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INTELECTO versus INTELIGÊNCIA

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , | Posted on 09:31



 (Credit: stock image)


«El experto, el erudito, el intelectual, no tiene una visión propia. Depende del conocimiento prestado, de la tradición, de la convención. Lleva bibliotecas enteras en la cabeza, un gran peso, pero no tiene visión. Sabe mucho sin saber nada en absoluto. 

Cualquier cosa que estés haciendo a través del intelecto es sólo una inferencia. [...] una inferencia basada en tu lógica; y tu lógica es un invento tuyo. [...]  - OSHO»



Esta tarde, estava a fazer umas sandes, e, dei por mim a pensar na questão do Intelecto versus Inteligência. Como se confundem, e como às vezes andamos ao contrário, pela via do Intelecto em vez da Inteligência. Visto que já conheci pessoas com grande Intelecto, mas que são de uma desarmonia total. Elas usam apenas o Intelecto e rejeitam a emoção toda e compartem a vida por gavetas, e regra geral, os afectos são aqueles que não tem lugar na vida de um Intelectual. Geralmente, eles nem gostam de mexer em coisas, sentem repugnância. Eles vivem agarrados à cabeça, o resto do corpo apenas os acompanha porque, não podem deixá-lo num outro lado, e o coração está no corpo, abaixo do pescoço. Toda a existência, como a pensam, os desejos, as expectativas estão todas encarceradas na mente. O Intelecto por si, não é de cariz afectivo, amoroso, calmo, harmonioso... e sim, de guerra, ambiguidade, luta, avidez... SABER MAIS PARA SABER MAIS, é para mim este o Slogan dos que vivem no INTELECTO.



Sendo assim....


Existem pessoas que vivem voando na conquista de mais intelecto. Elas querem saber e saber, devoram e absorvem tudo o que é-lhes de interesse próprio e mais algumas coisas, porque sentem o apelo de estarem preparados para enfrentar qualquer adversário em qualquer área... e assim,  engordam aquilo que chamamos de Ego Intelectual. A partir daí, todo o Conhecimento Intelectual adquirido serve para ''guerrear'', para se colocar em posição superior aos demais. Este é o lado do intelecto que não é filtrado pelo Conhecimento, ou seja, a Inteligência. Partindo disto, confunde-se quase sempre que o Intelectual é um ser com inteligência, apenas porque, aquilo que absorveu dos livros, agora é exposto, como se fosse um actor. Os actores, são exemplos de mentes que absorvem apenas as palavras e, que,  depois, têm de as enquadrar para se adaptarem ao enredo do qual participam. Tem de saber jogar, de imitar emoções e sempre com essa finalidade de ganhar o Óscar pela melhor interpretação. Tanto representam papéis bonzinhos ou mauzinhos, por habilidade do Intelecto.

Ora, o Intelecto nada tem que ver com Inteligência. Inteligência depende de algo que não está desligado da vida, e que não é filtrado por milhares de livros... hoje em dia, existem por aí muitos cérebros apenas com intelecto, que parecem carregados de Inteligência nos seus discursos.

Por isso, deixo-vos com alguns textos, encontrados aqui na net, depois que escrevi isto...

