriana) seja quase sinônimo da nossa sexualidade atual? (irônico nada: Susan Faludi, no fabuloso Backlash, explica o sucesso da marca. Algum dia falo disso).
Em 1851 já se dizia que qualquer mulher que se deixava levar pelo desejo e perdia sua virtude era uma prostituta. As mulheres “decentes” apenas se submetiam à vontade de seus esposos. Como disse um jornal inglês: “Nos homens em geral o desejo sexual é inerente e espontâneo e pertence à condição da puberdade. No outro sexo, o desejo é dormente, se não inexistente”. Com o clitóris esquecido, ninfomania passou a ser tida como doença mental.
Apenas em 1899 um médico inglês, Henry Havelock Ellis, lembrou-se do clitóris. Ellis se encarregou de desmentir a suposta falta de desejo feminino, a ideologia vigente da Era Vitoriana. E ainda afirmou que mulheres podiam ter orgasmos múltiplos!
Daí veio Freud, em 1905, dizer que sim, mulheres tinham clitóris, e até meninas sentiam prazer. Mas que só o orgasmo vaginal era sinal de maturidade. O clitorial levava à frigidez. Em 1918 uma promotora pelos contraceptivos, Dra. Marie Carmichael Stopes, definiu a ideia de que mulheres com desejo sexual sejam depravadas como “absurdos ridículos que passam pelo nome de ciência”.
Já em 1926 um ginecologista holandês publicou um bestseller que seria o primeiro manual escrito por um homem “respeitável” para dar prazer às mulheres ― na realidade, esposas. Van de Velde acreditava que a melhor forma de se manter a fidelidade conjugal seria que os homens aprendessem as técnicas eróticas que satisfariam suas mulheres. Ele divulgou para o mundo anglo-saxão a noção do “beijo genital”, e chamou de egoísta um homem que tentasse transar com sua mulher sem que ela estivesse excitada.
Várias outras obras no século 20 (como o Relatório Hite, por exemplo) vieram se unir à mensagem que o desejo feminino existe e é importante. Mas ainda seguimos firmes na mentira que homens gostam de sexo, porque “é assim que os homens são”, e mulheres simplesmente o toleram. E que uma mulher de respeito não deve fazer sexo com quem (e quantos) bem entender, porque “homens e mulheres são diferentes”. Infelizmente, gente demais ainda crê nessas baboseiras.





Nota: 
Para acessar aos links ocultos neste texto, visite a página da autora e continue a ler. Lola Aronovich

Teúda e Manteúda

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , | Posted on 13:48


 Teúda e Manteúda, a outra legítima
por, Joana Vasconcelos | 3 de Novembro de 2010

TEÚDA E MANTEÚDA
(1 de Julho de 1867 — 3 de Novembro de 1910)

 Amante. Amásia. Concubina. Manceba. A outra. Mas não qualquer outra. Teúda e manteúda, porque de casa posta, sustentada pelo seu casado benfeitor, o qual provia a todas as suas necessidades materiais, a troco da sua constante e plena disponibilidade e da exclusividade dos seus favores. 

A teúda e manteúda fazia parte do modelo social da época. Reflectia a prosperidade e alimentava a vaidade daquele que a tomava e mantinha, permitindo-lhe exibir ao círculo em que se movia a sua virilidade e o seu domínio dos ways of the world. E, não faltava quem o sustentasse, seria também o sustentáculo de muitos casamentos, ajustados e mantidos por conveniências várias, da continuidade de nomes e títulos, à consolidação de património, passando pelo mutuamente vantajoso intercâmbio de prestígio social e conexões relevantes por desafogo económico, assente em fortuna recente.   

Por tudo isto, mais que tolerada, era aceite. Pela sociedade, que nela não via, muito pelo contrário, uma ameaça à harmonia conjugal e à paz doméstica. Pela mulher casada, desde tenra idade instruída para ser boa esposa e mãe, logo bem ciente dos deveres que lhe cabia cumprir, se não com entusiasmo, ao menos com boa cara — e dos quais fazia parte o não tomar conhecimento de certas coisas. Porque o homem, já se sabe, tem necessidades.  

Sucede, porém, que entre nós se foi além, muito além, nesta matéria. E durante mais de 40 anos a teúda e manteúda beneficiou de um raro e extraordinário estatuto, que não só lhe reconhecia e banalizava a existência, como a legitimava, enquanto ocorrência normal na vida de um homem casado. Dentro de certos limites, impostos pela decência e pela razoabilidade, claro. Eu explico.

O nosso primeiro Código Civil, aprovado por Carta de Lei de D. Luís, de 1 de Julho de 1867, impunha a mulher e marido a obrigação de “guardar mutuamente fidelidade conjugal”, mas modelava o conteúdo desta bem ao sabor dos padrões vigentes. Donde, se permitia o divórcio perante o “adultério da mulher”, sem mais, exigia, para o mesmo efeito, sendo o homem a cometê-lo, além do propriamente dito adultério, que este envolvesse “escândalo público”, “completo desamparo da mulher” ou, pior, que se consumasse “com concubina teúda e manteúda no domicílio conjugal”*. O Código Penal de 1886 confirmava esta desigual valoração dos adultérios, punindo a mulher prevaricadora e o seu cúmplice com prisão “de dois a oito anos” enquanto aplicava ao “homem casado” que tivesse “manceba teúda e manteúda na casa conjugal” uma singela multa**. 

Da primeira destas esclarecedoras normas resultava, antes de mais, que fora dos casos nela descritos, em que o adultério marital ocorria em circunstâncias inaceitáveis, porque especialmente embaraçosas ou indignas, o mesmo era irrelevante. Ainda que decorresse de forma continuada, estável e organizada, com uma amante fixa e oficial. E resultava também a atribuição a esta de uma posição própria, como mulher de facto, com o seu espaço e os seus deveres bem definidos: desde que soubesse ser discreta e moderar as suas expectativas, i.e., manter-se no seu lugar, a teúda e manteúda gozava do beneplácito e da protecção da lei, enquanto amante legítima — tão legítima quanto a legitima esposa, cuja existência e papel social lhe cabia respeitar e em momento algum questionar ou cobiçar.

Mas porque não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe, este estado de graça da teúda e manteúda haveria de chegar ao fim. 

A Lei do Divórcio, elaborada nos primórdios do regime republicano, sob forte pressão das organizações feministas que, tendo contribuído para o triunfo da revolução, exigiam a adopção das mudanças por que haviam lutado, traçava um regime todo ele baseado na igualdade entre mulher e marido – quanto à designação daquele com quem ficariam os filhos, à partilha de responsabilidades com a sua educação e sustento, à prestação de alimentos entre ex-cônjuges e, inevitavelmente, quanto aos motivos do divórcio.  

A complacência do Código Civil novecentista em matéria de adultério masculino deu lugar à estrita aplicação ao marido do que valia já para a mulher. O elenco legal de causas de divórcio litigioso passou a referir, ao lado do “adultério da mulher”, o “adultério do marido” – sem contemplações, graduações ou nuances. No plano criminal, o adultério deste foi expressamente “igualado em carácter e gravidade ao da mulher” e como este punido com prisão***. Do adúltero e da sua cúmplice, claro. 

Estas novas regras tiveram um impacto tremendo na pacata e confortável existência que levava a teúda e mantéuda. Por via da triunfal preponderância nelas assumida pela mulher casada — doravante a única legítima parceira, não mais forçada a suportar a sua vexante concorrência – foi remetida à clandestinidade e desqualificada, numa degradante equiparação, dentro da torpe categoria das “outras”, às mulheres fáceis e promíscuas e às imorais mancebas de portas adentro. Porque não há duas sem três, passou a estar em risco de humilhação pública, como co-ré num divórcio litigioso ou, pior, e sendo essa a opção da esposa ultrajada, ser presa, como cúmplice de adultério criminoso, porque cometido “durante a vida dos cônjuges em commum”****.

