Segundo as versões aramaica e hebraica do
Alfabeto de
Ben Sirá
(século 6 ou 7). Todas as vezes em que eles faziam sexo,
Lilith
mostrava-se inconformada em ter de ficar por baixo de
Adão, suportando o
peso de seu corpo. E indagava: "
Por que devo deitar-me embaixo de ti?
Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti?
Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual." Mas
Adão
se recusava a inverter as posições, consciente de que existia uma
"ordem" que não podia ser transgredida.
Lilith deve submeter-se a ele
pois esta é a condição do equilíbrio preestabelecido.
Vendo que o
companheiro não atendia seus apelos, que não lhe daria a condição de
igualdade,
Lilith se revoltou, pronuncia nervosamente o nome de Deus,
faz acusações a Adão e vai embora.
É o momento em que o Sol se
despede e a noite começa a descer o seu manto de escuridão soturna, tal
como na ocasião em que Jeová-Deus fez vir ao mundo os demônios.
Adão
sente a dor do abandono; entorpecido por um sono profundo, amedrontado
pelas trevas da noite, ele sente o fim de todas as coisas boas.
Desperto,
Adão procura por
Lilith e não a encontra:
"Procurei-a em meu
leito, à noite, aquele que é o amor de minha alma; procurei e não a
encontrei" (Cântico dos Cânticos III, 1).
Lilith partiu rumo ao
Mar Vermelho (Diz-se que quando Adão insistiu em ficar por cima durante
as relações, Lilith usou seus conhecimentos mágicos para voar até o Mar
Vermelho). Lá onde habitam os demônios e espíritos malignos, segundo a
tradição hebraica. É um lugar maldito, o que prova que Lilith se afirmou
como um demônio, e é o seu caráter demoníaco que leva a mulher a
contrariar o homem e o questionar em seu poder.
Desde então,
Lilith tornou-se a noiva de Samael, o senhor das forças do mal do
SITRA
ACHRA (aramaico, significa "
outro lado"). Como conseqüência, deu à luz
toda uma descendência demoníaca, conhecida como "
Liliotes ou
Linilins",
na prodigiosa proporção de cem por dia.
[
Alguns escritos contam que
Adão queixou-se a Deus sobre a fuga de Lilith e, para compensar a
tristeza de Adão, Deus resolveu criar Eva, moldada exatamente como as
exigências da sociedade patriarcal. A mulher feita a partir de um
fragmento de Adão. É o modelo feminino permitido ao ser humano pelo
padrão ético judaico-cristão. A mulher submissa e voltada ao lar. Assim,
enquanto Lilith é força destrutiva (o Talmude diz que ela foi criada
com "imundície" e lodo), Eva é construtiva e Mãe de toda Humanidade (ela
foi criada da carne e do sangue de Adão).]
Jehová-Deus tenta
salvar a situação, primeiro ordenando-lhe que retorne e, depois, enviou
ao seu encalço uma guarnição de três anjos,
Sanvi,
Sansavi e
Samangelaf,
para tentar convencê-la; porém, uma vez mais e com grande fúria, ela se
recusou a voltar.
Lilith está irredutível e transformada. Ela desafiou o
homem, profanou o nome do Pai e foi ter com as criaturas das trevas.
Como poderia voltar ao seu esposo?
Os anjos ainda ameaçaram: "
Se
desobedeces e não voltas, será a morte para ti."
Lilith , entretanto,
em sua sapiência demoníaca, sabe que seu destino foi estabelecido pelo
próprio Jeová-Deus. Ela está identificada com o lado demoníaco e não é
mais a mulher de Adão. (Uma outra versão conta que esses mesmos anjos, a
teriam condenado a vagar pela terra para sempre).
Acasalando-se
com os diabos,
Lilith traz ao mundo cem demônios por dia, os
Lilim, que
são citados inclusive na versão sacerdotal da Bíblia. Jeová-Deus, por
seu lado, inicia uma incontrolável matança dessas criaturas, que, por
vingança, são enfurecidas pela sua genitora.
Está declara a guerra ao
Pai. Os homens, as crianças, os inválidos e os recém casados, são as
principais vítimas da vingança de
Lilith. Ela cumpre a sua maligna sorte
e não descansará assim tão cedo.