Intelecto versus Inteligência

    Treinar o intelecto não resulta em inteligência. Mais propriamente, a inteligência surge quando a pessoa age em perfeita harmonia, intelectualmente e emocionalmente. Existe imensa distinção entre intelecto e inteligência. O intelecto é apenas o pensamento funcionando independentemente da emoção. Quando o intelecto, sem considerar a emoção, é treinado em alguma direção particular, a pessoa pode ter grande intelecto, mas não tem inteligência, porque na inteligência há uma capacidade inerente de sentir assim como de raciocinar, na inteligência as duas capacidades estão igualmente presentes, intensamente e harmoniosamente.
    Se você traz suas emoções para os negócios, você diz, os negócios não podem ser bem administrados ou honestos. Assim, você divide sua mente em compartimentos: num compartimento você guarda seu interesse religioso, noutro suas emoções, num terceiro seus negócios que não têm nada a ver com sua vida intelectual e emocional. Sua mente de negócios trata a vida meramente como meio de ganhar dinheiro para viver. Portanto, esta existência caótica, esta divisão em sua vida continua. Se você realmente usasse sua inteligência nos negócios, ou seja, se suas emoções e seu pensamento estivessem atuando harmoniosamente, seus negócios podiam fracassar. Provavelmente fracassariam. E você provavelmente deixaria que fracassassem quando realmente sentisse o absurdo, a crueldade, e a exploração que estão implicadas neste modo de viver.
    Até você realmente abordar toda a vida com sua inteligência, em vez de apenas com seu intelecto, nenhum sistema no mundo salvará o homem do incessante trabalho árduo pelo pão.

The Book of Life


 «El intelecto es algo engañoso, es algo falso. Es un sustituto de la inteligencia. La inteligencia es un fenómeno totalmente diferente; es lo real. [...]

Las universidades crean sólo basura, totalmente inútil. Ésta es la actividad intelectual que se está llevando a cabo en las universidades. [...]


La inteligencia es una dimensión totalmente diferente. No tiene nada que ver con la cabeza, tiene algo que ver con el corazón. El intelecto está en la cabeza; la inteligencia es un estado de despertar del corazón. [...]

No existe la posibilidad de ninguna creatividad intelectual. Puede producir basura —es productiva, puede fabricar—, pero no puede crear. [...]

Fabricar es una actividad mecánica. [...] La inteligencia crea, no fabrica. Fabricar significa un ejercicio repetitivo: lo que ya ha sido hecho, tú lo vuelves a repetir una y otra vez. Creatividad significa traer algo nuevo a la existencia, hacer un lugar para que lo desconocido penetre en lo conocido, hacer un camino para que el Cielo baje a la Tierra. [...]

La actividad intelectual puede haceros expertos en algunas cosas, prácticas, eficientes. [...] El intelecto es prestado, no tiene visión propia. [...]

El experto, el erudito, el intelectual, no tiene una visión propia. Depende del conocimiento prestado, de la tradición, de la convención. Lleva bibliotecas enteras en la cabeza, un gran peso, pero no tiene visión. Sabe mucho sin saber nada en absoluto.

Y como la vida no es la misma, nunca —está constantemente cambiando, es nueva momento a momento— el experto siempre se queda atrás, su respuesta es siempre inadecuada. No puede responder porque no es espontáneo, sólo puede reaccionar. Ya ha sacado sus conclusiones; va cargado de respuestas preparadas y las preguntas que suscita la vida siempre son nuevas.

Además la vida no es un fenómeno lógico y el intelectual vive a través de la lógica. [...]

La vida es más que la lógica: la vida es paradoja, es misterio. [...]

Cualquier cosa que estés haciendo a través del intelecto es sólo una inferencia. [...] una inferencia basada en tu lógica; y tu lógica es un invento tuyo. [...]

Para actuar con inteligencia no necesitas más información, necesitas más meditación. Necesitas volverte más silencioso, necesitas pensar menos. Necesitas ser menos mente y más corazón. Necesitas hacerte consciente de la magia que te rodea; la magia que es la vida [...]. Todo es milagroso, pero debido a tu intelecto te quedas encerrado dentro de ti, aferrado a tus estúpidas conclusiones alcanzadas en la inconsciencia, o dadas a ti por otros tan inconscientes como tú.

Pero la inteligencia es indudablemente creativa, porque la inteligencia pone toda tu totalidad a funcionar; no sólo una parte, una pequeña parte, la cabeza. La inteligencia vibra en todo tu ser [...].

Esto es la creatividad: vibrar en absoluta armonía con la totalidad. Empezarán a pasar cosas espontáneamente. [...] Pero sólo es posible a través de un gran despertar de la inteligencia, un gran despertar del corazón.»