Ou seja, de uma assentada passou de elemento estabilizador do casamento, a co-responsável pela ruína do mesmo. Derrotada em toda a linha, a teúda e manteúda não deixou, evidentemente de existir. Mas, porque o seu tempo passara, a sua vida mudou. Muito e para muito pior.

Foi a 3 de Novembro de 1910. Faz hoje 100 anos.


* Artigos 1184.º, § 1.º, e 1204.º, §§ 1.º e 2.º, respectivamente, do Código Civil de 1867.
** Artigos 401.º, § 1.º, e 404.º, § único, respectivamente. 
*** Artigos 4.º, §§ 1.º e 2.º, e 61.º, § 1.º, respectivamente, do Decreto com força de lei, de 3 de Novembro de 1910, o último dos quais alterou o Código Penal, reduzindo para dois anos o prazo máximo da pena de prisão aplicável.
**** Artigo 61.º, corpo e § 1.º, do Decreto com força de lei, de 3 de Novembro de 1910: tal como sucedia já no direito anterior, “o cônjuge offendido” teria “de optar pela acção criminal de adulterio ou pela civil de divórcio (…) com base em adulterio, não podendo cumulá-las em caso algum”.

Retirado daqui: LINK


Nota, para ler tudo, aceda ao Blog da Autora no link acima.


Comentários da mesma autora do texto e para perceber estas respostas, aceda ao blog.  Apenas, trouxe-os, para informação acrescentada...

E porque de infâmia aqui se trata, não resisto a pôr mais uns torozinhos de lenha na fogueira: só em Maio de 1975 foi revogado o artigo 372 do mesmo Código Penal de 1886, que dispunha nos inqualificáveis (já para a época) termos que se seguem:

“o homem casado que achar sua mulher em adultério (…) e nesse acto matar ou a ela ou o adúltero, ou ambos ou lhes fizer algumas das ofensas corporais declaradas nos artigos 360, n.ºs 3 a 5,361 e 366 será desterrado para fóra da comarca por seis meses”.

A mesma suave pena era aplicada à mulher casada que matasse >“a concubina teúda e mantéuda pelo marido na casa conjugal, ou ao marido ou ambos ou lhes fizer as referidas ofensas corporais” … mas só neste restrito cenário e caso os apanhasse “no acto declarado neste artigo”, claro.

Para que nada fique por esclarecer, acrescento apenas que as ofensas corporais declaradas no artigo 366 correspondiam — nem mais nem menos — ao crime de castração, aquele pelo qual alguém amputa “a outrem qualquer órgão necessário à geração”…


(...)a indignidade da posição da mulher, não apenas da oficialmente respeitável, mas não de todo respeitada — pelo legislador e pelo marido – esposa legítima, mas da própria teúda e manteúda, cujo estatuto legal de impunidade e de alguma legitimação não era senão o reflexo da impunidade e da legitimação que verdadeiramente se pretendia conceder às maritais indiscrições, das quais eram co-protagonistas…

Porque bem vistas as coisas, nisto começava e acabava o interesse do nosso legislador pela teúda e manteúda: em momento algum criava obrigações, mínimas que fossem, relativamente a esta ou a eventuais filhos que esta viesse a ter, por parte do homem por conta de quem podia estar anos e anos … até ser trocada por outra mais nova, mais fresca, mais apetecível e mais vistosa … (...)


(...) A verdade é que no plano da lei — e é a nossa lei pretérita que é por mim visada e enterrada neste infame recanto do cemitério — tudo era a preto e branco. Mais exactamente negro no que à mulher respeitava, branco e bem branqueado no que tangia e interessava ao marido.

É indiscutível que a lei reflecte sempre a sociedade que a gera e que se propõe reger, os seus valores e os seus anseios. E que visa sempre modelar comportamentos, às vezes alterá-los mesmo — seja dissuadindo práticas e convicções tão arreigadas quanto inaceitáveis, seja estimulando atitudes e práticas que se têm como desejáveis. Mas deve fazê-lo norteada por valores de justiça, de razoabilidade e de proporcionalidade. Que no quadro legal que produziu a infame figura da teúda e manteúda estavam patentemente ausentes, sendo chocante, e não creio que apenas para os padrões actuais, a desproporção da complacência e da tremenda severidade com que eram valorados os mesmos comportamentos, consoante adoptados por marido e mulher.

Basta recordar o caso de Camilo Castelo Branco, que passou o que passou justamente por via desta mesma lei. E que deu brado na época, estando as reacções ao caso bem longe da unanimidade no apoio ao que estabelecia tal lei.

Ou o enredo do Primo Basílio, em que o desmedido terror de Luísa e o imenso ascendente de Juliana sobre esta de modo algum se explicam pelo mero temor de um escândalo no meio social em que vivia o casal… havia mais quaquer coisa, e quem tão bem escreveu sobre o tema sabia-o bem, porque bem conhecia a mesmíssima lei… (...)



(...)Porque o amor exige liberdade e essas mulheres não eram livres. Não eram livres na escolha de se tornarem “a outra”, de se colocarem sob a protecção e à mercê de um homem que jamais mudaria a sua (dele) vida por elas, de serem a mulher “de segunda”. Não eram livres de sonhar ou aspirar a uma visibilidade e a uma respeitabilidade que sabiam que jamais haveriam de possuir, de serem elas próprias, sem viver no temor de desagradar e de se verem abandonadas, preteridas, trocadas. E claro que a situação só piorava à medida que os anos passavam e se desvaneciam os encantos em que repousava essa sua frágil e equívoca situação…

Tal como não eram livres as respeitáveis mulheres casadas, encerradas em casamentos sem amor ou afecto, impedidas de deles se libertar, a não ser em casos extremos, e fortemente inibidas, com justificado temor, de buscar fora da alcova conjugal – tal como faziam os seus maridos – tudo aquilo que nela lhes faltava.

Nada me move – muito pelo contrário – contra as concretas mulheres que em cada momento foram a amante de casa posta do próspero e respeitável homem casado.

A minha sanha, que motiva este texto, é contra a figura da teúda e manteúda, contra o seu infame estatuto, talhado à medida, não daquelas mulheres e das suas fragilidades – e Deus sabe como as tinham, elas e os filhos que evidentemente nasciam destas relações – mas dos homens que as tomavam e delas faziam sua pertença.

A estes garantia tal estatuto, em primeira linha, a referida imunidade civil e penal. Depois, a submissão de todas as mulheres envolvidas: da amante, porque desprovida de quaisquer direitos e protecção, logo totalmente à sua mercê para literalmente sobreviver, sendo mais que certo o negro destino que a esperava em caso de repúdio ou de abandono, da esposa porque impedida social e legalmente de fazer valer a sua indignação ante uma situação que a vexava, para além de coagida a um comportamento irrepreensível sob pena de graves castigos. Por último, a plena irresponsabilidade do homem para com tais mulheres e seus (e dele também) filhos, que para a lei não interessavam senão como elementos instrumentais e secundários de um modelo social e familiar centrado no homem.

Foi esse modelo, personificado na teúda e manteúda, que chegou ao fim faz hoje 100 anos. Ainda bem, digo eu.(...)

