Sexo Próprio

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 22:59


''Tenho INVEJA das GATAS, em causa está a sua grande elasticidade corporal para poderem LAMBER as suas VAGINAS...''


- quem tem gatos/felinos poderá observar o envolvimento deles com eles próprios. -

Camille Claudel forçada à loucura

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 19:36




(...) a visão da superfície, é apenas ácido atirado aos olhos, para não se ver o fundo. no fundo reside a verdadeira intenção do jogo de cada um. há quem tem acesso, e pela má intenção, conspurca a possibilidade de alguém poder voar. quem gosta de ser chamado de ganancioso? para um ganancioso sobreviver e vencer é preciso matar aquelas asas. e por isso morre alguém ingratamente, porque dois não podem voar! isto, que aqui acabei de escrever, está escrito na lápide de pedra do velho mundo castrador , ditado por homens e suas leis e moralidades. (...)


« há pessoas (rodin) com capacidade de arrancar das entranhas (camille) o poder da alma e entregar o corpo ao desbarato. alma vampirizada, ainda que extasiada de amor, que por certo teve um fio condutor que soube ser utilizado de forma invertida ( por rodin), apaga qualquer pessoa (camille) por mais inteligente e genial que seja. o que de facto incomodava nessa jovem mulher? o ferver de um génio oculto, ou o facto de ser Mulher, tendo em conta a época!?? é preciso avançar mais sobre esse paradigma chamado Camille Claudel, para lá da suposta loucura. »

« deve-se ultrapassar a pessoa de rodin, e perceber a intenção certeira do seu desejo e, a capacidade de destruição com algum egoísmo! nele habitava um génio de ganancia, também! não teria rodin, querido toda a projecção sobre ele? a obra toda para ele? paul, irmão daquela, camille, não teria também um papel excessivamente rudimentar, como pessoa básica/humana? um génio feminino, no seio de uma época essencialmente conservadora, dominada pelo patriarcal... seria normal (?), uma mulher, exigir o amor, ser uma força no panorama social através da sua obra e só por si mesma? vale apena pensar, antes de dizer que: enlouqueceu por amor, camille claudel!! »

NãoSouEuéaOutra in «divagações perante mulheres que poderiam ser mais que os homens que ''as amaram'' e elas amaram, e, que lhes roubaram o sopro...»

A Meditar

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 20:35

Pensamentos de Afonso Cautela recolhidos por mim

(...)Depois há aqueles livros(...) que têm alguns grãos de sabedoria aproveitáveis mas perdidos, misturados num monte de retórica e de superfluidades.
O prolixo (que se pode ler pró-lixo) também ocorre com uma grande frequência.
(...) Muita parra e pouca uva. Longos e chatos, é o que é.
Francamente: há formas mais honestas de nos esportularem dinheiro mas principalmente de nos espoliarem daquilo que (...) nos é mais precioso: o tempo (cronos) que não podemos perder no trabalho para a eternidade.
Os devoradores de Cronos são, de facto, verdadeiros assassinos de almas.(...)


(...) É claro que não se chega a Deus pela leitura. Mas talvez se possa chegar pela desleitura ou seja, sabendo, de todo, o que não vale a pena ler. E quais são afinal os 100 volumes que, na Biblioteca de Alexandria, transmitiam ao futuro a sabedora por inteiro.
Para já e enquanto não reconstituímos a Biblioteca de Alexandria, vamos vendo e sabendo e comunicando uns aos outros, o que não vale a pena ler.
O que não vale a pena perder cronos a ler. (...)

(...) Se não vamos a Deus pelos livros, pelos livros de ciência e pela tecnologia é que decididamente só iremos, como fomos sempre e continuamos indo, aos quintos dos infernos. (...)

(...) Os seres humanos foram sempre oprimidos por 3 instituições: Igreja, Estado, Exército. Mas acima dessas todas e a todas dando alento, a Universidade é quem tudo pode e quem forma e diploma todos os poderes.

(...) além do mais, um dever de humanidade de cada ser humano com outros seres humanos seus companheiros de infortúnio. Aqueles que para falarem com outro ser humano não lhe perguntam primeiro qual é a sua formação académica...
Um dever que implica cortar de vez o cordão umbilical que cria, sustenta, multiplica, amplia e lança sobre os seres humanos, oprimidos, as 4 instituições opressoras por excelência do famigerado Mundo Moderno. (...)

(...) o primeiro dever de um verdadeiro anarquista. Um verdadeiro anarquista não deverá nem poderá ceder um milímetro às ciências e aos poderes profanos.
Porque é de servir a deus, ao sagrado e ao espírito que se trata. E o mais depressa possível, como explica Roger Garaudy.(...)





Gandhi e a Não Violência

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 19:41




APRENDER YIN-YANG

GREVE DA FOME PARA TODOS OS GOSTOS (*)

(*) Este texto de Afonso Cautela, 5 estrelas, foi publicado com este título e ainda bem (oxalá possa publicá-lo mais vezes) na «Crónica do Planeta Terra», «A Capital», 4-2-1984

[In «Crónica do Planeta terra», «A Capital», 4-2-1984]

A não violência praticada por Gandhi e o ódio de classes teorizado por Marx são opostos irredutíveis. Dois proveitos não cabem no mesmo saco. Nem mesmo a tolerância dialéctica yin-yang, aprendida dos taoístas, tolerância que é costume invocar quando se quer misturar a água e o fogo, autoriza a meter estes dois contrários absolutos no mesmo pote.

Só os contrários relativos ou complementares entram no jogo taoísta do Yin-yang . E de pouco serve querer conciliar o Satã contemporâneo, o Anti-Cristo da violência erigida em religião, com o Deus das bem aventuranças salvíficas.

Ainda que - como rezam as Escrituras - o Diabo seja um Anjo caído e um filho de Deus não reconhecido pelo pai.

Para nos safar do beco contemporâneo - cuja única saída é o holocausto nuclear - teremos de reaprender sem dúvida, e rapidamente, a jogar o yin-yang, desportivamente encarar o inimigo como um adversário de ping-pong, Mas a condição prévia dessa iniciação no yin-yang é não invocar o seu santo nome em vão, nem admitir em seu nome tudo quanto o destroi.

SACO DE GATOS

Posto isto, as greves da fome - técnica não violenta - para impor posições violentas de ideologias baseadas no ódio e na luta de classes, que se perpetuaria até à ditadura de uma delas, entram em contradição não dialéctica.

Como travestis se devem encarar, igualmente, os belicismos que dizem defender a paz, a luta de classes que apela ao pacto social, os ecologistas que postulam a revolução por meios violentos e outras oposições irredutíveis que se passeiam calmamente em nome do Tao supremo ou mesmo do supremo Mao, seu herdeiro moderno e que consultava o I-Ching como oráculo nos momentos críticos da governação.

