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Vertigem

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 20:06


VERTIGEM

A hora está marcada
– ou perto!
Um aviso de morte restringe os dedos
– quase meus.

Ao primeiro penhor de vida
protejo a sentinela da tarde,
gozo ante a derradeira vertigem:
parida partida,
a ida-vinda
sem quilha!

Ai! Meu corpo,
qual bago murcho de açafrão,
há de explodir a ilúcida fresta
das estonteantes injustiças:

Mundos de ogivas
com seus desumanos poemas
estapearão os olhos da pedra desvirginada
e um gozoso tapume
de meia jarda
rebentará o luar de saliva,
o centeio
de quase véspera,
o olhar.

© Benny Franklin
20/11/2009

The RockMan

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 18:38


VERSOS DE POESIA MINHA


Roubam-se gentes.
Cristais refletem-se no asfalto
e conjugam verbos de poesia minha
— a tropa
e os armamentos perfilam-se
no retropasso.

Regurgito
estampidos de revolveres,
bebo
o vago da aurora
e o condomínio do medo
fode a lonjura como se cresse,
ou mesmo manufaturasse velcro
de partida
levedado por sepulturas
de igrejas.

(Os homens
ainda continuam de fraudas
e alcançam o parapeito
da fome ao primeiro rejeito
da mama que corta a língua
à frente dos asteróides de fuligens pálidas,
à frente do pingo ácido
na relva,
à frente do salteador
que é rápido
à frente da polícia)

Tal como um herói
que não se trai
na antes-morte,
cruzo
aéreo
os arranha-céus de São Paulo:
é cinza-primavera
o lodo que os cobrem,
ou mesmo cru-inverno
os sorrisos sem graça
e deparo
a poesia perfurada à bala
de beiços tremidos
sobre os bueiros.

© Benny Franklin

(source/fonte)

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