Portugal e o Culto da Mãe

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 19:23



Portugal e o Culto da Mãe

- texto em avulso... por revisar, e escrito sem juízo ( quer dizer, incoerente ) -

Esta terra à beira - mar plantada, ao qual se deu o nome de Portugal, foi criada sob o endeusamento da Deusa Mãe, Nossa Senhora, Virgem Maria. Portugal é um Filho da Mãe e não do Pai. O Culto assim o dita. Ao que parece, estamos esquecendo deste pormenor, que sem esta protecção não teríamos este pequeno pedaço de Terra que tem como janela um extenso e profundo mar que permite-nos sonhar e conquistar! Portugal é uma terra de mulheres airosas, que estão perdendo a sua força e a sua identidade. Estão deixando cair a nódoa no pano vergonhosamente.  Uma Terra que, em essência é uma Filha da Mãe por dádiva, e portanto, não pode nascer de um Pai e não pode ser por ele instruída e protegida!
Maria, Nossa Senhora, sempre foi uma eximia protectora. O Afonsinho, reizinho de Portugal, era obcecado por ela... dela dependeu a cura das suas perninhas doentes, e por ela se doou, e todos os seus soldados que morriam em luta frente aos inimigos eram considerados mártires e doados à Nossa Senhora. Portanto, ao Ventre voltariam. Se um Guerreiro tinha esta consciência e conquistou Portugal, digam-me onde foi parar esta Fé à Grande Mãe? Os Homens veneravam-na, e em nome de vitórias consagravam-na a ela, como a Protectora Máxima!!
O nosso Primeiro Rei, D. Afonso Henriques, ao longo das suas conquistas desde o Norte ao Sul, foi mandando construir igrejas dedicadas em exclusivo à Virgem, à Deusa Mãe, Nossa Senhora. Não ao Cristo. As Igrejas tinham como símbolo a Grande Rainha, a Nossa Senhora, a Mãe de Jesus... era ela a força por detrás das vitórias, de outra forma os Guerreiros não teriam mandado construir tanta Igreja...  era ela a Mãe,  e sem ela,  Jesus - o homem santo que virou O Cristo -  nem teria nascido!! Era ela que na sua gene, trazia a Palavra, o Verbo que o filho seguiu da melhor forma que conseguiu, pela oração intensa antes das batalhas!

Veja-se que, não havia uma aspiração ou reza tão forte dirigida a um Santo, a Cristo... era, danadamente, à Nossa Senhora, e daí tanta igreja construída por todo o Portugal. À conta da Nossa Senhora. Uma guerra na terra vizinha, e lá ia o pedido à Nossa Senhora e em nome do feito, uma Igreja com a Senhora lá no Altar e com o seu nome!!! - Estou a repetir vezes sem conta, mas é para memorizar! -

Outro facto, sem o povo, estas igrejas não teriam sido construídas, mão a mão... não há  memorial dos seus nomes, mas estão em cada pedra erguida, em cada porta levantada; em cada vitral... o sangue destas almas estão lá embebidos de esforço e atenção;  esses pedreiros, carpinteiros que construíram esses mosteiros e abadias e ermidas e capelas e igrejas ao longo dos séculos vivem no subconsciente de todas elas, e em última análise a existência pertence a eles, e nós somos apenas testemunhas do magnifico que construíram de sol a sol... -.
Nenhum deles foi a enterrar entre estas paredes, apenas reis, condes e gente excelentíssima em alguma coisa, que era considerada ou estimada por estas monarquias quase sempre absolutistas. 

14 de Agosto ou 15 de Agosto representa um feriado, Santa Maria de Agosto, e neste dia ganhou-se contra a ''Crise que Portugal'' de então atravessava, em 1385 em Aljubarrota. Foram, 35 mil soldados de Castela contra 7 mil soldados Portugueses, e,  estes últimos ganharam, sob o comando de Nuno Alvares Pereira.  Portanto, tirem esse feriado (quase uma desonra ao passado), e a Crise nunca mais se manda desta Terra. Não é uma questão de superstição, é uma questão sábia!! Afinal, a Mão de Nossa Senhora, ali estava numa das suas representações, a Santa Maria de Agosto. Nuno Alvares Pereira estará às voltas dentro do caixão, com a ausência deste feriado!!! É preciso apagar a memória...  Mas quem,  mais voltas, estará a dar no caixão celeste, é a Grande Mãe!!!

Portugal, viveu de adoração à Nossa Virgem, Deusa mãe...  todos os Reis, falam por si... era com ela que o coração dialogava; era nela que depositavam a sua força e a sua paixão, a sua promessa e honra e, raramente ela faltou... e, eles sempre cumpriram com a palavra, « aí vai mais uma Igrejinha, em vez de uma cervejazinha!! »... Eram dependentes do seu desígnio e por cada conquista pagavam as suas promessas, deixando o seu nome erguido em pedra e sobre pedra!!! As igrejas representavam a Mãe... tudo em nome da Mãe!! Não de um Pai!!!

Além disso, quando se trata de aparições neste país, é sempre a Nossa Senhora!!! Nunca é o Nosso Senhor!!!!!! Isto é um caso para uma investigação bastante séria. Ou será que as gerações actuais, só mastigam chicletes?

Foi a Maria, a Virgem que ''assegurou a Independência de Portugal'' através dos homens, que com o seu esforço e estratégia, e que devotaram-se a ela. Não foi a Mulher, a Mãe que se devotou ao homem, e sim o contrário, eles se devotaram a troco de vitórias... o povo, os artistas, também se devotaram ( a mando e em nome de um ideal) a construir pedra a pedra as igrejas, a mando destes homens ditos nobres - esses tais que ficaram anónimos mas que sobrevivem na arquitectura, tornando-se imortais até à erosão do tempo sobre as pedras, afinal é o sangue dos seus esforços que permitiu a construção desses santuários. - ...

No meio disto, as mulheres, desde o primeiro Rei de Portugal, o Afonsinho... a quem elas se devotaram de facto??? Terão rezado tão ferozmente como os Reis ansiosos pelas conquistas e, que em nome das vitórias ergueram essas igrejas? O que elas, as mulheres, ergueram? O que elas fizeram? A quem se devotaram, porque não vejo uma obra... à excepção de D. Maria I que mandou construir aquelas estátuas com deusas à sua volta, personificando-as com diversos elementos...


A Mulher é Rara

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , | Posted on 11:44

 A VERDADEIRA MULHER

A Mulher é Rara”, de Louis Pauwels 
- jornalista e escritor francês -


"A verdadeira mulher, aquela que vem a nós do fundo das eras, a mulher que nos foi dada, per­tence inteiramente a um universo estranho ao homem. Ela cintila no outro lado da Criação. Ela conhece os segredos das águas, das pedras, das plan­tas e dos animais. Ela fixa o sol e vê claro na noite. Ela possui as chaves da saúde, do descanso, das har­monias da matéria. (…) É ela que se­meia o homem: volta a pari-lo, nele reintroduz a in­fância do mundo. Ela o devolve ao seu trabalho de homem, que é elevar-se o máximo possível acima de si mesmo”.