Uma outra versão diz que foram
os anjos mataram os filhos que tivera com
Adão. Tão rude golpe
transformou-a, e ela tentou matar os filhos de
Adão com sua segunda
esposa,
Eva.
Lilith Alegou ter poderes vampíricos sobre bebês, mas como
os anjos a queriam impedir, fizeram-na prometer que, onde quer que visse
seus nomes, ela não faria nenhum mal aos humanos. Então, como não podia
vencê-los, ela fez um trato com eles: concordou em ficar afastada de
quaisquer bebês protegidos por um amuleto que tivesse o nome dos três
anjos.
Não obstante, esse ódio contra
Adão e contra sua nova (e
segunda) mulher,
Eva, resultou, para
Lilith, no desabafo da sua fúria
sobre os filhos deles e de todas as gerações subseqüentes.
A
partir daí,
Lilith assume plenamente sua natureza de demônio feminino,
voltando-se contra todos os homens, de acordo com o folclore assírio
babilônico e hebraico. E são inúmeras as descrições que falam do pavor
de suas investidas. Conta-se, por exemplo, que
Lilith surpreendia os
homens durante o sono e os envolvia com toda sua fúria sexual,
aprisionando-os em sua lasciva demoníaca, causando-lhes orgasmos
demolidores. Ela montava-lhes sobre o peito e, sufocando-os (pois se
vingava por ter sido obrigada a ficar "por baixo" na relação com
Adão,
conduzia a penetração abrasante. Aqueles que resistiam e não morriam
ficavam exangues e acabavam adoecendo. Por isso
Lilith também está
identificada com o tradicional vampiro. Seu destino era seduzir os
homens, estrangular crianças e espalhar a morte.
Lilith
permaneceu como um item de tradição popular embora pouco tivesse sido
escrito sobre ela quando da compilação do
Talmude (século 6 a.C.) até o
século 10. Sua biografia se expandiu em detalhes elaborados e muitas
vezes contraditórios nos escritos dos antigos países hassídicos.
Durante os primeiros séculos da era cristã, o mito de Lilith ficou bem estabelecido na comunidade judaica.
Lilith
aparece no
Zohar,
o livro do Esplendor, uma
obra cabalística do século
13 que constitui o mais influente
texto hassídico e no
Talmud, o l
ivro
dos hebreus. No
Zohar,
Lilith era descrita como
succubus, com emissões
noturnas citadas como um sinal visível de sua presença. Os espíritos
malignos que empesteavam a humanidade eram, acreditava-se, o produto de
tais uniões.
No Zohar Hadasch (seção Utro, pag. 20), está escrito que
Samael - o tentador - junto com sua mulher Lilith, tramou a sedução do
primeiro casal humano. Não foi grande o trabalho que Lilith teve para
corromper a virtude de Adão, por ela maculada com seu beijo; o belo
arcanjo Samael fez o mesmo para desonrar Eva: E essa foi a causa da
mortalidade humana.
O
Talmude menciona que "
Quando a serpente
envolveu-se com Eva, atirou-lhe a mácula cuja infecção foi transmitida a
todos os seus descendentes... (
Shabbath, fol. 146, recto)".
Em
outras partes, o demônio masculino leva o nome de
Leviatã, e o
feminino
chama-se Heva.
Essa Heva, ou Eva, teria representado o papel da esposa
de Adão no éden durante muito tempo, antes que o Senhor retirasse do
flanco de Adão a verdadeira Eva (primitivamente chamada de Aixha, depois
de Hecah ou Chavah). Das relações entre Adão e a Heva-serpente, teriam
nascido legiões de larvas, de súcubos e de espíritos semiconscientes
(elementares).
Os rabinos fazem de Leviatã uma espécie de ser
andrógino infernal, cuja a encarnação macho (
Samael) é a "
serpente
insinuante" e a incarnação fêmea (
Lilith), é a "cobra tortuosa" (ver o
Sepher Annudé-Schib-a, fol. 51 col. 3 e 4). Segundo o S
epher
Emmeck-Ameleh, esses dois seres serão aniquilados no fim dos tempos:
"
Nos tempos que virão o Altíssimo (bendito seja!) decapitará o ímpio
Samael, pois está escrito (Is. XVII, 1): 'Nesse tempo Jeová com sua
espada terrível visitará Leviatã, a serpente insinuante que é Samael e
Leviatã, a cobra tortuosa que é Lilith' (fol. 130, col. 1, cap.XI)".