"Sobre a Contradição ", do filósofo Mao Tsé Tung, é um texto de leitura aconselhável e que poderia, se praticado, salvar muitas vidas que a luta de classes continua ceifando. Podia também evitar os espectáculos naturalmente chocantes, os travestis da paz, da liberdade, da vida, estes últimos a defenderem agora, à uma, o aborto como supina moral da indecência e da morte. Macaca.

CONTAGEM DECRESCENTE

"A vida e a verdade é que são as verdadeiras forças".

Máximas gandhianas como esta convidam à reviravolta de 180 graus num sistema baseado em princípios antiteticamente e simetricamente opostos.

E suscitam a geral hilariedade, naturalmente. A moral hoje tornou-se ridícula. Só que o espectáculo "is over", com a bomba à vista. Começou a contagem decrescente para a deflagrar na derradeira catástrofe que o homem se permitirá sobre o Planeta Terra.

Aí, os que se riram da pobreza gandhiana e da pobreza franciscana sua ancestra, já só vão rir amarelo. Mas são eles, tefe-tefe, os primeiros a recear o holocausto atómico, a encomendar o abrigo nuclear, a profetizar que mais de metade da humanidade irá para o galheiro à primeira deflagração de mísseis bons. (E a outra metade, chucha no dedo?).

O medinho de morrer, aí, à Gerontocracia contemporânea, já não lhe parece ridículo. Mas os abrigos anti-atómicos, então, o que são? Como verão hoje esses compradores de abrigos as máximas gandhianas da não violência? Perceberão ao menos a estreita relação de causa e efeito?

Os valores morais da não violência (única Ética hoje possível) atrofiam-se e ninguém acredita que o imponderável do espírito tenha peso no meio da truculência e da violência instaladas. À santíssima trindade - liberdade, igualdade e fraternidade - faltou apenas o golpe de asa: a Tolerância dialéctica yin-yang. E falta. Mas até quando, face à contagem decrescente para o abismo?

PACIÊNCIA EVANGÉLICA

Os gandhianos, no entanto, insistem com paciência evangélica, em fazer a revolução por dentro. E têm cada vez mais razão quando denunciam o fascismo latente de todas as revoluções feitas por fora.

Sabem que é um longo trabalho de paciência, mas se forem muitos a ajudar... Estamos quase no zero da contagem decrescente, quem se filia na Arca?

"Há outras forças além da força armada - disse-nos Parodi, sucessor de Lanza del Vasto na Comunidade da Arca - a vida é uma força, a união dos homens, o trabalho, a verdade também são forças construtivas. "

E concretiza, como La Palisse: " Não se pode construir nada com a força das armas."

Igualmente olhado com um sorriso trocista, que ainda não era amarelo, o jejum praticado por monges budistas, durante a guerra do Vietname, chegava ao Ocidente super-star (através

das endiabradas agências noticiosas) com ar de exotismo execrável.

Quando os violentos guerrilheiros de Esquerda revolucionária adoptaram na Europa (na Irlanda, por exemplo) a "greve da fome" como forma de pressão sobre o Estado - que incarna a excelência fascista em todas as épocas e lugares - as coisas mudaram de figura.

Afinal, jejuar à Gandhi já não era uma mania mística: era uma forma de luta e podia inscrever-se nas alíneas de um caderno reivindicativo, perfeitamente enquadrado na dialéctica da luta de classes.

Quem terá de engolir mais este sapo vivo, quer dizer, mais este paradoxo?

É preciso um espírito aberto e sem preconceitos raciais para olhar as tácticas da luta não violenta sem um riso de comiseração. É preciso saber que estamos a contar para o zero final. É preciso a noção vivida do simples, do pobre e (agora tanto em voga) do "small is beautiful" como valores humanos fundamentais, base de qualquer Declaração de Direitos.

É preciso , em suma, o inverso das ideologias violentas, a Leste ou e a Oeste, fazer stop neste «continuum» ou «perpetum mobile" até ao holocausto final. É preciso, para levar a sério os conselhos tácticos da não violência, acreditar mais na lei da causalidade cármica do que na lei da identidade lógica.

Como escreveu Helena Santos, aliada da Arca em Portugal e tradutora para português da obra de Lanza dal Vasto, "a profecia da ruína futura tem implícito um convite à conversão interior de cada homem (inteligência, coração e corpo) que é a não violência." Outros dirão sinónimos: o Princípio Único, o Tao, o yin-yang.

Esta profecia da ruína planetária, que aproxima os não violentos dos ecologistas, viu-se recentemente adoptada pelos próprios violentos de repente travestidos de pombas evangélicas e pacifistas. Anedota trágica, humor negro.

O TESOURO DOS LAMAS

Escolas de não violência , as comunidades da Arca espalhadas pelo Mundo preparam os seus aliados para acções de resistência passiva, objecção de consciência, greves da fome (a que eles preferem obviamente chamar jejuns), manifestações silenciosas, sit-ins, enfim, as várias formas que assume o combate ensinado por Gandhi e por ele praticado.

"Aprendizagem é inseparável da prática" - repete Pierre Parodi, herdeiro de Lanza del Vasto na "chefia" espiritual da Comunidade-mãe em França.

Tem de facto muito a ver com os conceitos preservados nos países do Oriente esta aliança indissolúvel da doutrina e da prática. Resta um mistério na história contemporânea a invasão sangrenta que Mao Tse Tung fez do Tibete, queimando e saqueando mosteiros da Ordem Nyingma.

Não está ainda esclarecido se o grande Estadista queria libertar os camponeses tibetanos da miséria, se queria descobrir o tesouro guardado nos subterrâneos do Himalaia, a raiz última da Sabedoria, a pedra filosofal ou, segundo outros, o Santo Graal.

O namoro que recentemente a China e a URSS têm feito ao Dalai Lama, para que ele regresse ao Tibete saqueado, faz pensar que não encontram o tesouro e querem guia.

De facto, esclerosada até aos limites do inverosímil (e agora até aos limites do suportável pelo Ecossistema Terra), a ciência enveredou no Ocidente pelo delírio teórico e, ao perder o centro de gravidade, entrou em órbita da Asneira pelo espaço astral fora. Esta perversão explica muitas , se não todas as perversões dominantes neste tempo-e-mundo (imundo) ocidental.

A unidade tão insistentemente procurada e proclamada por Lanza del Vasto é a démarche aparentemente metafísica para reencontrar o real numa civilização de fantasmas (as teorias, as ideologias, os ismos, os sistemas).

Ao falar de realismo, é às fontes do realismo e da dialéctica yin-yang (taoísmo, Zen, budismo tibetano) que o Ocidente tem de recorrer. Se tiver tempo, dada a contagem decrescente...