OSHO. Creatividad. Liberando las fuerzas internas. Barcelona: DeBOLS!LLO, 2007. ISBN 978-84-8346-517-2

Crónica D´Orelhudos - Luís Novais

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , | Posted on 20:21

PREFÁCIO do Livro:   
Crónica D'orelhudos - Luís Novais
(livro gratuito)

(por Pedro Barroso)


A fábula da gestão difícil é um mito já abordado por todos os autores do mundo.
Aos olhos autocráticos dos maiores, gerir é a arte difícil da conveniência. Da sua conveniência. E aparentemente, conforme defendem, trata-se de um equilíbrio só ao alcance de predestinados, dotados de armas excepcionais de inteligência, poder, sagacidade.
Aparentemente resulta.
Se os profissionais do poder invocarem essa extrema selectividade, ninguém de jeito se candidata a tal árdua e desgastante tarefa. E eles, almas boas, esmoleres e amigas do próximo, nesse caso, e no interesse superior da nação, então sim, se sacrificarão no mais peregrino e último interesse pátrio.
De facto, sempre me pergunto, como homem de dúvidas e desejos de justiça maior, porque raio não vejo nos cargos de decisão… decisores de jeito; gente lúcida, equilibrada, voluntariosa e desprendida, de pensamento livre e julgamento harmonioso.
A resposta é simples.
Esses seres superiores de entendimento abominam as hipocrisias e moléstias do mando e dedicam-se ao crescimento real do Mundo, das Artes e da Vida.
Utilizam o papel do dia para a criação.
Usam o luar das noites para o sonho.
Usam o amor como arma de ternura.
Usam a poesia como acto de suportação do cinzentismo e usam a viagem, a descoberta de civilizações, culturas e pessoas como forma eminente e sempre dialéctica do conhecimento.
Gente do sonho e da paisagem; gente do trato e da descoberta, há muito que aprendeu a ignorar a perfídia dos jogos florentinos.
E, de resto, o poder que ambiciona reside noutra matriz, outra dimensão, outra qualidade.
Até porque governar, - ao contrário do que tanto argumentam os esbirros da prepotência - é um decorrer natural do convívio humano entre gente de bem.
Os mais primitivos formatos descobertos de fórmulas regímentais de vida em sociedade são de facto, por vezes, de uma surpreendente facilidade e decorrência na sua candura e clareza de discurso. São códigos intuitivos na sua decisão moral; são apaziguadores no trato; são corteses no convívio e equilibrados na regulamentação.
Governar no espaço público é sobretudo um acto de atenção e providência.
As sociedades primitivas, apesar da crueza de seus costumes e da rudeza das suas vidas, tinham sentidos de gestão da respublica normalmente claros e precisos.
Havia normas Incontestadas na prática aplicada - fosse ela a transumância dos rebanhos, a gestão dos baldios, o mutualismo ou o forno colectivo da aldeia.
Eram normas de traditio. Mas eram sempre rebatíveis em conselho de cidadãos maiores, caso fosse de bom senso tornar a equacionar o anteriormente decidido.
Tratava-se de conselhos, assembleias de homens bons, senados locais, ou gerúsias, onde se não entrava por truque publicitário ou dispendiosa campanha televisiva, mas sim por mérito próprio, maturidade evidente, sabedoria, ou valor reconhecido.
Fazer crer que estes são processos ultrapassados de gerir, quando muito, velhos e recônditos lugarejos atrasados no tempo, é a velha fórmula de ridicularizar o campo ante a cidade, por falta de progresso e horizonte. Essa sempre foi e será uma falsa questão.
Claro que a oferta na cidade será sempre superior em lojas, produtos, alternativas, oferta cultural, sedução vária. Mas isso não obsta a que no campo se viva com uma qualidade natural,
de espaço e de tempo muito superior. O problema não é de facto, esse.
Estavas tu, linda Inês, posta em sossego, apetece citar.