Também
segundo os rabinos,
Lilith não é a única esposa de
Samael; dão o nome
de três outras:
Aggarath,
Nahemah e
Mochlath. Mas das quatro demônias só
Lilith dividirá com o esposo a terrível punição, por tê-lo ajudado a
seduzir
Adão e Eva.
Aggarath e Mochlath tem apenas um papel apagado, ao contrário do que acontece com as outras duas irmãs, Nahemah e Lilith.
No
livro
História da Magia,
Eliphas Levi transcreve: "
Há no inferno -
dizem os cabalistas - duas rainhas dos vampiros, uma é Lilith, mãe dos
abortos, a outra Nahema, a beleza fatal e assassina. Quando um homem é
infiel à esposa que lhe foi destinada pelo céu, quando se entrega aos
descaminhos de uma paixão estéril, Deus retoma a esposa legítima e santa
e entrega-o aos beijos de Nehema. Essa rainha dos vampiros sabe
aparecer com todos os encantos da virgindade e do amor; afasta o coração
dos pais, leva-os a abandonar os deveres e os filhos; traz a viuvez aos
homens casados, força os homens devotados a Deus ao casamento
sacrílego. Quando usurpa o título de esposa, é fácil reconhece-la: no
dia do casamento está calva, porque os cabelos das mulheres são o véu do
pudor e está proibido para ela neste dia; depois do casamento finge
desespero e desgosto pela existência, prega o suicídio e afinal abandona
violentamente aquele que resistir, deixando-o marcado com uma estrela
infernal entre os olhos. Nahema pode ser mãe, mas não cria os filhos;
entrega-os a Lilith, sua funesta irmã, para que os devore." (Sobre isso
pode-se ver também o Dicionário Cabalístico de Rosenhoth e o tratado De
Revolutionibus Animorum, 1.° e 3.° tomos da Kabala Denudata, 1684, 3
col. in-4.)
Diz a lenda que depois que
Adão e Eva foram expulsos
do
Jardim do Éden,
Lilith e suas asseclas, todas na forma de
incubus/succubus, os atacaram, fazendo assim com que
Adão procriasse
muitos espíritos impuros e
Eva mais ainda. Segundo a
tradição judaica,
Lilith faz os homens terem poluções noturnas para gerar filhos demônios .
Há um costume, ainda praticado em Jerusalém, de espantar esses filhos
do corpo morto de seu pai, andando em círculo com o cadáver antes do
sepultamento e atirando moedas em diferentes direções para distrair os
filhos demônios.
Durante a idade média, as histórias sobre
Lilith se multiplicaram. Já foi, por exemplo, identificada como uma das
duas mulheres que foram ao
Rei Salomão para que ele decidisse qual das
duas era a mãe de uma criança que ambas reivindicavam.
Em outros
escritos, foi identificada como a
rainha de Sabá. Segundo uma antiga
tradição judaica,
Lilith apareceu a
Salomão disfarçada na
rainha de
Sabá, uma visitante real da Etiópia ou da Arábia à corte do
rei Salomão
(I Reis 10). Sabá era um país pacífico, cheio de ouro e prata, cujas
plantas eram irrigadas pelos rios do Paraíso. Por ter ouvido falar
relatos sobre o seu maravilhoso país, o
Reino de Sabá, e sua rainha de
uma ave, cuja linguagem compreendia,
Salomão desejava muito conhecer a
rainha e ela desejava conhecê-lo devido à sua reputação de sábio, e
queria fazer-lhe perguntas sobre magia e feitiçaria. Mas ele suspeitou
que algo estava errado e conseguiu ludibria-la: Quando chegou,
encontrou-o sentado em uma casa de vidro, e pensando que fosse água,
levantou a saia, revelando pernas bem cobertas de pêlos, o que indicava
que ela uma feiticeira. Não obstante,
Salomão desposou-a e preparou uma
poção para eliminar o pêlo de suas pernas.
