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A Diva 4

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , , , | Posted on 19:27


'' My Vision of Herpburn (design) ''


« Porque ocultar o meu desejo de ti. Venero a tua beleza, a tua elegância, a tua educação. Venero como quem venera todas as primaveras da vida. Quem não crê na veneração, poderá (?) achar-me a Louca das Loucas. Venerar não é para todos, dizem. Por dizerem, dizem que: Venerar é penetrar no mistério da boca, é nadar nessa eternidade fecunda. Então, direi que, a imagem da veneração é perpétua em ti. 

Confesso – não tendo religião, mas tendo o ópio da vida – que aquilo que venero, é tão pouco em comparação à veneração que a vida tem por ti. »

NãoSouEuéaOutra in «As Divas»

A Diva 2

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , , | Posted on 05:54



Dissera-lhe que tinha os olhos demasiado grandes. Olhos como aqueles, tinham fome do mundo e ele era apenas uma pessoa no vasto universo que ela aspirava. Pediu-lhe desculpa por não ser o mundo inteiro. Despediu-se e foi aprender a amar quem poderia amar e deixar-se ser amado!

O que ele nunca soube e nunca poderia confessar, é que o amava desde sempre e que o mundo era um vasto deserto na sua alma. Uma pessoa tão convencida do seu sentimento nunca poderia aceitar uma, tão simples, verdade como a sua.

NãoSouEuéaOutra in « As Divas »


Sou Lilith - Joumana Haddad

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , , , , , , , , , | Posted on 07:09


O REGRESSO DE LILITH 
(excertos)
Joumana Haddad

Eu sou Lilith, a deusa das duas noites, que regressa do exílio. Sou Lilith, a mulher-destino. Nenhum macho pode escapar à minha sorte, e nenhum macho lhe quererá escapar.

Eu sou as duas luas Lilith. A negra é complementada pela branca, pois a minha pureza é a centelha do deboche e minha abstinência, o princípio do possível. Eu sou a mulher-paraíso, que caiu do paraíso, sou a arrasa-paraísos.

Sou a virgem, rosto invisível da devassa, a mãe-amante e a mulher-homem. A noite porque eu sou o dia, o lado direito porque sou o lado esquerdo, e o Sul porque sou o Norte.

Eu sou Lilith dos seios brancos. Irresistível é o meu encanto, pois os meus cabelos são negros e longos e de mel os meus olhos. Diz a lenda que fui criada a partir da Terra para ser a primeira mulher de Adão, mas não me submeti.

Sou a mulher-festa e os convidados da festa. Feiticeira alada da noite é o meu apelido, e sou deusa da tentação e desejo. Chamaram-me patrona do prazer gratuito e da masturbação, liberta da condição de mãe para ser o destino imortal.

Eu sou Lilith, que retorna da masmorra do esquecimento branco, leoa do senhor e deusa das duas noites. Recolho na minha taça o que não pode ser recolhido, e bebo-o pois sou a sacerdotisa e o templo. Esgoto todas as intoxicações para que não acreditem que eu posso beber. Faço amor comigo mesma e e reproduzo-me para criar um povo da minha linhhagem, depois mato os meus amantes para dar espaço àqueles que ainda não me conheceram.

Regresso do calabouço do esquecimento branco para quem ainda me não conhece, volto para marcar lugar e para que não creiam que eu posso beber, da brancura do esquecimento para enraizar a vida e para que o número cresça, para matar os meus amantes eu regresso.

Eu sou Lilith, a mulher-floresta. Não vivi uma espera desejável, mas sofri os leões e as espécies puras de monstros. Fecundo todas as minhas costas para construir a história. Agrego as vozes nas minhas entranhas para que o número de escravos esteja completo. Como o meu próprio corpo para que me não tratem como faminta e bebo a minha água para nunca sofrer a sede. As minhas tranças são longas no inverno, e as minhas malas não têm tecto. Nada me satisfaz, nem me sacia, e eis que regresso para ser a rainha dos perdidos no mundo.

Sou a guardiã do bem e do encontro dos opostos. Os beijos no meu corpo são as feridas de quem tentou. Da flauta das duas coxas sobe o meu canto, e do meu canto a maldição espalha-se em água sobre a terra.


Sou Lilith, a leoa sedutora. Mão de cada servidor, janela de cada virgem. Anjo da queda e consciência do sono leve. Filha de Dalila, Maria Madalena e das sete fadas. Nenhum antídoto para a minha condenação. Da minha luxúria, erguem-se as montanhas e abrem-se os rios. Venho de novo para furar com as minhas ondas o véu do pudor, e para limpar as feridas da falta com o perfume do deboche.


Da flauta das duas coxas sobe o meu canto

E da minha luxúria abrem-se os rios.

Como não poderia haver uma maré

de cada vez que entre os meus verticais lábios brilha um sorriso?