Gabriel Marcel atribuía os crematórios nazis ao "espírito de abstracção", hoje transformado em religião - a Tecnocracia. Quando se perde o fim e os princípios, tudo é possível. Tudo tem sido possível, soando a heresia as máximas não violentas de Gandhi.

Um personagem de Dostoievski, com certeza dos irmãos Karamazov, dizia o mesmo aludindo à morte de Deus: "Agora tudo é possível". Tem sido, e foi, até aos crematórios nazis. Mas ainda será?

PLENÁRIOS DE TRABALHADORES

Da heresia passamos ao estratosférico.

A democracia que se pratica nas comunidades da Arca, é algo que não se acreditaria neste planeta Terra.

Afirmar que nas comunidades fundadas por Lanza del Vasto, só se tomam decisões por unanimidade, pode parecer um gracejo.

Democracia, nos nossos costumes, é o governo da maioria, em nome da maioria. As minorias metem-se na ratoeira e dá-se-lhes raticida.

O "direito de minoria" é ignorado por essas democracias, por isso também alcunhadas de mediocracias. Embora seja o direito fundamental do homem - ser o que é, pensar o que pensa - , varreu-se dos nossos costumes.

Curioso mas não único paradoxo do sistema em que estamos entalados. O movimento da Arca, embora não o explore demagogicamente, na prática dá uma lição e uma bofetada com luva na fraude institucionalizada das ditaduras da maioria. Uma bofetada não violenta, claro, amigável.

Segundo Pierre Parodi, a verdadeira democracia é a que se pratica nas comunidades da Arca. Mas também reconhece que esta democracia autêntica só é possível num pequeno grupo orientado no mesmo sentido espiritual.

Os cépticos duvidarão mas os não violentos teimam: "Não há autoridade autoritária nas nossas comunidades, todos temos a responsabilidade dos nossos actos."

Se só se tomam decisões por unanimidade, os cépticos constitucionalistas dirão que na Arca não se tomam nunca decisões.

Puro engano. Numa assembleia os discordantes fazem um esforço convergente, no sentido de se aproximarem das outras posições, em vez de se encarniçarem na defesa das próprias posições."

É a dialéctica yin-yang em acção, o segredo de Polichinelo : "Cada um não defende a sua própria opinião mas pesquisa a dos outros."

E assim o dom de cada um é oferecido para o bem de todos.

E assim não é o chefe que toma decisões, mas cada um e todos.

Os adeptos da não violência não hesitam em acusar: "Somos uma sociedade de irresponsáveis.'' Salvo seja. E salvo aquele pequeno defeito já citado : temos os minutos contados.



(*) Este texto de Afonso Cautela, 5 estrelas, foi publicado com este título e ainda bem (oxalá possa publicá-lo mais vezes) na «Crónica do Planeta Terra», «A Capital», 4-2-1984

Afonso
Cautela

A Forma

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 21:17

«Simulacro da forma, ou, da  fórmula?.»

Do Bordel à Magnólia

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , | Posted on 21:12

Fotografia David Chow
(source)



(...) Magnólia, nascida nos Bordéis da vida. Lava a sua cara com o fluído das Vaginas. Com o tempo, o rosto foi ficando marcado. Linhas profundas de êxtase. A História Humana se afundava nela. Amou toda a vida a Vagina Platónica, embora se deitasse com homens.
Dizem, quem a conheceu, que no canto dos seus lábios floresciam rosas de intenso vermelho. O intenso Sexo da Eternidade fulminava. As pequenas vaginas enlouqueciam, enquanto ela, no espelho, amava a Grande Vagina Platónica. As Catedrais dos seus olhos gritavam, «Sou a Viva, a Vida. Sou a Vagina. Clítoris da Eternidade, Gruta da Verdade, Boca de todo o Desejo e Loucura. Sou a parida de mim. Parida de Mim Mesma. Sou a Magnólia. » (...)

{ Calling Va - Gina
Va - Gina Calling
Call me Gina, Miss VaGina }


NãoSouEuéaOutra in «do sabor das vaginas»




Fotografias de Imogen Cunningham
[nota: a primeira fotografia de I. C. , a cor foi invertida por mim.]

Hélène Lagonelle

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 19:51


Fotografia de  Emil Schildt
 (source)


O Amante

Marguerite Duras

(...)Não é preciso atrair o desejo, Ele está em quem o desperta ou não existe. Ele já está ali desde o primeiro olhar ou jamais terá existido. Ele é o entendimento imediato da relação de sexualidade ou não é nada.
Apenas Hélène Lagonelle escapava à lei do erro. Demorava-se na infância. (...)


(...)Estou extenuada de desejo por Hélène Lagonelle. Estou extenuada de desejo.(...)


- Sim, digo eu, NãoSouEuéaOutra, a ti, M.Duras, também estou extenuada de desejo por Hélène Lagonelle. Essa Menina Lagonelle que me habita os recônditos do corpo e quiçá da alma. Sem pudor algum ofereceste-nos, a magnifica mise-en-scène de um desejo poderoso que todos carregamos latente dentro de nós. Já nem sei, se é Hélène Lagonelle que desejo, ou se é a ti M.Duras que insuflas com mestria esse olhar sobre o corpo do outro?! 

Da Paixão

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 21:08

Fervor

Por NãoSouEuéaOutra

«Beija a boca, Amante de mim e dobra-me em Lemniscata. Poisa, Amante, este corpo numa cama com dossel, cuja cabeceira alta revestida a ouro com entalhes de rocalhas far-me-ão tremer de rubor. É aí, que quero que encostes minhas costas, sobre a cartela estofada a cetim de carmesim, no centro da cabeceira. Depois, Amante, pega em suaves tules, do mais puro que existe e prende-me os braços às colunas com estrias verticais e espiraladas que sustentam este dossel. Não te importes com a colcha, se rasgar, não tem mais importância que o frenesim de um corpo em delírio. Sobre a mesa de encostar, Amante, acende as velas que compõem o candelabro em forma de tridente em talha dourada; cuja chama há-de iluminar o fulgor deste corpo feminino despido para ti.
Sobre a cadeira de jaracandará com pés de corpo de pantera, poisa o pingalim, cujos fios são feitos de seda. Nele estão três mil fios extremamente finos. Sou luxuosa, sim Amante, luxuosa, porque o Amor só pode ser luxuoso e não o confundas com a luxúria. Segue as minhas ordens, obedece-me, obedece-me!!! Para poderes ver a minha pele, a verdadeira pele de que sou feita.
Preciso de ser visitada nos lugares onde a libido é pura manifestação criativa, por isso segue-me, ouve-me, obedece-me. Os campos para viverem precisam de ser farfalhados, assim o corpo da mulher também precisa. Amante, no subterrâneo selvagem da natureza da mulher vive um ser; ser esse que não compreende a lógica mas que é completo em si e, tanto pode ser submisso como dominador. Vivo aí, em liberdade nessa dualidade e de onde me vêm o cio. Um cio não de relação sexual, mas um cio de profunda consciência sensorial. Nesta obscenidade sagrada, que é soltar o riso liberta-se toda a carga que paralisa as mulheres. Amante, as mulheres estão cheias dos seus incontáveis Hades e, querem voar mais alto, serem Mestras, porque de facto o são. A sua linhagem é alta, por isso, Amante, ouve-me e obedece ao Amor.