 O problema é que quase não há mais mulheres. Sus­tento que as mulheres desapareceram, que houve uma catástrofe, que a raça das mulheres foi dispersada e aniquilada sob nossos próprios olhos, que não pu­deram ver. Senhores, a mulher, a descendente do pa­leolítico e do neolítico, nossa fêmea e nossa deusa, o ser que eu chamaria de mulher do homem e que já não sabemos como é, foi perseguida, atingida em seu corpo físico e em seu corpo mental, e devolvida ao nada.
As entranhas da Terra estão plenas de flores­tas tragadas, de restos de espécies animais desapare­cidas, de cinzas de raças humanas e sobre-humanas cuja história, se nos fosse revelada, desafiaria a mais louca imaginação. Nossa verdadeira fêmea, ela tam­bém, misturou-se ao húmus dos abismos subterrâ­neos. Por quê? Ah, senhores, reflitam! Foi ela quem arcou com os custos da imensa, da implacável luta contra as religiões primitivas do Ocidente. Essa luta é toda a história do mundo dito civilizado. Os senhores acreditam que nos lugares onde as legiões romanas nunca conseguiram adaptar sua religião — por exemplo, na Gália ou na Grã-Bretanha —, os sol­dados de Cristo encontraram uma terra inculta e sem deuses? Em inúmeros lugares da velha Europa, nas landes, nas planícies de menires, no fundo do mato e nas margens dos rios onde Pã cantava, sobrevivia a religião nativa oriunda da noite dos tempos, a ver­dadeira religião do homem ocidental. Senhores, es­tou certo de que a Europa viveu, durante milênios, de um elevado pensamento místico, ele mesmo oriun­do de outras eras, consagrado ao Deus Cornudo e à exaltação do princípio feminino. É evidente que essa espiritualidade original foi afogada com violência, no fogo e no sangue, por uma religião estrangeira, vinda do Oriente: o cristianismo. O Deus Cornudo, protetor da antiga humanidade do oeste, foi chama­do de diabo e amaldiçoado.
Os ídolos imemoriais foram derrubados e foi preciso destruir, junto com eles, seu suporte: a mulher-mãe, a mulher-deusa, a mulher-fêmea, a verdadeira mulher.
As pessoas cultas denunciam hoje as atrocida­des do colonialismo recente: os indígenas aniquila­dos, os feiticeiros africanos extintos, as civilizações negras martirizadas. Mas não falam de nossos anti­gos totens, que foram derrubados! De nosso Deus, que foi aviltado e perseguido! De nossas sacerdoti­sas, que foram exterminadas! De nossa mulher, que nos foi subtraída! A velha Europa também foi colo­nizada e desfigurada. Sim, senhores, ouso dizê-lo. Do ponto de vista puramente antropológico em que me situo, a história da Igreja cristã é a história de uma guerra empreendida pelo estrangeiro contra um cul­to nativo muito antigo, muito poderoso, muito pro­fundamente arraigado e de um crime bem-sucedido contra toda a raça humana fêmea. Nós perdemos nossa metade, senhores. Como demonstrarei, ela foi morta.
Não acuso. Talvez esse crime fabuloso fosse necessário. E talvez fosse inevitável. A civilização não seria o que é se a verdadeira mulher ainda existisse. Nós continuaríamos a crer no Paraíso terrestre. O espírito humano não teria tomado novos rumos. Não estaríamos hoje a ponto de atingir as longínquas galáxias, não teríamos aberto as portas do universo, pe­las quais já penetra o chamado do Deus último, no qual se fundirão todos os nossos deuses, no qual o espírito do globo se reabsorverá um dia, tendo cum­prido sua missão. Mas examinemos esse crime. Ex­termínio físico em fogueiras: evocarei as centenas de milhares de verdadeiras mulheres, chamadas de bru­xas e queimadas como tais, e os outros milhões de mulheres vencidas e transformadas pelo medo. Eu os remeto ao Michelet visionário de La Sorcière, li­vro admirável e incompreendido. Extermínio pela propaganda, arma mais certeira do que todas as ou­tras, como já sabemos, e mais eficaz na época do que a polé e os borzeguins. Guerra revolucionária em­preendida pela Cavalaria contra a mulher verdadei­ra, a favor de um novo ídolo. E, enfim, num plano mais amplo, mais misterioso e concomitante, muta­ção decadente da espécie. De tal forma que, pouco a pouco, o ser fêmeo autêntico foi substituído por um ser diferente.
Senhores, o ser que chamamos de mulher não é a mulher. É uma degenerescência, uma cópia. A essência não está aí, o princípio não está aí, nossa alegria e nossa salvação não estão aí.
(…)
Chamamos de mulheres seres que dela não têm senão a aparência, tomamos em nossos braços imitações de uma espécie inteiramente ou quase destruída.
A mulher é rara, disse Giraudoux. Ao despo­sarem uma medíocre falsificação dos homens, um pouco mais artificiosa, um pouco mais maleável, a maioria dos homens desposa a si mesma. É a si mes­mos que eles vêem passar pela rua, com um pouco mais de colo, um pouco mais de quadris, o todo envolvido em seda; é a si mesmos que eles perseguem, abraçam, desposam. Afinal, é menos frio do que des­posar um espelho. A mulher é rara, ela transpõe as enchentes, derruba os tronos, ela detém os anos. Sua pele é o mármore. Quando há uma, ela é o impasse do mundo… Para onde vão os rios, as nuvens, os pássaros isolados? Se lançar na Mulher… Mas ela é rara… Deve-se evitá-la quando a vemos, porque se ela ama, se ela detesta, ela é implacável. Sua compaixão é implacável… Mas ela é rara.

(...)

A verdadeira mulher, aquela que vem a nós do fundo das eras, a mulher que nos foi dada, per­tence inteiramente a um universo estranho ao homem. Ela cintila no outro lado da Criação. Ela conhece os segredos das águas, das pedras, das plan­tas e dos animais. Ela fixa o sol e vê claro na noite. Ela possui as chaves da saúde, do descanso, das har­monias da matéria. É a feiticeira branca entrevista por Michelet, a fada de largos flancos úmidos e olhos transparentes, que espera pelo homem para reconstituir o paraíso terrestre. Se ela se der a ele, será num movimento de pânico sagrado, abrindo pa­ra ele, na quente obscuridade de seu ventre, a por­ta para o outro mundo. Ela é a fonte de virtude: o desejo que ela inspira consome a excitação. Mer­gulhar nela devolve a castidade. Ela é estéril, pois detém a roda do tempo. Ou, melhor, é ela que se­meia o homem: volta a pari-lo, nele reintroduz a in­fância do mundo. Ela o devolve ao seu trabalho de homem, que é elevar-se o máximo possível acima de si mesmo. Dizem super-homem, não dizem supermulher, porque a mulher, a verdadeira, é aquela que faz o homem mais do que ele é. A ela, basta-lhe existir para ser, plenamente. O homem deve passar por ela para passar ao Ser, a menos que escolha outras asceses, onde ainda voltará a encontrá-la, sob formas simbólicas.
Senhores, descobrir a verdadeira mulher é uma graça. Não ficar assustado, outra. Unir-se a ela re­quer a benevolência de Deus… Que estranho encon­tro! Ela aparece bruscamente no rebanho das falsas mulheres, e o homem favorecido que a vê se põe a tremer de desejo e de temor.

    “Tudo vai mudar, chega de jogar:
    Vejo teus seios desabrocharem
    E às vezes teu ventre fremir
    Como um sol quente que se ergue,
    Tu me aquietas e eu me admiro
    Com esses poderes que deténs…


O texto acima é uma Conferência Imaginária, entitulada “A Mulher é Rara”, de Louis Pauwels - jornalista e escritor francês que juntamente com Jacques Bergier escreveu “Les Matin des magiciens” (1960).

via

O Sexo, A Violência e A Manipulação e As Mulheres

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 11:14


Da Violência, do Sexo e das Mulheres
 Por, RLP

Há uma violência doméstica, sabemos isso sobejamente...MAS continua-se a criar e a contribuir para isso de todos os modos...

Matam-se e assassinam-se mulheres de todas as maneiras, em casa e na rua...todos os dias, vertiginosamente…e aumentam os casos para além do que são relatados e conhecidos em todo o mundo…
Mas Há ainda a violência física e verbal mais subtil nas mais diferentes situações da vida de uma mulher, todos sabemos que há.
Há contra a mulher uma espécie de perseguição e culto da violência de género baseada no sexo e é muito mais grave e persistente do que a que sofrem as minorias, quaisquer minorias ditas descriminadas, porque em muitos casos elas aparecem quase diluídas e disfarçadas pelas situações de hipocrisia vigente e pelos preconceitos das mulheres em denunciar maridos e patrões ou colegas, de assédio sexual e violência verbal…

SIM, ENTRE TODAS AS VARIANTES DE VIOLÊNCIA SOBRE A MULHER, HÁ MAIS UMA, A VIOLÊNCIA DO SEXO ESCRITO…

Sempre houve, todo o tipo de violência contra a mulher, mas há esta nova violência camuflada de “literatura” e romance…e escritores homens e mulheres inclusive que escrevem as maiores barbaridades CONTRA A MULHER e o mercado e o público e a lei não se dão conta…porque a palavra do “escritor/” passa pela ideia tabu de “liberdade…de expressão”…e tudo bem, e nisso gera-se a maior confusão…mas o que está em questão não é que se seja livre de escrever o que se quiser e dizer tudo o que se queira, mas NUNCA de forma agravada e violenta contra a mulher…ou em nome do “seu prazer” ou em nome neste caso…por definição de… “uma mulher com classe…”