Porque eu sou a primeiro e a última

A cortesã virgem

O medo cobiçado

A adorada desprezada

E a velada desnuda

Porque eu sou a maldição do que precede,

O pecado desaparecido dos desertos quando abandonei Adão.

Ele andou aqui e ali, quebrou a sua perfeição.

Desci-o à terra e acendi para ele a flor da figueira.


Eu sou Lilith, o segredo dos dedos que insistem. Quebro caminhos divulgo sonhos rebento as cidades do macho com o meu dilúvio. Não reuno dois de cada espécie na minha arca Em vez disso, volto a eles, para que o sexo se purifique de toda a pureza.

Eu, versículo da maçã, os livros escreveram-me, ainda que não me tenham lido. Prazer desenfreado esposa rebelde o cumprimento da luxúria que leva à ruína total. Na loucura se entreabre a minha camisa. Os que me escutam merecem morrer, e aqueles que me não escutam morrerão de despeito.

Eu não sou nem a rebelde nem a égua fácil.

Antes o desvanecer do pesar último.

Eu Lilith o anjo devasso. Primeira fuga de Adão e corrompidora de Satanás. O imaginário do sexo reprimido e o seu mais alto grito. Tímida pois sou a ninfa do vulcão, ciumenta pela doce obsessão do vício. O primeiro paraíso não pôde suportar-me. E caçaram-me para que eu semeie a discórdia na terra, para que governe nos leitos os assuntos dos meus sujeitos.

Sorte dos conhecedores e deusa das duas noites. União do sono e do despertar. Eu, o feto-poetisa, ao perder-me ganhei a vida. Regresso do meu exílio para ser a esposa dos sete dias e as cinzas do amanhã.

Eu sou a leoa sedutora e volto para cobrir as submissas de vergonha e para reinar sobre a terra. Venho para curar a costela de Adão e liberar cada homem da sua Eva.

Sou Lilith

Regresso do meu exílio

Para herdar a morte da mãe a que dei vida.

Joumana Haddad

(Traduzido do francês por Mariana Inverno)

Da Paixão

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 21:08

Fervor

Por NãoSouEuéaOutra

«Beija a boca, Amante de mim e dobra-me em Lemniscata. Poisa, Amante, este corpo numa cama com dossel, cuja cabeceira alta revestida a ouro com entalhes de rocalhas far-me-ão tremer de rubor. É aí, que quero que encostes minhas costas, sobre a cartela estofada a cetim de carmesim, no centro da cabeceira. Depois, Amante, pega em suaves tules, do mais puro que existe e prende-me os braços às colunas com estrias verticais e espiraladas que sustentam este dossel. Não te importes com a colcha, se rasgar, não tem mais importância que o frenesim de um corpo em delírio. Sobre a mesa de encostar, Amante, acende as velas que compõem o candelabro em forma de tridente em talha dourada; cuja chama há-de iluminar o fulgor deste corpo feminino despido para ti.
Sobre a cadeira de jaracandará com pés de corpo de pantera, poisa o pingalim, cujos fios são feitos de seda. Nele estão três mil fios extremamente finos. Sou luxuosa, sim Amante, luxuosa, porque o Amor só pode ser luxuoso e não o confundas com a luxúria. Segue as minhas ordens, obedece-me, obedece-me!!! Para poderes ver a minha pele, a verdadeira pele de que sou feita.
Preciso de ser visitada nos lugares onde a libido é pura manifestação criativa, por isso segue-me, ouve-me, obedece-me. Os campos para viverem precisam de ser farfalhados, assim o corpo da mulher também precisa. Amante, no subterrâneo selvagem da natureza da mulher vive um ser; ser esse que não compreende a lógica mas que é completo em si e, tanto pode ser submisso como dominador. Vivo aí, em liberdade nessa dualidade e de onde me vêm o cio. Um cio não de relação sexual, mas um cio de profunda consciência sensorial. Nesta obscenidade sagrada, que é soltar o riso liberta-se toda a carga que paralisa as mulheres. Amante, as mulheres estão cheias dos seus incontáveis Hades e, querem voar mais alto, serem Mestras, porque de facto o são. A sua linhagem é alta, por isso, Amante, ouve-me e obedece ao Amor.

Junta meus pés, busca o verniz de cor vermelho e pinta as unhas, as tuas, aqui junto de mim. Quero ver o riso estampado no teu rosto e ver as maçãs a ruborizar. Não quero mais sentir o perfume de flores esmagadas, antes o enaltecimento da beleza e a fragrância dos poros vivos da pele. Não queiras me fazer tua noiva, porque as noivas são castradas, estão limitadas pelo tempo. Amante, agora vai buscar igualmente o baton e passo-o pelos lábios, quero vê-los bem vermelhos e depois, depois vem, vem tomar-me nos teus braços e dar-me o beijo vermelho para depois e depois ficarmos a rir como loucos...»


 - Erotisme -
Fotografia, Daniel Jackson

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