Junta meus pés, busca o verniz de cor vermelho e pinta as unhas, as tuas, aqui junto de mim. Quero ver o riso estampado no teu rosto e ver as maçãs a ruborizar. Não quero mais sentir o perfume de flores esmagadas, antes o enaltecimento da beleza e a fragrância dos poros vivos da pele. Não queiras me fazer tua noiva, porque as noivas são castradas, estão limitadas pelo tempo. Amante, agora vai buscar igualmente o baton e passo-o pelos lábios, quero vê-los bem vermelhos e depois, depois vem, vem tomar-me nos teus braços e dar-me o beijo vermelho para depois e depois ficarmos a rir como loucos...»


 - Erotisme -
Fotografia, Daniel Jackson

Voando muito perto do ninho de Cucos

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 08:47



«Existem estes fios entre nós. Qualquer coisa que vai de mim a ti, e qualquer coisa que vem de ti a mim. Estas comunicações divididas. Estes diálogos entre a luz e a sombra; entre a putrefacção e o rubedo. Há aqui qualquer coisa que não, não pertence, que não nos pertence e que contudo se manifesta em nós. Que chama é essa que acontece, quando nem Guru és? Que chamado é esse que ousa colocar fios na emergência de querermos fugir? Fugir ao que de nós não somos e nem nos pertence?»

NãoSouEuéaOutra in ''o lugar em nós entre as coisas''

Sobrevoando sobre um ninho de Cucos

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 08:31



Por vezes passo por essas ruas e questiono-me, ''que coisas serão essas que pairam sobre o tecto do céu?».Vejo mil olhos, mil pessoas. Qualquer coisa errada, entre mil olhos e mil pessoas. Descobri mais tarde, que os hábitos dos alienígenas criaram paredes que são monstros de guerra. Os terráqueos nem imaginam que são pura invenção.

NãoSouEuéaOutra in «da geração que inventa»


- bem, ouvi dizer que chegou ao poder, a passos, um coelhinho? -

Dueto

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 10:21

- Eu escrevo para me calar. Às vezes faço-o com urgência. Uma espécie de suicídio. Mato para viver novamente. Deixo morrer a cada palavra. Não preciso inventar, porque está lá. Preciso apenas suicidar, para não enforcar a verdadeira vida que me habita.


- Tenho medo de escrever. Porque às vezes, lanço-me em lugares onde não existe nada, e de lá começam a chegar coisas. É uma liberdade perigosa. Vem coisas à rede, que é o meu filtro de pensar e emocionar. Muitas vezes, as coisas não são minhas, elas estão lá no vazio fitando-me. Elas se atiram e escarafuncham-me. Eu não sou dona, sou meio. Amanhã, sei que outra coisa virá. Oposta, sem dúvida ou então mais elaborada. No entanto, há fases em que me sinto raptada. Profundamente raptada e conspurcada, outras, sinto-me iluminada, viajando numa águia.

NãoSouEuéaOutra in ''Duetos  convexos''

SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS POR TUDO

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 10:08

Esta trama, este continuum, esta malha sem fim de causas-efeitos-causas, eis o que o nosso instinto de conservação rejeita com um certo mau-humor, porque nos recusamos fundamentalmente a considerar responsáveis por tudo o que acontece, porque tendemos a ilibar-nos da violência, do ódio, do sofrimento que varre, como um vendaval de inferno, o mundo.
A política, neste contexto, é a arte de encontrar bodes expiatórios das nossas próprias culpas.
A tal ponto os nossos mecanismos de autodefesa estão bem montados, que rotulamos de metafísica qualquer tentativa para mostrar a evidência: que tudo se liga a tudo, que tudo depende de tudo, que todos somos responsáveis de tudo, que todos criamos tudo o que nos acontece.
Tudo é energia. Tudo é infinito e eterno. Tudo existe sempre.
Por isso criamos uma infinita piedade pelo nosso ego. Inventamos mil argumentos para o desculpar.
Afinal - que injustiça! - porque nos atinge a inflação, o desemprego, a doença, o cancro, o defeito físico, o desastre, o acaso, o destino, a sorte?! Se eu fui sempre tão bom, tão bem comportado, tão esmoler, tão amigo das crianças e dos pobres, dos velhos e dos animais, porque sofro tanto, porque tenho tanto medo, porque sou tão perseguido?
Assim raciocina o nosso ego.
O nosso ego é não só a afirmação de auto-orgulho mas uma tentativa permanente para ilibar e encobrir a nossa condição totalitariamente condicionada. Para encobrir a evidência de que estamos condenados à Eternidade.
A nossa condição é totalitária e a este totalitarismo há quem chame karma. O nosso ego inventa então um mito chamado liberdade para esquecer aquela temível evidência totalitária. Um mito chamado livre arbítrio.