Conta-se, que a casa
real da Etiópia alegava ser descendente da união de
Salomão com a
Rainha
de Sabá, e os
judeus negros da Etiópia, os
falashes, localizam suas
origens nos israelitas que o
rei Salomão enviou com a rainha para a
Etiópia. Outro descendente dessa união foi
Nabucodonosor, que se tornou
rei da Babilônia. Uma tradição totalmente diferente nega que tenha sido
uma rainha quem veio visitar Salomão, afirmando que foi o rei de Sabá.
Proteção
conta
Lilith: Lilith foi descrita como uma figura sedutora com longos
cabelos,
que voa como uma coruja noturna para atacar aqueles que dormem
sozinhos, para roubar crianças e fazer mal a bebês recém-nascidos.
Foi
encontrada entre os elementos mais conservadores da comunidade judaica
do século 19, uma forte crença na presença de Lilith, sendo que alguns
deles podem ser visto ainda hoje.
Lilith foi descrita como uma assassina
de crianças para roubar suas almas. Ela atacava os bebês humanos,
especialmente os nascidos de relações sexuais inadequadas. Se não
consegue consumir crianças humanas ela come até mesmo sua própria prole
demoníaca.
Também é de opinião geral que foi
Lilith quem
provocou o ódio de Caim contra Abel, seu irmão, e levou-o a revoltar-se
contra ele e matá-lo.
Os homens eram alertados para não dormirem
numa casa sozinhos para que
Lilith não os surpreendesse. Em "
O Livro
das Bruxas",
Shahrukh Husain relembrou um antigo conto judeu "
Lilith e a
Folha de Capin", de
Jewish Folktales,
que dizia que certa vez um judeu
que foi seduzido por Lilith e ficou enfeitiçado por seus encantos. Mas
ele estava muito perturbado com isso, e então foi ao Rabino Mordecai de
Neschiz para pedir ajuda.
Mas o rabino sabia por clarividência
que o homem estava vindo, e avisou a todos os judeus da cidade para não
deixa-lo entrar em suas casas ou dar-lhe lugar para dormir. Assim,
quando o homem chegou não encontrou nenhum lugar para passar a noite e
deitou-se num monte de feno num quintal. À meia-noite, Lilith apareceu e
sussurrou-lhe: "Meu amor, saia desse feno e venha até aqui". Curioso, o
homem perguntou: "Por que eu deveria ir até você? Você sempre vem a
mim." Ela explicou-se dizendo: "Meu amor, nesse monte de feno há uma
folha de capim que me causa alergia".
O homem perguntou: "Então por que você não me mostra? Eu a jogo fora e você pode vir."
Assim que Lilith a mostrou, o homem pegou a folha de capim e enrolou em seu pescoço, livrando-se para sempre do domínio dela.
Lilith
foi marcada como sendo especialmente odiosa para o acasalamento sexual
normal dos indivíduos que ela atacava como succubi e incubi.
Descarregava sua ira nas crianças humanas resultantes de tais
acasalamentos ao sugar-lhes o sangue e estrangulando-as. Acrescentava,
também, quaisquer complicações possíveis às mulheres que tentassem ter
crianças - esterilidade, abortos etc. Por isso,
Lilith passou a
assemelhar-se a uma gama de seres vampíricos que se tornavam
particularmente visíveis na hora do parto e cuja presença era usada para
explicar problemas ou mortes inesperadas.
Para combatê-los, os
que acreditavam em
Lilith desenvolveram rituais elaborados para bani-la
de suas casas. O exorcismo de
Lilith e de quaisquer espíritos que a
acompanhavam muitas vezes tomava a forma de um mandado de divórcio,
expulsando-os nus noite adentro.
Usam-se
amuletos (em hebraico
"
kemea") como proteção contra demônios, mau olhado, doença, combater
hemorragia nasal ou para fazer uma mulher estéril conceber, tornar fácil
o parto, garantir a felicidade de um recém nascido, obter sabedoria e
outros fins.