É pela forma como pratica sexo oral que uma mulher te merece ou não. Mas não porque o faz melhor ou pior – muito menos porque te dá mais ou menos prazer. É pela forma como pratica (como te pratica) sexo oral que uma mulher te merece ou não porque é nesses instantes que - se olhares para o que não se vê, se esqueceres a pele e a boca e os lábios e te concentrares nos olhos que olham e nos gestos que envolvem - uma mulher que te ama te mostra, em plenitude, que tem classe. E que, para ela, oferecer-te um fellatio é tão digno como oferecer-te um Rolex ou um perfume Chanel. Mais ainda: para a mulher com classe, oferecer-te um fellatio é oferecer-lhe um fellatio. Oferecer-se um fellatio. Porque, quando se ama, não existe dar e receber. Amar é uma dádiva dos dois lados de dar e receber. Não existe dar amor – como não existe dar um fellatio. O que se dá no amor é exactamente, sem tirar nem pôr, o que se recebe no amor. E isso sim é classe.” P.C.

Esta Violência da pornografia VERBAL, o abuso da expressão contraditória e incoerente que gera esta confusão de valores, é um ataque à sanidade da pessoa humana e de uma  violência enorme  à integridade e liberdade de “escolha” da mulher; ela  é uma aviltação da mulher em forma de romance, na escrita deste “escritor” pop – que ensina a escrever – e que dezenas de mulheres cegas seguem fascinadas com a sua audácia, o seu vazio, a sua esterilidade, o seu ego, a sua obsessão fálica, a sua verborreia, a sua falta de ética e de estética, o seu absurdo, e sem a menor profundidade no que escreve e que ataca de forma desabrida, indecente, sim, digo INDECENTE, DESONROSA, PARA TODAS AS MULHERES, mães, filhas, irmãs e sobretudo as amantes…só é possível pela ignorância da própria mulher em se honrar, em se dignificar a si própria, em se dar valor, em se saber ao certo, em se realizar a partir de si …

Não se trata aqui de discutir que forma de sexo preferem as mulheres…mas de uma indução a uma prática como forma de “exaltação” da “dignidade e da classe”…de uma mulher perante o sexo…

A violência que nesta escrita é feita à mulher e que ela aceita passivamente, deve-se à sua falta de consciência do feminino profundo, deve-se ao enorme vazio da sua vida, à sua falta de valor como ser humano, à falta de sentido que não encontra em si como pessoa, e a não ser viver pelo homem, projectada no homem, projectada no filho e agora no sexo, no falo, ela acha que não vive…e que NÃO É PREENCHIDA e tudo isto porque a sua vida foi destituída de significado para além de servir o Homem; a mulher foi assim programada para obedecer e servir a deus, o pai, o marido e o filho e agora vê inverter-se a sua situação de mulher legítima e séria… ou.. prostituta, a ser “enaltecida” já não no altar, ou no bordel, mas exclusivamente na cama, na mulher-objecto, só sexo, uma mulher degradada pela sexualidade mais abjecta para servir ao seu “deus falo”, baseado na sua anulação e na mais vil submissão, na mais completa sujeição “ao prazer” anulando todo o seu ser na mera escravidão sexual aos padrões machistas e falocráticos que agora se destacam não só nos Mídea e Publicidade como é o tema preferencial destes escritores pop-pornográficos, cito o caso deste  Pedro Chagas, realmente uma chaga literária…um verme literário e uma vergonha para quem tiver um mínimo de sentido do que é a literatura. Sim, digo vergonha…porque esta gentinha sem princípios sem educação nenhuma, sem integridade humana, sem qualquer noção do Ser em si, para além de uma mente perversa e insana, são o fruto de uma sociedade podre, alienada e de um Sistema – FALOCRÁTICO – que atingiu o seu auge de decadência e que é a pouca-vergonha de não se ter já qualquer noção do que é a verdadeira dignidade nem a classe de uma mulher ou de homem! Esta geração rasca, realmente rasca, pensa que ter vergonha na cara não é moderno nem comercial, e o que importa é Vender e comprar a todo o transe…e pensam que dizer todas estas barbaridades a qualquer preço e que dizem em nome da “mulher” do “amor” do “desejo” e até de “deus”…é o máximo…e é “arte”…ou literatura…de lixo!

Este é o maior LIXO tóxico ao cimo do Planeta, porque ele é mental e moral e quase toda esta geração proveniente do Sistema mercantil e económico é a expressão máxima dos dias em que vivemos…Prova-o a poluição verbal neste caso e a violência camuflada, o despotismo e a demência disfarçada de arte…

por, RLP 

QUANDO SE ESCREVE SOBRE MULHERES...

E A CENSURA A SUA VIOLÊNCIA...

"Vigora a ignorância mais crassa que, aliás, se exprime abertamente todos os dias. Pode dizer-se e escrever-se sobre as mulheres as asneiras mais infames, sem que isso provoque a menor indignação. A gaiola de vidro funciona muito bem. O sexismo provoca muitos danos e isto não é sabido. Não é denunciado, não é descrito, não é deplorado, não são analisados os efeitos que influenciam os nossos comportamentos, sem nos darmos conta. Como se não existisse.

- Isso é estranho, nestes tempos de comunicação em todos os sentidos.

- Não é nenhum fenómeno novo. A isso chama-se censura.”

(…)
in "todos os homens são iguais ...mesmo as mulheres"
de isabelle alonso


  O QUE É O FALOCRATISMO...
NOÇÕES FUNDAMENTAIS...

El falocentrismo


Falocentrismo quiere decir que el falo es el centro de la sexualidad; que toda la sexualidad se orienta y gira en torno al falo, el cual es el objeto de todas las pulsiones, de todo el deseo, capaz de atraer y absorber el conjunto de la energía erótica de la mujer. Este mensaje lo vamos interiorizando desde que nacemos, desde el momento en que, como dice Lea Melandri, nuestra madre no está ahí como mujer con su cuerpo de mujer en gestación extrauterina, sino como mujer del hombre para el hombre. Al negarnos su cuerpo, niega todo el caudal de energía erótica y toda la sexualidad no falocéntrica de la mujer. Y aprendemos a percibirnos a través de la mirada del hombre , y a desvalorar nuestro cuerpo. Esto es el núcleo básico, el germen inicial de una socialización que será devastadora de nuestros cuerpos y de nuestra energía sexual; no sólo porque de niñas y de adolescentes nos 'perdemos' toda un desarrollo -no falocéntrico- de nuestra sexualidad, sino también y sobre todo, porque nuestro cuerpo adulto ha somatizado toda esa represión, se ha hecho un cuerpo acorazado y tieso con un útero inmovilizado, sin haber desarrollado nuestro sistema erógeno, y además ha interiorizado la des-valorización y el desprecio del propio cuerpo, orígen de toda la misoginia, el caudal de emoción envenenada que alienta la sociedad patriarcal.
Según vamos creciendo, ya con toda la presión social, se va asentando en nuestras mentes una percepción que infravalora y deforma nuestros cuerpos y su potencial erótico, aceptando que es normal que la regla nos duela todos los meses, que estar embarazada es una pesadez y una lata por lo que hay que pasar para tener un@ hij@, y que el parto es un mal trago que sólo gracias a la epidural y a la medicina se palia un poco. Nos han robado nuestra capacidad erótica, quedando además fuera de nuestra conciencia y de nuestra imaginación , lo que de hecho es nuestro cuerpo y su sistema erógeno, con todo su enorme potencial de placer y sexualidad, que quedó atrás en el Paraíso matricéntrico del que fuímos expulsadas, desterrado en el Hades o condenado al Infierno. No es un eufemismo decir que somos seres castrados, especialmente referido a la mujer occidental moderna de la aldea global y formada en los medios audiovisuales, los cuales están terminando con los vestigios de sexualidad y sabiduría popular femenina que se transmitía de madres a hijas.
(...)