NASCER PARA A VIDA É NASCER PARA A MORTE

Nada do que acontece é por acaso, toda a desordem acontece porque há uma ordem infinita do infinito universo. Tudo acontece porque todos ajudamos a que aconteça.
Quando se diz nós, digo o corpo infinito e eterno do qual somos hoje apenas um momento, apenas uma célula, corpo que vai para trás até à eternidade e caminha para a frente até à eternidade.
A esta realidade puramente física chamam metafísica os homens assustados que recuaram ao saber que estavam condenados a ser para sempre. Inventaram a morte. Inventaram o suicídio.
Inventaram narcóticos e alucinogénicos. Inventaram a política e o xadrez. Inventaram o cinema e o futebol. Inventaram palavras - metafísica, religião, mito, misticismo - com que pretendem exorcismar a responsabilidade de ser (mos) não um ego ou ilha separada do todo mas a consciência do todo ou eu total.
Por isso talvez não haja exagero, face a este extremismo fundamentalista do óbvio e do evidente, considerar ecoreformistas um Ivan Illich, um Michel Bosquet.
Desde que se cai na rede, desde que se nasce para a vida (que é nascer para a morte como avisavam os cátaros, que por isso foram perseguidos como heréticos), desde que se entra no processo de putrefacção ou de-composição chamado mundo, desde que nos empurram para a caverna platónica chamada existência, todo o gesto ou acção com que se pretende amortizar o sofrimento irá, a curto ou médio prazo, agravar ainda mais esse sofrimento ou karma.
Irá internar-nos mais na caverna das sombras.
Uma vez enredado na inextricável trama chamada realidade, mundo, natureza, meio ambiente, ordem do universo, qualquer veleidade de sair significará sempre e cada vez mais o (afundamento no) caos, a doença, a violência instalada e instaurada, o absurdo em movimento, a infecção generalizada.
Desde que se entre, nunca mais é possível sair. Daí que os mitos de libertação, da evolução, da redenção andem a par com os mitos do futuro, do ideal, da salvação.
Uma vez enredado na malha, o bicho homem projecta na caverna a sua sombra e chama-lhe ideais (idola tribu lhes chamou Francis Bacon): Paz, Saúde, Felicidade, Justiça, Amor, eis a galeria de grandes palavras que cristalizam na mente humana as suas próprias sombras mais temidas. A utopia e o vício de sonhar ou idealizar caracteriza sempre a escravidão de facto.
Prisioneiro da caverna, o homem sonha que no futuro, sempre no futuro, verá o sol e a luz, sonha com jardins do paraíso, com o Eden de Adão e Eva, com o Jardim das Delícias, enfim, não faltam, nas mitologias douradas, de ontem e de hoje, referências constantes à utopia.
Realismo será a posição búdica que reconhece a queda, a escravidão, a caverna, a ilusão das ilusões ou sombras.
Realismo é saber que quanto mais esforços e acções se fizerem para sair do buraco, mais fundo nele ficamos.
O que uma ordem iniciática propõe é apenas a hipótese realista para encontrar a porta de saída da caverna, recuando em relação às sombras em vez de paroxisticamente nos colarmos a elas pelo cultivo da acção, pelo cultivo do ego, pela crença de que se chega mais depressa fortalecendo a vontade de chegar.
O esforço iniciático é uma pausa nesse paroxismo da vontade, uma retirada estratégica do foco infeccioso - o mundo das relações profanas ou ilusões - um recuo na orgia da acção que dê possibilidade de avançar na in-acção ou desfazer de mitos, ilusões, fantasmas.

Palavras-chave deste texto:
Caos
Caverna platónica
Continuum
Convivencialidade
Convivialidade
Ecoanálise
Ecopolítica
Ecossistema
Ego
Equilíbrio estático
Eternidade
Física e metafísica
Imunidade ortomolecular
Carma
Leitura ecológica do real
Malha de causas-efeitos
Metáfora orgânica
Mito da liberdade
Omnividência
Ordem iniciática
Politicoterapia
Rede
Tantra
Utopia

Autores citados:
Francis Bacon
Freud
Ivan Illich
Michel Bosquet
Platão
Taine

esse amor

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 16:47

aquilo que nos desperta o coração para o amor, deve ser agraciado.

(não o amor para uma pessoa. o amor por uma ou várias pessoas, vai e vem. está submetido à lei do quotidiano, das estações e dos estados de espírito. falo do amor mesmo, aquele que dilata o coração sem intermediários e que não conhece fim.)

devemos sempre, na medida do possível, seguir o caminho que abre o coração para a vida e porque não, para o amor que nele habita. essa é, talvez, a maior lição da vida, aprender a amar.
NãoSouEéaOutra in outras feridas

Vivo na Porta

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 18:34


(...) Apenas uma forma igual de ver diferente. De ser diferente, igual. A porta é apenas um jogo, um olhar no dentro e, um no fora. Não são as  portas que nos desmistificam, mas nós que as desmistificamos. (...) 

NãoSouEuéOutra, ''tentando fazer uma barra!!''




Lendo uma notícia, fiquei ''siderada'. Completamente. Imagine, o sujeitinho, declarando que os últimos dias eram um pesadelo. Um verdadeiro pesadelo! Vejam só, dizia para a mídia que eram tempos muito dolorosos. Preso por violação e assédio sexual e, de momento em prisão domiciliária ( que chique!! fosse um zé povinho, a cena já era diferente!).
Coitado, de facto!!  Então, o pesadelo e o sofrimento e os tais traumas com que as jovens ficam depois de terem sido assediadas, acorrentadas, não lhe interessou? Além, de exigir os seus silêncios, enquanto eram obrigadas a fazer ''mamadinhas'', sodomizadas e resumindo, Violadas? Fora os espancamentos e outras atrocidades. O egoísmo e o sadismo não querem saber de nada a não ser, a pura auto satisfação. O mecanismo da maldade é uma espécie de adrenalina no sangue. Sobe rápido e desce.



A Vertigem da Saudade

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 16:11


« Tenho saudade do Mar. O meu. Da Casa sobre o mar. A minha. Da Casa levando o Mar. Como podemos ter tantas saudades nossas? Estamos todos os dias com nós mesmos. Estamos todos os dias dentro de nós mesmos. Eu sei. Eu sei!! Eu sei, Morro de saudade. Saudade de me beijar seriamente. Saudade de mim mesma. Não de um tempo, não!... »

em-pí-ri-co

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 20:21


''deu-me uma branca'' fotografia satírica, por NãoSouEuéaOutra


« o espírito não tem nome, embora todos queiram dar um. há coisas que são silenciosas e só devem ser ouvidas da mesma forma. Deus, não foi feito à tua imagem. tu representas apenas 1 por cento. »


NãoSouEuéaOutra in ( Séries do Vale do Ser )

já vos aconteceu?

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 14:23



Não sei se convosco já ocorreu; comigo sim. Perfeitamente normal, sem emoção que desestabilize. Dirigi-me à diética – ervanária para comprar quinoa, alfarroba em pó, vitamina E e até comprei uns chocolates (naturais??). Caminhei por uma zona menos urbanística. Cheirei o campo, a terra e respirei profundamente. Cheguei à ervanária, escolhi e comprei e, o normal depois, meia hora de conversa. De regresso por outro caminho e comendo um chocolate, fui invadida de uma tristeza injustificada. Apeteceu-me chorar compulsivamente sem barulho. Deixar as lágrimas caírem, assim sem mais nem menos. Sem motivo. Um choro interno, uma tristeza sem fim. Um apelo ao choro silencioso, apenas lágrimas brotando. A tristeza insistente... sem explicação racional!

Já vos aconteceu?

Rostos - Faces

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 14:15



Criado a partir de um programa online. Não me recordo em que página foi; descobri sem querer e distraidamente comecei a fazer uns quantos. Depois fechei e acontece, que limpei os links... como quero fazer mais, vou ter que descobrir onde ''pára o dito''!
O programa oferece uma infinidade de rostos, que podes construir à tua maneira. Esticar/alongar, alargar/encolher... este tipo de montagem é muito utilizado nos casos de assassinos, pessoas perdidas e etc... uma forma de encontrar um rosto o mais aproximado possível da figura real.