Esses amuletos são textos e desenhos geralmente
escritos em pequenos pedaços de pergaminho e incluem sinais mágicos,
permutações de letras e os nomes de Deus (
Agla,
Tetragramaton, etc.) ou
de anjos como o de
Rafael,
Gabriel ou dos poderosos anjos
Sanvi,
Sansavi
e
Samangelaf que garantem proteção contra
Lilith, que ataca as mulheres
no parto e causa a morte dos infantes.
O amuleto é usado em volta do pescoço ou às vezes pendurado numa parede de casa.
Para
que um amuleto seja considerado eficaz, tem que ser escrito por uma
pessoa santa (segundo a tradição judaica), exímia na prática da Cabala.
Se o ele se mostrar eficaz na cura de alguém em três ocasiões
diferentes, será então, comprovadamente, considerado um amuleto.
Embora,
aparentemente, amuletos tenham sido amplamente usados no período
talmúdico, Maimônides e outros rabinos de mente mais voltada para a
filosofia, como
Ezequiel Landau,
opunham-se a eles, considerando-os
superstições vazias. Seu uso, no entanto, foi apoiado pelos místicos e
pela crença popular. Até mesmo os cristãos buscavam amuletos com os
judeus na Idade Média.
Em muitas partes do mundo atual há
pessoas que ainda usam amuletos representando os três Anjos que foram
enviados em busca de
Lilith (ou
Lilah, como também é chamada, o que
talvez nos tenha dado
Da-Lila, também uma sedutora e tentadora.) Esses
talismãs são usados porque, embora
Lilith se recusasse a voltar,
prometeu a esses três Anjos que, se visse os seus nomes inscritos junto
de um recém-nascido, ela deteria sua mão e o pouparia - o que vem a ser o
propósito do ritual. Um talismã típico é um círculo mágico no qual as
palavra "
Eva e Adão" barram a entrada de
Lilith, habitualmente escritas
com carvão na parede do aposento onde a criança está e em cuja porta
estão escritos os nomes dos três anjos. A alternativa: "
Não deixem
Lilith entrar aqui" costuma ser escrita na cabeceira da cama da mulher
que espera um filho, usando-se tinta vermelha (cor da planta de Marte).
Como
proteção contra ela costumava-se pendurar amuletos e talismãs na parede
e sobre a cama para mantê-la afastada ou pregar amuletos com as
palavras "
Adão e Eva excluindo Lilith" nas paredes da casa em que uma
mulher se preparava para o nascimento do filho.
No passado, o
processo de nascimento era cercado de práticas mágicas com a intenção de
proteger a mãe e o filho das forças demoníacas.
Lilith tem inveja da
alegria da maternidade, pois foi apartada do marido (Adão) logo no
início de seu casamento. Ela constitui assim uma ameaça ao embrião.
Também se sussurravam sortilégios no ouvido das mulheres para facilitar o
trabalho de parto. A porta do quarto das crianças tinha os nomes dos
três anjos escritos sobre ela, e, às vezes, cercava-se o quarto com um
círculo de carvões ardentes. Nas vésperas de Shabat e da lua nova,
quando uma criança sorri é porque
Lilith está brincando com ela. Para
livrá-la de qualquer mal, deve-se bater de leve três vezes em seu nariz
pronunciando-se uma fórmula de proteção contra
Lilith. Também crianças
que riam no sono, acreditava-se, estavam brincando com
Lilith e daí o
perigo de morrerem em suas mãos.
Na Idade Média era considerado
perigoso beber água nos solstícios e equinócios, porque nessa época o
sangue menstrual de
Lilith pingava, poluindo líquidos expostos.
Parece
que
Lilith é mais bondosa com as meninas porque estas só podem correr o
risco da hostilidade a partir dos vinte anos, enquanto os meninos estão
sob a mira das suas perversidade e malevolências até o seu oitavo
aniversário.
Num livro sobre "Magia das velas", encontramos uma
versão moderna de um Talismã de Proteção Contra Lilith: "
Se você quiser
fazer um talismã de altar que o proteja de Lilith, e ele não precisa
ficar restrito a esse uso, pode fazê-lo da seguinte maneira: pegue uma
folha de papel forte, branco (o tamanho dependerá do espaço disponível).