El asalto al Hades
La rebelión de Edipo 1ª PARTE
Casilda Rodrigáñez Bustos

Blog (SOURCE)


"Nazaré no Feminino"

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , | Posted on 11:39




Reflectir sobre o papel da mulher da (na) Nazaré e implicar os próprios agentes (entenda-se comunidade) nessa reflexão, foram os objectivos da tertúlia “Nazaré no feminino”, que decorreu no dia 8 de Março, no Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré, em colaboração com a Universidade Sénior da Nazaré.


Muito se tem discorrido sobre a importância da mulher nesta comunidade piscatória, a ponto de alguns autores a considerarem matriarcal, ou, segundo uma interpretação mais científica, matrifocal – “tipo de organização familiar em que a mulher assume o papel de chefe de família” (Trindade, 2009: 84).

...(...) textos literários elencavam as funções tradicionalmente atribuídas à mulher da Nazaré (e, por norma, a todo um litoral piscatório). A “mulher-mãe”, a “menina-mulher”, a “mulher modelo de beleza”, a “mulher sofredora”, a “mulher da fé e superstição”, a “mulher da conversa e exuberância”, a “mulher administradora do lar” (que chama a si a gestão da economia familiar e todas as tarefas relacionadas com o pescado, desde a sua chegada à praia), …


Terá sido o escritor Raul Brandão quem muito contribuiu, na literatura, para a exaltação do poder feminino na comunidade nazarena, nas suas páginas d' Os Pescadores (1923). Para o autor, “a mulher da Nazaré é a alma desta terra. (…) Da praia para cima só elas põem e dispõem”. Este louvor, à mulher que trabalha, infatigável, define-se por oposição ao homem que, chegado a terra, se entregava a uma vida de taberna.(...)


(...) De acordo com a tradicional percepção de uma divisão sexual do trabalho – “pesca de homem / peixe de mulher” (Amorim, 2005: 659), a omnipresença das mulheres nazarenas nas actividades terrestres da economia de pesca foi, na verdade, fundamental durante muito tempo. Todas as fases da cadeia técnica, de desembarque do produto até ao consumo, passando pela sua transformação e comercialização, eram feitas pelas mulheres.
O trabalho executado na praia, o desempenho reprodutivo e a tomada de decisões / gerir os bens gizam o “perfil da mulher da praia, que a coloca como o principal agente de organização do trabalho” (Amorim, 2005: 671). A mulher era “determinante na sobrevivência familiar”.
A construção do Porto de Abrigo (1985), a modernização das pescas e a mudança sócio-económica dos últimos 30 anos, que transformou a Nazaré numa estância essencialmente turística e de serviços, mais do que piscatória, resultou no distanciamento das mulheres de um processo tradicionalmente seu. A mulher da Nazaré volta-se, então, para o turismo e para os serviços, teve a oportunidade de estudar e de seguir as suas carreiras profissionais.
Apesar destas transformações, as mulheres permanecem como elemento centralizador da família (Escallier, 2004: 24).





Temos de ser nós mulheres a mudar o que ainda não mudou” na igualdade entre os géneros. Esta foi a mensagem deixada pela socióloga Maria Toscano, docente no Instituto Superior Miguel Torga, em Coimbra. A 8 de Março de 2010, cem anos do Dia Internacional da Mulher e permanece a questão: o que valeu a pena? O que ainda não foi feito?
Advém a conclusão de que a igualdade de oportunidades entre os géneros exige uma mudança da própria mulher enquanto educadora. Aceitando a diferença entre homem e mulher, que é incontestável!!, deve-se reconhecer que esta não impõe desigualdades. Apesar destas permanecerem graças ao contributo da própria mulher quando transmite e conserva determinados modelos de conduta. Com efeito, a relação da “mulher-esposa” com o elemento masculino da família não deixa de ser assumir como a continuidade da função “mulher-mãe”, daquela que cuida, que trata…
Segundo a socióloga, na Nazaré do século XXI, a modernidade é incontornável, mas tem de se encaixar na tradição. E para falar sobre a tradição do “ser mulher da Nazaré” foram convidadas, pela organização, as nazarenas Lurdes Petinga Almeida e Júlia Salvador. (...)



Varina, Lisboa, Portugal 
Cais da Ribeira, Lisboa.

Pescado, Portugal

fotografias de:  
Fotógrafo: Estúdio Horácio Novais.Fotografia sem data.
Produzida durante a actividade do Estúdio Horácio Novais, 1930-1980
Via flickr




Lola, a Escorpiónica

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , , | Posted on 20:26



  © NãoSouEuéaoutra 
18 de Julho  2006
(reeditado - antigo blog)


Lola, era o seu nome. Nascida de um caso furtivo e oculto entre uma dona de casa e um caixeiro-viajante. Segundo a sua mãe, o seu pai era um homem de personalidade ambígua. Vendia escorpiões de terra em terra a curandeiros. Amava mais os escorpiões do que a sua própria vida e a eles se devotava. Deste romance breve e intenso nascera Lola e cujo pai nunca soubera da sua existência, porque tal como inusitadamente chegou àquela terra, assim desapareceu sem deixar rasto. Não houve, como se diz, tempo, posto que, todos os viajantes são rápidos na chegada, na conquista e na partida.

Lola nascera diferente. Porquê? Uma das suas mãos era dupla. Do seu pulso desprendia-se uma cauda. Uma cauda de escorpião. Por muitos anos sua mãe a escondeu dos olhares de terceiros. Julgou-se suja por ter dado à luz um ser tão estranho. Acreditou que cometera um crime ao envolver-se de alma e corpo com um homem de índole duvidosa e ter vivido os mais escaldosos, escandalosos e ardentes desejos libidinosos, e por consequência do seu pecado gerara uma filha fruto dessa ligação, como marca da sua aventura tão proibida e censurada à alma humana. 

Lola e a sua mão com cauda de escorpião cresceram fechadas numa redoma, longe de todos e até da própria mãe. Conservou a pureza e a inocência de coração. O único alimento que a sua mãe lhe dava, eram livros. Os livros deixados pelo seu pai outrora. Apesar de ser um homem muito estranho e vender escorpiões, tinha uma faceta de livreiro. Livros estes que eram a titulo enigmáticos e cuja Lola apreendeu e deles absorveu todo o ensinamento oculto da cauda de escorpião. Já adolescente, depois de muitas lutas com a sua cauda, aprendeu a domá-la. Foi neste momento que Lola também se abriu para o mundo e sua mãe devolveu-lhe o olhar de Mãe e com ele a liberdade.

 Nunca ninguém descobriu que Lola tinha uma cauda de escorpião quando se adentrou pelo mundo, tal a sua rigorosa aprendizagem e disciplina para domar a matéria escorpiónica contida no seu punho e extrair dela o exilir da libertação. Da sua mão, invisivelmente brotavam pétalas de rosas de cor branca envolvidas em gotas que lembram o orvalho da manhã.  O preço da sua alquimia encontrou-a na pesada prisão dos que não a souberam amar!!






A Beduína

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , | Posted on 20:00


Zach Dischner 
(source)

Sou uma Beduína Nómada. Sou antiquíssima. Continuo a percorrer os desertos. Sou uma Filha do Deserto e já vos disse centenas de vezes e vocês teimam em não me ouvir. Fui criada por entre ventanias de areias; clarões de luzes; sol a queimar a pele. Comi pasto não sendo vaca e nem boi, muito menos cabra. A vida sedentária não me fascina. Sou um espírito livre que navega pelos desertos, cuja alma se prende à intemporalidade dos dias e das noites. Tenho o privilégio de ser visitada pelas estrelas, de ser chamada à realidade adormecida. Doloroso é o despertar das trevas, e esperto, tem sido o (D)iabo que vive nas unhas dos meus pés, e há dias descobri que até faz cama nas minhas pestanas!! Ele precisa de controlar o que os meus olhos, tão cheios de deserto, andam a ver.