Já criei figuras que detesto e figuras que gosto ou me dizem alguma coisa à partida. Esta a figura acima, é a de um jovem que gosto. Obviamente que não existe em carne e osso. Só na minha imaginação. Lá deverá continuar.


- quando encontrar o programa, deixo-vos aqui o link ou em posteriores postagens...-

Vertigem (3)

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 11:19


« a pobreza de espírito não enxerga a luz. podes até não saber ler e nem escrever e ainda assim, a natureza pode conceder-te a fortuna. aquela que todos querem, e apenas raros a possuem! »

Vertigem (2)

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 11:07



« talvez, um dia... o talvez é um caderno que usamos muito. é uma janela à espera. sou eu esperando pela Outra e mais outra. nunca se perde uma. as torres guardam-nas. somos senhoras das mansões, dos arraiais, dos sonhos e... das vertigens da vida em nós. e... sabe tão a pouco, não é verdade? beija-me... e cala-me.»


Vertigem (1)

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 10:57


« avancei. dupliquei-me. a cidade roubou-me a floresta. não sei mais. saber mais que nada. a existência dobrou o tempo; o tempo sucumbiu. nasci gato. gato sou. gosto de torres. é a vertigem do que sou feita. Rainha sobre tudo. mas não sei onde estou. a floresta. ela, apenas ela me tem!! »

Vertigem

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 10:49



«venho da floresta!  espreito o que parece uma cidade. curiosa, avanço, como os gatos que desejam descobrir. avanço confiante e desconfiada. avanço. AVANÇO!»

FLOR SELVAGEM - Cíntia Thomé

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 08:16



FLOR SELVAGEM

Um poema 
de 
 Cíntia Thomé


Ah! Homem de carne
Na sua ínfima pele
Escute, ouça o grito, o alerta
Daqueles que vieram, como eu,
A sorrir do desdém da vida,
Das escadarias de areia em quedas
Que guindaste usou na usurpação
Com a palavra do Olho,
Olhar tão próximo, mas, ao longe, já havia visto
O temor dos incompetentes, dos frangalhos,
Afagando carências
Dos andantes que pedem clemências.
Fogem, mas retornam, fogem e fogem
Chorosos mentirosos pecadores
Fracos nas couraças furadas e fétidas
Ah! Homem de carne…

Vens com logomarcas, selos,
marcas de nada, do acaso, amanhã fora de linha.
Pilotas esses carros de lata em rodas negras
Porque a coragem está nas rodas de fogo
Nas suas carruagens, carroças,
Querendo se aproximar de mim
Mas… pestaneja… Repele-me… Por quê?
Tens receio da vergonha
Da constatação que és triste espírito
De luta e labuta, e não partilhas pão e nada
E teus pés fincados com as unhas
do Diabo que te toma, roubando-te
Uma putrefacta possuidora,
Numa quase pena máxima sem valor
Ah! Homem de carne…

Pede socorro sorrateiramente
mas se assusta, desconfia, coalha
Sente saudade, mas na presença, falha!
Mas eu confio, creio.
Ah! Homem de carne…

Estrutura teu cérebro, tua cabeça
Com a minha mão meiga e grossa da verdade.
Ajoelha, e que doam teus ossos, mas pede perdão
Fica perto dos reencontros escritos, do eterno
Do Universo enigmático, mas certo.
Ah! Homem de carne…

Poetando eu te coloco em meu colo
Sei que te incomodas com o calor de mim
Com as lágrimas invisíveis de sangue e mel
Com meu beijo sincero, quase uma inocência
Tu te aproximas de mim…mas corres de mim
Julga-se são, mas neurótico insano
Porque não crês na boa palavra
Nem na mulher absoluta, a Flor
De pétalas que perfumam pulmões,
Que agasalha as montanhas
Onde os ímpios habitam, labaredas ferozes
Salvaguardando seu semelhante, seu Amor
Cuspindo sementes,
Que amarra, abraça, sustenta
Árvores decaídas, semimortas
Pois mulher desejo é de cedro
Não tomba, olha sempre Céus
A roda, a família…
Ah! Homem de carne…

Fraquejou com seus ossos plásticos
Porque quer o verde pardo da cédula,
E eu, só amo a sentença:
In God We Trust
Ah! Homem de carne…

E nas suas semelhanças
Quer ser moderno com objetos
Que amanhã serão escarros, lixo nos ralos e rios,
Gavetas estufadas gotejando suores alheios.
Resguarda tua pureza, eu peço, imploro!
Vim como leite de caule,
A seiva azul ao prisioneiro, ao refém
Mas tu mamas carne podre, vadia, prostituta…
Coitada, louca que será um dia judiada, apedrejada
Se assim já não é…
Ah! Homem de carne…

Engasgas quando me vês, talvez sintas inveja
Talvez pela grandeza selvagem que amedronta
Mete medo, admiração…
Mas incapaz não sorves, bebes ou mastigas
A Orquídea lubrificada de Amor
Ou o fruto de maracujá que sou
Porque adoras quem te bate, maltrata
Masoquismo tresloucado invisível
Maquiavel de teus ‘ontens’
A vil, a pútrida
Maçã
Ah! Homem de carne…

Cuida de ti.

W - ater

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 18:16

Perdições Selvagens

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , | Posted on 11:04



« não sei o que escrever!. na verdade, quero escrever. escrever-te. dizer o que me fode! dizer-te. entendes, ou será assim tão complicado? a boca. estou farta das orgias. essas orgias feitas de areias. sabes, diria que, ontem, vi avestruzes a voarem pelo céu. mais tarde, encontrei um velho e dissera-me que tinha visto papoilas; seriam anjos, segundo ele. a crueldade ditara ao Velho, que pedisse a minha boca emprestada. como se a facilidade morasse em qualquer canto do corpo feminino. comentei sobre as avestruzes. não ouvi nenhuma palavra, apenas o som de uma espécie de água a correr. o banco. sobre ele. tamanha a façanha do Velho. velhaco.
agarrei as papoilas, fiz uma longa corrente. despi o Velho. acorrentei-o à árvore. convidei as avestruzes a passearem as suas penas até à exaustão. a carne fervia. os olhos reviravam. não dizia coisa com coisa. babava-se. enquanto isso, uma outra, pequena avestruz mastigava amorosamente o bendito Príncipe Pirolito.
a maior surpresa que tive, uma família de ratos criara uma bilheteira de cinema, a troco de queijo, para que o povoado de velhas traídas assistissem ao último suspiro do Velho manhoso amante. nunca vi rostos enrugados tão luminosos e felizes. nelas, sim, conheci o verdadeiro orgasmo... »
NãoSouEuéaOutra in '' as velhas perdições ''


megalíticos presos à vagina

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 17:53


« sobram os tempos da memória. megalíticos presos à vagina dos dias. línguas lambendo a planície do céu. dobram-se as linhas que fazem a tua vontade de amar; o arrepio das mil sedas invadem a retina e não sou mais dona de mim. sou a vida da viagem, o sentido da tua voltagem e a vertigem do teu desejo. »