Eis senão quando uma invasão de colarinhos inteligentes invadiu a nossa vida.
Mas os cavalos de Tróia inseminados de venenos vários, relacionados com a frivolidade e o desmando, não determinam mais felicidade. Fica provado.
E os mais subsequentes e ocultos vapores que de tal organização emana, esses, transformam o poder em cupidez, nepotismo, vaidade, roubo orçamental crónico, volúpia de mandar, abuso e no último lugar da hierarquia, conduzem normalmente a um certo autismo comportamental de etiologia narcísica e difícil erradicação clínica.
Mais que o sistema corrompido complexo e mal-são que se monta, pervertendo a pureza inicial dos agregados humanos, a societas convertida em contributiva, é normalmente governada por um sistema que se convence mesmo da sua infalibilidade, da inteligência imensa de tudo o que implica e decide e esta convencidíssimo de que tem inevitavelmente, toda a razão.
O poder rodeia-se de vários fusíveis de poder, para ser mais distantemente poder, mais impune, mais secreto, mais vigilante, mais informado.
O poder não pode dormir com medo de deixar de ser poder na manhã seguinte.
Para isso instituiu uma teia de regras, mais ou menos kafkiana, de deveres absurdos, papéis em triplicado, instituições e normas complexas, onde o cidadão incauto se perde e transforma, supostamente no seu interesse, mas sem que, estranhamente, isso lhe devolva ou potencie qualquer alegria suplementar de viver.
E o poder isola quem o critica; persegue e mata quem o incomode. Pois não gosta de criatividade, nem de quem lhe questione a proveniência e a implantação.
O poder não gosta de ser interrompido.
O poder não gosta de quem faça perguntas. O poder não quer o sentido crítico.
O poder chega a defender o analfabetismo perante a ameaça do conhecimento.
O poder sofre sempre que se avançam alternativas democráticas, de resolução directa e delegação de autoridade. Mesmo parcelar, regional e inocente.
O poder não atrai os homens verdadeiramente probos, pois esses estão ocupados a construir o mundo da verdade e das ideias.
Luís Novais construiu este fabuloso romance, “Crónica d’Orelhudos”, adoptando um registo maravilhoso de sabor arcaico, extremamente bem escrito e superiormente imaginado, para nos explicar, com pormenor e ironia, os descaminhos da prepotência e da tirania.
Por contraste com os caminhos possíveis da gentileza e do saber.
O sentido político desta obra é fortíssimo e torna-se um libelo de denúncia e indignação cívica.
Assim mais gente houvesse que o entendesse, pois os que o lêem até final, esses, há muito que escolheram o seu campo; e estão, agora mesmo, olhando, espantados, a invasão incrível de burros, incompetentes, incapazes, oportunistas, conflituosos, prolixos, burocratas e simples oportunistas nos degraus vários da nossa hierarquia comandante.
Sítios há em que - desde o porteiro ao Director Geral - o melhor é não transpor aquela porta, nada percorrer de tal edifício, sob pena de severos sentimentos de náusea, cólica urgente, asma repentina, repulsa instintiva, calafrios, simples pudor.
Projectos há em que nos apetece a ignorância para não saber.
Gentes existem que apenas vêm razão de sobreviver impedindo a livre criatividade, o sonho e a diferença aos outros.

Outros ainda que, sempre que vêem algo funcionar bem por si, sem o gasto nem o ónus aparente da raiva e do controle, ficam imediatamente ciosos de intervir, para nos pôr a mesa albardada da conveniência, da corrupção e da intriga, com colarinhos de verniz e camuflagens de amizade.
Os homens probos, esses, são raros; e têm urgentemente de preparar o futuro.
Porque, sem eles, essa tal coisa de Futuro poderá nunca existir decentemente.

Pedro Barroso
Quinta da Raposa, Riachos, Fevereiro 2012

(Source)


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