Desenhe nela um grande círculo preto, e dentro desse círculo desenhe
outro menor. Divida esse círculo interior em três partes iguais de 120° e
faça pequenas marcas nessas pontas. Una essas marcas para fazer um
triângulo no centro do talismã. Nos três pontos em que o triângulo toca o
círculo interior, entre o círculo interior e o exterior, escreva os
três nomes angélicos - Sanvi, Sansavi e Semengalef - no sentido horário,
um em cada ponta do triângulo. No meio do trecho, entre esses nomes,
desenhe uma cruz. Coloque a vela para Lilith no centro do triângulo
(Lilith é representada por uma vela branca que se tornou negativa com
cera preta ou por uma vela preta), com uma vela para cada um dos três
anjos do lado de fora do círculo exterior, , em oposição aos seus nomes
(pode marcar as velas, se desejar) na ponta do triângulo. Só que não se
deve deixar de observar infalivelmente neste ou em qualquer outro
talismã, o seguinte: a linha que desenha o círculo exterior deve ser
inteira, sem falhas, sem interrupções. Se necessário, desenhe-o de forma
extraforte, para obter isso. Se o que está tentando é conter algo, não
deve haver interrupções através das quais esse algo possa escapar ou
engana-lo."
Segundo a tradição judaica, as influências
astrológicas determinam a vida de uma pessoa, mas Israel é diretamente
guiado por Deus. Porém, enquanto os cabalistas e muitos rabinos
medievais acreditavam que os céus eram "
o livro da vida" e a astrologia a
"
ciência suprema", Maimônides repudiou tais idéias como superstições
proibidas.
No mapa astral,
Lilith ou Lua Negra indica sedução e
ânsia de liberdade. Influências que atingem nossas personalidades. A Lua
exerce uma influência no inconsciente, nos sonhos, no sono, na memória,
nas emoções e nas reações espontâneas.
Segundo o astrólogo e
tarólogo Hermínio Amorim, foi a partir de 1914, quando Lilith apareceu
sob a influência de Plutão, que fez uma órbita longa até 1938, que as
mulheres começaram os movimentos de libertação. Antes,
Lilith aparecia
sob influência do signo de câncer. Atualmente as mulheres vivem melhor
sua sensualidade, sem culpa, sem medo de serem acusadas de bruxas, como
antigamente.
Os conteúdos psíquicos simbolizados pela Lilith são
muitas vezes interpretados como raiz da libido. É claro que também são
percebidos como geradores de poderes paranormais, inclinação para
bruxaria, mediunidade, etc. De qualquer maneira, é uma potencialidade
simbólica e inconsciente. Uma feminilidade que dura muito tempo foi
oprimida e omitida (A Lua Negra. Na
Idade Média foi personificada pela
bruxa, contra a qual o homem, e principalmente a
Igreja Católica, moveu
uma das mais sangrentas perseguições de toda a sua história).
De
acordo com Hermínio, "
Lilith foi feita por Deus, de barro, à noite,
criada tão bonita e interessante que logo arranjou problemas com Adão".
Esse ponto teria sido retirado da Bíblia pela Inquisição. O astrólogo
assinala que ali começou a eterna divergência entre o masculino e o
feminino, pois Lilith não se conformou com a submissão ao homem.
Bibliografia:
Ferreira, Fernando Mendes (editor). Revista AXÉ, ANO 1
N° 1. Publicação mensal da Ninja Comércio e Distribuidora Ltda., São
Paulo/SP. Impressão: Brasiliana. Guaita, Marie Victor Stanislas de.
Le
Temple de Satan (le Serpent de la Gênèse). Librairie du Merveilleux,
Paris, 1891. Husain, Shahrukh.
O Livro das Bruxas (The Virago Book of
Wtiches). Editora Objetiva LTDA, Rio de Janeiro, Brasil. 1995. Melton,
J. Gordon.
The Vampire Book. Copyring © 1994 by Gale Research, uma
divisão da International Thomson Publishing Inc. Sicuteri, Roberto.
Lilith, a Lua Negra. Ed. Paz e Terra, 1985. Unterman, Alan.
Dictionary
of Jewish Lore & Legend. Copring © 1991, Thames and Hudson Ltd,
London.
Texto e Pesquisa
de Shirlei Massapust
FONTE ou sitio deste texto -
Link