NãoSouEuéaOutra in '' a necessidade de morder a vertigem do desejo ''

O Terceiro Cérebro do Ser Humano

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 08:41

( texto para revisar e reescrever e matéria para pensar e re-pensar!! )

« Segundo a ciência, o cérebro humano (homem e mulher) diminuiu. Em 30 mil anos encolheu, tal como uma bola de ténis. Dizem que esse facto se deveu à questão da sobrevivência, visto que com o crescimento das taxas de nascimento e a consequente formação da civilização em grupos, deixou de ser importante o desenvolvimento daquela. Assim, a sobrevivência, numa sociedade como a actual, que cresceu de tal forma, o homem não precisa de usar mais o seu lado de sobrevivente. O facto de viver em grupo, ter condições que lhe permitem se proteger e, ter já muitas estruturas preparadas para a sua vivência física e social, levou ao encolhimento cerebral. [ Isto coloca-me uma questão ambiental tremenda... em fase de um cataclismo global, o ser humano não terá condições físicas de sobreviver, visto que perdeu metade das capacidades de sobrevivência, à custa de uma área de conforto. É como se tivessem lhe retirado anti-corpos para fazer frente às bactérias e vírus. Diria que a civilização não é só benefícios - tal como a sociabilidade e instrução e industrialismo/capitalismo/consumismo (estes aparentemente, são como a Cinderela que não conhece a bruxa) -, também é malefícios - alimentação mortal, alienação, comodismo, escravatura... -. ]

Escrevo isto, porque encontrei um assunto interessante, um outro cérebro. Os neurónios fazem/constroem, segundo parece, o cérebro, e daí este terceiro, alberga maior quantidade de neurónios. Segundo os cientistas (medicina) é o último a fenecer. Sim, a Morrer este terceiro cérebro, o digestivo. Ora, se assim for, a inteligência alimentar define-nos muito daquilo que nos tornaremos. Ora, se no cérebro da cabeça, não alimentamos os neurónios com a alimentação própria para ele, não o desenvolvemos, independente da quantidade de neurónios que alberga; o mesmo se passa com o terceiro cérebro localizado no aparelho digestivo e intestinal. (Um cérebro enrolado à volta do tubo digestivo e do intestino.) Infelizmente este, presentemente, parece ter falhas e falta de muitas condições para enfrentar a Bulimia ocidental desencadeada pelas industrias alimentares e farmacêuticas... »

Veja a matéria aqui CLICAR PDF







sei lá...

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 20:20



«quando penso demais, desdobro-me. apenas uma finalidade, voltar para dentro outra vez.»


Um poema

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 18:14


ADEUS, NAÇÃO

Um Poema
de
Leuzo de Siqueira
 (jul/1983)


Adeus, Nação!!!!
Agradecido estou ( assim m'o despeço) e peço que
Leves a sério ( não a despedida pois sim a loucura).

Adeus, Ó (sem agá) minha pater mater ( ou pátria-morta?!?)
Non saberíamos, decerto

Mas adeus, Nação !!!

Não te considero mais a minha virgínia / (eras mesmo virgem?) já
Que tantos ousaram(!!!) - ou permitiste o estrupo?!? Ó, Terra Nossa...
Tantos sugaram à secura tuas bonançosas tetas....
( a nós outros restou apenas um pirex (ou pires((?)) de leite /
- ou seria a borra dos engenhos de farinha de mandioca?...

Mesmo assim, Ó (sem agá/sem acento) Nação minha prostitutazinha...
Muito enluta-me teu fado/fardo farto de Fortunas vis...
Nação... Ah! Ahhhhhhhh! Ah!Ah!Ah! Ih!
Ihhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! (iac!)
Ih!............(snif...)
És puta-palavra vilã na boca de qualquer poeta....serias poema?
Servirias tú a tal inspiração(?)....safadazinha

Porém,enfim. afinal: adeus, Nação!

Povo valente
Povo carente
Povo servil
Povo titã
Varonil (Variolino/Variolina)
Povo Povo Povo mais Povo...tanto Povo! ...Tudo Nação...

Adeus tupiniqueiras sextas-feiras conspirativas lá pelos idos dos 70...
Adeus, Tontos Meus, que sonhavam e morreram Revoluções...
Adeus, Amigos(as) intimos(as) que sacudimos os egos ids
Que sacudimos a poeira e deciframos nossas dores....

Adeus meu restolho de Nação que sobrou no tacho da ditadura...
( como Mau Dita a maldita....quanto foi dura...)
Foi maldita e duramente cruel...(como todas)

E,
Mudasse-se o tema para pátria
Decerto que tudo chegaria a putana que pariu
Aqueles que a tudo deturparam,
Òh, patria amada,salve-se! salve-se...

Que fodamos El-Rey!


Prosar

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 13:20

Hoje, vou escrever uma Prosa. Uma das mais simples. Aliás, ela irá ser Única. São estes dias que passam, que concebem tudo tão simples. Não será?












O













O Poema

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 12:41

Senhores e Senhoras; Meninos e Meninas, por acaso, estão/existem algumas letras por aqui? Aqui mesmo, neste momento? Têm a certeza? Só depois de terem a certeza, aquela absoluta, é que, então, poderão escrever o vosso comentário.
O Poema fala de Ti mesmo. Lê com atenção. Leia bem, é de suma importância. Esteja atento.























.



















Gostou do Poema? O que considerou ser o mais extraordinário nele?






Crónicas Curtas e Brocantes e 1 Poema

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 18:06

Teus cabelos espantam a minha razão de ser. Deixa-me apanhá-los? Mais que tudo, deixa que a minha língua seja uma iguaria no céu da tua boca. Come-me, sem seres carnívoro. Suga-me, sem seres vampiro.




Há coisas importantes que passam por nós como se fossem correntes de ar, e que devemos agarrar e sedimentar, por serem uma parte daquilo que devemos ser. Por isso é importante estar acordado!