Não vos pertenço, oh (i)indivíduos medíocres! – digo-o muitas vezes num assombro de descontentamento.



Fiz-me sozinha, nas longas e árduas caminhadas pelas areias do deserto. O Oriente Médio pertence-me ao coração, dele me fiz e nele morri. Não me faço na religião, porque a minha religião é e pertence ao deserto. Sou uma solitária do caminho que não apela à vulgaridade e ao parecer. Fiz-me com o sangue das Serpentes; arranquei-me a mim mesma com as mandíbulas de Pantera; esperei como a Hiena pelos meus demónios e tive a coragem de ser Águia, apenas, para poder ver-me como um Deus de mim mesma (ainda que me tenham cortado meia asa).

Eu sou a Beduína. Nómada, sim. Se preferirem, podem chamar-me de Flor do Deserto, apenas para vos temperar o amargo da boca.
NãoSouEuéaOutra in ''  A Beduína ''

Sou Lilith - Joumana Haddad

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , , , , , , , , | Posted on 07:09


O REGRESSO DE LILITH 
(excertos)
Joumana Haddad

Eu sou Lilith, a deusa das duas noites, que regressa do exílio. Sou Lilith, a mulher-destino. Nenhum macho pode escapar à minha sorte, e nenhum macho lhe quererá escapar.

Eu sou as duas luas Lilith. A negra é complementada pela branca, pois a minha pureza é a centelha do deboche e minha abstinência, o princípio do possível. Eu sou a mulher-paraíso, que caiu do paraíso, sou a arrasa-paraísos.

Sou a virgem, rosto invisível da devassa, a mãe-amante e a mulher-homem. A noite porque eu sou o dia, o lado direito porque sou o lado esquerdo, e o Sul porque sou o Norte.

Eu sou Lilith dos seios brancos. Irresistível é o meu encanto, pois os meus cabelos são negros e longos e de mel os meus olhos. Diz a lenda que fui criada a partir da Terra para ser a primeira mulher de Adão, mas não me submeti.

Sou a mulher-festa e os convidados da festa. Feiticeira alada da noite é o meu apelido, e sou deusa da tentação e desejo. Chamaram-me patrona do prazer gratuito e da masturbação, liberta da condição de mãe para ser o destino imortal.

Eu sou Lilith, que retorna da masmorra do esquecimento branco, leoa do senhor e deusa das duas noites. Recolho na minha taça o que não pode ser recolhido, e bebo-o pois sou a sacerdotisa e o templo. Esgoto todas as intoxicações para que não acreditem que eu posso beber. Faço amor comigo mesma e e reproduzo-me para criar um povo da minha linhhagem, depois mato os meus amantes para dar espaço àqueles que ainda não me conheceram.

Regresso do calabouço do esquecimento branco para quem ainda me não conhece, volto para marcar lugar e para que não creiam que eu posso beber, da brancura do esquecimento para enraizar a vida e para que o número cresça, para matar os meus amantes eu regresso.

Eu sou Lilith, a mulher-floresta. Não vivi uma espera desejável, mas sofri os leões e as espécies puras de monstros. Fecundo todas as minhas costas para construir a história. Agrego as vozes nas minhas entranhas para que o número de escravos esteja completo. Como o meu próprio corpo para que me não tratem como faminta e bebo a minha água para nunca sofrer a sede. As minhas tranças são longas no inverno, e as minhas malas não têm tecto. Nada me satisfaz, nem me sacia, e eis que regresso para ser a rainha dos perdidos no mundo.

Sou a guardiã do bem e do encontro dos opostos. Os beijos no meu corpo são as feridas de quem tentou. Da flauta das duas coxas sobe o meu canto, e do meu canto a maldição espalha-se em água sobre a terra.


Sou Lilith, a leoa sedutora. Mão de cada servidor, janela de cada virgem. Anjo da queda e consciência do sono leve. Filha de Dalila, Maria Madalena e das sete fadas. Nenhum antídoto para a minha condenação. Da minha luxúria, erguem-se as montanhas e abrem-se os rios. Venho de novo para furar com as minhas ondas o véu do pudor, e para limpar as feridas da falta com o perfume do deboche.


Da flauta das duas coxas sobe o meu canto

E da minha luxúria abrem-se os rios.

Como não poderia haver uma maré

de cada vez que entre os meus verticais lábios brilha um sorriso?


Porque eu sou a primeiro e a última

A cortesã virgem

O medo cobiçado

A adorada desprezada

E a velada desnuda

Porque eu sou a maldição do que precede,

O pecado desaparecido dos desertos quando abandonei Adão.

Ele andou aqui e ali, quebrou a sua perfeição.

Desci-o à terra e acendi para ele a flor da figueira.


Eu sou Lilith, o segredo dos dedos que insistem. Quebro caminhos divulgo sonhos rebento as cidades do macho com o meu dilúvio. Não reuno dois de cada espécie na minha arca Em vez disso, volto a eles, para que o sexo se purifique de toda a pureza.

Eu, versículo da maçã, os livros escreveram-me, ainda que não me tenham lido. Prazer desenfreado esposa rebelde o cumprimento da luxúria que leva à ruína total. Na loucura se entreabre a minha camisa. Os que me escutam merecem morrer, e aqueles que me não escutam morrerão de despeito.

Eu não sou nem a rebelde nem a égua fácil.

Antes o desvanecer do pesar último.

Eu Lilith o anjo devasso. Primeira fuga de Adão e corrompidora de Satanás. O imaginário do sexo reprimido e o seu mais alto grito. Tímida pois sou a ninfa do vulcão, ciumenta pela doce obsessão do vício. O primeiro paraíso não pôde suportar-me. E caçaram-me para que eu semeie a discórdia na terra, para que governe nos leitos os assuntos dos meus sujeitos.

Sorte dos conhecedores e deusa das duas noites. União do sono e do despertar. Eu, o feto-poetisa, ao perder-me ganhei a vida. Regresso do meu exílio para ser a esposa dos sete dias e as cinzas do amanhã.

Eu sou a leoa sedutora e volto para cobrir as submissas de vergonha e para reinar sobre a terra. Venho para curar a costela de Adão e liberar cada homem da sua Eva.

Sou Lilith

Regresso do meu exílio

Para herdar a morte da mãe a que dei vida.

Joumana Haddad

(Traduzido do francês por Mariana Inverno)

Epitáfio

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , | Posted on 18:01


O psicopata
O transgressor

Não me calo!
Querem isso?
Não, digo eu!
Sim, dizem as suas Excelências!

Lábios pintados a vermelho, ocultando a mentira
Gostam do circo, da omissão, do faz conta que não
Sois amantes, confirmo-o, deles
A tela lamacenta desse vermelho
É o verde do semáforo
Nela, é vagem rasgada
Grito surdo, espírito perdido


Ele está vivo
Eles estão vivos
Dois tempos diferentes
Três, um já a vida cortou a cabeça

Um, vende vagens graúdas consentidas, alternas
Outro, vive vida pacata e finge o crime, ama a mulher
Aquele Outro, puro ar, invisível... correu louco, a psiquiatria o conheceu
Logo, perdeu a cabeça
Decapitado, é que, ousou transgredir
Foi por pouco, a intenção esteve inteira no acto
Deus espreitou antes do achega


Se fosse possível, liberta sem ar condicionado
Hoje mesmo, o prego retirava
De boa vontade, profundamente sentida
O martelo de bom grado ''atenchava'' os malditos cérebros


E ainda escrevem da justiça??
Cuidado com o Mercedes, outra cabeça pode rolar
Sangue do mesmo sangue
Nunca se sabe da semelhança do desígnio
Lembra-te, vagem rasgada


NãoSouEuéaOutra in '' Raivas incontroláveis que os Epitáfios poderão ter''




O QUE É SER MULHER

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 11:30

Mais um daqueles textos para meditar, não para ler como se lê um jornal... 