NãoSouEuéaoutra in ''Crónicas Curtas e Brocantes'

Fotografias '' A saga com o telemóvel continua''



O POEMA
xadrez do viver intenso

Por Cintia Thomé

Não tive escolhas
Pois o que construí desmoronou-se
Nos atos fortes
na quebra de braço
linhas retas em aço tornaram-se barbantes
Fragilidade gera fragilidade
pé descalço
sonhos reconstrui
mas não era eu o personagem
protagonista, vibração
eram todos
todas as peças do xadrez
manipulavam - me
a rainha
os cavalos mostram as ferraduras

Tentar outra vez
nas costas anos das perdas
recomeçar quando a regra
para os demais é parar
ficar alheia, não há de subir
escadas dos castelos e dos dourados ouros
de novo
como?
Há vestidos no chão
a fazer capacho
e nua
suja das mentiras
impostas à lama
frio d'alma
uma frouxa

Demoro em paisagens

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 16:19

Continuando com as fotografias tiradas com o telemóvel. Refazendo histórias em dias de insónia primaveril, cujo rasto está na terra que piso. Tudo o mais, vai se transformando. Uma outra se encontrando para lá das catacumbas. Ninguém pode tirar o que já não existe.


Não me digas o teu nome. Apenas existo na solidão dos cheios de alma. Trago a memória naufragada de amores intensos. Hoje, sou apenas Eu, mais inteira e, contudo toda nua.


Esperar por um homem, é uma batalha perdida; devíamos esperar por algo maior que nos faça inteiras. Temos essa capacidade, se tivermos a ousadia de quebrar o nosso apego. Se os homens têm a arrogância de dizer que, a mulher é apenas mulher, então, a mulher deveria ter a coragem de não o esperar e focalizar-se naquilo que lhe dê uma dimensão mais abrangida de si mesma.



Nunca deixes que te suguem até aos ossos. Há vampiros invisíveis que se travestem de madames poderosas e belas e amáveis. Eles se alimentam na noite, em solo inconsciente, e nunca o fazem à luz do consciente. Estes são os poderosos vampiros, que nunca comprometem a sua avidez à claridade de um sol. Nunca deixes suas antenas sintonizar o teu solo sagrado.

NãoSouEuéaOutra in ''Crónicas Rápidas e Curtas''

Simplicidade, longe das letras escritas

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 16:02

Hoje deu-me para fotografar com o telemóvel. Nunca o faço. Depois converti para qualquer coisa entre o B&W e essa outra coisa, e sem deixar de ser, o vicio do Grain...


Fui apanhar vitamina D, meu braço agradece depois que sofri uma luxação que nem conto!! Aqui ficam as fotografias...

...partes de qualquer coisa, da dona deste blog...


...um livro a fazer companhia para ganhar juízo...


...diante deste cenário, cujo calor aquecia todos os lados...


...os minutos foram passando, e o sol ficou lá embaixo pequeno...

Close your eyes... I can´t tell you nothing more...

Epitáfio

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , , , , , , , | Posted on 18:01


O psicopata
O transgressor

Não me calo!
Querem isso?
Não, digo eu!
Sim, dizem as suas Excelências!

Lábios pintados a vermelho, ocultando a mentira
Gostam do circo, da omissão, do faz conta que não
Sois amantes, confirmo-o, deles
A tela lamacenta desse vermelho
É o verde do semáforo
Nela, é vagem rasgada
Grito surdo, espírito perdido


Ele está vivo
Eles estão vivos
Dois tempos diferentes
Três, um já a vida cortou a cabeça

Um, vende vagens graúdas consentidas, alternas
Outro, vive vida pacata e finge o crime, ama a mulher
Aquele Outro, puro ar, invisível... correu louco, a psiquiatria o conheceu
Logo, perdeu a cabeça
Decapitado, é que, ousou transgredir
Foi por pouco, a intenção esteve inteira no acto
Deus espreitou antes do achega


Se fosse possível, liberta sem ar condicionado
Hoje mesmo, o prego retirava
De boa vontade, profundamente sentida
O martelo de bom grado ''atenchava'' os malditos cérebros


E ainda escrevem da justiça??
Cuidado com o Mercedes, outra cabeça pode rolar
Sangue do mesmo sangue
Nunca se sabe da semelhança do desígnio
Lembra-te, vagem rasgada


NãoSouEuéaOutra in '' Raivas incontroláveis que os Epitáfios poderão ter''




As Novas Missas Femininas

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 13:28


 As Novas Missas Femininas


- Já sabe da última?
- Qual última?
- A do Sr. Prior!!
- Sr. Prior?
- Sim. Sim!! Veja que ontem à tardinha, o Sr. Prior, resolveu dar a Missa nas traseiras da Igreja, da Santa Madre. Exclusiva para Mulheres, todas vestidas de branco. Uma chuva caía que se fartava, e dizia sua Excelência que era para limpar as almas. As mulheres precisavam de limpar a alma. Os pecados sujavam-nas.
- Ai nossa Senhora Aparecida a direito nos céus!!!
- É verdade! As Missas já não são como antigamente. Até o Galo emigrou. Ouvi dizer que foi dedicar-se ao Futebol, limpar estádios e arranjar uma Noiva em condições… e que aquilo de fazer cócóróró não dava dinheiro nenhum, e nem tesão. Saiu tão danado do poleiro habitual, que vociferou, «se o calvário existia, que iria enviar para lá todos os Priores.» Vá-se lá entender a cabeça de um galo.
- Cruzes! Que galo esquisito. O Sr. Prior deixou partir o Galo?
- O Sr. Prior, ao que consta, estava mais interessado nas beatas com a roupa toda coladinha ao corpo!!
- Ai sim?!
-  Consta-se que, ele, ficou a pregar debaixo de um guarda-chuva.
- ?????

NãoSouEuéaOutra in '' Dilatadores de Missas ''

Aliens

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in | Posted on 11:43

fotografias 2007


Vida Além daqui...

Delatar

Posted by NãoSouEuéaOutra | Posted in , | Posted on 09:36



" – Delatar – " 

Género: Poesia
Autor: NãoSouEuéaOutra



Que chatice Que chatice
Caminha pelo beiral
Vomita lavas de fogo
Enterra demónios Demónios enterra
Lavra mentiras
Mora em tudo
Não é cego Cego não é
Tosse muito
Vocifera ditos Ditos vocifera
Mora aqui ao lado
Dentro da parede


Ah, Deus que tardas


Amarelo Amarelo enxofre
Tece ele Ele tece
Ferra seu ferro
Tal e qual Judas
Não é Soberano Soberano não é
Mente com todos os dentes
Juízo não lhe sobra
Vagabundo errante Errante vagabundo
Sem santo nem deus
Demónio ao quadrado Quadrado ao demónio
Que jaz ali no beiral
E que diz
Se te apanho, cego-te
Se te apanho, como-te
Se te apanho, mato-te


Foram preciso virgulas Virgulas foram preciso
Se te apanho, devoro-te
Não és o Outro, o Outro sou eu
Amarelo claro Amarelo pálido
Amarelo Amarelo
Enxofre
Demónio
Tanatos


Escrito em Novembro no presente ano de 1999 D.C .

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...