 
ESCREVER MULHER:

Sou mulher mas tenho certa dificuldade em entender essa prática recente de endeusar as mulheres. Mulheres, uni-vos? Por que não conclamar todos os seres humanos a unirem-se uns aos outros e esquecerem essa bobagem de ser homem, mulher, branco, índio, gordo, homossexual, trissexual? Porque os homens devem se unir com os homens, as mulheres com as mulheres, os ateus com os ateus, os esotéricos com os esotéricos? Não vejo sentido nisso! Acho que você não vai gostar desse meu artigo: http://cadeaminhavida.blogspot.co, mas se puder, leia. De qualquer modo, um beijo pelo seu blog.

UMA GRANDE ESCRITORA ESCREVEU:

"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo." *

Isto...diz tudo sobre a mulher que somos e não somos e agora a questão que nos resta é perguntar-se porquê?
Porque não sabe de si a mulher, nem dizer-se?
Se se aprofundar a questão, pois trata-se de aprofundar a questão do SER MULHER EM SI precisamente e não do SER HOMEM, porque à partida são naturezas diferentes, que se manifestam por emoção e intuição e razão acção respectivamente e independentemente de cada um destes seres, que se completam ou não, e poderem ser amantes, vemos que há uma supremacia de um, um domínio histórico e social e uma anulação e sujeição de outro e que ambos estão em conflito há muito e nada mudou em profundidade, mesmo que na superfície da vida moderna que vive de aparências e de estereotipas fabricados e fictícios se pense que sim...
A Mulher não sabe de si como a um certo nível o homem também não sabe, dir-me-ão…falando do plano metafísico, mas é aí precisamente que a questão se levanta. Talvez a Mulher e o Homem não saibam de si ontologicamente porque a Mulher se perdeu na História do Homem. A mulher foi aglutinada, foi reduzida a um simulacro de mulher, foi abduzida, desventrada, transformada num objecto de uso e consumo comercial…


“A mulher não está sabendo, mas ela está cumprindo uma coragem. A coragem da mulher é a de não se conhecendo, no entanto prosseguir, e agir sem se conhecer exige coragem”. *

Basta olhar o que se passa à nossa volta…ou ver as telenovelas; aí pode-se ver que as mulheres e os homens estão em conflito permanente, E SOBRETUDO AS MULHERES UMAS CONTRA AS OUTRAS A LUTAREM PELO AMOR DOS HOMENS...e aqui tem de se olhar e ver com olhos de ver... não se pode falar pelo homem e pôr-se a mulher na sua pele, mas falar de si mesma e sentir-se na pele de mulher. NÃO PELO QUE SENTE PELO HOMEM mas pelo que ela é enquanto mulher...

Esse é o erro comum das mulheres em geral: amam os homens ou projectam-se no ideal do homem porque NÃO SÃO NADA EM SI...SÃO O QUE O HOMEM QUIS QUE ELAS FOSSEM E ISTO EM TODOS OS DOMÍNIOS...e infelizmente elas pensam que são apenas isso e tratam de viver a “sua” vida só em função dos homens e para lhes agradar! Sacrificam tudo em função do Homem que as preencherá…que lhes colmatará os sonhos, pensam…os homens que lhes darão filhos, riqueza, sucesso, dinheiro…Os homens que darão sentido à sua vida porque a sua vida em si não tem nenhum sentido!

OLHEMOS BEM À NOSSA VOLTA E VEJAMOS SE NOS DAMOS MAIS IMPORTÂNCIA A NÓS MESMAS OU AO HOMEM QUE SE PROCURA PARA NOS "COMPLETAR"? Vão me dizer que é o espírito abnegado da mulher…ou é antes a forma como foi forçada a anular-se? O que nos mostram os filmes, os romances e as telenovelas senão a subjugação da mulher ao homem em nome de qualquer coisa como a família e o “amor”… ou hoje em dia que se chama paixão, desejo…tesão…

Olhar e ver a realidade sem medo não significa defender as mulheres ou acabar com os homens !!! Trata-se só de ver o que é e acontece quando a mulher não sabe dizer o que é porque se desconhece ontologicamente...porque não só foi anulada na sua natureza profunda, alienada de si mesma, como permanece divida, fragmentada...a “mulher” comum é mais como um homem “de saias” como se diz ou pró-homem do que Mulher-mulher ela mesma.
Sim, a mulher não se ama a si mesma...não se conhece na sua intimidade que não seja a sexual justamente em função do homem e mesmo assim mal…ou fala da sua maternidade forçada…Não sabe da sua Natureza integral e é por isso que a Deusa é a parte da mulher esquecida, a sua natureza intuitiva, selvagem, ligada à natureza e à Terra e que através de um processo de consciencialização dessa dividsão pode revelar-se em si essa sua natureza intrínseca e assim revelar então ao homem o seu deus interior...que ele próprio matou ao matar a deusa e a mulher na cultura e na história da Humanidade homem…uma vez que a mulher foi subordinada e anulada nas suas funções inatas em quase todo o mundo patriarcal.

“Sou tão misteriosa que não me entendo.”*

Depois, Só depois, de se conhecer a fundo, de conhecer o seu mistério e de se afirmar por si, a Mulher será verdadeiramente humana ou verdadeiramente livre; só depois, quando a mulher em todo o mundo for respeitada como a mãe e a amante, livre e sem divisões dentro de si...seremos todos humanos, brancos, pretos e amarelos, vermelhos...

O reflexo de tudo isto nos nossos dias é o que vemos na nossa “cultura” e por todo o lado…Olhemos com olhos de ver e vejamos o quão lamentável é as mulheres odiarem-se umas às outras – elas detestam-se, confrontam-se, irritam-se, invejam-se e lutam desesperadamente umas contra as outras...porque amam só os homens, os amantes, os maridos, os filhos...e todas as mulheres as outras são potenciais rivais. Foram assim treinadas como animais de estimação...farejam o dono e adoram-no...só falam de homens e esquecem-se de si mesmas, perdidas do seu ser essencial...

Claro, acham que eu sou uma radical…uma fanática da Mulher…
Sou o que quiserem, mas ninguém me tira a lucidez que me fere os olhos (e o coração) diante desta realidade do Ser Feminino traído e reduzido a uma imagem de plástico…

Rosaleonorpedro

* Citações de Clarice Lispector

As Verdades

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , | Posted on 10:11


"E eu não resistirei à tentação de citar Robert Graves, de todos os poetas o mais apaixonado da Deusa Branca:

“Vão me objectar que a pretensão do homem à divindade é tão válida como a da mulher. Mas isso não é verdade senão de um certo modo: um homem não pode ser divino senão em parceria com um gémeo, mas ele não o pode ser na sua pessoa única. Como Osíris, o espírito do ano crescente, ele é ciumento do seu gémeo pendente, Seth, o espírito do ano decrescente e vice-versa: ele não pode ser os dois ao mesmo tempo salvo por um esforço intelectual que destrói a sua humanidade, e nisso reside o erro fundamental dos cultos apolínios (de apolo) ou jehowistes (de jeová). O homem não é senão um demi-deus: ele tem sempre um pé ou outro na tumba. A mulher é divina porque ela sempre pode ter os dois pés num mesmo teatro: ou bem que no céu, assim como no mundo subterrâneo, ou sobre a terra.
(…)
A mulher adora o macho criança, não o macho adulto. A evidência da sua divindade é que o homem depende dela para viver, tão simplesmente como isso."

In LA DÉESSE SAUVAGE de Joelle de Gavelaine 


Retirado de Mulheres e Deusas

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